Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 05/04/2020

05 de Abril de 2020

Vai a Siloé

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25/03/2020 14:44

Vai a Siloé 0

25/03/2020 14:44

A liturgia do 4º. Domingo da Quaresma vem para nos fortalecer ainda mais nesta grande caminhada do tempo quaresmal. Conhecido como Domingo Laetare, ou Domingo da Alegria; embora ainda o caminho quaresmal não tenha chegado ao seu termo, o Senhor nos renova o ânimo para a caminhada, de modo que a alegria da Páscoa começa a ser vislumbrada. A Liturgia deste domingo nos coloca nestas temáticas importantes: a unção, a cura do cego e a luz.

A primeira leitura deste domingo, é do livro de Samuel (cf. 1Sm 16,1b.6-7.10-13a). Nela lemos que Deus escolhe Davi, filho de Jessé, para ser ungido como Rei do povo de Deus. É Davi o filho escolhido e o herdeiro da aliança.

A Segunda Leitura (cf. Ef 5,8-14) ensina que: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade”. (v.8-9). Eis o convite que o Apóstolo faz a todos nós, que vivamos na Luz do Senhor. Que possamos dissipar das trevas e encontrar o Senhor que é a luz do mundo.

O Evangelho do Domingo Laetare (cf. João 9, 1-41) vemos se concretizar mais uma das catequeses batismais proposta pelo Evangelho de João. As três grandes “catequeses batismais” do Evangelho de João que norteiam a liturgia na Quaresma são a história da Samaritana (Jo 4), a do cego de nascença (Jo 9) e a de Lázaro (Jo 11). Vemos no Evangelho a perícope que fala do cego de nascença, pois, esta é uma história muito bem escrita.
Na perícope, vemos: um cego que está sentado, mendigando, do lado de fora do Templo (os cegos e coxos eram proibidos de entrar no Templo: 2Sm 5,8). Jesus passa, faz lama com a saliva, pega esta lama e passa nos olhos do cego e depois o manda ir ao tanque de Siloé, a 1km dali. (O evangelista explica que Siloé significa “enviado”, termo com o qual Jesus pediu se designa a si mesmo: (Jo 9,7). O cego executa o que Jesus pediu e volta vendo.

Começam então os comentários. Há quem não acredita nos próprios olhos: “será aquele que vivia mendigando na porta do templo? Não pode! Deve ser outro”. Mas o cego confirma: “Sou eu mesmo” (Jo 9,9). E quando perguntaram como ficou vendo, explica direitinho o que Jesus fez e lhe mandou fazer (Jo 9,11).

O milagre da cura do cego, havia acontecido em um dia de sábado. Devido a isso, os especialistas da religião concluem que Jesus realizou uma heresia, pois, não podia ter feito este ato de curar em dia de sábado, pois, este dia é sagrado. O cego diz que Jesus é um profeta. Chamam então, os pais do cego para dizer que ele nunca foi cego e muito menos curado da cegueira. Mas os pais não querem ser excluídos da comunidade e dizem que o cego pode responder por si (Jo 9, 17-22).

Uma outra indagação é feita ao cego (Jo 9,24), para que ele negue a Jesus. Ironicamente, o cego vai responder que a única coisa que ele sabe que era cego e agora está vendo. Os fariseus o interrogam novamente para saber que Jesus fez lama em dia de sábado. Mas o cego responde: “querem ouvir mais uma vez? Vocês também querem se tornar seus discípulos? (Jo 9,27). E, finalmente, quando ele insiste que Jesus fez com a ajuda de Deus um milagre como nunca se viu, excluem-no da sinagoga (Jo 9,34).

Por um lado, Jesus encontra o ex-cego no Templo (pois agora que ele não é mais cego, pode entrar no Templo, ainda que excluído da Sinagoga). Jesus lhe pergunta se ele tem fé no Filho-do-Homem (nome bíblico do enviado de Deus). O ex-cego responde: “quem é, para que eu acredite nele?” (ele reconheceu Jesus, pois quando se encontraram ele estava ainda cego). Jesus retrucava: “já o viste: é aquele que está falando contigo”. Para isso mesmo é que seus olhos foram abertos! Mas ele vê não somente com os olhos, ele vê também com o coração! Cai de joelhos e exclama: “Creio, Senhor” (Jo 9,38).

Por outro lado, Jesus diz: “Vim ao mundo para um julgamento, a fim de que os que não estavam vendo vejam, e os que vêem se tornem cegos” (Jo 9,40). Os fariseus ouvem isso e percebem que Jesus diz isso para eles. “Então, nós é que somos cegos?”, perguntaram. Mas, com fineza extrema, Jesus responde: “Se vocês fossem cegos, até que não seriam culpados. Mas agora que dizem que vêem, o pecado de vocês se confirma” ... (Jo 9,41).

O milagre de Jesus, ilustra sua frase: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12; 9,5). Depois de termos meditado esta sagrada liturgia, queremos pedir ao Senhor que também nos cure de nossas cegueiras espirituais e materiais. Jesus é a Luz que brilha em meio às trevas, caminha conosco e nos leva para caminhos seguros e iluminados. Jesus é o Bom Pastor! Que Deus abra os nossos olhos para que assim possamos enxergar a Luz de Cristo e assim ao termos contato com essa “Luz”, possamos também ser para o outro “luz do mundo”.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


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25/03/2020 14:44

A liturgia do 4º. Domingo da Quaresma vem para nos fortalecer ainda mais nesta grande caminhada do tempo quaresmal. Conhecido como Domingo Laetare, ou Domingo da Alegria; embora ainda o caminho quaresmal não tenha chegado ao seu termo, o Senhor nos renova o ânimo para a caminhada, de modo que a alegria da Páscoa começa a ser vislumbrada. A Liturgia deste domingo nos coloca nestas temáticas importantes: a unção, a cura do cego e a luz.

A primeira leitura deste domingo, é do livro de Samuel (cf. 1Sm 16,1b.6-7.10-13a). Nela lemos que Deus escolhe Davi, filho de Jessé, para ser ungido como Rei do povo de Deus. É Davi o filho escolhido e o herdeiro da aliança.

A Segunda Leitura (cf. Ef 5,8-14) ensina que: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade”. (v.8-9). Eis o convite que o Apóstolo faz a todos nós, que vivamos na Luz do Senhor. Que possamos dissipar das trevas e encontrar o Senhor que é a luz do mundo.

O Evangelho do Domingo Laetare (cf. João 9, 1-41) vemos se concretizar mais uma das catequeses batismais proposta pelo Evangelho de João. As três grandes “catequeses batismais” do Evangelho de João que norteiam a liturgia na Quaresma são a história da Samaritana (Jo 4), a do cego de nascença (Jo 9) e a de Lázaro (Jo 11). Vemos no Evangelho a perícope que fala do cego de nascença, pois, esta é uma história muito bem escrita.
Na perícope, vemos: um cego que está sentado, mendigando, do lado de fora do Templo (os cegos e coxos eram proibidos de entrar no Templo: 2Sm 5,8). Jesus passa, faz lama com a saliva, pega esta lama e passa nos olhos do cego e depois o manda ir ao tanque de Siloé, a 1km dali. (O evangelista explica que Siloé significa “enviado”, termo com o qual Jesus pediu se designa a si mesmo: (Jo 9,7). O cego executa o que Jesus pediu e volta vendo.

Começam então os comentários. Há quem não acredita nos próprios olhos: “será aquele que vivia mendigando na porta do templo? Não pode! Deve ser outro”. Mas o cego confirma: “Sou eu mesmo” (Jo 9,9). E quando perguntaram como ficou vendo, explica direitinho o que Jesus fez e lhe mandou fazer (Jo 9,11).

O milagre da cura do cego, havia acontecido em um dia de sábado. Devido a isso, os especialistas da religião concluem que Jesus realizou uma heresia, pois, não podia ter feito este ato de curar em dia de sábado, pois, este dia é sagrado. O cego diz que Jesus é um profeta. Chamam então, os pais do cego para dizer que ele nunca foi cego e muito menos curado da cegueira. Mas os pais não querem ser excluídos da comunidade e dizem que o cego pode responder por si (Jo 9, 17-22).

Uma outra indagação é feita ao cego (Jo 9,24), para que ele negue a Jesus. Ironicamente, o cego vai responder que a única coisa que ele sabe que era cego e agora está vendo. Os fariseus o interrogam novamente para saber que Jesus fez lama em dia de sábado. Mas o cego responde: “querem ouvir mais uma vez? Vocês também querem se tornar seus discípulos? (Jo 9,27). E, finalmente, quando ele insiste que Jesus fez com a ajuda de Deus um milagre como nunca se viu, excluem-no da sinagoga (Jo 9,34).

Por um lado, Jesus encontra o ex-cego no Templo (pois agora que ele não é mais cego, pode entrar no Templo, ainda que excluído da Sinagoga). Jesus lhe pergunta se ele tem fé no Filho-do-Homem (nome bíblico do enviado de Deus). O ex-cego responde: “quem é, para que eu acredite nele?” (ele reconheceu Jesus, pois quando se encontraram ele estava ainda cego). Jesus retrucava: “já o viste: é aquele que está falando contigo”. Para isso mesmo é que seus olhos foram abertos! Mas ele vê não somente com os olhos, ele vê também com o coração! Cai de joelhos e exclama: “Creio, Senhor” (Jo 9,38).

Por outro lado, Jesus diz: “Vim ao mundo para um julgamento, a fim de que os que não estavam vendo vejam, e os que vêem se tornem cegos” (Jo 9,40). Os fariseus ouvem isso e percebem que Jesus diz isso para eles. “Então, nós é que somos cegos?”, perguntaram. Mas, com fineza extrema, Jesus responde: “Se vocês fossem cegos, até que não seriam culpados. Mas agora que dizem que vêem, o pecado de vocês se confirma” ... (Jo 9,41).

O milagre de Jesus, ilustra sua frase: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12; 9,5). Depois de termos meditado esta sagrada liturgia, queremos pedir ao Senhor que também nos cure de nossas cegueiras espirituais e materiais. Jesus é a Luz que brilha em meio às trevas, caminha conosco e nos leva para caminhos seguros e iluminados. Jesus é o Bom Pastor! Que Deus abra os nossos olhos para que assim possamos enxergar a Luz de Cristo e assim ao termos contato com essa “Luz”, possamos também ser para o outro “luz do mundo”.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro