Arquidiocese do Rio de Janeiro

35º 21º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/12/2017

17 de Dezembro de 2017

Nota máxima para o Papa

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

17 de Dezembro de 2017

Nota máxima para o Papa

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

06/12/2013 15:06 - Atualizado em 06/12/2013 15:07

Nota máxima para o Papa 0

06/12/2013 15:06 - Atualizado em 06/12/2013 15:07

Nota máxima para o Papa / Arqrio

Com a Exortação Apostólica “Alegria do Evangelho”, o Papa Francisco nos ensina a evangelizar através da “chave missionária”. Alegremente. Decididamente. Estávamos acostumados a receber os conteúdos do ensinamento papal. A surpresa é que agora ele nos ensina a ensinar o Evangelho, através desta Exortação. Soma-se à peculiar pedagogia de ensino já conhecida nas homilias, alocuções, entrevistas e a partir da expressão de seu próprio modo de ser e personalidade.

Melhor do que comentar e resumir o texto com o risco de empobrecê-lo ou reduzi-lo a uma forma de análise, incentivamos sua leitura e aplicação. Fazemos a propaganda do texto, sem nenhuma isenção e parcimônia. Ele é tão bom que fomenta o desejo de divulgá-lo. Basta conferir.

Propõe e estimula a “conversão pastoral”, através da Igreja “em saída”, isto é, “com as portas abertas”. É mais que imagem simbólica expressiva. Trata-se de incentivo ao “estilo evangelizador” e “em qualquer atividade que se realize” (n. 18). Portanto, não deixa os destinatários desinteressados. Provoca-os. Aliás, o texto é sua própria mensagem de ir ao encontro.

Não temos um documento eclesial a mais, cuja linguagem seja enfadonha e indecifrável aos não eclesiásticos. É texto ao alcance. Para ser lido e compreendido. Tem sabor de novo no que diz e como diz, visando à prática das práticas missionárias. Carrega em si o que pretende fazer: “uma renovação eclesial inadiável” a incluir o papado. Planeja alto e grande e a bom tom. Corajoso, partilha conosco a corresponsabilidade do planejamento, da disposição e da operação, guardando as devidas atribuições, pois a missão, ainda que diferenciada, é da Igreja toda. É pretencioso. Como seremos capacitados? Isto obriga-nos a contarmos uns com os outros, com a graça divina e a oração.

Embora extenso, o texto é simples. Envolvente. Gostoso de ler. Não dá conselhos. Não admoesta. Só dispõe “algumas diretrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo” (n. 17). E que diretrizes! É o programa do milênio.

O texto é vibrante. Transmite a alegria do pastor. É carregado de espiritualidade. É aberto para mentes abertas. Pensa e nos faz pensar. Para agir. Visa à mudança de práticas caducas e de atitudes mentais envelhecidas que emperram e dificultam a evangelização. Prega a revisão de estruturas e atitudes ineficientes para facilitar a missão.

É realista quanto aos desafios. Forte, incisivo e crítico no modo de escancará-los. Inclusive quanto às realidades eclesiásticas. Sabe do tempo, em geral lento e pesado da história, das pessoas, das estruturas que tornam difícil dinamizar a conversão pastoral dos órgãos da Igreja. Mas importa dar o passo. O texto e o autor dão pontapé. Abrem caminhos devido à “mudança de época”.

A obra indica o discernimento dos espíritos. É seu fruto. Propõe semelhante discernimento para agir com audácia, criatividade e humildade. Reflete a têmpera e a liderança de um homem de fé e de esperança, de contemplação e de ação. Aberto a todos e em especial à causa dos pobres.

Enfim, conhecemos a preferência pastoral do Papa sorridente: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos” (n. 40). Ainda: “Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência, é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida” (n. 49). Parafrasearíamos de bom grado os bispos do Concílio de Calcedônia, em 451: Pedro falou pela boca de Francisco. Entretanto, é suposto que muitas águas vão rolar; ainda teremos outras tantas falas e atitudes surpresas.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.
Nota máxima para o Papa / Arqrio

Nota máxima para o Papa

06/12/2013 15:06 - Atualizado em 06/12/2013 15:07

Com a Exortação Apostólica “Alegria do Evangelho”, o Papa Francisco nos ensina a evangelizar através da “chave missionária”. Alegremente. Decididamente. Estávamos acostumados a receber os conteúdos do ensinamento papal. A surpresa é que agora ele nos ensina a ensinar o Evangelho, através desta Exortação. Soma-se à peculiar pedagogia de ensino já conhecida nas homilias, alocuções, entrevistas e a partir da expressão de seu próprio modo de ser e personalidade.

Melhor do que comentar e resumir o texto com o risco de empobrecê-lo ou reduzi-lo a uma forma de análise, incentivamos sua leitura e aplicação. Fazemos a propaganda do texto, sem nenhuma isenção e parcimônia. Ele é tão bom que fomenta o desejo de divulgá-lo. Basta conferir.

Propõe e estimula a “conversão pastoral”, através da Igreja “em saída”, isto é, “com as portas abertas”. É mais que imagem simbólica expressiva. Trata-se de incentivo ao “estilo evangelizador” e “em qualquer atividade que se realize” (n. 18). Portanto, não deixa os destinatários desinteressados. Provoca-os. Aliás, o texto é sua própria mensagem de ir ao encontro.

Não temos um documento eclesial a mais, cuja linguagem seja enfadonha e indecifrável aos não eclesiásticos. É texto ao alcance. Para ser lido e compreendido. Tem sabor de novo no que diz e como diz, visando à prática das práticas missionárias. Carrega em si o que pretende fazer: “uma renovação eclesial inadiável” a incluir o papado. Planeja alto e grande e a bom tom. Corajoso, partilha conosco a corresponsabilidade do planejamento, da disposição e da operação, guardando as devidas atribuições, pois a missão, ainda que diferenciada, é da Igreja toda. É pretencioso. Como seremos capacitados? Isto obriga-nos a contarmos uns com os outros, com a graça divina e a oração.

Embora extenso, o texto é simples. Envolvente. Gostoso de ler. Não dá conselhos. Não admoesta. Só dispõe “algumas diretrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo” (n. 17). E que diretrizes! É o programa do milênio.

O texto é vibrante. Transmite a alegria do pastor. É carregado de espiritualidade. É aberto para mentes abertas. Pensa e nos faz pensar. Para agir. Visa à mudança de práticas caducas e de atitudes mentais envelhecidas que emperram e dificultam a evangelização. Prega a revisão de estruturas e atitudes ineficientes para facilitar a missão.

É realista quanto aos desafios. Forte, incisivo e crítico no modo de escancará-los. Inclusive quanto às realidades eclesiásticas. Sabe do tempo, em geral lento e pesado da história, das pessoas, das estruturas que tornam difícil dinamizar a conversão pastoral dos órgãos da Igreja. Mas importa dar o passo. O texto e o autor dão pontapé. Abrem caminhos devido à “mudança de época”.

A obra indica o discernimento dos espíritos. É seu fruto. Propõe semelhante discernimento para agir com audácia, criatividade e humildade. Reflete a têmpera e a liderança de um homem de fé e de esperança, de contemplação e de ação. Aberto a todos e em especial à causa dos pobres.

Enfim, conhecemos a preferência pastoral do Papa sorridente: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos” (n. 40). Ainda: “Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência, é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida” (n. 49). Parafrasearíamos de bom grado os bispos do Concílio de Calcedônia, em 451: Pedro falou pela boca de Francisco. Entretanto, é suposto que muitas águas vão rolar; ainda teremos outras tantas falas e atitudes surpresas.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro