Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 08/12/2019

08 de Dezembro de 2019

Carta Encíclica “Lumen Fidei”

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Carta Encíclica “Lumen Fidei”

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15/11/2013 13:56

Carta Encíclica “Lumen Fidei” 0

15/11/2013 13:56

Carta Encíclica “Lumen Fidei” / Arqrio

A primeira Carta Encíclica do pontificado do Papa Francisco se chama “Lumen Fidei (LF)”, que se destina a todos os membros da Igreja: aos bispos, aos presbíteros, aos diáconos, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos. O Pontífice escreve sobre o tema da fé e a sua relação com os homens de hoje. Notadamente, o documento se insere dentro das iniciativas do Ano da Fé (cf. LF 5 e 6). Lançada no dia 29 de junho deste ano, seu objetivo é contribuir para se “recuperar o caráter de luz que é próprio da fé” (LF 4).

A Problemática

O documento nos coloca a questão a ser enfrentada pela Igreja: “a fé acabou sendo associada com a escuridão” (LF 3). Na introdução da Carta Encíclica, nos é apresentado que nossa cultura é herdeira da compreensão moderna de que a fé deve ceder espaço à razão: a primeira é encarada como desnecessária para os nossos tempos (ateísmo e relativismo), pois impede o homem de cultivar a segunda (racionalismo e cientificismo). Ou ainda, a fé pode até ser mantida, mas numa perspectiva individual para explicar aquilo que a ciência não consegue ainda ou para aquecer os corações e consolar as pessoas (fideísmo e sentimentalismo). Segundo esta visão moderna, a fé não pode mais propor um discurso sério para a sociedade hodierna. De fato, na nossa cultura, a fé tem sido associada com uma visão ingênua do mundo (salto no vazio), que deve ser superada por uma visão crítica. Como a Igreja, então, pode apresentar a fé como experiência de iluminação do homem e da sociedade diante de um contexto que a considera como um obscurecimento das potencialidades humanas e sociais?

Acreditamos no amor

O primeiro capítulo apresenta uma tentativa de compreensão da fé cristã a partir da Sagrada Escritura. Olhando a construção do texto vemos os seguintes passos dados: a experiência de fé de Abraão, do povo de Israel, de Jesus e a da Igreja. Em cada uma das partes vai se identificando as características e vendo como elas preparam a etapa seguinte.

Em Abraão, a fé é a resposta à palavra que Deus lhe dirigiu: “a fé é a resposta a uma palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama pelo nome” (LF 8). O povo de Israel, na esteira da experiência de Abraão, compreende a fé como correspondência à iniciativa gratuita de libertação e de condução realizadas por Deus: “A confissão de fé de Israel desenrola-se como uma narração dos benefícios de Deus, da sua ação para libertar e conduzir o povo; narração esta que o povo transmite de geração em geração” (LF 12). A fé como resposta aparece aqui com suas características: ela é dinâmica, histórica, progressiva, vivencial e testemunhal.

O documento apresenta a idolatria como o contrário da fé (cf. LF 13). O povo de Israel, por muitas vezes, se sentiu tentado a trocar o Deus verdadeiro pelos falsos deuses. Enquanto a fé é uma resposta dada a Deus, a idolatria “é um pretexto para si colocar no centro da realidade; na adoração da obra das próprias mãos” (LF 13). O homem idólatra não responde, mas cria um “deus” – uma imagem de si mesmo, que satisfaça seus desejos. Seguir por esta vereda, na qual o desejo humano é levado à categoria de divindade, é perder-se na impossibilidade de dar um sentido verdadeiro a si e ao todo.

O conteúdo da fé cristã é “a confissão de que Jesus é o Senhor e de que Deus o ressuscitou dos mortos” (LF 15). As experiências de fé do AT preparavam “o lugar da intervenção definitiva de Deus, a suprema manifestação de seu amor por nós” (LF 15). No mistério pascal de Cristo, em sua morte e ressurreição, se revela o amor inabalável que Deus tem por nós. O Senhor Ressuscitado se torna a testemunha fiel de que o Pai age na história, cumprindo suas promessas e conduzindo o homem à salvação. Mais ainda, a própria salvação é “uma participação no modo de ver de Jesus” (LF 19). “É aqui que se situa a ação própria do Espírito Santo: o cristão pode ter os olhos de Jesus, os seus sentimentos, a sua predisposição filial, porque é feito participante de seu amor, que é o Espírito; é neste amor que se recebe, de algum modo, a visão própria de Jesus” (LF 21).

Se não acreditardes, não compreendereis

O segundo capítulo da “Lumen Fidei” quer relacionar o tema da fé ao tema da verdade (LF 23–31). Partindo da análise de um versículo do livro do profeta Isaias (Is 7,9), se relaciona o significado hebraico e grego do termo “fé”. Enquanto na língua semítica, este significa uma experiência de segurança na palavra dita por Deus, na língua helênica está ligado ao conhecimento racional de algo. O Pontífice afirma que a experiência de segurança está ligada a de conhecimento. Por isso, a fé tem uma dimensão de conhecimento que não pode ser retirada. A verdade presente no ato de fé permite à Igreja dialogar com todos aqueles que estão em busca dela (LF 32–35) e possibilita o seu conhecimento: a teologia (LF 36). Esta última abre o fiel católico para entender, no que é possível, a ação salvífica de Deus na história e, assim, ao diálogo com os outros cristãos (ecumenismo), os religiosos (diálogo interreligioso) e os homens de boa vontade (sociedade secular) para se aproximarem na prática do bem.

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Carta Encíclica “Lumen Fidei” / Arqrio

Carta Encíclica “Lumen Fidei”

15/11/2013 13:56

A primeira Carta Encíclica do pontificado do Papa Francisco se chama “Lumen Fidei (LF)”, que se destina a todos os membros da Igreja: aos bispos, aos presbíteros, aos diáconos, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos. O Pontífice escreve sobre o tema da fé e a sua relação com os homens de hoje. Notadamente, o documento se insere dentro das iniciativas do Ano da Fé (cf. LF 5 e 6). Lançada no dia 29 de junho deste ano, seu objetivo é contribuir para se “recuperar o caráter de luz que é próprio da fé” (LF 4).

A Problemática

O documento nos coloca a questão a ser enfrentada pela Igreja: “a fé acabou sendo associada com a escuridão” (LF 3). Na introdução da Carta Encíclica, nos é apresentado que nossa cultura é herdeira da compreensão moderna de que a fé deve ceder espaço à razão: a primeira é encarada como desnecessária para os nossos tempos (ateísmo e relativismo), pois impede o homem de cultivar a segunda (racionalismo e cientificismo). Ou ainda, a fé pode até ser mantida, mas numa perspectiva individual para explicar aquilo que a ciência não consegue ainda ou para aquecer os corações e consolar as pessoas (fideísmo e sentimentalismo). Segundo esta visão moderna, a fé não pode mais propor um discurso sério para a sociedade hodierna. De fato, na nossa cultura, a fé tem sido associada com uma visão ingênua do mundo (salto no vazio), que deve ser superada por uma visão crítica. Como a Igreja, então, pode apresentar a fé como experiência de iluminação do homem e da sociedade diante de um contexto que a considera como um obscurecimento das potencialidades humanas e sociais?

Acreditamos no amor

O primeiro capítulo apresenta uma tentativa de compreensão da fé cristã a partir da Sagrada Escritura. Olhando a construção do texto vemos os seguintes passos dados: a experiência de fé de Abraão, do povo de Israel, de Jesus e a da Igreja. Em cada uma das partes vai se identificando as características e vendo como elas preparam a etapa seguinte.

Em Abraão, a fé é a resposta à palavra que Deus lhe dirigiu: “a fé é a resposta a uma palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama pelo nome” (LF 8). O povo de Israel, na esteira da experiência de Abraão, compreende a fé como correspondência à iniciativa gratuita de libertação e de condução realizadas por Deus: “A confissão de fé de Israel desenrola-se como uma narração dos benefícios de Deus, da sua ação para libertar e conduzir o povo; narração esta que o povo transmite de geração em geração” (LF 12). A fé como resposta aparece aqui com suas características: ela é dinâmica, histórica, progressiva, vivencial e testemunhal.

O documento apresenta a idolatria como o contrário da fé (cf. LF 13). O povo de Israel, por muitas vezes, se sentiu tentado a trocar o Deus verdadeiro pelos falsos deuses. Enquanto a fé é uma resposta dada a Deus, a idolatria “é um pretexto para si colocar no centro da realidade; na adoração da obra das próprias mãos” (LF 13). O homem idólatra não responde, mas cria um “deus” – uma imagem de si mesmo, que satisfaça seus desejos. Seguir por esta vereda, na qual o desejo humano é levado à categoria de divindade, é perder-se na impossibilidade de dar um sentido verdadeiro a si e ao todo.

O conteúdo da fé cristã é “a confissão de que Jesus é o Senhor e de que Deus o ressuscitou dos mortos” (LF 15). As experiências de fé do AT preparavam “o lugar da intervenção definitiva de Deus, a suprema manifestação de seu amor por nós” (LF 15). No mistério pascal de Cristo, em sua morte e ressurreição, se revela o amor inabalável que Deus tem por nós. O Senhor Ressuscitado se torna a testemunha fiel de que o Pai age na história, cumprindo suas promessas e conduzindo o homem à salvação. Mais ainda, a própria salvação é “uma participação no modo de ver de Jesus” (LF 19). “É aqui que se situa a ação própria do Espírito Santo: o cristão pode ter os olhos de Jesus, os seus sentimentos, a sua predisposição filial, porque é feito participante de seu amor, que é o Espírito; é neste amor que se recebe, de algum modo, a visão própria de Jesus” (LF 21).

Se não acreditardes, não compreendereis

O segundo capítulo da “Lumen Fidei” quer relacionar o tema da fé ao tema da verdade (LF 23–31). Partindo da análise de um versículo do livro do profeta Isaias (Is 7,9), se relaciona o significado hebraico e grego do termo “fé”. Enquanto na língua semítica, este significa uma experiência de segurança na palavra dita por Deus, na língua helênica está ligado ao conhecimento racional de algo. O Pontífice afirma que a experiência de segurança está ligada a de conhecimento. Por isso, a fé tem uma dimensão de conhecimento que não pode ser retirada. A verdade presente no ato de fé permite à Igreja dialogar com todos aqueles que estão em busca dela (LF 32–35) e possibilita o seu conhecimento: a teologia (LF 36). Esta última abre o fiel católico para entender, no que é possível, a ação salvífica de Deus na história e, assim, ao diálogo com os outros cristãos (ecumenismo), os religiosos (diálogo interreligioso) e os homens de boa vontade (sociedade secular) para se aproximarem na prática do bem.

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida