Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 12/12/2019

12 de Dezembro de 2019

Homilia – 33º Domingo do Tempo Comum

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12 de Dezembro de 2019

Homilia – 33º Domingo do Tempo Comum

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17/11/2019 00:00 - Atualizado em 18/11/2019 19:46

Homilia – 33º Domingo do Tempo Comum 0

17/11/2019 00:00 - Atualizado em 18/11/2019 19:46

Aproximando-se o final do ano litúrgico, os textos bíblicos proclamados na celebração da Eucaristia são aqueles que nos apontam para o tempo do fim, para a escatologia, ou seja, para aqueles últimos acontecimentos que marcarão o fim da história como a conhecemos, a fim de que surja um tempo novo, onde o Filho do Homem, Nosso Senhor Jesus Cristo, virá para estabelecer definitivamente o seu Reino no meio de nós.

A esperança em uma intervenção salvífica de Deus já aparece no Antigo Testamento. Na primeira leitura nos são apresentados alguns versículos do último capítulo do livro de Malaquias. No cânon católico das Escrituras, Malaquias está em último lugar. Estes versículos que ouvimos, tirados quase do final de sua profecia, nos falam do “Dia do Senhor”. Malaquias anuncia a vinda deste “Dia” que será um dia de juízo. Os malfeitores serão queimados como palha, mas os que temem o nome do Senhor contemplarão o “sol da justiça”. Tal esperança de um juízo divino também é cantada no Salmo 97: o cosmos e as multidões devem se alegrar, porque o Senhor virá julgar a Terra. A profecia e o Salmo procuram animar aqueles que desfalecem diante das injustiças presentes. Chegará o tempo em que Deus porá fim à maldade e dará a recompensa aos que perseverarem na justiça.
O evangelho nos coloca diante do ensinamento de Jesus sobre os últimos tempos. Na estrutura do evangelho de Lucas, este é o último ensinamento público de Jesus, colocado logo antes do relato da sua paixão (cf. Lc 21,5-38). Jesus aproveita a admiração das pessoas com a grandeza do Templo para introduzir seu discurso: Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído (cf. Lc 21,6). Diante dessa afirmação de Jesus, seus interlocutores querem saber “quando” tais coisas se darão e que “sinal” lhes indicará que o tempo do fim está próximo.

Jesus não responde à essas perguntas, embora também não recrimine quem as fez. Em primeiro lugar, Jesus adverte seus discípulos, nos vv. 8-9, a respeito dos falsos mestres que virão. Eles não devem seguir os que se apresentam como sendo o Messias, dizendo: “Sou eu!” Também não devem se apavorar diante dos que apregoam um fim do mundo iminente. Coisas trágicas vão acontecer, mas isso não significa que o fim já está próximo.

A partir daí Jesus começa a mostrar, com imagens tomadas da apocalíptica judaica, o que deve acontecer antes do fim dos tempos: terremotos, fomes e pestes; coisas pavorosas e grandes sinais; guerras... Contudo, antes disso tudo, haverá a perseguição, descrita por Jesus nos vv. 12-17. Neste ponto, o discurso de Jesus vai do âmbito público para o âmbito doméstico: os discípulos serão entregues às sinagogas, postos na prisão, serão levados diante de reis e governadores, e serão perseguidos até mesmo pelos seus familiares! Neste trecho, Lucas põe em destaque o motivo da perseguição: por causa do meu Nome (cf. Lc 21,13.17). O motivo da perseguição será o “Nome de Jesus”, ou seja, os discípulos serão perseguidos porque seguem o Cristo e porque estão unidos a Ele. Podemos encontrar aqui um eco do que o próprio Senhor disse a todos em Lc 9,23-24: Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me. Pois aquele que quiser salvar sua vida a perderá, mas o que perder sua vida por causa de mim, a salvará. Se o Mestre será preso, acusado e condenado, também os discípulos devem estar dispostos a sofrer o mesmo nível de perseguição. A perseguição, todavia, será o momento de “dar testemunho” de Cristo (cf. Lc 21,13). Tal testemunho não deve ser planejado com antecedência, porque o Cristo mesmo haverá de colocar nos lábios dos seus discípulos as palavras com as quais eles devem testemunhá-lo.

No v. 17 encontramos uma expressão que se repete no Antigo Testamento: Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça (cf. Lc 21,18). Tal expressão significa, em primeiro lugar, a proteção que alguém recebe de Deus nessa vida (cf. 1Sm 14,45; 2Sm 14,11; 1Rs 1,52).1 Mas Lucas parece pensar na proteção de Deus para além desta vida, como se pode deduzir do v. 19, que encerra uma ordem e uma promessa. A ordem é “perseverar firme” e a promessa é a “vida”, com certeza a vida eterna.

O tema da perseverança é muito caro a Lucas. Já em Lc 8,15, na explicação da parábola do semeador, o termo “perseverança”, em grego hypomoné, aparece como a condição exigida para que alguém possa produzir frutos: O que está em terra boa são os que, tendo ouvido a Palavra com coração nobre e generoso, conservam-na e produzem fruto pela perseverança. A exortação à perseverança aparece, também, nas páginas dos Atos dos Apóstolos, a segunda obra do Novo Testamento atribuída a Lucas. Paulo e Barnabé exortam os cristãos a perseverar na fé em At 14,22: Confirmavam o coração dos discípulos, exortando-os a permanecerem (emmenein) na fé e dizendo-lhes: É preciso passar por muitas tribulações para entrar no Reino de Deus.

A fé nos mostra que o mal não tem a última palavra, pois Deus é o Senhor da história. Esta se encaminha para um momento final, onde o Cristo virá uma segunda vez, porá fim à maldade que parece reinar, e estabelecerá de modo definitivo o seu Reino de amor e de paz. Enquanto aguardamos esse dia, devemos perseverar na fé. Ainda que tenhamos de sofrer perseguições por causa de Cristo, não devemos esmorecer. Se lhe formos fiéis, haveremos de receber uma recompensa: a vida eterna que Ele nos preparou. Lembremo-nos sempre do que o Cristo nos fala na Liturgia de hoje: É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!

Padre Fábio Siqueira
Vice-diretor das escolas de fé e catequese mater ecclesiae e luz e vida


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17/11/2019 00:00 - Atualizado em 18/11/2019 19:46

Aproximando-se o final do ano litúrgico, os textos bíblicos proclamados na celebração da Eucaristia são aqueles que nos apontam para o tempo do fim, para a escatologia, ou seja, para aqueles últimos acontecimentos que marcarão o fim da história como a conhecemos, a fim de que surja um tempo novo, onde o Filho do Homem, Nosso Senhor Jesus Cristo, virá para estabelecer definitivamente o seu Reino no meio de nós.

A esperança em uma intervenção salvífica de Deus já aparece no Antigo Testamento. Na primeira leitura nos são apresentados alguns versículos do último capítulo do livro de Malaquias. No cânon católico das Escrituras, Malaquias está em último lugar. Estes versículos que ouvimos, tirados quase do final de sua profecia, nos falam do “Dia do Senhor”. Malaquias anuncia a vinda deste “Dia” que será um dia de juízo. Os malfeitores serão queimados como palha, mas os que temem o nome do Senhor contemplarão o “sol da justiça”. Tal esperança de um juízo divino também é cantada no Salmo 97: o cosmos e as multidões devem se alegrar, porque o Senhor virá julgar a Terra. A profecia e o Salmo procuram animar aqueles que desfalecem diante das injustiças presentes. Chegará o tempo em que Deus porá fim à maldade e dará a recompensa aos que perseverarem na justiça.
O evangelho nos coloca diante do ensinamento de Jesus sobre os últimos tempos. Na estrutura do evangelho de Lucas, este é o último ensinamento público de Jesus, colocado logo antes do relato da sua paixão (cf. Lc 21,5-38). Jesus aproveita a admiração das pessoas com a grandeza do Templo para introduzir seu discurso: Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído (cf. Lc 21,6). Diante dessa afirmação de Jesus, seus interlocutores querem saber “quando” tais coisas se darão e que “sinal” lhes indicará que o tempo do fim está próximo.

Jesus não responde à essas perguntas, embora também não recrimine quem as fez. Em primeiro lugar, Jesus adverte seus discípulos, nos vv. 8-9, a respeito dos falsos mestres que virão. Eles não devem seguir os que se apresentam como sendo o Messias, dizendo: “Sou eu!” Também não devem se apavorar diante dos que apregoam um fim do mundo iminente. Coisas trágicas vão acontecer, mas isso não significa que o fim já está próximo.

A partir daí Jesus começa a mostrar, com imagens tomadas da apocalíptica judaica, o que deve acontecer antes do fim dos tempos: terremotos, fomes e pestes; coisas pavorosas e grandes sinais; guerras... Contudo, antes disso tudo, haverá a perseguição, descrita por Jesus nos vv. 12-17. Neste ponto, o discurso de Jesus vai do âmbito público para o âmbito doméstico: os discípulos serão entregues às sinagogas, postos na prisão, serão levados diante de reis e governadores, e serão perseguidos até mesmo pelos seus familiares! Neste trecho, Lucas põe em destaque o motivo da perseguição: por causa do meu Nome (cf. Lc 21,13.17). O motivo da perseguição será o “Nome de Jesus”, ou seja, os discípulos serão perseguidos porque seguem o Cristo e porque estão unidos a Ele. Podemos encontrar aqui um eco do que o próprio Senhor disse a todos em Lc 9,23-24: Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me. Pois aquele que quiser salvar sua vida a perderá, mas o que perder sua vida por causa de mim, a salvará. Se o Mestre será preso, acusado e condenado, também os discípulos devem estar dispostos a sofrer o mesmo nível de perseguição. A perseguição, todavia, será o momento de “dar testemunho” de Cristo (cf. Lc 21,13). Tal testemunho não deve ser planejado com antecedência, porque o Cristo mesmo haverá de colocar nos lábios dos seus discípulos as palavras com as quais eles devem testemunhá-lo.

No v. 17 encontramos uma expressão que se repete no Antigo Testamento: Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça (cf. Lc 21,18). Tal expressão significa, em primeiro lugar, a proteção que alguém recebe de Deus nessa vida (cf. 1Sm 14,45; 2Sm 14,11; 1Rs 1,52).1 Mas Lucas parece pensar na proteção de Deus para além desta vida, como se pode deduzir do v. 19, que encerra uma ordem e uma promessa. A ordem é “perseverar firme” e a promessa é a “vida”, com certeza a vida eterna.

O tema da perseverança é muito caro a Lucas. Já em Lc 8,15, na explicação da parábola do semeador, o termo “perseverança”, em grego hypomoné, aparece como a condição exigida para que alguém possa produzir frutos: O que está em terra boa são os que, tendo ouvido a Palavra com coração nobre e generoso, conservam-na e produzem fruto pela perseverança. A exortação à perseverança aparece, também, nas páginas dos Atos dos Apóstolos, a segunda obra do Novo Testamento atribuída a Lucas. Paulo e Barnabé exortam os cristãos a perseverar na fé em At 14,22: Confirmavam o coração dos discípulos, exortando-os a permanecerem (emmenein) na fé e dizendo-lhes: É preciso passar por muitas tribulações para entrar no Reino de Deus.

A fé nos mostra que o mal não tem a última palavra, pois Deus é o Senhor da história. Esta se encaminha para um momento final, onde o Cristo virá uma segunda vez, porá fim à maldade que parece reinar, e estabelecerá de modo definitivo o seu Reino de amor e de paz. Enquanto aguardamos esse dia, devemos perseverar na fé. Ainda que tenhamos de sofrer perseguições por causa de Cristo, não devemos esmorecer. Se lhe formos fiéis, haveremos de receber uma recompensa: a vida eterna que Ele nos preparou. Lembremo-nos sempre do que o Cristo nos fala na Liturgia de hoje: É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!

Padre Fábio Siqueira
Vice-diretor das escolas de fé e catequese mater ecclesiae e luz e vida


Padre Fábio Siqueira
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Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida