Arquidiocese do Rio de Janeiro

27º 21º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 03/04/2020

03 de Abril de 2020

Sagrada Família

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03 de Abril de 2020

Sagrada Família

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29/12/2019 00:00

Sagrada Família 0

29/12/2019 00:00

Durante a oitava de Natal, e neste ano, no domingo após o Natal, celebra-se a Festa da Sagrada Família Jesus, Maria e José. Deus quis manifestar-se aos homens integrado numa família humana. Ele quis nascer numa família, quis transformar a família num presépio vivo. Pode-se dizer que hoje celebramos o Dia da Família.

Para nós cristãos, a família é sagrada: nasce do Sacramento do Matrimônio, no qual o marido e a esposa recebem a graça de viverem como sinal da aliança de amor entre o Cristo-Esposo e a Igreja-Esposa. Nascida do matrimônio, a família vai crescendo pela fecundidade do amor humano, consagrado nas águas do Batismo de cada novo membro que nasce; e vai alimentando-se não somente da comida e da bebida da mesa de cada dia, mas, sobretudo, do Corpo e Sangue do Senhor, dado e recebido na Eucaristia. A família não é uma realidade simplesmente humana, sociológica! A família é sagrada: querida por Deus, amada por Deus, criada por Deus, sustentada por Deus! Quem destrói a família peca gravemente contra Deus! E mais ainda: a família como Deus a pensou, repitamos para que não haja dúvida, é composta nuclearmente por um esposo, uma esposa e os filhos!
A Palavra de Deus na primeira leitura do Livro do Eclesiástico (cf. Eclo. 3, 3 – 7. 14 – 17) lembra aos filhos o dever de honrarem pai e mãe, de socorrê-los e compadecer-se deles na velhice, ter piedade, isto é, respeito e dedicação para com eles; isto é cumprimento da vontade de Deus.

São Paulo, na segunda leitura, fala da vida da Família no Senhor (cf. Cl 3, 12 – 21) enumerando as virtudes que devem reinar na família: sentimentos de compaixão, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportar-se uns aos outros com amor, perdoar-se mutuamente. Revestir-se de caridade e ser agradecidos. Se a família não estiver alicerçada no amor cristão, será muito difícil a sua perseverança em harmonia e unidade de corações. Quando esse amor existe, tudo se supera, tudo se aceita; mas, se falta esse amor mútuo, tudo se faz sumamente pesado. E o único amor que perdura, não obstante os possíveis contrastes no seio da família, é aquele que tem o seu fundamento no amor de Deus.

A família - “Pois bem. O que Deus uniu não o separe o homem” (cf. Mc 10, 9). É uma exortação aos batizados para superar toda a forma de individualismo e de legalismo, que se esconde num egoísmo mesquinho e no medo de aderir ao significado autêntico do casal e da sexualidade humana no projeto de Deus. “Neste contexto social e matrimonial bastante difícil, a Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade, na verdade e na caridade. A Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade ao seu Mestre como voz que grita no deserto, para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimônio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente” (Retirado do site: http://www.a12.com/formacao/detalhes/a-familia-e-o-sinodo. Último acesso em: 4/12/2019).

A família é a forma básica e mais simples da sociedade. É a principal escola de todas as virtudes sociais. É a sementeira da vida social, pois é na família que se pratica a obediência, a preocupação pelos outros, o sentido de responsabilidade, a compreensão e a ajuda mútua, a coordenação amorosa entre os diversos modos de ser. Está comprovado que a saúde de uma sociedade se mede pela saúde das famílias. Esta é a razão pela qual os ataques diretos à família são ataques diretos à própria sociedade, cujos resultados não tardam a manifestar-se.

Tendo a nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro vivido o Ano Vocacional Sacerdotal, quero agradecer aos pais de família que incentivam os seus filhos a abraçar o ministério presbiteral. A família é o principal celeiro vocacional pelo testemunho de uma vida familiar pautada pela Santa Eucaristia, pelo Sacramento da Reconciliação, pela vivência dos sacramentos e por uma vida comunitária em que pai, mãe e filhos se doam em favor de Deus, da Igreja e da santificação da sociedade pelo seu autêntico testemunho de vida. A família é a primeira educadora na fé católica. Agora, é tempo de aprofundar as consequências do nosso batismo, vivenciando a missão permanente: batizados – sempre missionários.

Maria e José educaram Jesus, em primeiro lugar, com o seu exemplo. Nos seus pais, Ele conheceu toda a beleza da fé, do amor a Deus e à sua Lei, assim como as exigências da Justiça, que encontra o seu pleno cumprimento no amor (cf. Rm 13, 10). Deles aprendeu que antes de tudo é necessário realizar a vontade de Deus, e que o laço espiritual vale mais que o vínculo do sangue. A Sagrada Família de Nazaré é verdadeiramente o “protótipo” de cada família cristã que, unida no Sacramento do Matrimônio e alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, é chamada a realizar a maravilhosa vocação e missão de ser célula viva não apenas da sociedade, mas da Igreja, sinal e instrumento de unidade para todo o gênero humano.

Neste Ano Jubilar Lauretano é com alegria que recebemos nestes dias da oitava de Natal a imagem peregrina da Nossa Senhora do Loreto que vem de seu santuário italiano para ser um sinal, não apenas para os que voam pelos ares, mas também para nos reconduzir a Nazaré, cuja casa foi preservada com o transporte para a Itália. Que a família de Nazaré inspire nossas famílias.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


 
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Sagrada Família

29/12/2019 00:00

Durante a oitava de Natal, e neste ano, no domingo após o Natal, celebra-se a Festa da Sagrada Família Jesus, Maria e José. Deus quis manifestar-se aos homens integrado numa família humana. Ele quis nascer numa família, quis transformar a família num presépio vivo. Pode-se dizer que hoje celebramos o Dia da Família.

Para nós cristãos, a família é sagrada: nasce do Sacramento do Matrimônio, no qual o marido e a esposa recebem a graça de viverem como sinal da aliança de amor entre o Cristo-Esposo e a Igreja-Esposa. Nascida do matrimônio, a família vai crescendo pela fecundidade do amor humano, consagrado nas águas do Batismo de cada novo membro que nasce; e vai alimentando-se não somente da comida e da bebida da mesa de cada dia, mas, sobretudo, do Corpo e Sangue do Senhor, dado e recebido na Eucaristia. A família não é uma realidade simplesmente humana, sociológica! A família é sagrada: querida por Deus, amada por Deus, criada por Deus, sustentada por Deus! Quem destrói a família peca gravemente contra Deus! E mais ainda: a família como Deus a pensou, repitamos para que não haja dúvida, é composta nuclearmente por um esposo, uma esposa e os filhos!
A Palavra de Deus na primeira leitura do Livro do Eclesiástico (cf. Eclo. 3, 3 – 7. 14 – 17) lembra aos filhos o dever de honrarem pai e mãe, de socorrê-los e compadecer-se deles na velhice, ter piedade, isto é, respeito e dedicação para com eles; isto é cumprimento da vontade de Deus.

São Paulo, na segunda leitura, fala da vida da Família no Senhor (cf. Cl 3, 12 – 21) enumerando as virtudes que devem reinar na família: sentimentos de compaixão, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportar-se uns aos outros com amor, perdoar-se mutuamente. Revestir-se de caridade e ser agradecidos. Se a família não estiver alicerçada no amor cristão, será muito difícil a sua perseverança em harmonia e unidade de corações. Quando esse amor existe, tudo se supera, tudo se aceita; mas, se falta esse amor mútuo, tudo se faz sumamente pesado. E o único amor que perdura, não obstante os possíveis contrastes no seio da família, é aquele que tem o seu fundamento no amor de Deus.

A família - “Pois bem. O que Deus uniu não o separe o homem” (cf. Mc 10, 9). É uma exortação aos batizados para superar toda a forma de individualismo e de legalismo, que se esconde num egoísmo mesquinho e no medo de aderir ao significado autêntico do casal e da sexualidade humana no projeto de Deus. “Neste contexto social e matrimonial bastante difícil, a Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade, na verdade e na caridade. A Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade ao seu Mestre como voz que grita no deserto, para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimônio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente” (Retirado do site: http://www.a12.com/formacao/detalhes/a-familia-e-o-sinodo. Último acesso em: 4/12/2019).

A família é a forma básica e mais simples da sociedade. É a principal escola de todas as virtudes sociais. É a sementeira da vida social, pois é na família que se pratica a obediência, a preocupação pelos outros, o sentido de responsabilidade, a compreensão e a ajuda mútua, a coordenação amorosa entre os diversos modos de ser. Está comprovado que a saúde de uma sociedade se mede pela saúde das famílias. Esta é a razão pela qual os ataques diretos à família são ataques diretos à própria sociedade, cujos resultados não tardam a manifestar-se.

Tendo a nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro vivido o Ano Vocacional Sacerdotal, quero agradecer aos pais de família que incentivam os seus filhos a abraçar o ministério presbiteral. A família é o principal celeiro vocacional pelo testemunho de uma vida familiar pautada pela Santa Eucaristia, pelo Sacramento da Reconciliação, pela vivência dos sacramentos e por uma vida comunitária em que pai, mãe e filhos se doam em favor de Deus, da Igreja e da santificação da sociedade pelo seu autêntico testemunho de vida. A família é a primeira educadora na fé católica. Agora, é tempo de aprofundar as consequências do nosso batismo, vivenciando a missão permanente: batizados – sempre missionários.

Maria e José educaram Jesus, em primeiro lugar, com o seu exemplo. Nos seus pais, Ele conheceu toda a beleza da fé, do amor a Deus e à sua Lei, assim como as exigências da Justiça, que encontra o seu pleno cumprimento no amor (cf. Rm 13, 10). Deles aprendeu que antes de tudo é necessário realizar a vontade de Deus, e que o laço espiritual vale mais que o vínculo do sangue. A Sagrada Família de Nazaré é verdadeiramente o “protótipo” de cada família cristã que, unida no Sacramento do Matrimônio e alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, é chamada a realizar a maravilhosa vocação e missão de ser célula viva não apenas da sociedade, mas da Igreja, sinal e instrumento de unidade para todo o gênero humano.

Neste Ano Jubilar Lauretano é com alegria que recebemos nestes dias da oitava de Natal a imagem peregrina da Nossa Senhora do Loreto que vem de seu santuário italiano para ser um sinal, não apenas para os que voam pelos ares, mas também para nos reconduzir a Nazaré, cuja casa foi preservada com o transporte para a Itália. Que a família de Nazaré inspire nossas famílias.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


 
Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro