Arquidiocese do Rio de Janeiro

24º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/08/2019

19 de Agosto de 2019

Esperamos confiantes no Senhor

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11/08/2019 00:00

Esperamos confiantes no Senhor 0

11/08/2019 00:00

É com muita alegria que neste domingo, 19º Domingo do tempo Comum, dia do Senhor, comemoramos o dia dos pais. Dentro deste mês vocacional, rezamos nesta semana pela vocação familiar, fazendo uma saudação especial a todos os pais, que assumem a paternidade e estão junto com suas esposas formando famílias cristãs, abraçando esta responsabilidade de passar aos filhos a fé, os valores básicos da vida em sociedade, ajuda-los no crescimento pessoal, espiritual, material, cultural, quem os preparem para viver cada vez mais sua vida de bons cristãos, bons seres humanos que possam fazer a diferença ali onde se encontrem. Rezamos também por todos os pais falecidos, para que estejam junto do Pai Eterno cuidado de nós.

Rezando pela família e pela vocação matrimonial neste segundo domingo do mês vocacional, consideramos o aspecto natural da relação e atração homem e mulher em sua complementariedade, mas consideramos também o aspecto da vocação, chamados por Deus a ser família e continuadores da obra da criação, a estar com Cristo no centro da vida familiar, sendo esta realidade o que dá sentido à vida do marido, da esposa e dos filhos, à semelhança da Sagrada Família de Nazaré que tema centralidade de Cristo como seu fundamento.

Iniciamos hoje a Semana Nacional da Família que vai do dia 11 ao dia 17 e tem como tema A família, como vai? Esperamos que em nossa arquidiocese, paróquias e comunidades possam refletir, aprofundar e fortalecer os laços familiares daqueles que caminham em família, na comunidade cristã, sendo ao mesmo tempo um sinal para fora das comunidades. A vocação familiar que celebramos neste segundo domingo de agosto deve nos levar a expressar para fora a importância da família bem constituída, da família que sabe aceitar-se mutuamente, que sabe levar as cruzes e resolver em conjunto os problemas, que sabe perdoar-se, conviver, crescer cada vez mais na fé. Numa realidade em que os valores fundamentais vão sendo perdidos, sabemos que são necessários testemunhos que nos incentivem a valorizar a importância da família e que as pessoas possam ver que mesmo com as dificuldades que advém das circunstâncias do dia a dia, a vivência da fé faz a diferença. Em meio a tantas propagandas contrárias à permanência e perseverança da vida de família, que os bons sinais sejam cada vez mais presentes e eficazes. Que esta pergunta: A família, como vai? Não nos faça olhar somente para as realidades familiares, mas também para cada um de nós, para que encontremos caminho eficazes de repropor a importância da vocação familiar em nossos dias.

A Palavra de Deus que nos é dirigida neste final de semana, 19º Domingo do Tempo comum, vem dando sequência ao que temos ouvido nos domingos anteriores: de um lado nos lembra a importância da vigilância e da fé: o verdadeiro discípulo não vive de braços cruzados, numa existência de comodismo, mas está sempre atento e disponível para acolher o Senhor, para escutar os seus apelos e para construir o Reino aqui e agora.

O Evangelho (Lc 12, 32-48) vem nos apresentar o quão importante é a atitude e vigilância para a vida de todo cristão, mas também de todos os seres humanos. Apresenta uma catequese sobre a vigilância. Propõe aos discípulos de todas as épocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa dinâmica de comunhão com Deus. O verdadeiro discípulo é aquele que está sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na construção do Reino.

Ele tem seu início lembrado a necessidade e a conveniência de uma vida livre de apegos a bens temporais: “'Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino. Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói. Porque onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lc 12, 32-34). O pano de fundo desta questão é a pergunta sobre quem é o nosso Deus: o dinheiro ou o Pai que está nos céus? Logo após, apresenta então a realidade da vigilância: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar” (Lc 12, 35-37). A palavra de Deus vem então nos falar dessa vigilância em acolher o Senhor que chega, que vem ao nosso encontro, de forma inesperada. Usando a imagem de servos que esperam o senhor voltar de uma festa, assim o cristão deve estar sempre atento aos sinais do Senhor que vem a nós e que passa. Estar preparados porque não sabemos nem o dia nem a hora! Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes' (Lc 12, 40). Seguidamente temos a indagação de Pedro sobre os destinatários da parábola, ao que segue a resposta do Senhor com a seguinte conclusão: “A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido”(Lc 12,48)! Ante a realidade de um mundo onde se busca unicamente ter para si e não se preocupar com o outro, somos chamados a viver conscientes de que estamos com os pés neste mundo, mas temos contas a prestar diante de Deus. Por isso somos chamados a ser vigilantes e a não deixar para amanhã a nossa vida de conversão, de entrega a Deus e de fazer o bem ao outro. Quando menos esperarmos, nossa hora chegará. Vigiamos não por medo, mas porque temos consciência da missão que o Senhor nos confiou.

A primeira leitura deste domingo (Sb 18, 6-9) fala-nos da noite da libertação: A noite da libertação fora predita a nossos pais; Ela foi esperada por teu povo, como salvação para os justos e
como perdição para os inimigos. Com efeito, aquilo com que puniste nossos adversários, serviu também para glorificar-nos, chamando-nos a ti. Os piedosos filhos dos bons ofereceram sacrifícios secretamente e, de comum acordo, fizeram este pacto divino: que os santos participariam solidariamente.

O “sábio” que nos fala na leitura assegura que só a fidelidade aos caminhos de Deus gera vida e libertação; e que ceder aos impulsos do egoísmo e da injustiça gera sofrimento e morte. Hoje, como ontem, num mundo de trevas em relação aos valores, nem sempre parece fazer sentido trilhar o caminho do bem, da verdade, do amor, do dom da vida. Na realidade, onde é que está o caminho da verdadeira felicidade? Ceder ao mais fácil, à moda, ao “politicamente correto”, ou na fidelidade aos valores do Evangelho, ao chamado de Jesus? Como é que eu me situo face às pressões que, todos os dias, a opinião pública ou a moda me impõem? Devemos preparar-nos para que, quando o Senhor passar, possamos estar disponíveis às maravilhas de Graça e Misericórdia que Ele tem a nos oferecer.

Essa realidade aparece com muita clareza quando lidamos com a questão da fé, que vai nos ser apresentada na segunda leitura, esta clássica passagem da carta aos Hebreus (Hb 11, 1-2.8-19): apresenta o que é a fé assim como apresenta belos exemplos desta realidade, onde cada versículo mereceria uma reflexão da nossa parte: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem. Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho. Foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu, sem saber para onde ia. Foi pela fé que ele residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas com Isaac e Jacó, os coerdeiros da mesma promessa. Pois esperava a cidade alicerçada que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor. Foi pela fé também que Sara, embora estéril e já de idade avançada, se tornou capaz de ter filhos, porque considerou fidedigno o autor da promessa. É por isso também que de um só homem, já marcado pela morte, nasceu a multidão 'comparável às estrelas do céu e inumerável como a areia das praias do mar'. Todos estes morreram na fé. Não receberam a realização da promessa, mas a puderam ver e saudar de longe e se declararam estrangeiros e migrantes nesta terra. Os que falam assim demonstram que estão buscando uma pátria, e se se lembrassem daquela que deixaram, até teriam tempo de voltar para lá. Mas agora, eles desejam uma pátria melhor, isto é, a pátria celeste. Por isto, Deus não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus. Pois preparou mesmo uma cidade para eles.

O autor convida os fiéis a confiar na posse dos bens futuros, anunciados por Deus, mas invisíveis agora. A nossa caminhada nesta terra está marcada pela finitude, pelas nossas limitações, pelo nosso pecado; mas isso não pode fazer-nos desanimar e desistir: viver de fé é apontar para a vida plena que Deus nos prometeu e caminhar ao seu encontro. É esta esperança que nos anima e que marca a nossa caminhada, sobretudo nos momentos mais difíceis, em que tudo parece desmoronar-se e as coisas deixam de fazer sentido.

Portanto, irmãos, estar vigilantes para quando o Senhor passar, assim como o povo de Deus estava vigilante quando o Senhor passou e tirou do Egito. Ao mesmo tempo, é pela fé que deixamos essa realidade se fazer presente em nosso meio. Mesmo a promessa feita a nosso pai na fé Abraão não se realizou de maneira imediata, só no seu devido tempo.

Que escutemos com atenção a palavra de Deus dirigida neste domingo, ao iniciarmos a semana nacional da família, ao rezarmos pelos pais, enquanto pedimos o dom da vigilância e o dom da fé. Não deixemos para amanhã a conversão. Vivamos o hoje, o agora da Graça de Deus, do Cristo que passa, pois o ontem já se foi e não sabemos se o amanhã chegará. Procuremos fazer o bem e ajudar a quem precisa hoje. O salmo responsorial vem nos lembrar exatamente desta realidade: No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos! Que saibamos fazer a nossa parte enquanto famílias cristãs, trilhando os caminhos do Senhor e, vivendo a fé, esperar aquilo que ainda não vemos.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

 
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É com muita alegria que neste domingo, 19º Domingo do tempo Comum, dia do Senhor, comemoramos o dia dos pais. Dentro deste mês vocacional, rezamos nesta semana pela vocação familiar, fazendo uma saudação especial a todos os pais, que assumem a paternidade e estão junto com suas esposas formando famílias cristãs, abraçando esta responsabilidade de passar aos filhos a fé, os valores básicos da vida em sociedade, ajuda-los no crescimento pessoal, espiritual, material, cultural, quem os preparem para viver cada vez mais sua vida de bons cristãos, bons seres humanos que possam fazer a diferença ali onde se encontrem. Rezamos também por todos os pais falecidos, para que estejam junto do Pai Eterno cuidado de nós.

Rezando pela família e pela vocação matrimonial neste segundo domingo do mês vocacional, consideramos o aspecto natural da relação e atração homem e mulher em sua complementariedade, mas consideramos também o aspecto da vocação, chamados por Deus a ser família e continuadores da obra da criação, a estar com Cristo no centro da vida familiar, sendo esta realidade o que dá sentido à vida do marido, da esposa e dos filhos, à semelhança da Sagrada Família de Nazaré que tema centralidade de Cristo como seu fundamento.

Iniciamos hoje a Semana Nacional da Família que vai do dia 11 ao dia 17 e tem como tema A família, como vai? Esperamos que em nossa arquidiocese, paróquias e comunidades possam refletir, aprofundar e fortalecer os laços familiares daqueles que caminham em família, na comunidade cristã, sendo ao mesmo tempo um sinal para fora das comunidades. A vocação familiar que celebramos neste segundo domingo de agosto deve nos levar a expressar para fora a importância da família bem constituída, da família que sabe aceitar-se mutuamente, que sabe levar as cruzes e resolver em conjunto os problemas, que sabe perdoar-se, conviver, crescer cada vez mais na fé. Numa realidade em que os valores fundamentais vão sendo perdidos, sabemos que são necessários testemunhos que nos incentivem a valorizar a importância da família e que as pessoas possam ver que mesmo com as dificuldades que advém das circunstâncias do dia a dia, a vivência da fé faz a diferença. Em meio a tantas propagandas contrárias à permanência e perseverança da vida de família, que os bons sinais sejam cada vez mais presentes e eficazes. Que esta pergunta: A família, como vai? Não nos faça olhar somente para as realidades familiares, mas também para cada um de nós, para que encontremos caminho eficazes de repropor a importância da vocação familiar em nossos dias.

A Palavra de Deus que nos é dirigida neste final de semana, 19º Domingo do Tempo comum, vem dando sequência ao que temos ouvido nos domingos anteriores: de um lado nos lembra a importância da vigilância e da fé: o verdadeiro discípulo não vive de braços cruzados, numa existência de comodismo, mas está sempre atento e disponível para acolher o Senhor, para escutar os seus apelos e para construir o Reino aqui e agora.

O Evangelho (Lc 12, 32-48) vem nos apresentar o quão importante é a atitude e vigilância para a vida de todo cristão, mas também de todos os seres humanos. Apresenta uma catequese sobre a vigilância. Propõe aos discípulos de todas as épocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa dinâmica de comunhão com Deus. O verdadeiro discípulo é aquele que está sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na construção do Reino.

Ele tem seu início lembrado a necessidade e a conveniência de uma vida livre de apegos a bens temporais: “'Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino. Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói. Porque onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lc 12, 32-34). O pano de fundo desta questão é a pergunta sobre quem é o nosso Deus: o dinheiro ou o Pai que está nos céus? Logo após, apresenta então a realidade da vigilância: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar” (Lc 12, 35-37). A palavra de Deus vem então nos falar dessa vigilância em acolher o Senhor que chega, que vem ao nosso encontro, de forma inesperada. Usando a imagem de servos que esperam o senhor voltar de uma festa, assim o cristão deve estar sempre atento aos sinais do Senhor que vem a nós e que passa. Estar preparados porque não sabemos nem o dia nem a hora! Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes' (Lc 12, 40). Seguidamente temos a indagação de Pedro sobre os destinatários da parábola, ao que segue a resposta do Senhor com a seguinte conclusão: “A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido”(Lc 12,48)! Ante a realidade de um mundo onde se busca unicamente ter para si e não se preocupar com o outro, somos chamados a viver conscientes de que estamos com os pés neste mundo, mas temos contas a prestar diante de Deus. Por isso somos chamados a ser vigilantes e a não deixar para amanhã a nossa vida de conversão, de entrega a Deus e de fazer o bem ao outro. Quando menos esperarmos, nossa hora chegará. Vigiamos não por medo, mas porque temos consciência da missão que o Senhor nos confiou.

A primeira leitura deste domingo (Sb 18, 6-9) fala-nos da noite da libertação: A noite da libertação fora predita a nossos pais; Ela foi esperada por teu povo, como salvação para os justos e
como perdição para os inimigos. Com efeito, aquilo com que puniste nossos adversários, serviu também para glorificar-nos, chamando-nos a ti. Os piedosos filhos dos bons ofereceram sacrifícios secretamente e, de comum acordo, fizeram este pacto divino: que os santos participariam solidariamente.

O “sábio” que nos fala na leitura assegura que só a fidelidade aos caminhos de Deus gera vida e libertação; e que ceder aos impulsos do egoísmo e da injustiça gera sofrimento e morte. Hoje, como ontem, num mundo de trevas em relação aos valores, nem sempre parece fazer sentido trilhar o caminho do bem, da verdade, do amor, do dom da vida. Na realidade, onde é que está o caminho da verdadeira felicidade? Ceder ao mais fácil, à moda, ao “politicamente correto”, ou na fidelidade aos valores do Evangelho, ao chamado de Jesus? Como é que eu me situo face às pressões que, todos os dias, a opinião pública ou a moda me impõem? Devemos preparar-nos para que, quando o Senhor passar, possamos estar disponíveis às maravilhas de Graça e Misericórdia que Ele tem a nos oferecer.

Essa realidade aparece com muita clareza quando lidamos com a questão da fé, que vai nos ser apresentada na segunda leitura, esta clássica passagem da carta aos Hebreus (Hb 11, 1-2.8-19): apresenta o que é a fé assim como apresenta belos exemplos desta realidade, onde cada versículo mereceria uma reflexão da nossa parte: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem. Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho. Foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu, sem saber para onde ia. Foi pela fé que ele residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas com Isaac e Jacó, os coerdeiros da mesma promessa. Pois esperava a cidade alicerçada que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor. Foi pela fé também que Sara, embora estéril e já de idade avançada, se tornou capaz de ter filhos, porque considerou fidedigno o autor da promessa. É por isso também que de um só homem, já marcado pela morte, nasceu a multidão 'comparável às estrelas do céu e inumerável como a areia das praias do mar'. Todos estes morreram na fé. Não receberam a realização da promessa, mas a puderam ver e saudar de longe e se declararam estrangeiros e migrantes nesta terra. Os que falam assim demonstram que estão buscando uma pátria, e se se lembrassem daquela que deixaram, até teriam tempo de voltar para lá. Mas agora, eles desejam uma pátria melhor, isto é, a pátria celeste. Por isto, Deus não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus. Pois preparou mesmo uma cidade para eles.

O autor convida os fiéis a confiar na posse dos bens futuros, anunciados por Deus, mas invisíveis agora. A nossa caminhada nesta terra está marcada pela finitude, pelas nossas limitações, pelo nosso pecado; mas isso não pode fazer-nos desanimar e desistir: viver de fé é apontar para a vida plena que Deus nos prometeu e caminhar ao seu encontro. É esta esperança que nos anima e que marca a nossa caminhada, sobretudo nos momentos mais difíceis, em que tudo parece desmoronar-se e as coisas deixam de fazer sentido.

Portanto, irmãos, estar vigilantes para quando o Senhor passar, assim como o povo de Deus estava vigilante quando o Senhor passou e tirou do Egito. Ao mesmo tempo, é pela fé que deixamos essa realidade se fazer presente em nosso meio. Mesmo a promessa feita a nosso pai na fé Abraão não se realizou de maneira imediata, só no seu devido tempo.

Que escutemos com atenção a palavra de Deus dirigida neste domingo, ao iniciarmos a semana nacional da família, ao rezarmos pelos pais, enquanto pedimos o dom da vigilância e o dom da fé. Não deixemos para amanhã a conversão. Vivamos o hoje, o agora da Graça de Deus, do Cristo que passa, pois o ontem já se foi e não sabemos se o amanhã chegará. Procuremos fazer o bem e ajudar a quem precisa hoje. O salmo responsorial vem nos lembrar exatamente desta realidade: No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos! Que saibamos fazer a nossa parte enquanto famílias cristãs, trilhando os caminhos do Senhor e, vivendo a fé, esperar aquilo que ainda não vemos.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

 
Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro