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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 12/07/2020

12 de Julho de 2020

É Natal

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25/12/2019 00:00

É Natal 0

25/12/2019 00:00

Mais uma vez a volta do ano trouxe-nos a santa celebração do Natal do Senhor nosso Jesus Cristo. Historicamente, o natalício do Cristo nosso Deus ocorreu há mais de dois mil anos atrás; no entanto, na potência do Santo Espírito, o Natal acontece hoje misticamente, nos santos mistérios que celebramos com piedade e unção. Que cada um de nós que participa desta celebração sagrada conserve no coração esta certeza: nos gestos, nas palavras, nos ritos da Santa Liturgia, a graça do santo Natal do Senhor faz-se realmente presente e verdadeiramente inunda a nossa vida! Para nós, o Natal é hoje, o Natal é agora.

O Evangelho que nos anuncia: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós! ”(cf. Jo 1,14). Em outras palavras: o Filho eterno do Pai, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, para salvar o mundo com a sua piedosa vinda, hoje nasceu homem verdadeiro, homem entre os homens, de Maria, a Virgem!

O Menino que nos nasceu para nós, o filho que nos foi dado, é Deus perfeito, é o Filho eterno, através de quem e para quem tudo foi criado no céu e na terra. Ele é Deus e homem verdadeiro; é uma Pessoa divina, a segunda da Trindade que se fez homem no mistério da Encarnação. Esta criança é adorável: deve receber toda nossa adoração, todo nosso louvor, todo nosso afeto. No entanto, sendo Deus perfeito ele saiu do seio da Sempre Virgem Maria, como verdadeiro homem, homem perfeito, com um corpo igual ao nosso, sem experimentar a corrupção do pecado original, com uma alma igual à nossa, com uma vida para viver igual à nossa pobre existência!

A Solenidade do Natal recorda-nos que a Humanidade precisa de um Salvador – e esse Salvador é Jesus, nosso Senhor! Ele é a nossa única Verdade, Ele, o nosso único Caminho, Ele, a verdadeira Vida! Não queremos outros mestres, não admitiremos outros senhores, não buscaremos outras verdades. Mais que nunca, neste quadro tão difícil da História, quando o cristianismo e a Igreja de Cristo são tão caluniados e perseguidos, tão denegridos.

Vitória! Perdão! Vida! Tudo isso nos é dado porque “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (cf. Jo 1,14). No dia 25 de março, a Igreja celebra a anunciação do Senhor e a encarnação do Verbo; nove meses depois, no dia 25 de dezembro, o Verbo encarnado nasce para que possamos ver a sua glória velada, mas real. O menino frágil e dependente de Maria e de José é o Filho de Deus encarnado, é Ele e somente Ele quem pode dar-nos a vitória, o perdão e a vida.

Mas podemos recomeçar! O perdão de Deus se nos oferece constantemente para que, com alegria, vivamos a nossa fé. Por mais pecadores que sejamos, não tenhamos medo do Senhor, Ele fez-se tão pequeno para que os pequenos deste mundo se aproximassem d’Ele com a esperança da reconciliação com Deus e com todos os homens. Nem permitiremos que alguma falta de perdão aos outros invada o nosso coração neste dia santo. Abramos de par em par o nosso ser a Deus e a todos os homens e mulheres, máxime àqueles que estão próximos a nós. Tais pessoas merecem a nossa atenção, gratidão e estima. Lembremo-nos da oração que o Senhor nos ensinou: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Perdoemos de coração a quem nos ofendeu e sentiremos um grande alívio, uma grande paz, uma restauração que vai do mais profundo ao mais periférico do nosso ser.

Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito. N’Ele havia vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (cf. Jo 1,5). A vida do Filho de Deus ilumina a vida dos filhos dos homens. Ilumina-a porque a retira das trevas do pecado e da morte. Ilumina-a porque dá sentido ao que antes estava desorientado. Ilumina-a porque dá todos os meios necessários para alcançar a felicidade já neste mundo e, depois, na eternidade.

Ao participarmos destas celebrações durante esses dias solenes, aproximar-nos-emos do presépio humilde de Belém e diremos ao Senhor que a sua Vida encha a nossa vida, que o nosso amor encha o nosso coração e que nas nossas vidas se cumpram os eternos desígnios da Santíssima Trindade. Maria, a Mãe de Jesus, está segurando o Menino Jesus nos seus braços e quer deixar que também nós tenhamos em nossos braços o Divino Infante. Ela sabe que só ele tem a chave para todos os mistérios da nossa vida. Jesus, sendo verdadeiro Deus, é também o verdadeiro homem que mostra em si mesmo como deve ser a pessoa humana segundo os projetos eternos.

Neste Natal vamos repartir nossa ceia comemorativa ao nascimento do Redentor com aqueles mais pobres ou com aqueles mais esquecidos. Lembremos de uma pessoa idosa, que não tem mais familiares. Lembremos de uma pessoa viúva, que vive sozinha. Lembremos dos pobres e dos que passam necessidade, e vamos repartir a graça de celebrar o Natal. Fraternidade e solidariedade. São pequenos gestos neste Natal que inspiram cada um de nós a levar Jesus nos corações dos homens e mulheres que querem viver a fraternidade, buscando o diálogo e a confiança mútua de comunhão, testemunhando que Jesus é o Senhor, o Redentor! Essa é a lição da manjedoura, por isso, Venite adoremus!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


 
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É Natal

25/12/2019 00:00

Mais uma vez a volta do ano trouxe-nos a santa celebração do Natal do Senhor nosso Jesus Cristo. Historicamente, o natalício do Cristo nosso Deus ocorreu há mais de dois mil anos atrás; no entanto, na potência do Santo Espírito, o Natal acontece hoje misticamente, nos santos mistérios que celebramos com piedade e unção. Que cada um de nós que participa desta celebração sagrada conserve no coração esta certeza: nos gestos, nas palavras, nos ritos da Santa Liturgia, a graça do santo Natal do Senhor faz-se realmente presente e verdadeiramente inunda a nossa vida! Para nós, o Natal é hoje, o Natal é agora.

O Evangelho que nos anuncia: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós! ”(cf. Jo 1,14). Em outras palavras: o Filho eterno do Pai, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, para salvar o mundo com a sua piedosa vinda, hoje nasceu homem verdadeiro, homem entre os homens, de Maria, a Virgem!

O Menino que nos nasceu para nós, o filho que nos foi dado, é Deus perfeito, é o Filho eterno, através de quem e para quem tudo foi criado no céu e na terra. Ele é Deus e homem verdadeiro; é uma Pessoa divina, a segunda da Trindade que se fez homem no mistério da Encarnação. Esta criança é adorável: deve receber toda nossa adoração, todo nosso louvor, todo nosso afeto. No entanto, sendo Deus perfeito ele saiu do seio da Sempre Virgem Maria, como verdadeiro homem, homem perfeito, com um corpo igual ao nosso, sem experimentar a corrupção do pecado original, com uma alma igual à nossa, com uma vida para viver igual à nossa pobre existência!

A Solenidade do Natal recorda-nos que a Humanidade precisa de um Salvador – e esse Salvador é Jesus, nosso Senhor! Ele é a nossa única Verdade, Ele, o nosso único Caminho, Ele, a verdadeira Vida! Não queremos outros mestres, não admitiremos outros senhores, não buscaremos outras verdades. Mais que nunca, neste quadro tão difícil da História, quando o cristianismo e a Igreja de Cristo são tão caluniados e perseguidos, tão denegridos.

Vitória! Perdão! Vida! Tudo isso nos é dado porque “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (cf. Jo 1,14). No dia 25 de março, a Igreja celebra a anunciação do Senhor e a encarnação do Verbo; nove meses depois, no dia 25 de dezembro, o Verbo encarnado nasce para que possamos ver a sua glória velada, mas real. O menino frágil e dependente de Maria e de José é o Filho de Deus encarnado, é Ele e somente Ele quem pode dar-nos a vitória, o perdão e a vida.

Mas podemos recomeçar! O perdão de Deus se nos oferece constantemente para que, com alegria, vivamos a nossa fé. Por mais pecadores que sejamos, não tenhamos medo do Senhor, Ele fez-se tão pequeno para que os pequenos deste mundo se aproximassem d’Ele com a esperança da reconciliação com Deus e com todos os homens. Nem permitiremos que alguma falta de perdão aos outros invada o nosso coração neste dia santo. Abramos de par em par o nosso ser a Deus e a todos os homens e mulheres, máxime àqueles que estão próximos a nós. Tais pessoas merecem a nossa atenção, gratidão e estima. Lembremo-nos da oração que o Senhor nos ensinou: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Perdoemos de coração a quem nos ofendeu e sentiremos um grande alívio, uma grande paz, uma restauração que vai do mais profundo ao mais periférico do nosso ser.

Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito. N’Ele havia vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (cf. Jo 1,5). A vida do Filho de Deus ilumina a vida dos filhos dos homens. Ilumina-a porque a retira das trevas do pecado e da morte. Ilumina-a porque dá sentido ao que antes estava desorientado. Ilumina-a porque dá todos os meios necessários para alcançar a felicidade já neste mundo e, depois, na eternidade.

Ao participarmos destas celebrações durante esses dias solenes, aproximar-nos-emos do presépio humilde de Belém e diremos ao Senhor que a sua Vida encha a nossa vida, que o nosso amor encha o nosso coração e que nas nossas vidas se cumpram os eternos desígnios da Santíssima Trindade. Maria, a Mãe de Jesus, está segurando o Menino Jesus nos seus braços e quer deixar que também nós tenhamos em nossos braços o Divino Infante. Ela sabe que só ele tem a chave para todos os mistérios da nossa vida. Jesus, sendo verdadeiro Deus, é também o verdadeiro homem que mostra em si mesmo como deve ser a pessoa humana segundo os projetos eternos.

Neste Natal vamos repartir nossa ceia comemorativa ao nascimento do Redentor com aqueles mais pobres ou com aqueles mais esquecidos. Lembremos de uma pessoa idosa, que não tem mais familiares. Lembremos de uma pessoa viúva, que vive sozinha. Lembremos dos pobres e dos que passam necessidade, e vamos repartir a graça de celebrar o Natal. Fraternidade e solidariedade. São pequenos gestos neste Natal que inspiram cada um de nós a levar Jesus nos corações dos homens e mulheres que querem viver a fraternidade, buscando o diálogo e a confiança mútua de comunhão, testemunhando que Jesus é o Senhor, o Redentor! Essa é a lição da manjedoura, por isso, Venite adoremus!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


 
Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro