Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 13/11/2019

13 de Novembro de 2019

Liturgia de Finados

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13 de Novembro de 2019

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27/10/2019 00:00

Liturgia de Finados 0

27/10/2019 00:00

No dia 2 de novembro a Igreja nos convida, com maior insistência, a rezar e a oferecer sufrágios pelos fiéis defuntos do purgatório. Com esses nossos irmãos, que “também, participaram da fragilidade própria de todo o ser humano, sentimos o dever – que é ao mesmo tempo uma necessidade do coração – de oferecer-lhes a ajuda afetuosa da nossa oração, a fim de que qualquer eventual resíduo de debilidade humana, que ainda possa adiar o seu encontro feliz com Deus, seja definitivamente apagado” (São João Paulo II, no Cemitério em Madri, 02/11/1982).

Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim ainda que esteja morto viverá” (cf. Jo 11, 24). Em outra passagem ele disse: “Todo aquele que crê em mim não morrerá para sempre” (cf. Jo 11, 26). Na verdade Jesus está dizendo que não nascemos para morrer, mas morremos para viver eternamente. A morte, para os que têm fé, não interrompe a vida. A vida não é passageira ilusão. A morte não é a destruição da vida, mas o encontro com a plenitude da vida que está em Deus. Deus nos criou para a vida plena e não para a morte. Na verdade, as pessoas que morrem no Senhor vão para um lugar bem melhor do que o nosso. Elas descansam para sempre na paz, na alegria, no convívio dos anjos, dos santos, na plena e eterna felicidade que só encontramos na comunhão com Deus.

O que perpassa todos os textos bíblicos da comemoração dos fiéis defuntos é a esperança da vida que nasce da morte, a partir do mistério pascal de Cristo Jesus. Em Cristo Jesus abre-se uma nova perspectiva, onde a morte já não é mais o fim fatídico e desesperador, mas a passagem para uma realidade nova de plenitude de vida em Deus.

A fé no Cristo ressuscitado transforma a vida do cristão. A morte já não é mais o fim de todas as coisas. Ela é, antes, uma porta, uma passagem para uma realidade nova. O Cristo vivo garante a vida para sempre (cf. Jó 19, 1.23-27; Rm 5, 5-11; Jo 6, 37-40). A morte será eliminada definitivamente em Cristo Jesus (cf. Is 25, 6-9; Rm 8, 14-23; Mt 25, 31-46). A Igreja vive a esperança da glória em Cristo Jesus (cf. Sb 3, 1-9; Ap 21, 1-7; Mt 5, 1-12).

A morte não é um salto no vazio, mas para os braços de Deus; é o encontro pessoal com Ele, para habitar com Ele no amor e na alegria da sua amizade. O cristão autêntico não teme, por isso, a morte; pelo contrário: considerando que, enquanto vivemos na terra ‘vivemos longe do Senhor’, repete São Paulo: “Desejamos sair deste corpo para habitar com o Senhor” (2Cor 5, 6.8). Não se trata de exaltar a morte, mas considerá-la como realmente é no projeto de Deus: o nascimento para a vida eterna.

Devemos lembrar que a vida eterna começa aqui e agora. Quem vive com Deus neste mundo viverá com Ele eternamente. Quem tem Cristo na sua vida, vai tê-lo na outra vida. Quem vive no amor e na harmonia com seus irmãos, continuará na outra vida na plenitude do amor. Quem vive uma vida reconciliada e pacificada com seus irmãos, também continuará na outra vida na perfeita reconciliação. Por isso, a hora de amar, de perdoar, de servir, de espalhar o bem é agora. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje, pois o amanhã pode não acontecer! No momento do encontro final com Deus, de nada vale o dinheiro, o sucesso, o prestígio, a beleza, a fama etc. O que conta são nossas boas obras e a retidão do agir. Levaremos em nossa bagagem o bem que realizamos ao longo da vida, sobretudo para os mais pobres. Porque assim nos diz a divina sentença: “Vinde, benditos do meu Pai, recebei por herança o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Estive nu e me vestistes” (Mt 25, 34). Esta passagem bíblica nos revela que o critério para o nosso julgamento será o exercício do amor e da caridade com o próximo, sobretudo os excluídos, os mais pobres dentre os pobres.

Em nossa Arquidiocese, em todos os cemitérios, serão celebradas missas em sufrágio de todos os fiéis defuntos. Celebrarei às 9h a Santa Missa Rio Celebra, transmitida pela Rede Vida de Televisão, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Em seguida, rezarei missa na Quadra dos Padres, no Cemitério do Caju. Já pela tarde, às 15h, irei celebrar a Santa Missa no Cemitério de Santa Cruz, onde deposito orações e flores para os desconhecidos que lá estão sepultados.

Contudo, para nós, cristãos, a morte, que era como uma caverna escura, sem saída, tornou-se um túnel, cujo final é luminoso. Isto mesmo: Cristo arrombou as portas da morte! Ela tornou-se apenas uma passagem, um caminho para a nossa Páscoa, nossa passagem deste mundo para o Pai: “Ainda que eu passe pelo vale da morte, nenhum mal temerei, porque está comigo”. Assim, o dia de finados é uma excelente data para rezar pelos nossos irmãos já falecidos, mas também para pensarmos na nossa morte e na nossa vida, pois ‘tal vida, tal morte’.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


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Liturgia de Finados

27/10/2019 00:00

No dia 2 de novembro a Igreja nos convida, com maior insistência, a rezar e a oferecer sufrágios pelos fiéis defuntos do purgatório. Com esses nossos irmãos, que “também, participaram da fragilidade própria de todo o ser humano, sentimos o dever – que é ao mesmo tempo uma necessidade do coração – de oferecer-lhes a ajuda afetuosa da nossa oração, a fim de que qualquer eventual resíduo de debilidade humana, que ainda possa adiar o seu encontro feliz com Deus, seja definitivamente apagado” (São João Paulo II, no Cemitério em Madri, 02/11/1982).

Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim ainda que esteja morto viverá” (cf. Jo 11, 24). Em outra passagem ele disse: “Todo aquele que crê em mim não morrerá para sempre” (cf. Jo 11, 26). Na verdade Jesus está dizendo que não nascemos para morrer, mas morremos para viver eternamente. A morte, para os que têm fé, não interrompe a vida. A vida não é passageira ilusão. A morte não é a destruição da vida, mas o encontro com a plenitude da vida que está em Deus. Deus nos criou para a vida plena e não para a morte. Na verdade, as pessoas que morrem no Senhor vão para um lugar bem melhor do que o nosso. Elas descansam para sempre na paz, na alegria, no convívio dos anjos, dos santos, na plena e eterna felicidade que só encontramos na comunhão com Deus.

O que perpassa todos os textos bíblicos da comemoração dos fiéis defuntos é a esperança da vida que nasce da morte, a partir do mistério pascal de Cristo Jesus. Em Cristo Jesus abre-se uma nova perspectiva, onde a morte já não é mais o fim fatídico e desesperador, mas a passagem para uma realidade nova de plenitude de vida em Deus.

A fé no Cristo ressuscitado transforma a vida do cristão. A morte já não é mais o fim de todas as coisas. Ela é, antes, uma porta, uma passagem para uma realidade nova. O Cristo vivo garante a vida para sempre (cf. Jó 19, 1.23-27; Rm 5, 5-11; Jo 6, 37-40). A morte será eliminada definitivamente em Cristo Jesus (cf. Is 25, 6-9; Rm 8, 14-23; Mt 25, 31-46). A Igreja vive a esperança da glória em Cristo Jesus (cf. Sb 3, 1-9; Ap 21, 1-7; Mt 5, 1-12).

A morte não é um salto no vazio, mas para os braços de Deus; é o encontro pessoal com Ele, para habitar com Ele no amor e na alegria da sua amizade. O cristão autêntico não teme, por isso, a morte; pelo contrário: considerando que, enquanto vivemos na terra ‘vivemos longe do Senhor’, repete São Paulo: “Desejamos sair deste corpo para habitar com o Senhor” (2Cor 5, 6.8). Não se trata de exaltar a morte, mas considerá-la como realmente é no projeto de Deus: o nascimento para a vida eterna.

Devemos lembrar que a vida eterna começa aqui e agora. Quem vive com Deus neste mundo viverá com Ele eternamente. Quem tem Cristo na sua vida, vai tê-lo na outra vida. Quem vive no amor e na harmonia com seus irmãos, continuará na outra vida na plenitude do amor. Quem vive uma vida reconciliada e pacificada com seus irmãos, também continuará na outra vida na perfeita reconciliação. Por isso, a hora de amar, de perdoar, de servir, de espalhar o bem é agora. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje, pois o amanhã pode não acontecer! No momento do encontro final com Deus, de nada vale o dinheiro, o sucesso, o prestígio, a beleza, a fama etc. O que conta são nossas boas obras e a retidão do agir. Levaremos em nossa bagagem o bem que realizamos ao longo da vida, sobretudo para os mais pobres. Porque assim nos diz a divina sentença: “Vinde, benditos do meu Pai, recebei por herança o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Estive nu e me vestistes” (Mt 25, 34). Esta passagem bíblica nos revela que o critério para o nosso julgamento será o exercício do amor e da caridade com o próximo, sobretudo os excluídos, os mais pobres dentre os pobres.

Em nossa Arquidiocese, em todos os cemitérios, serão celebradas missas em sufrágio de todos os fiéis defuntos. Celebrarei às 9h a Santa Missa Rio Celebra, transmitida pela Rede Vida de Televisão, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Em seguida, rezarei missa na Quadra dos Padres, no Cemitério do Caju. Já pela tarde, às 15h, irei celebrar a Santa Missa no Cemitério de Santa Cruz, onde deposito orações e flores para os desconhecidos que lá estão sepultados.

Contudo, para nós, cristãos, a morte, que era como uma caverna escura, sem saída, tornou-se um túnel, cujo final é luminoso. Isto mesmo: Cristo arrombou as portas da morte! Ela tornou-se apenas uma passagem, um caminho para a nossa Páscoa, nossa passagem deste mundo para o Pai: “Ainda que eu passe pelo vale da morte, nenhum mal temerei, porque está comigo”. Assim, o dia de finados é uma excelente data para rezar pelos nossos irmãos já falecidos, mas também para pensarmos na nossa morte e na nossa vida, pois ‘tal vida, tal morte’.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro