Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2017

20 de Outubro de 2017

Algumas conclusões e muitos significados

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Algumas conclusões e muitos significados

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22/11/2013 17:39 - Atualizado em 22/11/2013 18:04

Algumas conclusões e muitos significados 0

22/11/2013 17:39 - Atualizado em 22/11/2013 18:04

Algumas conclusões e muitos significados / Arqrio

Merecem nossa atenção dois acontecimentos que se juntam: a conclusão do Ano Litúrgico e a do Ano da Fé. Unem-se verdadeiramente em síntese perfeita, pois a Liturgia é a celebração da fé viva. Ocorre durante os tempos litúrgicos como experiência da ação salvadora de Cristo na nossa vida, impregnada e alimentada pela fé. Na Liturgia, Jesus é celebrado por nós e é celebrante conosco.

Diz bem a louvação, também conclusiva, de toda celebração eucarística: “Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra, e toda a glória, agora e pra sempre”. Este louvor trinitário é nosso devido à intimidade da comunhão promovida pelo Espírito em todo o corpo da Igreja.

O Ano Litúrgico é sacramental. Ele possui vários significados, sentidos e sentimentos, quando fazemos a memória dos tempos da vida de Jesus com a inteligência e a afetividade da fé. Ambas integradas desafiam o racionalismo frio e o sentimentalismo vazio: “Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus” (Fl 2, 5). Acontece na Liturgia autêntica, aquela celebrada na fé.

A celebração dos tempos litúrgicos possibilita a inserção na vida, na morte e na ressurreição do Senhor com a expectativa do seu retorno em glória. Para tanto, a linguagem litúrgico-sacramental de Paulo é esclarecedora: “pelo batismo nós fomos sepultados com Ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova” (Rm 6, 4). A vida nova é a dimensão prática da existência comprometida. Une culto e testemunho, fé e obras, exterioridade e interioridade. A vivência vale para o batismo e os demais sacramentos, cada qual com sua graça própria e sentido prático e existencial preciso.

É útil ouvir os liturgistas. Eles nos ensinam mais do que ritos e cerimônias. Com eles, aprendemos a linguagem e a vida dos símbolos, sem os quais não há celebração autêntica, mas só formalística. O desconhecimento e o descaso da simbologia acarretariam cerimônias sem coerência e veracidade.

Insistem, por exemplo, que relacionemos os três ritmos do tempo entre si. O ritmo diário na alternância cósmica da manhã e da tarde, do dia e da noite, da luz e das trevas, na sequência do ritmo do sol, símbolo do Cristo-Luz, a santificar os momentos do dia, especialmente através da Liturgia das Horas. O ritmo semanal na primazia do domingo, o primeiro da semana cristã, Dia do Senhor, próprio para a celebração eucarística, memorial da páscoa “morte e ressurreição, até que retorne no final dos tempos. O ritmo anual na centralidade da Páscoa, culminada em Pentecostes, preparada pela Quaresma, a incluir o Natal com a Epifania, preparado pelo Advento. Em seguida, o Tempo Comum que ilumina para nós o seguimento de Cristo, no tempo da Igreja, da convocação dos discípulos e sua instrução ao anúncio do Evangelho do Reino aos povos durante a história.

O Ano Litúrgico é concluído com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Os fiéis reconhecem a soberania de Jesus. Fazem, porém, com realismo: Ele reina bem pouco e poderia reinar mais entre nós e por nós. Daí, o ato devocional da consagração do gênero humano a Jesus Cristo Rei e o empenho evangelizador que decorre da Liturgia: do desejo à ação. No entanto, Ele é Senhor na vida dos santos, que testemunham a fé, o amor e a esperança, com sofrimentos e perseguições, inclusive o martírio. Seu reinado é sempre visível na vida dos discípulos. Eles sabem ser sal da terra e luz do mundo. Expressa na vocação e na missão dos leigos: ser fermento na massa.

Um dos textos significativos de empenho, diz em tom litúrgico: “A seguir, haverá o fim, quando ele entregar o reino a Deus Pai. E, quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá Àquele que tudo lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos” (1 Cor 15, 24.28). Esta entrega do reinado de Cristo é a conclusão da história. No seu ofertório régio e também sacerdotal, ofertará nossa vida. Eis o senhorio definitivo: enfim, o próprio Deus será tudo em todos.

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22/11/2013 17:39 - Atualizado em 22/11/2013 18:04

Merecem nossa atenção dois acontecimentos que se juntam: a conclusão do Ano Litúrgico e a do Ano da Fé. Unem-se verdadeiramente em síntese perfeita, pois a Liturgia é a celebração da fé viva. Ocorre durante os tempos litúrgicos como experiência da ação salvadora de Cristo na nossa vida, impregnada e alimentada pela fé. Na Liturgia, Jesus é celebrado por nós e é celebrante conosco.

Diz bem a louvação, também conclusiva, de toda celebração eucarística: “Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra, e toda a glória, agora e pra sempre”. Este louvor trinitário é nosso devido à intimidade da comunhão promovida pelo Espírito em todo o corpo da Igreja.

O Ano Litúrgico é sacramental. Ele possui vários significados, sentidos e sentimentos, quando fazemos a memória dos tempos da vida de Jesus com a inteligência e a afetividade da fé. Ambas integradas desafiam o racionalismo frio e o sentimentalismo vazio: “Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus” (Fl 2, 5). Acontece na Liturgia autêntica, aquela celebrada na fé.

A celebração dos tempos litúrgicos possibilita a inserção na vida, na morte e na ressurreição do Senhor com a expectativa do seu retorno em glória. Para tanto, a linguagem litúrgico-sacramental de Paulo é esclarecedora: “pelo batismo nós fomos sepultados com Ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova” (Rm 6, 4). A vida nova é a dimensão prática da existência comprometida. Une culto e testemunho, fé e obras, exterioridade e interioridade. A vivência vale para o batismo e os demais sacramentos, cada qual com sua graça própria e sentido prático e existencial preciso.

É útil ouvir os liturgistas. Eles nos ensinam mais do que ritos e cerimônias. Com eles, aprendemos a linguagem e a vida dos símbolos, sem os quais não há celebração autêntica, mas só formalística. O desconhecimento e o descaso da simbologia acarretariam cerimônias sem coerência e veracidade.

Insistem, por exemplo, que relacionemos os três ritmos do tempo entre si. O ritmo diário na alternância cósmica da manhã e da tarde, do dia e da noite, da luz e das trevas, na sequência do ritmo do sol, símbolo do Cristo-Luz, a santificar os momentos do dia, especialmente através da Liturgia das Horas. O ritmo semanal na primazia do domingo, o primeiro da semana cristã, Dia do Senhor, próprio para a celebração eucarística, memorial da páscoa “morte e ressurreição, até que retorne no final dos tempos. O ritmo anual na centralidade da Páscoa, culminada em Pentecostes, preparada pela Quaresma, a incluir o Natal com a Epifania, preparado pelo Advento. Em seguida, o Tempo Comum que ilumina para nós o seguimento de Cristo, no tempo da Igreja, da convocação dos discípulos e sua instrução ao anúncio do Evangelho do Reino aos povos durante a história.

O Ano Litúrgico é concluído com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Os fiéis reconhecem a soberania de Jesus. Fazem, porém, com realismo: Ele reina bem pouco e poderia reinar mais entre nós e por nós. Daí, o ato devocional da consagração do gênero humano a Jesus Cristo Rei e o empenho evangelizador que decorre da Liturgia: do desejo à ação. No entanto, Ele é Senhor na vida dos santos, que testemunham a fé, o amor e a esperança, com sofrimentos e perseguições, inclusive o martírio. Seu reinado é sempre visível na vida dos discípulos. Eles sabem ser sal da terra e luz do mundo. Expressa na vocação e na missão dos leigos: ser fermento na massa.

Um dos textos significativos de empenho, diz em tom litúrgico: “A seguir, haverá o fim, quando ele entregar o reino a Deus Pai. E, quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá Àquele que tudo lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos” (1 Cor 15, 24.28). Esta entrega do reinado de Cristo é a conclusão da história. No seu ofertório régio e também sacerdotal, ofertará nossa vida. Eis o senhorio definitivo: enfim, o próprio Deus será tudo em todos.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro