Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/11/2019

18 de Novembro de 2019

Cristo nos convida: "Venham, meus amigos!"

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18 de Novembro de 2019

Cristo nos convida: "Venham, meus amigos!"

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23/07/2019 00:00 - Atualizado em 26/07/2019 11:31

Cristo nos convida: "Venham, meus amigos!" 0

23/07/2019 00:00 - Atualizado em 26/07/2019 11:31

De 23 a 28 de julho de 2013, há 6 anos, o Rio de Janeiro ganhou um colorido especial. As cores da esperança, da riqueza espiritual e da disponibilidade de ser peregrino invadiu as ruas, avenidas, casas, regiões, salões, casas, comunidades da cidade maravilhosa acompanhada pelo então recém-eleito Papa Francisco.

O sentimento de ansiedade e inquietude que eu, como arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, carregava por estar à frente de um evento desta magnitude logo foi abraçado pelos múltiplos sorrisos e a confiança de que tudo sairia conforme a vontade de Deus. Agradeço o apoio de todos que comigo partilharam esse sonho. Agradeço pelo empenho em fazer o melhor e acolher a todos com alegria. Louvo a Deus pela missão evangelizadora que todos desempenharam em cada setor desse acontecimento marcante.

Eu não era o único inquieto, as famílias estavam ansiosas para receberem os peregrinos, os voluntários se capacitaram e estavam de braços abertos para fazer a festa da juventude acontecer. Os detalhes deixavam tudo mais especial, por onde eu passava a energia da juventude me contagiava com os cantos de múltiplos idiomas a beleza e comunhão das comunidades na liturgia, nas celebrações... Eu tive um privilégio especial de ver tudo isso ao lado do Papa em seu veículo e assim pude sentir todo o acalanto do povo de Deus pelas ruas e praças.

A multiplicidade religiosa, cultural e os impactos sociais mostravam que não era um evento para um grupo específico, era um evento para cidade, o povo carioca acolheu os peregrinos e deu um show de simpatia e de Evangelho na prática. Uma das cenas que mais me emocionou foi ver os jovens limpando a praia de Copacabana e ajudando no recolhimento do lixo de maneira espontânea e generosa. Alegrou-me também o depoimento que os trens, o metrô e os ônibus estavam ainda mais higiênicos e limpos com a passagens dos jovens da JMJ. Os próprios moradores acolheram, na medida do possível, os jovens em muitas de suas necessidades, aliás, superaram o que foi pedido com o “jeitinho” brasileiro de acolher bem.

O roteiro do Papa Francisco contemplou as favelas, as comunidades e as autoridades. Na TV brasileira a notícia era uma só e levava a emoção da jornada para os brasileiros que não conseguiram celebrar presencialmente. Copacabana que é acostumada a receber grandes eventos nunca viu multidão deixar ruas e as areias limpas.

A jornada foi um verdadeiro legado ao Rio de Janeiro, um legado à memória do povo, um recado que ecoa até hoje e aquecem meu coração. Recebo relatos de casais que formaram família após se cruzarem na fila dos restaurantes, religiosos que celebram a descoberta da vocação nos dias da jornada e jovens que criaram laços de amizades tão fortes capazes de ampliar o intercâmbio cultural para além da jornada. É muito importante fazer memória de acontecimentos assim para que possamos sonhar com um futuro de paz e harmonia.

O Papa Francisco, no avião que o levou de volta para Roma, assim fez um balança da JMJ Rio 2013: “Eu estou feliz. Foi uma bela viagem; espiritualmente fez-me bem. Estou bastante cansado, mas com o coração alegre, e estou bem, muito bem; fez-me bem espiritualmente. Encontrar as pessoas faz bem, porque o Senhor trabalha em cada um de nós, trabalha no coração, e a riqueza do Senhor é tão grande que sempre podemos receber muitas coisas bonitas dos outros. E isso faz-me bem. Isto, como um primeiro balanço. Depois direi que a bondade, o coração do povo brasileiro é grande; é verdade: é grande. É um povo muito amável, um povo que ama a festa; um povo que, mesmo na tribulação, sempre encontra uma estrada para buscar o bem em algum lugar. E isso é bom: é um povo alegre, o povo sofreu tanto! É contagiosa a alegria dos brasileiros, é contagiosa! E tem um grande coração, este povo. Depois diria os organizadores, tanto da nossa parte, como da parte dos brasileiros; eu senti que me encontrava na frente de um computador, aquele computador em carne e osso… É a pura verdade! Estava tudo cronometrado, não estava? Mas era belo. Depois, tivemos problemas com as hipóteses de segurança: a segurança daqui, a segurança de lá; não houve um incidente em todo o Rio de Janeiro, nestes dias, e tudo era espontâneo. Com menos segurança, eu pude estar com a gente, abraçá-la, saudá-la, sem carros blindados… é a segurança de confiar em um povo. É verdade que existe sempre o perigo que haja um louco… sim, que haja um louco que faça alguma coisa; mas há também o Senhor! Entretanto criar um espaço blindado entre o bispo e o povo é uma loucura, e eu prefiro aquela loucura: estar fora e correr o risco da outra loucura. Prefiro esta loucura: fora. A proximidade faz bem a todos.”
(https://www.a12.com/redacaoa12/santo-padre/integra-da-entrevista-do-papa-francisco-no-voo-de-volta-a-roma, último acesso em 22 de julho de 2019).

O Papa Francisco fez um resumo de seus dias felizes no Brasil: “Em seguida, a organização da Jornada, não me refiro a algo de específico, mas tudo: a parte artística, a parte religiosa, a parte catequética, a parte litúrgica… foi lindíssimo! Eles têm uma capacidade enorme de expressar-se na arte. Ontem, por exemplo, fizeram coisas lindíssimas, lindíssimas! Depois, Aparecida: para mim, Aparecida é uma experiência religiosa intensa. Lembro-me da V Conferência; eu tinha estado lá a rezar, a rezar. Eu queria ir sozinho, passar quase despercebido, mas havia uma multidão impressionante… Não era possível! Isso já o sabia antes de chegar. E nós oramos. Eu não sei… uma coisa… mas agora da parte de vocês. Seu trabalho, segundo me dizem – eu não li os jornais nestes dias, não tinha tempo, não vi a TV, nada – mas dizem-me que foi um trabalho bom, bom, bom! Obrigado! Obrigado pela cooperação, obrigado pelo que fizeram! Depois, o número, o número dos jovens. Hoje – eu nem posso crer – mas hoje o Governador falava de três milhões. Quase não posso acreditar. Mas olhando do altar – isso é verdade! – não sei se vocês, alguns de vocês estiveram no altar: olhando do altar, no final, toda a praia estava cheia, até a curva; mais de quatro quilômetros. Tantos jovens! E dizem – disse-me Dom Tempesta – que eram de 178 países… 178! Também o Vice-Presidente disse-me este número: isso é certo. É importante! Forte!” (https://www.a12.com/redacaoa12/santo-padre/integra-da-entrevista-do-papa-francisco-no-voo-de-volta-a-roma, último acesso em 22 de julho de 2019).

Nós temos muito que agradecer e bendizer a Deus pelos frutos que a JMJ Rio 2013 deixou em favor da Igreja no Brasil e da nossa Arquidiocese. A juventude que ouvindo o Papa se colocou a testemunhar a amizade de Cristo Ressuscitado e Vivo em todos os ambientes. Que a luz do Evangelho da vida, que nos convida por Cristo a fazer amigos leve a todas as pessoas ao anúncio do Kerigma cristã em suas realidades, ecoando em nossas comunidades e em nossos corações!

Os peregrinos que lá estavam, que fizeram “vaquinhas”, rifas e muitas economias para poderem participar do evento, hoje são profissionais, transformadores sociais, fieis em suas paróquias, são multiplicadores do amor de Deus e não há dúvidas de que aquele sopro missionário que invadiu a América Latina e deixou o seu recado ao mundo fará parte não apenas da memória dessa juventude, mas também das atitudes de filhos que atenderam ao convite: "Venham, meus amigos!"

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
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23/07/2019 00:00 - Atualizado em 26/07/2019 11:31

De 23 a 28 de julho de 2013, há 6 anos, o Rio de Janeiro ganhou um colorido especial. As cores da esperança, da riqueza espiritual e da disponibilidade de ser peregrino invadiu as ruas, avenidas, casas, regiões, salões, casas, comunidades da cidade maravilhosa acompanhada pelo então recém-eleito Papa Francisco.

O sentimento de ansiedade e inquietude que eu, como arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, carregava por estar à frente de um evento desta magnitude logo foi abraçado pelos múltiplos sorrisos e a confiança de que tudo sairia conforme a vontade de Deus. Agradeço o apoio de todos que comigo partilharam esse sonho. Agradeço pelo empenho em fazer o melhor e acolher a todos com alegria. Louvo a Deus pela missão evangelizadora que todos desempenharam em cada setor desse acontecimento marcante.

Eu não era o único inquieto, as famílias estavam ansiosas para receberem os peregrinos, os voluntários se capacitaram e estavam de braços abertos para fazer a festa da juventude acontecer. Os detalhes deixavam tudo mais especial, por onde eu passava a energia da juventude me contagiava com os cantos de múltiplos idiomas a beleza e comunhão das comunidades na liturgia, nas celebrações... Eu tive um privilégio especial de ver tudo isso ao lado do Papa em seu veículo e assim pude sentir todo o acalanto do povo de Deus pelas ruas e praças.

A multiplicidade religiosa, cultural e os impactos sociais mostravam que não era um evento para um grupo específico, era um evento para cidade, o povo carioca acolheu os peregrinos e deu um show de simpatia e de Evangelho na prática. Uma das cenas que mais me emocionou foi ver os jovens limpando a praia de Copacabana e ajudando no recolhimento do lixo de maneira espontânea e generosa. Alegrou-me também o depoimento que os trens, o metrô e os ônibus estavam ainda mais higiênicos e limpos com a passagens dos jovens da JMJ. Os próprios moradores acolheram, na medida do possível, os jovens em muitas de suas necessidades, aliás, superaram o que foi pedido com o “jeitinho” brasileiro de acolher bem.

O roteiro do Papa Francisco contemplou as favelas, as comunidades e as autoridades. Na TV brasileira a notícia era uma só e levava a emoção da jornada para os brasileiros que não conseguiram celebrar presencialmente. Copacabana que é acostumada a receber grandes eventos nunca viu multidão deixar ruas e as areias limpas.

A jornada foi um verdadeiro legado ao Rio de Janeiro, um legado à memória do povo, um recado que ecoa até hoje e aquecem meu coração. Recebo relatos de casais que formaram família após se cruzarem na fila dos restaurantes, religiosos que celebram a descoberta da vocação nos dias da jornada e jovens que criaram laços de amizades tão fortes capazes de ampliar o intercâmbio cultural para além da jornada. É muito importante fazer memória de acontecimentos assim para que possamos sonhar com um futuro de paz e harmonia.

O Papa Francisco, no avião que o levou de volta para Roma, assim fez um balança da JMJ Rio 2013: “Eu estou feliz. Foi uma bela viagem; espiritualmente fez-me bem. Estou bastante cansado, mas com o coração alegre, e estou bem, muito bem; fez-me bem espiritualmente. Encontrar as pessoas faz bem, porque o Senhor trabalha em cada um de nós, trabalha no coração, e a riqueza do Senhor é tão grande que sempre podemos receber muitas coisas bonitas dos outros. E isso faz-me bem. Isto, como um primeiro balanço. Depois direi que a bondade, o coração do povo brasileiro é grande; é verdade: é grande. É um povo muito amável, um povo que ama a festa; um povo que, mesmo na tribulação, sempre encontra uma estrada para buscar o bem em algum lugar. E isso é bom: é um povo alegre, o povo sofreu tanto! É contagiosa a alegria dos brasileiros, é contagiosa! E tem um grande coração, este povo. Depois diria os organizadores, tanto da nossa parte, como da parte dos brasileiros; eu senti que me encontrava na frente de um computador, aquele computador em carne e osso… É a pura verdade! Estava tudo cronometrado, não estava? Mas era belo. Depois, tivemos problemas com as hipóteses de segurança: a segurança daqui, a segurança de lá; não houve um incidente em todo o Rio de Janeiro, nestes dias, e tudo era espontâneo. Com menos segurança, eu pude estar com a gente, abraçá-la, saudá-la, sem carros blindados… é a segurança de confiar em um povo. É verdade que existe sempre o perigo que haja um louco… sim, que haja um louco que faça alguma coisa; mas há também o Senhor! Entretanto criar um espaço blindado entre o bispo e o povo é uma loucura, e eu prefiro aquela loucura: estar fora e correr o risco da outra loucura. Prefiro esta loucura: fora. A proximidade faz bem a todos.”
(https://www.a12.com/redacaoa12/santo-padre/integra-da-entrevista-do-papa-francisco-no-voo-de-volta-a-roma, último acesso em 22 de julho de 2019).

O Papa Francisco fez um resumo de seus dias felizes no Brasil: “Em seguida, a organização da Jornada, não me refiro a algo de específico, mas tudo: a parte artística, a parte religiosa, a parte catequética, a parte litúrgica… foi lindíssimo! Eles têm uma capacidade enorme de expressar-se na arte. Ontem, por exemplo, fizeram coisas lindíssimas, lindíssimas! Depois, Aparecida: para mim, Aparecida é uma experiência religiosa intensa. Lembro-me da V Conferência; eu tinha estado lá a rezar, a rezar. Eu queria ir sozinho, passar quase despercebido, mas havia uma multidão impressionante… Não era possível! Isso já o sabia antes de chegar. E nós oramos. Eu não sei… uma coisa… mas agora da parte de vocês. Seu trabalho, segundo me dizem – eu não li os jornais nestes dias, não tinha tempo, não vi a TV, nada – mas dizem-me que foi um trabalho bom, bom, bom! Obrigado! Obrigado pela cooperação, obrigado pelo que fizeram! Depois, o número, o número dos jovens. Hoje – eu nem posso crer – mas hoje o Governador falava de três milhões. Quase não posso acreditar. Mas olhando do altar – isso é verdade! – não sei se vocês, alguns de vocês estiveram no altar: olhando do altar, no final, toda a praia estava cheia, até a curva; mais de quatro quilômetros. Tantos jovens! E dizem – disse-me Dom Tempesta – que eram de 178 países… 178! Também o Vice-Presidente disse-me este número: isso é certo. É importante! Forte!” (https://www.a12.com/redacaoa12/santo-padre/integra-da-entrevista-do-papa-francisco-no-voo-de-volta-a-roma, último acesso em 22 de julho de 2019).

Nós temos muito que agradecer e bendizer a Deus pelos frutos que a JMJ Rio 2013 deixou em favor da Igreja no Brasil e da nossa Arquidiocese. A juventude que ouvindo o Papa se colocou a testemunhar a amizade de Cristo Ressuscitado e Vivo em todos os ambientes. Que a luz do Evangelho da vida, que nos convida por Cristo a fazer amigos leve a todas as pessoas ao anúncio do Kerigma cristã em suas realidades, ecoando em nossas comunidades e em nossos corações!

Os peregrinos que lá estavam, que fizeram “vaquinhas”, rifas e muitas economias para poderem participar do evento, hoje são profissionais, transformadores sociais, fieis em suas paróquias, são multiplicadores do amor de Deus e não há dúvidas de que aquele sopro missionário que invadiu a América Latina e deixou o seu recado ao mundo fará parte não apenas da memória dessa juventude, mas também das atitudes de filhos que atenderam ao convite: "Venham, meus amigos!"

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro