Arquidiocese do Rio de Janeiro

24º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/08/2019

19 de Agosto de 2019

Sacerdotes disponíveis para santificar o povo de Deus!

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04/08/2019 00:00

Sacerdotes disponíveis para santificar o povo de Deus! 0

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Celebramos, no dia 4 de agosto, a memória de São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, que é o patrono do clero. Neste ano, esse dia cai no domingo, e a liturgia será do 18º Domingo do Tempo Comum. Em nossa arquidiocese celebramos essa memória na manhã do sábado, dia 3 de agosto, em nossa Catedral, junto com o clero e o povo de Deus. Mas neste domingo será uma ótima oportunidade do povo rezar pelos seus padres e pedir pelas vocações neste Ano Vocacional e, dentro desse Mês Vocacional, que iniciamos a viver neste agosto. O tema mensal deste ano é ligado ao 4º Congresso Vocacional que ocorre em setembro e tem como tema: “Mostra-me, Senhor, os Teus caminhos" (Sl 25,4).

Aproveito a ocasião para um abraço ao presbitério de nossa arquidiocese, a cada presbítero, por admirar a todos que trabalham nesta grande cidade. Sei dos sacrifícios e das lutas, mas também da generosidade e disponibilidade de cada um. Nesse contexto, como tenho feito todos os anos, gostaria de me dirigir ao amado presbitério da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. A minha palavra é de gratidão por todos os presbíteros, incardinados e residentes em nosso território arquiepiscopal, que gastam a sua vida no anúncio do Reino de Deus, na proclamação da Palavra da Salvação, na celebração dos sacramentos e dos sacramentais. Uma palavra especial de incentivo dirijo a todos os párocos e administradores paroquiais, que devem reger, governar e santificar o povo que lhe é confiado, e procuram ser outro Cristo para o Povo Santo de Deus. Minha gratidão e minha oração especial para que Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, continue assistindo com a sua graça e a assistência dos dons do Espírito Santo a todos nós que somos os dispensadores dos mistérios sagrados em favor do povo de Deus.

O sacerdote é escolhido e tirado do meio do povo de Deus. O sacerdote é fruto, primeiro, das orações do povo de Deus, seja das famílias, seja da Obra das Vocações Sacerdotais. Os sacerdotes são amados pelo Senhor, porque Ele olha para cada um dos nossos padres com a ternura de Pai e não deixa os seus passos vacilarem. Aos olhos de Deus, o padre é importante e é a Santíssima Trindade que capacita e auxilia aqueles que Ele chamou para a missão. O chamado sacerdotal, que confere ao sacerdote o compromisso de ser um pastor à imagem de Cristo. É a graça de Deus que age e conduz.

Ao completar 160 anos da morte de São João Maria Vianney, ao fazer memória do Cura d’Ars, partilho algumas reflexões neste Ano Vocacional Sacerdotal. Sei que muitas vocações nascem do testemunho dos padres e, mesmo com todos os ataques que hoje sofrem, tenho certeza de que a doação e entrega da vida são marcantes para nossos jovens e adolescentes. Algumas reflexões:

Mesmo sendo obrigação canônica do presbítero recitar a oração da Liturgia das Horas, a oração oficial da Igreja, a vida de oração deve ser encarada como o ar que respiramos e deve ser a companheira diária do presbítero nas várias horas do dia. O dia do sacerdote deve ser um dia orante. Recordamos de Maria a irmã de Marta para dar tempo para escutar o Senhor mesmo em meio a tantas tarefas de cada dia. A oração ajuda o presbítero a ter as forças necessárias para o cumprimento de sua missão de santificar o povo de Deus. Quem está repleto de Deus em sua vida transborda para os outros ao seu redor. Além da oração da Liturgia das Horas, é recomendável que o sacerdote tenha um tempo para a meditação pessoal, para a reza do terço, e, pelo menos uma vez por semana, na companhia dos paroquianos, a Hora Santa com a Bênção do Santíssimo Sacramento.

Temos o grande dom de celebrarmos diariamente a Eucaristia, o centro da vida cristã. A Santa Missa celebrada com piedade deve ser a principal obrigação do presbítero. O valor da Santa Missa é relembrado por vários santos, entre os quais: “Uma única missa oferecida ou assistida em vida com devoção, pelo próprio bem, vale mais que mil missas celebradas pela mesma intenção depois da morte” (Santo Anselmo). "Tende por certo que o tempo que empregueis com devoção diante deste diviníssimo Sacramento será o tempo que mais bens vos atrairá nesta vida e que mais vos consolará em vossa morte e na eternidade. E sabei que ganhareis mais em 15 minutos de adoração na presença de Jesus Sacramentado que em todos os outros exercícios espirituais do dia" (Santo Anselmo). "Com orações pedimos graça a Deus; na Santa Missa comprometemos a Deus a que as conceda" (São Felipe Neri). "Se conhecêssemos o valor do Santo Sacrifício da missa, que esforço tão grande faríamos para assistir a ela" (São João Maria Vianney). “Enquanto uma pessoa assiste uma missa, não perde o tempo, ao contrário, ganha muito, ainda que o padre demore muito no sacrifício da missa” (Santo Agostinho). Temos o dom de podermos todos os dias, mesmo no descanso semanal, a ocasião de presidir a Santa Missa. A Eucaristia alimenta a Igreja e santifica primeiramente quem a preside.

Um comportamento sempre procurado e buscado é a fraternidade sacerdotal. É muito importante ir ao encontro do outro sacerdote para partilhar a vida e a oração: numa sociedade líquida como a nossa, a cultura do encontro é fundamental. Além da fraternidade sacerdotal, também estarmos disponíveis para ir ao encontro do povo de Deus. Não podemos mais ficar fixados apenas na sede da paróquia. Mas temos necessidade como pastores de ir ao encontro dos fiéis, particularmente, aqueles que estão nas periferias de nossas comunidades e aqueles que muitas vezes estão afastados ou indiferentes, porque não receberam o contato do padre que deve anunciar a todos, sem distinção, a beleza do Evangelho da vida. Nos encontros que proporcionamos, cria-se um momento ideal para levar a Palavra de Deus e despertar aqueles que estão afastados a voltarem ao convívio da Mãe Igreja e se beneficiar de sua ação santificadora.

Um dos gestos que temos nas posses dos párocos é a entrega do confessionário. Faço questão de dizer, que além dos momentos de “mutirões” como a Quaresma e Advento, é missão do padre proporcionar a experiência da misericórdia ao seu povo. Por isso somos chamados a dedicar com generosidade, para escutar e para o atendimento do sacramento da confissão: o mundo atual necessita de sacerdotes que sejam bons ouvintes. Gastar o seu tempo ouvindo o povo de Deus. Temos vários momentos para fazer esse bonito trabalho: no atendimento espiritual e no Sacramento da Confissão. Não deixemos nunca de ouvir o que o fiel tem a nos dizer. Pode ser naquele momento mais difícil em que estejamos saindo para outro compromisso, que dedicar um tempo a quem está aflito ou em dificuldade será de grande valia na santificação desta pessoa. O Papa Francisco nos dá um eloquente testemunho: “A vida sacerdotal não é um escritório burocrático ou um conjunto de práticas religiosas ou litúrgicas para atender. Ser sacerdote significa arriscar a vida pelo Senhor e pelos irmãos, carregando na própria carne as alegrias e angústias do povo, dedicando tempo e escuta para curar as feridas dos outros, oferecendo a todos a ternura do Pai” (https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-a-jovens-presbiteros-ser-sacerdote-e-arriscar-a-vida-pelo-senhor-90696, último acesso em 22 de julho de 2019).

Nestes tempos de tantas dificuldades financeiras para todos, creio que o desapego nos ajuda a viver esse difícil momento com mais leveza: somos chamados a ser homens desapegados das coisas do mundo. O Papa Francisco insistiu muito nessa dimensão de nossa vida: o saudável desapego, daquele "que está acostumado a não se apegar aos bens deste mundo, a não se apegar à mundanidade", daquele que se despede para confiar a outros a continuidade do caminho, "como se dissesse": "Vigiai sobre vós mesmos e sobre todo o rebanho. Vigiai, lutai; sois adultos, deixo-vos sozinhos, ide em frente." Assim, a vida do presbítero é um sopro de liberdade, no qual se entrega a Deus e a cada dia são dados passos de despedida, antes do encontro final com o Senhor. Certamente, trata-se de uma missão nem sempre fácil, quer pela complexidade dos contextos sociais e culturais atuais, como pelo fato de exigir uma maturidade psicoafetiva estável, uma forte capacidade interior ao enfrentar as fadigas e as dificuldades, um traço relacional de serenidade e autenticidade e, naturalmente, uma sólida espiritualidade arraigada no relacionamento pessoal com Jesus e sua Palavra de Salvação.

Todos sabemos das dificuldades enfrentadas pelos presbíteros. E são muitos os desafios em nossas comunidades. O Santo Padre, o Papa Francisco, no mês de junho, pediu orações pelos sacerdotes, afirmando: “Muitos se arriscam até o fim, oferecendo-se com humildade e alegria. São sacerdotes próximos, dispostos a trabalhar duro por todos. Demos graças pelo seu exemplo e seu testemunho”. São padres que trabalham diariamente no silêncio, às vezes na incompreensão ou chamados a enfrentar a solidão e com a aparente infrutuosidade de seu ministério. Como recomendou o Papa Francisco, estes sacerdotes têm necessidade de proximidade, de escuta, de acompanhamento, antes de tudo por parte do bispo, mas – gostaria de dizer - no geral por parte de seus irmãos presbíteros, das comunidades cristãs e das famílias.

Nesse contexto, quero levar a cada presbítero da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro a minha gratidão pelo seu trabalho pastoral e pela sua dedicação em favor do povo de Deus. Deus o abençoe e o cumule de todas as bênçãos. Junto com minha gratidão, invoco as bênçãos de Deus sobre o seu ministério e sobre as suas comunidades. Uma oração especial de ação de graças pelos pais que doaram a vida e os seus filhos para o serviço de santificação do povo de Deus. Rezemos, também, pelos padres doentes, pelos que passam privações de toda ordem, e que o Coração de Jesus seja a inspiração para o nosso ministério em que devemos acolher, amar e santificar a todo o povo de Deus.

O seu sacerdócio é de Cristo e da Igreja! Que as suas mãos ungidas continuem abençoando e santificando o povo que merece de nossa solicitude o máximo de dedicação, de exemplo, de testemunho e de disponibilidade. Que sejamos sacerdotes santos para santificar o povo de Deus para que todos sejam um em Cristo!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
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Celebramos, no dia 4 de agosto, a memória de São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, que é o patrono do clero. Neste ano, esse dia cai no domingo, e a liturgia será do 18º Domingo do Tempo Comum. Em nossa arquidiocese celebramos essa memória na manhã do sábado, dia 3 de agosto, em nossa Catedral, junto com o clero e o povo de Deus. Mas neste domingo será uma ótima oportunidade do povo rezar pelos seus padres e pedir pelas vocações neste Ano Vocacional e, dentro desse Mês Vocacional, que iniciamos a viver neste agosto. O tema mensal deste ano é ligado ao 4º Congresso Vocacional que ocorre em setembro e tem como tema: “Mostra-me, Senhor, os Teus caminhos" (Sl 25,4).

Aproveito a ocasião para um abraço ao presbitério de nossa arquidiocese, a cada presbítero, por admirar a todos que trabalham nesta grande cidade. Sei dos sacrifícios e das lutas, mas também da generosidade e disponibilidade de cada um. Nesse contexto, como tenho feito todos os anos, gostaria de me dirigir ao amado presbitério da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. A minha palavra é de gratidão por todos os presbíteros, incardinados e residentes em nosso território arquiepiscopal, que gastam a sua vida no anúncio do Reino de Deus, na proclamação da Palavra da Salvação, na celebração dos sacramentos e dos sacramentais. Uma palavra especial de incentivo dirijo a todos os párocos e administradores paroquiais, que devem reger, governar e santificar o povo que lhe é confiado, e procuram ser outro Cristo para o Povo Santo de Deus. Minha gratidão e minha oração especial para que Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, continue assistindo com a sua graça e a assistência dos dons do Espírito Santo a todos nós que somos os dispensadores dos mistérios sagrados em favor do povo de Deus.

O sacerdote é escolhido e tirado do meio do povo de Deus. O sacerdote é fruto, primeiro, das orações do povo de Deus, seja das famílias, seja da Obra das Vocações Sacerdotais. Os sacerdotes são amados pelo Senhor, porque Ele olha para cada um dos nossos padres com a ternura de Pai e não deixa os seus passos vacilarem. Aos olhos de Deus, o padre é importante e é a Santíssima Trindade que capacita e auxilia aqueles que Ele chamou para a missão. O chamado sacerdotal, que confere ao sacerdote o compromisso de ser um pastor à imagem de Cristo. É a graça de Deus que age e conduz.

Ao completar 160 anos da morte de São João Maria Vianney, ao fazer memória do Cura d’Ars, partilho algumas reflexões neste Ano Vocacional Sacerdotal. Sei que muitas vocações nascem do testemunho dos padres e, mesmo com todos os ataques que hoje sofrem, tenho certeza de que a doação e entrega da vida são marcantes para nossos jovens e adolescentes. Algumas reflexões:

Mesmo sendo obrigação canônica do presbítero recitar a oração da Liturgia das Horas, a oração oficial da Igreja, a vida de oração deve ser encarada como o ar que respiramos e deve ser a companheira diária do presbítero nas várias horas do dia. O dia do sacerdote deve ser um dia orante. Recordamos de Maria a irmã de Marta para dar tempo para escutar o Senhor mesmo em meio a tantas tarefas de cada dia. A oração ajuda o presbítero a ter as forças necessárias para o cumprimento de sua missão de santificar o povo de Deus. Quem está repleto de Deus em sua vida transborda para os outros ao seu redor. Além da oração da Liturgia das Horas, é recomendável que o sacerdote tenha um tempo para a meditação pessoal, para a reza do terço, e, pelo menos uma vez por semana, na companhia dos paroquianos, a Hora Santa com a Bênção do Santíssimo Sacramento.

Temos o grande dom de celebrarmos diariamente a Eucaristia, o centro da vida cristã. A Santa Missa celebrada com piedade deve ser a principal obrigação do presbítero. O valor da Santa Missa é relembrado por vários santos, entre os quais: “Uma única missa oferecida ou assistida em vida com devoção, pelo próprio bem, vale mais que mil missas celebradas pela mesma intenção depois da morte” (Santo Anselmo). "Tende por certo que o tempo que empregueis com devoção diante deste diviníssimo Sacramento será o tempo que mais bens vos atrairá nesta vida e que mais vos consolará em vossa morte e na eternidade. E sabei que ganhareis mais em 15 minutos de adoração na presença de Jesus Sacramentado que em todos os outros exercícios espirituais do dia" (Santo Anselmo). "Com orações pedimos graça a Deus; na Santa Missa comprometemos a Deus a que as conceda" (São Felipe Neri). "Se conhecêssemos o valor do Santo Sacrifício da missa, que esforço tão grande faríamos para assistir a ela" (São João Maria Vianney). “Enquanto uma pessoa assiste uma missa, não perde o tempo, ao contrário, ganha muito, ainda que o padre demore muito no sacrifício da missa” (Santo Agostinho). Temos o dom de podermos todos os dias, mesmo no descanso semanal, a ocasião de presidir a Santa Missa. A Eucaristia alimenta a Igreja e santifica primeiramente quem a preside.

Um comportamento sempre procurado e buscado é a fraternidade sacerdotal. É muito importante ir ao encontro do outro sacerdote para partilhar a vida e a oração: numa sociedade líquida como a nossa, a cultura do encontro é fundamental. Além da fraternidade sacerdotal, também estarmos disponíveis para ir ao encontro do povo de Deus. Não podemos mais ficar fixados apenas na sede da paróquia. Mas temos necessidade como pastores de ir ao encontro dos fiéis, particularmente, aqueles que estão nas periferias de nossas comunidades e aqueles que muitas vezes estão afastados ou indiferentes, porque não receberam o contato do padre que deve anunciar a todos, sem distinção, a beleza do Evangelho da vida. Nos encontros que proporcionamos, cria-se um momento ideal para levar a Palavra de Deus e despertar aqueles que estão afastados a voltarem ao convívio da Mãe Igreja e se beneficiar de sua ação santificadora.

Um dos gestos que temos nas posses dos párocos é a entrega do confessionário. Faço questão de dizer, que além dos momentos de “mutirões” como a Quaresma e Advento, é missão do padre proporcionar a experiência da misericórdia ao seu povo. Por isso somos chamados a dedicar com generosidade, para escutar e para o atendimento do sacramento da confissão: o mundo atual necessita de sacerdotes que sejam bons ouvintes. Gastar o seu tempo ouvindo o povo de Deus. Temos vários momentos para fazer esse bonito trabalho: no atendimento espiritual e no Sacramento da Confissão. Não deixemos nunca de ouvir o que o fiel tem a nos dizer. Pode ser naquele momento mais difícil em que estejamos saindo para outro compromisso, que dedicar um tempo a quem está aflito ou em dificuldade será de grande valia na santificação desta pessoa. O Papa Francisco nos dá um eloquente testemunho: “A vida sacerdotal não é um escritório burocrático ou um conjunto de práticas religiosas ou litúrgicas para atender. Ser sacerdote significa arriscar a vida pelo Senhor e pelos irmãos, carregando na própria carne as alegrias e angústias do povo, dedicando tempo e escuta para curar as feridas dos outros, oferecendo a todos a ternura do Pai” (https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-a-jovens-presbiteros-ser-sacerdote-e-arriscar-a-vida-pelo-senhor-90696, último acesso em 22 de julho de 2019).

Nestes tempos de tantas dificuldades financeiras para todos, creio que o desapego nos ajuda a viver esse difícil momento com mais leveza: somos chamados a ser homens desapegados das coisas do mundo. O Papa Francisco insistiu muito nessa dimensão de nossa vida: o saudável desapego, daquele "que está acostumado a não se apegar aos bens deste mundo, a não se apegar à mundanidade", daquele que se despede para confiar a outros a continuidade do caminho, "como se dissesse": "Vigiai sobre vós mesmos e sobre todo o rebanho. Vigiai, lutai; sois adultos, deixo-vos sozinhos, ide em frente." Assim, a vida do presbítero é um sopro de liberdade, no qual se entrega a Deus e a cada dia são dados passos de despedida, antes do encontro final com o Senhor. Certamente, trata-se de uma missão nem sempre fácil, quer pela complexidade dos contextos sociais e culturais atuais, como pelo fato de exigir uma maturidade psicoafetiva estável, uma forte capacidade interior ao enfrentar as fadigas e as dificuldades, um traço relacional de serenidade e autenticidade e, naturalmente, uma sólida espiritualidade arraigada no relacionamento pessoal com Jesus e sua Palavra de Salvação.

Todos sabemos das dificuldades enfrentadas pelos presbíteros. E são muitos os desafios em nossas comunidades. O Santo Padre, o Papa Francisco, no mês de junho, pediu orações pelos sacerdotes, afirmando: “Muitos se arriscam até o fim, oferecendo-se com humildade e alegria. São sacerdotes próximos, dispostos a trabalhar duro por todos. Demos graças pelo seu exemplo e seu testemunho”. São padres que trabalham diariamente no silêncio, às vezes na incompreensão ou chamados a enfrentar a solidão e com a aparente infrutuosidade de seu ministério. Como recomendou o Papa Francisco, estes sacerdotes têm necessidade de proximidade, de escuta, de acompanhamento, antes de tudo por parte do bispo, mas – gostaria de dizer - no geral por parte de seus irmãos presbíteros, das comunidades cristãs e das famílias.

Nesse contexto, quero levar a cada presbítero da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro a minha gratidão pelo seu trabalho pastoral e pela sua dedicação em favor do povo de Deus. Deus o abençoe e o cumule de todas as bênçãos. Junto com minha gratidão, invoco as bênçãos de Deus sobre o seu ministério e sobre as suas comunidades. Uma oração especial de ação de graças pelos pais que doaram a vida e os seus filhos para o serviço de santificação do povo de Deus. Rezemos, também, pelos padres doentes, pelos que passam privações de toda ordem, e que o Coração de Jesus seja a inspiração para o nosso ministério em que devemos acolher, amar e santificar a todo o povo de Deus.

O seu sacerdócio é de Cristo e da Igreja! Que as suas mãos ungidas continuem abençoando e santificando o povo que merece de nossa solicitude o máximo de dedicação, de exemplo, de testemunho e de disponibilidade. Que sejamos sacerdotes santos para santificar o povo de Deus para que todos sejam um em Cristo!

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro