Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 05/04/2020

05 de Abril de 2020

‘Em nome de Cristo, suplicamos-vos: reconciliai-vos com Deus’ (2 Cor 5, 20)

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05 de Abril de 2020

‘Em nome de Cristo, suplicamos-vos: reconciliai-vos com Deus’ (2 Cor 5, 20)

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01/03/2020 00:00

‘Em nome de Cristo, suplicamos-vos: reconciliai-vos com Deus’ (2 Cor 5, 20) 0

01/03/2020 00:00

Na Quarta-feira de Cinzas iniciamos o tempo da Quaresma, e como acontece todos os anos o Papa escreve uma mensagem dirigida para toda a Igreja, recordando-nos a importância deste tempo favorável. Um tempo que deve ser vivido com intensidade, praticando as três virtudes neste tempo de deserto que é a oração, o jejum e a esmola, como nos recorda a Palavra do Evangelho deste dia. Recordando, sobretudo, por quem fazemos este sacrifício, em memória de Jesus, do seu sacrifício por nós no calvário, que culminou na Cruz. Ele aceitou livremente a paixão em reparação aos nossos pecados, por isso durante a Quaresma devemos entregar os nossos pecados na Cruz de Cristo e ressurgir com Ele para uma vida nova. Apoiados dessa maneira pela oração, jejum e esmola.

A Quaresma é um tempo de reconciliação com Deus; devemos nos deixar reconciliar por esse Deus. Procurarmos o Sacramento da Confissão, que é se reconciliar com o amor de Deus. Se pecamos é porque nos afastamos do amor de Deus, rompemos nossa relação com Ele, e por meio da confissão nos reaproximamos d’Ele. Durante a Quaresma é forte o apelo à penitência, à conversão e à mudança de vida. Somos convidados a entrar de uma maneira na Quaresma e chegar no Domingo de Páscoa de outra.

“Em nome de Cristo, suplicamos-vos: reconciliai-vos com Deus” (cf. 2 Cor 5, 20). Este é o tema da mensagem do Papa Francisco para a Quaresma deste ano, nos convidando à prática da reconciliação com Deus. Assim como acontece na relação dos pais com os filhos ou do esposo e da esposa, que por vezes brigam e logo depois fazem as pazes, porque, sobretudo, ali reina o amor, assim é nossa relação com Deus: Ele nos perdoa, nos reconciliamos com Ele, porque nossa relação com Ele é uma relação mútua de amor.

O Papa nos convida nesta Quaresma a fixar os nossos olhos na Cruz de Cristo. O que aconteceu com Jesus não é algo do passado, mas se faz presente hoje, principalmente em cada Santa Missa na qual é atualizado o sacrifício de Cristo por nós no altar. Lembrar dos braços abertos de Jesus na Cruz e como se Ele estivesse abraçando a cada um de nós e nos convidando a fixar os olhos n’Ele, e entregar no altar, no momento do sacrifício, os nossos pecados.

O Papa insiste que a misericórdia só pode ser alcançada através de um diálogo sincero com o Senhor crucificado e ressuscitado, um diálogo de coração a coração. Por meio do Espírito Santo Ele ressuscitou e continua vivo dentro de cada um de nós. Ele nos dá o seu perdão sincero. Nós só conseguiremos essa intimidade com o Senhor vivenciando a sua Palavra, tendo contato direto com Ele, pois por meio da sua Palavra se abrirá espaço para a nossa Salvação.

Mesmo em meio às dificuldades da vida, em meio aquilo que vemos nas redes sociais ou televisão, não devemos desistir desse nosso encontro íntimo com o Senhor. Temos que reservar um tempo para meditar a Sua Palavra e conversar com Ele, fortalecendo assim a nossa relação com Ele. Dessa maneira poremos em prática uma das virtudes da Quaresma que é a oração. Do mesmo modo se nos encontrarmos num momento de dificuldade em que as coisas não estejam dando muito certo para nós, não devemos desistir dessa relação de intimidade com o Senhor, pelo contrário, aí que ela deve aumentar. E é claro, não ser somente no período Quaresmal, mas durante o ano todo. Mas este tempo favorável nos ajuda a procurar colocar em dia nossa vida espiritual cristã.

O Papa insiste em colocarmos o mistério pascal no centro da nossa vida. Podemos ver Jesus no próximo, naquele que está doente, no pobre, abandonado. Enfim, naqueles que se encontram feridos em sua dignidade. Podemos assim como Jesus estender as mãos para essas pessoas, devolvendo a elas a sua dignidade de filhas de Deus. Devemos ser sinal de ressurreição para os outros e não de morte. Nesse sentido, no Brasil temos a Campanha da Fraternidade que nos ajuda a dar passos em nossa conversão também com uma presença social comprometida com Cristo e com os irmãos.

O Papa nos chama a atenção para a partilha, que devemos ter a distribuição igualitária de bens, não como acontece hoje quando alguns têm muito e outros têm pouco ou quase nada. O Papa Francisco fala diretamente aos economistas para que ajudem junto com os políticos de seus países a ter a distribuição igualitária de bens. A política sendo bem feita pode ser uma forma de caridade, que também é uma das práticas dessa Quaresma. Para isso ele convocou os jovens para um estudo sobre a economia de Francisco nas terras de Assis, no final deste mês de março.

De maneira particular aqui no Brasil, além de iniciarmos a Quaresma, iniciaremos também a Campanha da Fraternidade que tem como tema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (cf. Lc 10,33-34) e como lema: “Fraternidade e vida: dom e compromisso”. Isso é viver intensamente o mistério pascal de Cristo, sendo sinal de Ressurreição para quem encontrarmos, curando e cuidando de suas feridas, assim como Jesus faz conosco. Que o exemplo de Santa Dulce dos Pobres, cuja figura consta no cartaz oficial da CF, nos ensine a acolher indistintamente todos, com ternura evangélica, com amor-compaixão-misericórdia-perdão-reconciliação.

Iniciemos bem nossa Quaresma, colocando em prática as propostas, como oração, jejum e esmola. E como nos pede o Papa Francisco, termos intimidade com Jesus e com sua Palavra, e sendo sinal d’Ele a quem encontrarmos. A íntegra da mensagem pontifícia pode ser acessada no endereço: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-02/papa-francisco-mensagem-quaresma-2020.html

Caminhando com o Senhor pelo deserto quaresmal, deixemos de lado tudo aquilo que nos afasta da companhia do Senhor Ressuscitado! Por isso o Papa Francisco, “neste tempo quaresmal, .... estende a todos os cristãos o que escreveu aos jovens na Exortação apostólica “Christus vivit”: fixar os braços abertos de Cristo crucificado e deixar-se salvar sempre de novo. “A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem”. https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-02/papa-francisco-mensagem-quaresma-2020.html , último acesso em 24 de fevereiro de 2020).
Deixemo-nos “fixar os braços ao Cristo Crucificado!”: “Em nome de Cristo, suplicamos-vos: reconciliai-vos com Deus” (2 Cor 5, 20).

Uma Santa Quaresma a todos!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


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‘Em nome de Cristo, suplicamos-vos: reconciliai-vos com Deus’ (2 Cor 5, 20)

01/03/2020 00:00

Na Quarta-feira de Cinzas iniciamos o tempo da Quaresma, e como acontece todos os anos o Papa escreve uma mensagem dirigida para toda a Igreja, recordando-nos a importância deste tempo favorável. Um tempo que deve ser vivido com intensidade, praticando as três virtudes neste tempo de deserto que é a oração, o jejum e a esmola, como nos recorda a Palavra do Evangelho deste dia. Recordando, sobretudo, por quem fazemos este sacrifício, em memória de Jesus, do seu sacrifício por nós no calvário, que culminou na Cruz. Ele aceitou livremente a paixão em reparação aos nossos pecados, por isso durante a Quaresma devemos entregar os nossos pecados na Cruz de Cristo e ressurgir com Ele para uma vida nova. Apoiados dessa maneira pela oração, jejum e esmola.

A Quaresma é um tempo de reconciliação com Deus; devemos nos deixar reconciliar por esse Deus. Procurarmos o Sacramento da Confissão, que é se reconciliar com o amor de Deus. Se pecamos é porque nos afastamos do amor de Deus, rompemos nossa relação com Ele, e por meio da confissão nos reaproximamos d’Ele. Durante a Quaresma é forte o apelo à penitência, à conversão e à mudança de vida. Somos convidados a entrar de uma maneira na Quaresma e chegar no Domingo de Páscoa de outra.

“Em nome de Cristo, suplicamos-vos: reconciliai-vos com Deus” (cf. 2 Cor 5, 20). Este é o tema da mensagem do Papa Francisco para a Quaresma deste ano, nos convidando à prática da reconciliação com Deus. Assim como acontece na relação dos pais com os filhos ou do esposo e da esposa, que por vezes brigam e logo depois fazem as pazes, porque, sobretudo, ali reina o amor, assim é nossa relação com Deus: Ele nos perdoa, nos reconciliamos com Ele, porque nossa relação com Ele é uma relação mútua de amor.

O Papa nos convida nesta Quaresma a fixar os nossos olhos na Cruz de Cristo. O que aconteceu com Jesus não é algo do passado, mas se faz presente hoje, principalmente em cada Santa Missa na qual é atualizado o sacrifício de Cristo por nós no altar. Lembrar dos braços abertos de Jesus na Cruz e como se Ele estivesse abraçando a cada um de nós e nos convidando a fixar os olhos n’Ele, e entregar no altar, no momento do sacrifício, os nossos pecados.

O Papa insiste que a misericórdia só pode ser alcançada através de um diálogo sincero com o Senhor crucificado e ressuscitado, um diálogo de coração a coração. Por meio do Espírito Santo Ele ressuscitou e continua vivo dentro de cada um de nós. Ele nos dá o seu perdão sincero. Nós só conseguiremos essa intimidade com o Senhor vivenciando a sua Palavra, tendo contato direto com Ele, pois por meio da sua Palavra se abrirá espaço para a nossa Salvação.

Mesmo em meio às dificuldades da vida, em meio aquilo que vemos nas redes sociais ou televisão, não devemos desistir desse nosso encontro íntimo com o Senhor. Temos que reservar um tempo para meditar a Sua Palavra e conversar com Ele, fortalecendo assim a nossa relação com Ele. Dessa maneira poremos em prática uma das virtudes da Quaresma que é a oração. Do mesmo modo se nos encontrarmos num momento de dificuldade em que as coisas não estejam dando muito certo para nós, não devemos desistir dessa relação de intimidade com o Senhor, pelo contrário, aí que ela deve aumentar. E é claro, não ser somente no período Quaresmal, mas durante o ano todo. Mas este tempo favorável nos ajuda a procurar colocar em dia nossa vida espiritual cristã.

O Papa insiste em colocarmos o mistério pascal no centro da nossa vida. Podemos ver Jesus no próximo, naquele que está doente, no pobre, abandonado. Enfim, naqueles que se encontram feridos em sua dignidade. Podemos assim como Jesus estender as mãos para essas pessoas, devolvendo a elas a sua dignidade de filhas de Deus. Devemos ser sinal de ressurreição para os outros e não de morte. Nesse sentido, no Brasil temos a Campanha da Fraternidade que nos ajuda a dar passos em nossa conversão também com uma presença social comprometida com Cristo e com os irmãos.

O Papa nos chama a atenção para a partilha, que devemos ter a distribuição igualitária de bens, não como acontece hoje quando alguns têm muito e outros têm pouco ou quase nada. O Papa Francisco fala diretamente aos economistas para que ajudem junto com os políticos de seus países a ter a distribuição igualitária de bens. A política sendo bem feita pode ser uma forma de caridade, que também é uma das práticas dessa Quaresma. Para isso ele convocou os jovens para um estudo sobre a economia de Francisco nas terras de Assis, no final deste mês de março.

De maneira particular aqui no Brasil, além de iniciarmos a Quaresma, iniciaremos também a Campanha da Fraternidade que tem como tema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (cf. Lc 10,33-34) e como lema: “Fraternidade e vida: dom e compromisso”. Isso é viver intensamente o mistério pascal de Cristo, sendo sinal de Ressurreição para quem encontrarmos, curando e cuidando de suas feridas, assim como Jesus faz conosco. Que o exemplo de Santa Dulce dos Pobres, cuja figura consta no cartaz oficial da CF, nos ensine a acolher indistintamente todos, com ternura evangélica, com amor-compaixão-misericórdia-perdão-reconciliação.

Iniciemos bem nossa Quaresma, colocando em prática as propostas, como oração, jejum e esmola. E como nos pede o Papa Francisco, termos intimidade com Jesus e com sua Palavra, e sendo sinal d’Ele a quem encontrarmos. A íntegra da mensagem pontifícia pode ser acessada no endereço: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-02/papa-francisco-mensagem-quaresma-2020.html

Caminhando com o Senhor pelo deserto quaresmal, deixemos de lado tudo aquilo que nos afasta da companhia do Senhor Ressuscitado! Por isso o Papa Francisco, “neste tempo quaresmal, .... estende a todos os cristãos o que escreveu aos jovens na Exortação apostólica “Christus vivit”: fixar os braços abertos de Cristo crucificado e deixar-se salvar sempre de novo. “A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem”. https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-02/papa-francisco-mensagem-quaresma-2020.html , último acesso em 24 de fevereiro de 2020).
Deixemo-nos “fixar os braços ao Cristo Crucificado!”: “Em nome de Cristo, suplicamos-vos: reconciliai-vos com Deus” (2 Cor 5, 20).

Uma Santa Quaresma a todos!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Cardeal Orani João Tempesta
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Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro