Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 24º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/11/2019

15 de Novembro de 2019

O Senhor Faz Maravilhas

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“Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte” (Lumen Gentium 59). 

A Assunção da santíssima Virgem é uma singular participação na ressurreição do seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos: “No teu parto guardaste a virgindade e na tua dormição não abandonaste a mundo, ó Mãe de Deus: alcançaste a fonte da vida. Tu que concebeste o Deus vivo e que, pelas tuas orações, hás de livrar as nossas almas da morte” (Liturgia Bizantina). (Catecismo da Igreja Católica, 966).

Neste terceiro domingo do mês de agosto celebramos, aqui no Brasil, a assunção de Nossa Senhora. A celebração acontece em muitas comunidades no próprio dia 15, mas por motivos pastorais, oficialmente, ela é transladada para o domingo, com o objetivo de favorecer uma maior participação dos fiéis, como acontece com outras solenidades e festas em que não se é feriado no Brasil.

Neste terceiro domingo deste mês vocacional também rezamos e refletimos pelas vocações à vida consagrada, a vida religiosa de antiga e nova tradição. Desde o começo da Igreja homens e mulheres foram chamados por Deus para formarem famílias, sejam elas solitárias como os anacoretas ou comunitárias, como os cenobitas, que viviam a vida comunitária em torno da Palavra de Deus e dos sacramentos, procurando viver de forma intensa a vida cristã, formando pequenas comunidades e se consagrando ao Senhor, como até hoje o são. Vários foram os carismas com que o Espírito Santo foi presenteando à Igreja ao longo da história, e a Igreja vai sempre contemplando e atenta a estes sinais vivos da ação do Espírito em nosso meio: vieram os anacoretas, os cenobitas, a vida monástica, as ordens mendicantes, os pregadores, missionários, as virgens consagradas, as novas ordens religiosas que se preocupavam com os doentes e com os pobres, as sociedades de vida apostólica, os institutos seculares e ultimamente os carismas próprios das novas comunidades e a consagração em seu seio. Temos várias organizações que permanecem, outras seguem outros caminhos, outras cumprem um papel determinado e limitado na história onde alguns continuam e outros não. O importante é percebermos que na caminhada da Igreja temos vários carismas de homens e mulheres que, além da sua consagração batismal, respondem ao chamado de uma especial consagração. A vocação batismal está como fundamento de tudo, mas, como nos fala a Lumen Gentium, há aqueles que se entregam a uma vocação de especial consagração, movidos pela graça de Deus. A Lumen Gentium vai ligar mais ainda a vida consagrada à santidade da Igreja, sendo reflexo imediato desta chamada universal à santidade:

Os conselhos evangélicos de castidade consagrada a Deus, de pobreza e de obediência, visto que fundados sobre a palavra e o exemplo de Cristo e recomendados pelos Apóstolos, pelos Padres, Doutores e Pastores da Igreja, são um dom divino, que a mesma Igreja recebeu do seu Senhor e com a Sua graça sempre conserva. A autoridade da Igreja, sob a direção do Espírito Santo, cuidou de regular a sua prática e também de constituir, à base deles, formas estáveis de vida. E assim sucedeu que, como em árvore plantada por Deus e maravilhosa e variamente ramificada no campo do Senhor, surgiram diversas formas de vida, quer solitária quer comum, e várias famílias religiosas, que vêm aumentar as riquezas espirituais, tanto em proveito dos seus próprios membros como no de todo o Corpo de Cristo. Com efeito, essas famílias dão aos seus membros os auxílios duma estabilidade mais firme no modo de vida, duma doutrina segura em ordem a alcançar a perfeição, duma comunhão fraterna na milícia de Cristo, duma liberdade robustecida pela obediência, para assim poderem cumprir com segurança e guardar fielmente a profissão religiosa e avançar jubilosos no caminho da caridade (Lumen Gentium 43). Rezemos para que cada vez mais a vida consagrada e religiosa encontre os seus caminhos e que nessa mudança de era, mais que mudança de época, a vida consagrada esteja encontrando os caminhos de permanecer fiel ao essencial a partir da realidade do Evangelho que é sempre antigo e sempre novo. Louvamos a Deus por todos os carismas e pedimos a Deus que faça sempre frutificar essa obra que Ele mesmo iniciou e que Deus continue a colocar no coração de muitos jovens o desejo de se entregar a Deus em uma vida de especial consagração. Em nossa arquidiocese destacamos que durante a missão arquiepiscopal de D. Jaime de Barros Câmara foram fundadas várias congregações religiosas de direito diocesano que ainda hoje serve à Igreja com seus membros.

Celebramos e rezamos pela vida consagrada no dia da Assunção de Nossa Senhora, celebrada neste domingo. A assunção de Maria coloca diante de nós a realidade do fim de nossa vida, a realidade última que nos aguarda. Sabemos que terminada nossa caminhada neste mundo, temos uma nova morada nos céus. O próprio Cristo vai dizer: Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.

E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também (Jo 14, 1-3). Somos chamados a viver de tal forma a nossa vida cristã que não percamos de vista o nosso fim último. Nosso fim não é o cemitério dentro de um caixão. Nosso fim (finalidade) é estar com Deus na eternidade. Eis o grande mistério que a solenidade de hoje nos recorda. O prefácio da solenidade de hoje vai nos recordar: Hoje, a Virgem Maria, mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho, pois preservastes da corrupção da morte aquela que gerou, de modo inefável, vosso próprio Filho feito homem, autor de toda a vida.

A palavra de Deus proclamada nesta solenidade começa trazendo a leitura do livro do Apocalipse ( Ap 11, 19a;12,1.3-6a.10ab):
Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo.

Através dessas imagens vai mostrando toda a perseguição que a Igreja vai enfrentando. Maria aparece no Apocalipse como imagem da Igreja. Ao mesmo tempo vai também indicando:

Ela teve um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido.

Sabemos que no Apocalipse de São João, temos representadas as imagens da Igreja e como extensão também a figura de Maria. A Tradição da Igreja sempre teve por costume associar as figuras de Maria e da Igreja. Maria é esta mulher forte que, sabendo cumprir a vontade do Pai e que soube ao mesmo tempo cantar os louvores de Deus. À semelhança de Maria, a Igreja concebe na dor um mundo novo. E em união com Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.

O Magnificat de Maria, evangelho proclamado nesta solenidade, (Lc 1, 39-56) vai relatar exatamente os louvores dados por Maria a Deus: A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

Na carta de Paulo aos Coríntios (1 Cor 15, 20-27a), Paulo vai falando das primícias da ressurreição última: o que aconteceu com Cristo, acontece com Maria conforme hoje celebramos e da mesma forma acontecerá com a vida de toda a Igreja:
Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram.

Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. Cada qual, porém, na sua ordem:

primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. Depois será o fim,
quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser aniquilado é a morte,
porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés.

A nossa humanidade já está na eternidade: antes de tudo com Jesus, assumindo nossa carne e subindo aos céus, nossa humanidade glorificada está junto com a Trindade. Com Maria vemos também a criatura que é chamada a não perder a sua dimensão: a dimensão de eternidade. Somos chamados a resolver muitas questões e atender a muitas demandas, mas não podemos esquecer a dimensão de eternidade. Por isso, uma vida de conversão e de mudança de vida nunca pode ser deixada de lado. Temos no céu uma morada permanente e estamos caminhando rumo a ela. Compartilharemos em corpo e alma desta glória divina. A Solenidade de hoje enche-nos de confiança nas nossas súplicas pois, conforme nos diz São Bernardo, “subiu aos céus a nossa Advogada para, como Mãe do Juiz e Mãe de Misericórdia, tratar dos negócios da nossa esperança. ” Ela alenta continuamente a nossa esperança. Somos ainda peregrinos, mas a nossa Mãe precedeu-nos e indica-nos já o final do caminho: repete-nos que é possível lá chegarmos, e que lá chegaremos, se formos fiéis. Porque a Santíssima Virgem não é apenas nosso exemplo: é auxílio dos cristãos. E ante a nossa súplica não quer negar-se a cuidar dos seus filhos com solicitude maternal.

Que sejamos cada vez mais transformados em homens e mulheres novos. Que os religiosos e religiosos, cujo dia celebramos neste final de semana nos ajudem com seu exemplo, sua dedicação e consagração a buscarmos o caminho da santidade no dia a dia da nossa vida. “Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu, em corpo e alma, a imaculada virgem Maria, mãe do vosso filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

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“Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte” (Lumen Gentium 59). 

A Assunção da santíssima Virgem é uma singular participação na ressurreição do seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos: “No teu parto guardaste a virgindade e na tua dormição não abandonaste a mundo, ó Mãe de Deus: alcançaste a fonte da vida. Tu que concebeste o Deus vivo e que, pelas tuas orações, hás de livrar as nossas almas da morte” (Liturgia Bizantina). (Catecismo da Igreja Católica, 966).

Neste terceiro domingo do mês de agosto celebramos, aqui no Brasil, a assunção de Nossa Senhora. A celebração acontece em muitas comunidades no próprio dia 15, mas por motivos pastorais, oficialmente, ela é transladada para o domingo, com o objetivo de favorecer uma maior participação dos fiéis, como acontece com outras solenidades e festas em que não se é feriado no Brasil.

Neste terceiro domingo deste mês vocacional também rezamos e refletimos pelas vocações à vida consagrada, a vida religiosa de antiga e nova tradição. Desde o começo da Igreja homens e mulheres foram chamados por Deus para formarem famílias, sejam elas solitárias como os anacoretas ou comunitárias, como os cenobitas, que viviam a vida comunitária em torno da Palavra de Deus e dos sacramentos, procurando viver de forma intensa a vida cristã, formando pequenas comunidades e se consagrando ao Senhor, como até hoje o são. Vários foram os carismas com que o Espírito Santo foi presenteando à Igreja ao longo da história, e a Igreja vai sempre contemplando e atenta a estes sinais vivos da ação do Espírito em nosso meio: vieram os anacoretas, os cenobitas, a vida monástica, as ordens mendicantes, os pregadores, missionários, as virgens consagradas, as novas ordens religiosas que se preocupavam com os doentes e com os pobres, as sociedades de vida apostólica, os institutos seculares e ultimamente os carismas próprios das novas comunidades e a consagração em seu seio. Temos várias organizações que permanecem, outras seguem outros caminhos, outras cumprem um papel determinado e limitado na história onde alguns continuam e outros não. O importante é percebermos que na caminhada da Igreja temos vários carismas de homens e mulheres que, além da sua consagração batismal, respondem ao chamado de uma especial consagração. A vocação batismal está como fundamento de tudo, mas, como nos fala a Lumen Gentium, há aqueles que se entregam a uma vocação de especial consagração, movidos pela graça de Deus. A Lumen Gentium vai ligar mais ainda a vida consagrada à santidade da Igreja, sendo reflexo imediato desta chamada universal à santidade:

Os conselhos evangélicos de castidade consagrada a Deus, de pobreza e de obediência, visto que fundados sobre a palavra e o exemplo de Cristo e recomendados pelos Apóstolos, pelos Padres, Doutores e Pastores da Igreja, são um dom divino, que a mesma Igreja recebeu do seu Senhor e com a Sua graça sempre conserva. A autoridade da Igreja, sob a direção do Espírito Santo, cuidou de regular a sua prática e também de constituir, à base deles, formas estáveis de vida. E assim sucedeu que, como em árvore plantada por Deus e maravilhosa e variamente ramificada no campo do Senhor, surgiram diversas formas de vida, quer solitária quer comum, e várias famílias religiosas, que vêm aumentar as riquezas espirituais, tanto em proveito dos seus próprios membros como no de todo o Corpo de Cristo. Com efeito, essas famílias dão aos seus membros os auxílios duma estabilidade mais firme no modo de vida, duma doutrina segura em ordem a alcançar a perfeição, duma comunhão fraterna na milícia de Cristo, duma liberdade robustecida pela obediência, para assim poderem cumprir com segurança e guardar fielmente a profissão religiosa e avançar jubilosos no caminho da caridade (Lumen Gentium 43). Rezemos para que cada vez mais a vida consagrada e religiosa encontre os seus caminhos e que nessa mudança de era, mais que mudança de época, a vida consagrada esteja encontrando os caminhos de permanecer fiel ao essencial a partir da realidade do Evangelho que é sempre antigo e sempre novo. Louvamos a Deus por todos os carismas e pedimos a Deus que faça sempre frutificar essa obra que Ele mesmo iniciou e que Deus continue a colocar no coração de muitos jovens o desejo de se entregar a Deus em uma vida de especial consagração. Em nossa arquidiocese destacamos que durante a missão arquiepiscopal de D. Jaime de Barros Câmara foram fundadas várias congregações religiosas de direito diocesano que ainda hoje serve à Igreja com seus membros.

Celebramos e rezamos pela vida consagrada no dia da Assunção de Nossa Senhora, celebrada neste domingo. A assunção de Maria coloca diante de nós a realidade do fim de nossa vida, a realidade última que nos aguarda. Sabemos que terminada nossa caminhada neste mundo, temos uma nova morada nos céus. O próprio Cristo vai dizer: Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.

E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também (Jo 14, 1-3). Somos chamados a viver de tal forma a nossa vida cristã que não percamos de vista o nosso fim último. Nosso fim não é o cemitério dentro de um caixão. Nosso fim (finalidade) é estar com Deus na eternidade. Eis o grande mistério que a solenidade de hoje nos recorda. O prefácio da solenidade de hoje vai nos recordar: Hoje, a Virgem Maria, mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho, pois preservastes da corrupção da morte aquela que gerou, de modo inefável, vosso próprio Filho feito homem, autor de toda a vida.

A palavra de Deus proclamada nesta solenidade começa trazendo a leitura do livro do Apocalipse ( Ap 11, 19a;12,1.3-6a.10ab):
Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo.

Através dessas imagens vai mostrando toda a perseguição que a Igreja vai enfrentando. Maria aparece no Apocalipse como imagem da Igreja. Ao mesmo tempo vai também indicando:

Ela teve um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido.

Sabemos que no Apocalipse de São João, temos representadas as imagens da Igreja e como extensão também a figura de Maria. A Tradição da Igreja sempre teve por costume associar as figuras de Maria e da Igreja. Maria é esta mulher forte que, sabendo cumprir a vontade do Pai e que soube ao mesmo tempo cantar os louvores de Deus. À semelhança de Maria, a Igreja concebe na dor um mundo novo. E em união com Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.

O Magnificat de Maria, evangelho proclamado nesta solenidade, (Lc 1, 39-56) vai relatar exatamente os louvores dados por Maria a Deus: A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

Na carta de Paulo aos Coríntios (1 Cor 15, 20-27a), Paulo vai falando das primícias da ressurreição última: o que aconteceu com Cristo, acontece com Maria conforme hoje celebramos e da mesma forma acontecerá com a vida de toda a Igreja:
Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram.

Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. Cada qual, porém, na sua ordem:

primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. Depois será o fim,
quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser aniquilado é a morte,
porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés.

A nossa humanidade já está na eternidade: antes de tudo com Jesus, assumindo nossa carne e subindo aos céus, nossa humanidade glorificada está junto com a Trindade. Com Maria vemos também a criatura que é chamada a não perder a sua dimensão: a dimensão de eternidade. Somos chamados a resolver muitas questões e atender a muitas demandas, mas não podemos esquecer a dimensão de eternidade. Por isso, uma vida de conversão e de mudança de vida nunca pode ser deixada de lado. Temos no céu uma morada permanente e estamos caminhando rumo a ela. Compartilharemos em corpo e alma desta glória divina. A Solenidade de hoje enche-nos de confiança nas nossas súplicas pois, conforme nos diz São Bernardo, “subiu aos céus a nossa Advogada para, como Mãe do Juiz e Mãe de Misericórdia, tratar dos negócios da nossa esperança. ” Ela alenta continuamente a nossa esperança. Somos ainda peregrinos, mas a nossa Mãe precedeu-nos e indica-nos já o final do caminho: repete-nos que é possível lá chegarmos, e que lá chegaremos, se formos fiéis. Porque a Santíssima Virgem não é apenas nosso exemplo: é auxílio dos cristãos. E ante a nossa súplica não quer negar-se a cuidar dos seus filhos com solicitude maternal.

Que sejamos cada vez mais transformados em homens e mulheres novos. Que os religiosos e religiosos, cujo dia celebramos neste final de semana nos ajudem com seu exemplo, sua dedicação e consagração a buscarmos o caminho da santidade no dia a dia da nossa vida. “Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu, em corpo e alma, a imaculada virgem Maria, mãe do vosso filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro