Arquidiocese do Rio de Janeiro

27º 21º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/11/2019

20 de Novembro de 2019

Solenidade de São Pedro e São Paulo

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Solenidade de São Pedro e São Paulo 0

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Celebramos neste final de semana a solenidade dos Santos Pedro e Paulo. Embora a data desta festa seja o dia 29, aqui no Brasil ela é transferida para o domingo para facilitar uma maior participação do povo de Deus nesta celebração. Ao celebrar a festa de Pedro e Paulo celebramos a vida da Igreja, da Igreja nascente: a Igreja que nasce de dois elementos importantes: Primeiramente da ação do Espírito Santo e posteriormente da entrega de homens simples, mas transbordantes de fé. Pedro, aquele escolhido para ser o primeiro Papa: Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mt 16,18) e Paulo, grande missionário e evangelizador, que foi enviado mundo afora para pregar o Evangelho e testemunhar com a própria vida, após a sua conversão, as maravilhas do Evangelho. Pedro e Paulo: colunas da Igreja.

A Igreja vai ser fundada a partir do encontro com Jesus Cristo, à beira do Mar da Galileia quando Jesus convida Pedro a ser pescador de homens, seja com o encontro com Paulo no caminho de Damasco, perseguindo os cristãos. Com essa festa celebramos o dia do papa, a quem manifestamos nosso carinho, nossa proximidade espiritual e nossa gratidão por sua entrega de vida, para com aquele que é o sucessor de Pedro, sendo sinal concreto da unidade do povo de Deus, que recebe a missão de confirmar os irmãos na fé. Por ser o dia do papa, temos o chamado óbolo de São Pedro, onde as coletas feitas em nossas comunidades são encaminhadas ao Santo Padre e assim encaminhadas a tantos projetos geridos por ele, ajudando a países que passam por situações sérias, dificuldades, desastres naturais ou necessidades mais variadas.

Escutando a palavra de Deus que nos ilumina e nos conduz nessa festa, (Mt 16, 13-19), assim como proclamado no domingo passado, embora com conotações diferentes, mostra Jesus na região de Cesaréia de Filipe, que lança aos discípulos a seguinte questão: Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? (Mt 16, 13s)."

Ante a todos aqueles que não souberam responder quem era Jesus, Pedro confessa claramente que Jesus é o Messias prometido e que é o Filho de Deus. Comentando essa passagem, afirma S. Leão Magno: “O Senhor pergunta aos apóstolos o que é que os homens opinam sobre ele e a coincidência em suas respostas reflete a ambiguidade da ignorância humana. Mas, quando urge que respondam o que pensam os próprios discípulos, o primeiro a confessar o Senhor é também aquele que é o primeiro na dignidade Apostólica. ”

Ante a resposta já conhecida de que eram variadas as opiniões dos homens, encontramos a confissão de fé de Pedro: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo"(Mt 16, 16). Pedro confessa Jesus como Messias, o esperado para vir salvar o povo de Deus. Também o confessa como Filho do Deus vivo, uma afirmação de grande relevância devido ao contexto da época. Confessa não somente qual é a missão de Jesus (messias), mas também o íntimo ser de Jesus, que é ser Filho de Deus. É a confissão completa de quem é Jesus, a mesma que fazemos nós, cristãos, unidos a Pedro. Essa confissão não pode ser proferida somente a partir da experiência humana. Deve ser feita a partir da fé, que é dom de Deus. Por isso, citando novamente S. Leão Magno, reinterpreta assim as palavras do Senhor: “Tu és verdadeiramente feliz, porque foi meu Pai quem te revelou; a opinião humana não te induziu ao erro, mas foi a revelação do céu que te iluminou. E não há sido ninguém e carne e osso, mas te ensinou aquele de quem sou Filho Único.”

A conclusão deste evangelho, diferente da narrativa de Lucas lida na semana passada, mostra a escolha de Pedro como aquele que vai servir os irmãos: "Feliz es tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus"(Mt 16, 17-19).  Por si mesmo Pedro não seria capaz de confessar Cristo como Messias; se o faz, é pela ação da Graça de Deus nele, já que não foi um ser humano quem revelou isso a ele. A Igreja recebe uma grande missão: assim como Pedro, aquele que confirma os irmãos, ser sinal desta unidade. Portanto, um grande serviço é dado para aquele que assume a responsabilidade de ser o sucessor de Pedro, anunciando Jesus Cristo, assumindo a tarefa de confirmar os irmãos na fé. Louvamos a Deus por toda essa caminhada através dos séculos, em que a sucessão de Pedro foi marcada majoritariamente por homens santos, de homens que procuraram servir a Deus e aos irmãos, e que tem marcado a história contemporânea, sendo muitos deles canonizados: basta lembrar as figuras dos últimos tempos na Sé de Pedro que foram canonizados: São João Paulo II, São Paulo VI e São João XXIII. Em meio a tantas fragilidades do mundo e da Igreja, o Senhor continua chamando homens para que, na sucessão de Pedro, confirme os irmãos na fé e se santifiquem. Por outro lado, sabemos que é nessa fé de crer em Cristo como Messias e Filho de Deus que se constrói a Igreja. A Igreja se edifica sobre a profissão de fé de Pedro. Se edifica em Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo.

Ao mesmo tempo, nos relata o Evangelho que o poder do inferno nunca poderá vencê-la. De uma forma ou outra, a pesar da debilidade humana e das vicissitudes experimentadas ao longo dos séculos, a Igreja segue em peregrinação rumo aos céus, sendo presença viva do Senhor ressuscitado. Continua e continuará presente porque não é uma mera instituição humana. Ela vem do Senhor. Esse é exatamente um dos sinais de credibilidade da Igreja: ela permanece viva e eficaz, a pesar de tantas batalhas e lutas enfrentadas ao longo dos séculos, sendo algumas consideradas invencíveis aos olhos humanos.

A leitura dos Atos dos Apóstolos (12, 1-11) também vai falar da figura de Pedro, descrevendo sua prisão e miraculosa libertação:

Naqueles dias, o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João.

E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos. Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa (At 12, 1-4). A vigilância sobre Pedro era intensa e era aguardado o momento de que sua sentença fosse ditada. Qualquer tipo de saída, humanamente falando, era inevitável. No entanto, a oração da Igreja ante as perseguições e contrariedades, realiza o milagre da libertação de Pedro: Enquanto Pedro era mantido na prisão,a Igreja rezava continuamente a Deus por ele. Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão. Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: "Levanta-te depressa!" As correntes caíram-lhe das mãos. O anjo continuou: "Coloca o cinto e calça tuas sandálias!" Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: "Põe tua capa e vem comigo!" Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão. Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. Então Pedro caiu em si e disse: "Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!"(At 12,5-11).

É curiosamente precisa a descrição da atitude da Igreja diante da perseguição e prisão de Pedro: colocavam-se em oração intensa por eles. Assim comenta São João Crisóstomo este episódio: “Observai os sentimentos dos fiéis em relação aos seus pastores. Não reagem com distúrbios nem com rebeldia, mas com a oração, que é o remédio invencível. Conseguem ver o que faziam os perseguidores sem ter noção? Faziam a uns mais fortes na tribulação e a outros mais firmes na tribulação. ”

O Salmo de resposta vem exatamente traduzindo em oração o que foi relatado por Pedro: De todos os temores me livrou o Senhor Deus (Sal 33, 5). Por mais que a Palavra libertadora do Senhor possa ser impedida, Deus vem e virá ao encontro dos seus, manifestando sua presença que salva, cura, liberta e restaura.

Por fim, a liturgia apresenta a figura de Paulo (2Tm 4, 6-8.17-18), apóstolo dos gentios, que se apresenta como alguém que tem a consciência de ter feito aquilo que deveria ter sido feito e estava ao seu alcance: Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças; ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém (2Tm 4,6-8.17-18).

Dois homens de Deus que semearam a semente dos novos cristãos com seu sangue derramado em Roma, por meio do martírio. Suas Basílicas até hoje nos fazer ver, até hoje, os sinais das maravilhas que o Senhor realiza em meio a seu povo. Ao considerar a proximidade do final da sua vida, Paulo manifesta que a morte é uma oferta a Deus semelhante aos sacrifícios que se faziam antigamente. Apresenta a existência cristã como um esporte sobrenatural, como uma competição contemplada e julgada por Deus mesmo. Essa visão esperançosa da vida eterna não está reservada aos apóstolos, mas se estende a todos os fiéis

Rezemos e expressemos nosso carinho pelo sucessor de Pedro. Que tenhamos o coração aberto para confiar sempre no cuidado do Senhor para conosco e que sejamos portadores e protagonistas da unidade que o Senhor confiou à sua Igreja. Que em meio a tantas lutas, possamos, como Pedro e Paulo, continuar anunciando a boa nova da salvação.

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

 

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Solenidade de São Pedro e São Paulo

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Celebramos neste final de semana a solenidade dos Santos Pedro e Paulo. Embora a data desta festa seja o dia 29, aqui no Brasil ela é transferida para o domingo para facilitar uma maior participação do povo de Deus nesta celebração. Ao celebrar a festa de Pedro e Paulo celebramos a vida da Igreja, da Igreja nascente: a Igreja que nasce de dois elementos importantes: Primeiramente da ação do Espírito Santo e posteriormente da entrega de homens simples, mas transbordantes de fé. Pedro, aquele escolhido para ser o primeiro Papa: Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mt 16,18) e Paulo, grande missionário e evangelizador, que foi enviado mundo afora para pregar o Evangelho e testemunhar com a própria vida, após a sua conversão, as maravilhas do Evangelho. Pedro e Paulo: colunas da Igreja.

A Igreja vai ser fundada a partir do encontro com Jesus Cristo, à beira do Mar da Galileia quando Jesus convida Pedro a ser pescador de homens, seja com o encontro com Paulo no caminho de Damasco, perseguindo os cristãos. Com essa festa celebramos o dia do papa, a quem manifestamos nosso carinho, nossa proximidade espiritual e nossa gratidão por sua entrega de vida, para com aquele que é o sucessor de Pedro, sendo sinal concreto da unidade do povo de Deus, que recebe a missão de confirmar os irmãos na fé. Por ser o dia do papa, temos o chamado óbolo de São Pedro, onde as coletas feitas em nossas comunidades são encaminhadas ao Santo Padre e assim encaminhadas a tantos projetos geridos por ele, ajudando a países que passam por situações sérias, dificuldades, desastres naturais ou necessidades mais variadas.

Escutando a palavra de Deus que nos ilumina e nos conduz nessa festa, (Mt 16, 13-19), assim como proclamado no domingo passado, embora com conotações diferentes, mostra Jesus na região de Cesaréia de Filipe, que lança aos discípulos a seguinte questão: Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? (Mt 16, 13s)."

Ante a todos aqueles que não souberam responder quem era Jesus, Pedro confessa claramente que Jesus é o Messias prometido e que é o Filho de Deus. Comentando essa passagem, afirma S. Leão Magno: “O Senhor pergunta aos apóstolos o que é que os homens opinam sobre ele e a coincidência em suas respostas reflete a ambiguidade da ignorância humana. Mas, quando urge que respondam o que pensam os próprios discípulos, o primeiro a confessar o Senhor é também aquele que é o primeiro na dignidade Apostólica. ”

Ante a resposta já conhecida de que eram variadas as opiniões dos homens, encontramos a confissão de fé de Pedro: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo"(Mt 16, 16). Pedro confessa Jesus como Messias, o esperado para vir salvar o povo de Deus. Também o confessa como Filho do Deus vivo, uma afirmação de grande relevância devido ao contexto da época. Confessa não somente qual é a missão de Jesus (messias), mas também o íntimo ser de Jesus, que é ser Filho de Deus. É a confissão completa de quem é Jesus, a mesma que fazemos nós, cristãos, unidos a Pedro. Essa confissão não pode ser proferida somente a partir da experiência humana. Deve ser feita a partir da fé, que é dom de Deus. Por isso, citando novamente S. Leão Magno, reinterpreta assim as palavras do Senhor: “Tu és verdadeiramente feliz, porque foi meu Pai quem te revelou; a opinião humana não te induziu ao erro, mas foi a revelação do céu que te iluminou. E não há sido ninguém e carne e osso, mas te ensinou aquele de quem sou Filho Único.”

A conclusão deste evangelho, diferente da narrativa de Lucas lida na semana passada, mostra a escolha de Pedro como aquele que vai servir os irmãos: "Feliz es tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus"(Mt 16, 17-19).  Por si mesmo Pedro não seria capaz de confessar Cristo como Messias; se o faz, é pela ação da Graça de Deus nele, já que não foi um ser humano quem revelou isso a ele. A Igreja recebe uma grande missão: assim como Pedro, aquele que confirma os irmãos, ser sinal desta unidade. Portanto, um grande serviço é dado para aquele que assume a responsabilidade de ser o sucessor de Pedro, anunciando Jesus Cristo, assumindo a tarefa de confirmar os irmãos na fé. Louvamos a Deus por toda essa caminhada através dos séculos, em que a sucessão de Pedro foi marcada majoritariamente por homens santos, de homens que procuraram servir a Deus e aos irmãos, e que tem marcado a história contemporânea, sendo muitos deles canonizados: basta lembrar as figuras dos últimos tempos na Sé de Pedro que foram canonizados: São João Paulo II, São Paulo VI e São João XXIII. Em meio a tantas fragilidades do mundo e da Igreja, o Senhor continua chamando homens para que, na sucessão de Pedro, confirme os irmãos na fé e se santifiquem. Por outro lado, sabemos que é nessa fé de crer em Cristo como Messias e Filho de Deus que se constrói a Igreja. A Igreja se edifica sobre a profissão de fé de Pedro. Se edifica em Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo.

Ao mesmo tempo, nos relata o Evangelho que o poder do inferno nunca poderá vencê-la. De uma forma ou outra, a pesar da debilidade humana e das vicissitudes experimentadas ao longo dos séculos, a Igreja segue em peregrinação rumo aos céus, sendo presença viva do Senhor ressuscitado. Continua e continuará presente porque não é uma mera instituição humana. Ela vem do Senhor. Esse é exatamente um dos sinais de credibilidade da Igreja: ela permanece viva e eficaz, a pesar de tantas batalhas e lutas enfrentadas ao longo dos séculos, sendo algumas consideradas invencíveis aos olhos humanos.

A leitura dos Atos dos Apóstolos (12, 1-11) também vai falar da figura de Pedro, descrevendo sua prisão e miraculosa libertação:

Naqueles dias, o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João.

E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos. Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa (At 12, 1-4). A vigilância sobre Pedro era intensa e era aguardado o momento de que sua sentença fosse ditada. Qualquer tipo de saída, humanamente falando, era inevitável. No entanto, a oração da Igreja ante as perseguições e contrariedades, realiza o milagre da libertação de Pedro: Enquanto Pedro era mantido na prisão,a Igreja rezava continuamente a Deus por ele. Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão. Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: "Levanta-te depressa!" As correntes caíram-lhe das mãos. O anjo continuou: "Coloca o cinto e calça tuas sandálias!" Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: "Põe tua capa e vem comigo!" Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão. Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. Então Pedro caiu em si e disse: "Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!"(At 12,5-11).

É curiosamente precisa a descrição da atitude da Igreja diante da perseguição e prisão de Pedro: colocavam-se em oração intensa por eles. Assim comenta São João Crisóstomo este episódio: “Observai os sentimentos dos fiéis em relação aos seus pastores. Não reagem com distúrbios nem com rebeldia, mas com a oração, que é o remédio invencível. Conseguem ver o que faziam os perseguidores sem ter noção? Faziam a uns mais fortes na tribulação e a outros mais firmes na tribulação. ”

O Salmo de resposta vem exatamente traduzindo em oração o que foi relatado por Pedro: De todos os temores me livrou o Senhor Deus (Sal 33, 5). Por mais que a Palavra libertadora do Senhor possa ser impedida, Deus vem e virá ao encontro dos seus, manifestando sua presença que salva, cura, liberta e restaura.

Por fim, a liturgia apresenta a figura de Paulo (2Tm 4, 6-8.17-18), apóstolo dos gentios, que se apresenta como alguém que tem a consciência de ter feito aquilo que deveria ter sido feito e estava ao seu alcance: Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças; ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém (2Tm 4,6-8.17-18).

Dois homens de Deus que semearam a semente dos novos cristãos com seu sangue derramado em Roma, por meio do martírio. Suas Basílicas até hoje nos fazer ver, até hoje, os sinais das maravilhas que o Senhor realiza em meio a seu povo. Ao considerar a proximidade do final da sua vida, Paulo manifesta que a morte é uma oferta a Deus semelhante aos sacrifícios que se faziam antigamente. Apresenta a existência cristã como um esporte sobrenatural, como uma competição contemplada e julgada por Deus mesmo. Essa visão esperançosa da vida eterna não está reservada aos apóstolos, mas se estende a todos os fiéis

Rezemos e expressemos nosso carinho pelo sucessor de Pedro. Que tenhamos o coração aberto para confiar sempre no cuidado do Senhor para conosco e que sejamos portadores e protagonistas da unidade que o Senhor confiou à sua Igreja. Que em meio a tantas lutas, possamos, como Pedro e Paulo, continuar anunciando a boa nova da salvação.

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro