Arquidiocese do Rio de Janeiro

37º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 13/10/2019

13 de Outubro de 2019

Madre Maria Bernadete

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02/09/2019 12:08

Madre Maria Bernadete 0

02/09/2019 12:08

"Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição." II Tm 4, 7-8.

Fazendo eco destas palavras de São Paulo proferidas após uma vida de intensa entrega aos planos de Deus recordamos Madre Maria Bernadete, fundadora da congregação das irmãs de Nossa Senhora do Bom Conselho que há um mês, na tarde do dia 09 de agosto deste ano de 2019, sexta-feira às 15:00 horas, hora da misericórdia, com 101 anos, adentrou no descanso eterno, ao ser recebido na casa do Pai, terminando sua peregrinação por esta terra após anos de intensa e profunda entrega a Deus, concretizadas no cuidado material e espiritual dos sacerdotes de Jesus Cristo.

Seu sepultamento, dia 11 de agosto, depois de 3 dias de velório, foi cercado de muitas emoções tanto das irmãs como do povo de Deus que acorreu em massa a esse momento celebrativo.

Madre Bernadete, carinhosamente conhecida pelas irmãs do bom conselho como nossa madre nos deixa um legado de alegria, imolação e doação, generosidade e vivência do simples, do pequeno de cada dia, o legado de fazer por amor o extraordinário no ordinário de cada dia pela santificação dos sacerdotes.

Madre Maria Bernadete, batizada com o nome de Maria Madalena de Figueiredo, nasceu no dia 22 de julho de 1918, em Sousa, na Paraíba – a primeira entre os 12 filhos do casal Manoel Francisco de Figueiredo e Francisca Maria de Figueiredo.

Proveniente de uma família religiosa e piedosa, desde muito cedo tinha profunda sensibilidade pelo sagrado. Participava ativamente da igreja com seus pais – de quem adquiriu um sincero amor pela Igreja e zelo pelos sacerdotes. Ela atuou na catequese infantil e gostava de frequentar a adoração eucarística.

Aos l5 anos, com o falecimento de sua mãe, além dos estudos, precisou, juntamente com o pai, se dedicar aos cuidados dos irmãos mais novos, que carinhosamente a chamavam de ‘mãezinha’. Com o passar dos anos, seu pai conheceu uma senhora que frequentava a mesma paróquia. Alguns dias depois, conversando com a filha sobre a possibilidade de um novo matrimônio, Maria Madalena ficou imensamente feliz e o incentivou a realizar este desejo.

Sentindo que chegara o tempo de realizar seu grande sonho, parecia que tudo fora preparado e conduzido por Deus. Tinha já vivido perto de muitas congregações religiosas e ao lado de tantas jovens consagradas, quando chegou o momento, deu passos concretos para uma vida consagrada. Aos dezenove anos, ingressou no Convento das Irmãs Carmelitas Missionárias, na cidade de Cajazeiras, na Paraíba. Esse instituto tem o carisma carmelita, mas com dimensão Missionária. Irmã Maria Bernadete emitiu os primeiros votos, dedicados a Nossa Senhora de Lourdes, em 1941. Já em 10 de agosto de 1950, proferiu os votos perpétuos de castidade, pobreza e obediência, entregando-se definitivamente a Cristo e se dedicando a uma vida de oração, sacrifício e trabalho.

Em janeiro de 1952, dois anos após os votos perpétuos, foi eleita superiora geral das Irmãs Missionárias Carmelitas, substituindo a fundadora, Madre Carmelita, que estava em idade avançada.

Inspirada no texto da oração sacerdotal de Jesus, nasceu um imenso desejo de incluir na congregação o compromisso de imolar-se pela santificação dos sacerdotes, Madre Maria Bernadete fez um pedido especial ao bispo responsável pela fundação. Isto não foi aprovado pelo padre fundador, que a orientou a escrever uma carta a Roma.

Passado algum tempo, ela recebeu como resposta o aconselhamento de que deveria desligar-se do Carmelo para uma nova fundação. Aí começava a nascer o novo instituto que o Espírito Santo preparava para especificamente dedicar-se a orar pelos sacerdotes. Em oração, Madre Bernadete percebeu nos acontecimentos a vontade de Deus. Assim, logo começou a organizar o desligamento do Carmelo. Passou a buscar viver o carisma de rezar pelos sacerdotes: “por eles me consagro”.

Como responsável pela congregação, iniciou visitas às comunidades, para informar às religiosas a resposta de Roma e também para despedir-se de cada uma. Várias delas pediram para acompanhá-la nesta nova missão. O desligamento da Congregação das Irmãs Missionárias Carmelitas aconteceu em 13 de janeiro de 1957, com um grupo de religiosas.

Percorreram um longo caminho, de muitos sofrimentos e provações. No entanto, entre elas reinava grande paz, alegria e confiança na Providência Divina. Permaneceram alguns meses em São Paulo e depois chegaram ao Rio de Janeiro, onde foram recebidas pelo então arcebispo Cardeal Jaime de Barros Câmara. Ela o chamava de “nosso pai” devido ao apoio que ele deu à nova comunidade religiosa acompanhando-a nos inícios da caminhada. Juntamente com Madre Maria Bernadete, as Irmãs Maria do Santíssimo Sacramento, Maria Violeta, Maria dos Anjos e Maria Teresinha iniciaram a nova fundação.

No dia 26 de março de 1959, Dom Jaime as acolheu em sua própria residência (Palácio São Joaquim) por alguns anos, assumindo a fundação e acompanhando-as nos primeiros anos, orientando-as espiritualmente, como também dando apoio às necessidades materiais. Como D. Jaime tinha um grande apreço desde a juventude aos jesuítas e que continuou aqui no Rio de Janeiro, quando da doença e idade avançada do arcebispo, ele confiou a eles, por meio do padre Flávio da Veiga, os cuidados espirituais das irmãs. A fundação recebeu o nome de Instituto Nossa Senhora do Bom Conselho, que passou a ser marcado a partir de então pela espiritualidade inaciana: “Em tudo, amar e servir, fazendo tudo para a maior glória de Deus” (Santo Inácio de Loyola).

Nesta transição de direção e orientação espiritual, e com o crescimento da comunidade, a sede do instituto foi transferida para um lugar mais amplo, a cidade de Maricá, na Arquidiocese de Niterói onde foram acolhidas pelo arcebispo D. Antônio de Almeida Morais Júnior, no dia 11 de julho de 1963. Em Maricá assumiram os trabalhos pastorais e de catequese da Paróquia Nossa Senhora do Amparo.

As religiosas do Instituto de Nossa Senhora do Bom Conselho se consagram, emitindo os votos perpétuos e oferecendo suas vidas em união com Jesus na Eucaristia, que se imola constantemente ao Pai pela humanidade. As Irmãs, com Jesus, se imolam ao Pai, pela santificação dos sacerdotes. Este carisma foi inspirado no texto do Evangelho de São João: “Por eles, eu me consagro” (Jo 17,19).

A Madre fundadora sempre ensinou às suas filhas que as coisas ordinárias, por mais simples que sejam, devem ser realizadas de modo extraordinário, vivendo intensamente a vida comunitária com fidelidade e doação. Elas devem ser como uma vela iluminando e aquecendo, sem nada exigir para si.
Seguramente foi e continua sendo uma imensa alegria e uma grande riqueza para o Instituto ter tido consigo a presença da fundadora que, no silêncio de sua idade avançada, transmitiu a todas o valor da consagração e da imolação de uma vida inteira, consumindo-se como uma vela que queima, consumindo-se a Deus no altar da existência.

Nossa arquidiocese tem grande carinho e gratidão pelas irmãs do bom conselho, que desde a fundação da congregação, que está ligada à história de nossa arquidiocese. Dentro da Arquidiocese do Rio de Janeiro, elas vêm desempenhando um papel incansável seja no cuidado dos Arcebispos e dos bispos auxiliares, pois são as responsáveis diretas do Palácio São Joaquim, onde também atuam no gabinete do Arcebispo e acompanham o Arcebispo emérito em sua residência. Na formação estão presentes no cuidado com os seminaristas, pois servem em nosso seminário arquidiocesano e na fazenda das Arcas em Itaipava. Com os padres idosos, doentes e demais moradores da Casa do Padre Cardeal Câmara elas acolhem e servem. Além disso estão também no Instituto superior de Teologia e no centro de estudos do Sumaré oferecendo acolhida cristã a todos os que lá vão procurar aprofundamento. Na pastoral estão no colégio jesuíta de Santo Inácio e também na comunidade de Santa Marta em Botafogo, realizando seus trabalhos junto à comunidade paroquial. Estes são somente alguns dos vários exemplos que podemos citar dos frutos palpáveis da entrega generosa que Madre Bernadete fez aos planos de Deus.

Diante dos atuais acontecimentos com relação aos sacerdotes que ocorrem no mundo inteiro vemos como o Espírito Santo prepara as suas eleitas para interceder pelo clero. Já com a influência da Divina Misericórdia, vida de oração carmelita, orientação jesuítica, trazendo a experiência da religiosidade do nordeste brasileiro, inspirada pela oração sacerdotal de Jesus e com o acolhimento arquidiocesano de nossa grande cidade o Senhor providenciou esse carisma tão necessário nos tempos atuais e que se junta a tantos outros que buscam fazer a vontade de Deus nestes tempos de tantas transformações. Se vivemos uma “mudança de era” ou de “época” temos certeza de que o Senhor nos precede em nossas necessidades e buscas.

Para isso Ele encontra corações abertos à inspiração do Espírito Santo para que os sinais da graça possam aparecer nos tempos de hoje. Madre Maria Bernadete, com sua simplicidade e convicção nordestina correspondeu ao plano de Deus na então capital do Brasil esse carisma. Agora que ela repousa de seus trabalhos e lutas temos certeza que intercede por todos os sacerdotes no céu, assim como, pelas suas atuais e futuras filhas para que levem adiante esse importante carisma para a Igreja.

Como sucessor de D. Jaime de Barros Câmara agradeço a Deus por esse grande dom concedido à nossa arquidiocese que serviu para iniciar um Instituto que tem um carisma tão atual. Pois além da vida de oração e intercessão pelos sacerdotes, as irmãs estão presentes nas residências paroquiais, episcopais, seminários e locais de formação.

Em nome de toda a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro nossos sentimentos à todas as religiosas que seguem o seu carisma e orações pelo seu descanso junto de Deus! Que Nossa Senhora do Bom Conselho siga acompanhando os passos e sustentando a vocação de todas as irmãs do instituto, acolha Madre Bernadete na glória e nos ensine a estar cada dia mais atentos às palavras do Conselheiro Admirável, Jesus Cristo.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro


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02/09/2019 12:08

"Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição." II Tm 4, 7-8.

Fazendo eco destas palavras de São Paulo proferidas após uma vida de intensa entrega aos planos de Deus recordamos Madre Maria Bernadete, fundadora da congregação das irmãs de Nossa Senhora do Bom Conselho que há um mês, na tarde do dia 09 de agosto deste ano de 2019, sexta-feira às 15:00 horas, hora da misericórdia, com 101 anos, adentrou no descanso eterno, ao ser recebido na casa do Pai, terminando sua peregrinação por esta terra após anos de intensa e profunda entrega a Deus, concretizadas no cuidado material e espiritual dos sacerdotes de Jesus Cristo.

Seu sepultamento, dia 11 de agosto, depois de 3 dias de velório, foi cercado de muitas emoções tanto das irmãs como do povo de Deus que acorreu em massa a esse momento celebrativo.

Madre Bernadete, carinhosamente conhecida pelas irmãs do bom conselho como nossa madre nos deixa um legado de alegria, imolação e doação, generosidade e vivência do simples, do pequeno de cada dia, o legado de fazer por amor o extraordinário no ordinário de cada dia pela santificação dos sacerdotes.

Madre Maria Bernadete, batizada com o nome de Maria Madalena de Figueiredo, nasceu no dia 22 de julho de 1918, em Sousa, na Paraíba – a primeira entre os 12 filhos do casal Manoel Francisco de Figueiredo e Francisca Maria de Figueiredo.

Proveniente de uma família religiosa e piedosa, desde muito cedo tinha profunda sensibilidade pelo sagrado. Participava ativamente da igreja com seus pais – de quem adquiriu um sincero amor pela Igreja e zelo pelos sacerdotes. Ela atuou na catequese infantil e gostava de frequentar a adoração eucarística.

Aos l5 anos, com o falecimento de sua mãe, além dos estudos, precisou, juntamente com o pai, se dedicar aos cuidados dos irmãos mais novos, que carinhosamente a chamavam de ‘mãezinha’. Com o passar dos anos, seu pai conheceu uma senhora que frequentava a mesma paróquia. Alguns dias depois, conversando com a filha sobre a possibilidade de um novo matrimônio, Maria Madalena ficou imensamente feliz e o incentivou a realizar este desejo.

Sentindo que chegara o tempo de realizar seu grande sonho, parecia que tudo fora preparado e conduzido por Deus. Tinha já vivido perto de muitas congregações religiosas e ao lado de tantas jovens consagradas, quando chegou o momento, deu passos concretos para uma vida consagrada. Aos dezenove anos, ingressou no Convento das Irmãs Carmelitas Missionárias, na cidade de Cajazeiras, na Paraíba. Esse instituto tem o carisma carmelita, mas com dimensão Missionária. Irmã Maria Bernadete emitiu os primeiros votos, dedicados a Nossa Senhora de Lourdes, em 1941. Já em 10 de agosto de 1950, proferiu os votos perpétuos de castidade, pobreza e obediência, entregando-se definitivamente a Cristo e se dedicando a uma vida de oração, sacrifício e trabalho.

Em janeiro de 1952, dois anos após os votos perpétuos, foi eleita superiora geral das Irmãs Missionárias Carmelitas, substituindo a fundadora, Madre Carmelita, que estava em idade avançada.

Inspirada no texto da oração sacerdotal de Jesus, nasceu um imenso desejo de incluir na congregação o compromisso de imolar-se pela santificação dos sacerdotes, Madre Maria Bernadete fez um pedido especial ao bispo responsável pela fundação. Isto não foi aprovado pelo padre fundador, que a orientou a escrever uma carta a Roma.

Passado algum tempo, ela recebeu como resposta o aconselhamento de que deveria desligar-se do Carmelo para uma nova fundação. Aí começava a nascer o novo instituto que o Espírito Santo preparava para especificamente dedicar-se a orar pelos sacerdotes. Em oração, Madre Bernadete percebeu nos acontecimentos a vontade de Deus. Assim, logo começou a organizar o desligamento do Carmelo. Passou a buscar viver o carisma de rezar pelos sacerdotes: “por eles me consagro”.

Como responsável pela congregação, iniciou visitas às comunidades, para informar às religiosas a resposta de Roma e também para despedir-se de cada uma. Várias delas pediram para acompanhá-la nesta nova missão. O desligamento da Congregação das Irmãs Missionárias Carmelitas aconteceu em 13 de janeiro de 1957, com um grupo de religiosas.

Percorreram um longo caminho, de muitos sofrimentos e provações. No entanto, entre elas reinava grande paz, alegria e confiança na Providência Divina. Permaneceram alguns meses em São Paulo e depois chegaram ao Rio de Janeiro, onde foram recebidas pelo então arcebispo Cardeal Jaime de Barros Câmara. Ela o chamava de “nosso pai” devido ao apoio que ele deu à nova comunidade religiosa acompanhando-a nos inícios da caminhada. Juntamente com Madre Maria Bernadete, as Irmãs Maria do Santíssimo Sacramento, Maria Violeta, Maria dos Anjos e Maria Teresinha iniciaram a nova fundação.

No dia 26 de março de 1959, Dom Jaime as acolheu em sua própria residência (Palácio São Joaquim) por alguns anos, assumindo a fundação e acompanhando-as nos primeiros anos, orientando-as espiritualmente, como também dando apoio às necessidades materiais. Como D. Jaime tinha um grande apreço desde a juventude aos jesuítas e que continuou aqui no Rio de Janeiro, quando da doença e idade avançada do arcebispo, ele confiou a eles, por meio do padre Flávio da Veiga, os cuidados espirituais das irmãs. A fundação recebeu o nome de Instituto Nossa Senhora do Bom Conselho, que passou a ser marcado a partir de então pela espiritualidade inaciana: “Em tudo, amar e servir, fazendo tudo para a maior glória de Deus” (Santo Inácio de Loyola).

Nesta transição de direção e orientação espiritual, e com o crescimento da comunidade, a sede do instituto foi transferida para um lugar mais amplo, a cidade de Maricá, na Arquidiocese de Niterói onde foram acolhidas pelo arcebispo D. Antônio de Almeida Morais Júnior, no dia 11 de julho de 1963. Em Maricá assumiram os trabalhos pastorais e de catequese da Paróquia Nossa Senhora do Amparo.

As religiosas do Instituto de Nossa Senhora do Bom Conselho se consagram, emitindo os votos perpétuos e oferecendo suas vidas em união com Jesus na Eucaristia, que se imola constantemente ao Pai pela humanidade. As Irmãs, com Jesus, se imolam ao Pai, pela santificação dos sacerdotes. Este carisma foi inspirado no texto do Evangelho de São João: “Por eles, eu me consagro” (Jo 17,19).

A Madre fundadora sempre ensinou às suas filhas que as coisas ordinárias, por mais simples que sejam, devem ser realizadas de modo extraordinário, vivendo intensamente a vida comunitária com fidelidade e doação. Elas devem ser como uma vela iluminando e aquecendo, sem nada exigir para si.
Seguramente foi e continua sendo uma imensa alegria e uma grande riqueza para o Instituto ter tido consigo a presença da fundadora que, no silêncio de sua idade avançada, transmitiu a todas o valor da consagração e da imolação de uma vida inteira, consumindo-se como uma vela que queima, consumindo-se a Deus no altar da existência.

Nossa arquidiocese tem grande carinho e gratidão pelas irmãs do bom conselho, que desde a fundação da congregação, que está ligada à história de nossa arquidiocese. Dentro da Arquidiocese do Rio de Janeiro, elas vêm desempenhando um papel incansável seja no cuidado dos Arcebispos e dos bispos auxiliares, pois são as responsáveis diretas do Palácio São Joaquim, onde também atuam no gabinete do Arcebispo e acompanham o Arcebispo emérito em sua residência. Na formação estão presentes no cuidado com os seminaristas, pois servem em nosso seminário arquidiocesano e na fazenda das Arcas em Itaipava. Com os padres idosos, doentes e demais moradores da Casa do Padre Cardeal Câmara elas acolhem e servem. Além disso estão também no Instituto superior de Teologia e no centro de estudos do Sumaré oferecendo acolhida cristã a todos os que lá vão procurar aprofundamento. Na pastoral estão no colégio jesuíta de Santo Inácio e também na comunidade de Santa Marta em Botafogo, realizando seus trabalhos junto à comunidade paroquial. Estes são somente alguns dos vários exemplos que podemos citar dos frutos palpáveis da entrega generosa que Madre Bernadete fez aos planos de Deus.

Diante dos atuais acontecimentos com relação aos sacerdotes que ocorrem no mundo inteiro vemos como o Espírito Santo prepara as suas eleitas para interceder pelo clero. Já com a influência da Divina Misericórdia, vida de oração carmelita, orientação jesuítica, trazendo a experiência da religiosidade do nordeste brasileiro, inspirada pela oração sacerdotal de Jesus e com o acolhimento arquidiocesano de nossa grande cidade o Senhor providenciou esse carisma tão necessário nos tempos atuais e que se junta a tantos outros que buscam fazer a vontade de Deus nestes tempos de tantas transformações. Se vivemos uma “mudança de era” ou de “época” temos certeza de que o Senhor nos precede em nossas necessidades e buscas.

Para isso Ele encontra corações abertos à inspiração do Espírito Santo para que os sinais da graça possam aparecer nos tempos de hoje. Madre Maria Bernadete, com sua simplicidade e convicção nordestina correspondeu ao plano de Deus na então capital do Brasil esse carisma. Agora que ela repousa de seus trabalhos e lutas temos certeza que intercede por todos os sacerdotes no céu, assim como, pelas suas atuais e futuras filhas para que levem adiante esse importante carisma para a Igreja.

Como sucessor de D. Jaime de Barros Câmara agradeço a Deus por esse grande dom concedido à nossa arquidiocese que serviu para iniciar um Instituto que tem um carisma tão atual. Pois além da vida de oração e intercessão pelos sacerdotes, as irmãs estão presentes nas residências paroquiais, episcopais, seminários e locais de formação.

Em nome de toda a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro nossos sentimentos à todas as religiosas que seguem o seu carisma e orações pelo seu descanso junto de Deus! Que Nossa Senhora do Bom Conselho siga acompanhando os passos e sustentando a vocação de todas as irmãs do instituto, acolha Madre Bernadete na glória e nos ensine a estar cada dia mais atentos às palavras do Conselheiro Admirável, Jesus Cristo.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro