Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/10/2019

14 de Outubro de 2019

Leitura Orante

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Leitura Orante 0

29/09/2019 00:00

"Depois de ter, por muitas vezes e de muitos modos, falado aos Pais, pelos profetas, Deus, nestes últimos dias falou a nós por meio do Filho a quem estabeleceu como herdeiro de todas as coisas pelo qual também fez o mundo.” (Cf. Hb 1,1)

Você já passou por aquele tipo de situação em que se tenta falar com alguém e este alguém não lhe dá a atenção necessária? Pois bem, essa situação ressalta a necessidade da atenção na comunicação. Estamos no Mês da Bíblia, mês em que se lembra com ênfase a importância da Bíblia em nossa fé. Porém, algumas vezes, quando se fala da Bíblia, se recorre a um monte de termos e elementos que falam da sua importância apenas indiretamente: a Palavra, os Textos Sagrados, o Antigo Testamento, o Novo Testamento, os Livros Sagrados etc. Não podemos nos esquecer do principal autor dessas palavras que é o próprio Deus. Este mês não é apenas o mês de um livro. É o mês que nos lembra a revelação de Deus também através deste bendito livro.

A Bíblia é comunicação, seja do povo do Antigo Testamento como também o povo de hoje, seja do escritor com o leitor, mas principalmente é comunicação de Deus com seu povo e do povo com seu Deus. Antes da Bíblia ser aula de história, ser testamento dos feitos de Deus na história humana, ser patrimônio da fé judaica e cristã, a Bíblia é atual e constante comunicar de Deus. E, em se tratando do comunicar de Deus, tal diálogo torna-se algo bastante sério. Deus já falou ao ser humano diversas vezes e de diversos modos, porém, nos últimos tempos (um pouco mais que 2.000 anos), sua comunicação ficou mais evidente. A Bíblia, em Cristo, tornou-se uma comunicação muito íntima de Deus, pois agora Ele fala, mas também toca, olha, ouve, cheira, degusta e ama.

Assim, entenda-se a voz de Deus não apenas nas letras, no papel, no livro, mas no mundo. A comunicação de Deus está em todo lugar. Ele sempre fala à sua criatura, mas para entender essa fala é preciso ter este livro aberto (a Bíblia) e o coração disposto a ouvir. Se por um lado a comunicação de Deus Pai através do Filho é mais personalizada e explícita, por outro, essa comunicação através da Bíblia exige de nós uma atenção mais dedicada. Sendo assim, um modo de prestar atenção naquilo que Deus nos fala na Bíblia não é apenas “lê-la”, mas é, principalmente, “rezá-la”. Isso porque a palavra puramente lida precisa da atualização através do ensinamento da Igreja (magistério e Tradição) e do toque do Espírito Santo que ensina a ouvir do jeito certo.

Na Igreja, de antiga tradição, agora retomada, temos incentivado a comunicação com Deus através da Bíblia por meio da “Leitura Orante”, chamada de Lectio Divina na tradição da Igreja. A Leitura Orante é um jeito de ler, conhecer, meditar, rezar, contemplar e agir conforme a comunicação de Deus através da Bíblia. Todos os cristãos leigos, religiosos e sacerdotes são chamados a praticar a Leitura Orante. Quem sabe durante esse Mês da Bíblia nos convenceremos a buscar conhecer melhor o que é esse método de comunicação com Deus e, assim, da próxima vez que Ele falar talvez você esteja prestando atenção. Porque... quem fala quer ser ouvido...

A Lectio Divina vem do latim e tem como significado ‘leitura divina’,‘leitura espiritual’ ou ainda ‘leitura orante da Bíblia’. É um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e da Sua vontade, pode-se produzir os frutos espirituais necessários para a salvação. A Lectio Divina é deixar-se envolver pelo plano da Salvação de Deus. Os princípios da Lectio Divina foram expressos por volta do ano 220 e praticados por monges católicos, especialmente as regras monásticas dos santos: Pacômio, Agostinho, Basílio e Bento. Santa Teresinha do Menino Jesus dizia, em período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela buscava no Evangelho o alimento de sua alma.

O Concílio Ecumênico Vaticano II, em seu Decreto Dei Verbum 25, ratificou e promoveu, com todo o peso de sua autoridade, a restauração da Lectio Divina, que teve um período de esquecimento por vários séculos na Igreja. O Concílio exorta igualmente, com ardor e insistência, a todos os fiéis cristãos, especialmente aos religiosos, que, pela frequente leitura das divinas Escrituras, alcancem esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo (Cf. Fl 3,8). Porquanto “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo” (Cf. São Jerônimo, Comm. In Is., prol).

Portanto, diante deste Mês da Bíblia e do grande patrimônio da nossa Igreja que é este método de Oração da Lectio Divina, desejo a todos que ao lerem este artigo comecem a tomar gosto pela Leitura Orante da Palavra de Deus, pois nós sabemos que a oração é um dos alimentos da alma que obtemos forças para enfrentar tantas adversidades em nossa caminhada. Que Deus abençoe a todos!

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


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29/09/2019 00:00

"Depois de ter, por muitas vezes e de muitos modos, falado aos Pais, pelos profetas, Deus, nestes últimos dias falou a nós por meio do Filho a quem estabeleceu como herdeiro de todas as coisas pelo qual também fez o mundo.” (Cf. Hb 1,1)

Você já passou por aquele tipo de situação em que se tenta falar com alguém e este alguém não lhe dá a atenção necessária? Pois bem, essa situação ressalta a necessidade da atenção na comunicação. Estamos no Mês da Bíblia, mês em que se lembra com ênfase a importância da Bíblia em nossa fé. Porém, algumas vezes, quando se fala da Bíblia, se recorre a um monte de termos e elementos que falam da sua importância apenas indiretamente: a Palavra, os Textos Sagrados, o Antigo Testamento, o Novo Testamento, os Livros Sagrados etc. Não podemos nos esquecer do principal autor dessas palavras que é o próprio Deus. Este mês não é apenas o mês de um livro. É o mês que nos lembra a revelação de Deus também através deste bendito livro.

A Bíblia é comunicação, seja do povo do Antigo Testamento como também o povo de hoje, seja do escritor com o leitor, mas principalmente é comunicação de Deus com seu povo e do povo com seu Deus. Antes da Bíblia ser aula de história, ser testamento dos feitos de Deus na história humana, ser patrimônio da fé judaica e cristã, a Bíblia é atual e constante comunicar de Deus. E, em se tratando do comunicar de Deus, tal diálogo torna-se algo bastante sério. Deus já falou ao ser humano diversas vezes e de diversos modos, porém, nos últimos tempos (um pouco mais que 2.000 anos), sua comunicação ficou mais evidente. A Bíblia, em Cristo, tornou-se uma comunicação muito íntima de Deus, pois agora Ele fala, mas também toca, olha, ouve, cheira, degusta e ama.

Assim, entenda-se a voz de Deus não apenas nas letras, no papel, no livro, mas no mundo. A comunicação de Deus está em todo lugar. Ele sempre fala à sua criatura, mas para entender essa fala é preciso ter este livro aberto (a Bíblia) e o coração disposto a ouvir. Se por um lado a comunicação de Deus Pai através do Filho é mais personalizada e explícita, por outro, essa comunicação através da Bíblia exige de nós uma atenção mais dedicada. Sendo assim, um modo de prestar atenção naquilo que Deus nos fala na Bíblia não é apenas “lê-la”, mas é, principalmente, “rezá-la”. Isso porque a palavra puramente lida precisa da atualização através do ensinamento da Igreja (magistério e Tradição) e do toque do Espírito Santo que ensina a ouvir do jeito certo.

Na Igreja, de antiga tradição, agora retomada, temos incentivado a comunicação com Deus através da Bíblia por meio da “Leitura Orante”, chamada de Lectio Divina na tradição da Igreja. A Leitura Orante é um jeito de ler, conhecer, meditar, rezar, contemplar e agir conforme a comunicação de Deus através da Bíblia. Todos os cristãos leigos, religiosos e sacerdotes são chamados a praticar a Leitura Orante. Quem sabe durante esse Mês da Bíblia nos convenceremos a buscar conhecer melhor o que é esse método de comunicação com Deus e, assim, da próxima vez que Ele falar talvez você esteja prestando atenção. Porque... quem fala quer ser ouvido...

A Lectio Divina vem do latim e tem como significado ‘leitura divina’,‘leitura espiritual’ ou ainda ‘leitura orante da Bíblia’. É um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e da Sua vontade, pode-se produzir os frutos espirituais necessários para a salvação. A Lectio Divina é deixar-se envolver pelo plano da Salvação de Deus. Os princípios da Lectio Divina foram expressos por volta do ano 220 e praticados por monges católicos, especialmente as regras monásticas dos santos: Pacômio, Agostinho, Basílio e Bento. Santa Teresinha do Menino Jesus dizia, em período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela buscava no Evangelho o alimento de sua alma.

O Concílio Ecumênico Vaticano II, em seu Decreto Dei Verbum 25, ratificou e promoveu, com todo o peso de sua autoridade, a restauração da Lectio Divina, que teve um período de esquecimento por vários séculos na Igreja. O Concílio exorta igualmente, com ardor e insistência, a todos os fiéis cristãos, especialmente aos religiosos, que, pela frequente leitura das divinas Escrituras, alcancem esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo (Cf. Fl 3,8). Porquanto “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo” (Cf. São Jerônimo, Comm. In Is., prol).

Portanto, diante deste Mês da Bíblia e do grande patrimônio da nossa Igreja que é este método de Oração da Lectio Divina, desejo a todos que ao lerem este artigo comecem a tomar gosto pela Leitura Orante da Palavra de Deus, pois nós sabemos que a oração é um dos alimentos da alma que obtemos forças para enfrentar tantas adversidades em nossa caminhada. Que Deus abençoe a todos!

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro