Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/10/2019

16 de Outubro de 2019

Por Maria a Jesus

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16 de Outubro de 2019

Por Maria a Jesus

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17/05/2019 00:00 - Atualizado em 18/05/2019 13:30

Por Maria a Jesus 0

17/05/2019 00:00 - Atualizado em 18/05/2019 13:30

Quando estive pela primeira vez em Lourdes, precisamente na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, chamou-me a atenção um grande mosaico em que figura a imagem da Virgem de Lourdes coroada rainha com os seguintes dizeres: “Por Maria a Jesus (Par Marie a Jesus)”. Estas palavras refletem com espetacular simplicidade e profundidade o núcleo em torno do qual gravita toda a devoção mariana expressa com tantas manifestações de amor e carinho pelo povo de Deus. Como neste mês de maio, dedicado à devoção mariana, que em 2019 coincide com o Tempo Pascal, somos convidados a refletir sobre a relação de Maria com a Páscoa de seu Filho Jesus, quero neste editorial evocar o glorioso evento da Ascenção do Senhor, quando, então, os olhos dos apóstolos, volvidos para o Céu, contemplaram com certa tristeza a elevação do Senhor. Logo em seguida, voltaram seus olhares para a Terra e se viram na companhia da Santíssima Virgem Maria. Foi neste momento que nasceu nas almas dos apóstolos uma claridade de esperança. Olhando para Maria, desabrochou neles uma verdadeira devoção filial à Mãe do Senhor. Maria sempre esteve junto de seu Filho Jesus, em nenhum momento d’Ele se afastou. Sendo assim, ela também sempre foi uma presença constante e marcante na comunidade apostólica. Entretanto, agora que eles já não tinham mais a presença física de Jesus, Maria, que sempre gozou do respeito e deferência dos apóstolos por ser a Mãe do Senhor, torna-se, a partir de então, o prolongamento de Jesus ausente, a sua intérprete, a sua memória viva, a reveladora dos segredos do seu amor. Ninguém como ela podia expressar de forma tão forte a presença e a memória, até mesmo afetiva, de Jesus, o que a tornou verdadeiro centro de atração para os apóstolos. Começava agora uma relação diferente entre Maria e os discípulos de seu Filho Jesus. A partir daí ela passa a ser Mãe, Mestra, Pastora e Rainha da comunidade.

Com efeito, a devoção a Maria não é elemento facultativo da nossa vida de piedade. Quem quer conhecer e amar a Jesus, não pode dispensar-se de conhecer e amar a Maria. A doutrina da Igreja e suas orações; os santuários que a piedade cristã edificou pelo mundo afora em sua honra; as festas com que a liturgia nos convida a honrar as suas virtudes. São outras tantas manifestações do apreço que temos à Mãe do Senhor, que tanto mais honrado se sentirá, quanto maior for nossa estima por Maria, Sua Mãe. É o que nos ensina a Constituição Dogmática “Lumen Gentium”, do Concílio Vaticano II, quando afirma que “as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites da sã e reta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e glorifique o Filho, por quem tudo existe (cfr. Col. 1, 15-16) e no qual ‘aprouve a Deus que residisse toda a plenitude’ (Col. 1,19), e também melhor se cumpram os seus mandamentos (LG 66)”.

Assim nós, como os apóstolos outrora, com verdadeiros olhos filiais, contemplamos Maria como o maior exemplar de nossa vida cristã em sua pureza, doçura, humildade, obediência e amor a Jesus. Ela é modelo de virtude para todos os cristãos. Em Maria a Igreja já atingiu sua perfeição e redenção, respectivamente como esposa sem mancha nem ruga e como primícias dos redimidos. “Quando é proclamada e cultuada, leva os fiéis ao seu Filho, ao sacerdócio do Filho e ao amor do Pai (LG 65)”.

Se quisermos entender mais profundamente o sentido da frase “Por Maria a Jesus”, devemos recordar que a missão maior de Maria é exatamente dar Jesus ao mundo e depois de dá-Lo, a Ele conduzir. Assim, como ela fez outrora em Belém e em Caná da Galileia, continua a fazer ainda hoje pela via da devoção que os fiéis carinhosamente lhe prestam com tantos títulos. Entretanto, o principal deles e que melhor reflete essencialmente sua missão é o de Mãe de Deus feito homem. Todos os demais títulos de glória se compendiam neste, e dele são preparatórios e consequentes. Ela é Imaculada, porque destinada a ser Mãe de Deus. Cheia de Graça, porque predestinada à maternidade divina. Bendita entre todas as mulheres, porque única cujo fruto do seu ventre seria o Filho de Deus. Virgem em virtude de sua maternidade sobrenatural. Medianeira, porque Mãe do Mediador. Corredentora, mas em virtude da autoridade materna. Assunta aos Céus, sem dúvida, mas em respeito à carne que de seu sangue se formou. Rainha do Céu e da Terra, dos anjos e dos homens, dos pecadores e dos justos, mas sempre e precisamente Rainha Mãe. Em Belém ou em Nazaré, em Caná ou no Calvário, o gesto de Maria é sempre o mesmo: dar Jesus ao mundo, formar Jesus para o mundo, revelar Jesus ao mundo, ofertar Jesus em sacrifício pelo mundo e conduzir o mundo a Ele. E quem não entende isso, nada entendeu do mistério de Maria e nem do mistério de Jesus. Sempre que recorrermos a Maria, encontraremos Jesus. E Ele quer que d’Ele nos aproximemos pelas mãos maternais de sua Mãe Santíssima, isto é, que nos aproximemos d’Ele de um modo humano. Pois Ele, mesmo sendo Deus, fez-Se homem para se aproximar de nós de um modo apropriado a nossa Humanidade. Portanto, neste mês de maio, aproximemo-nos ainda mais de Jesus por Maria, demonstremos-lhe o quanto estimamos sua maternal mediação, e peçamos-lhe que nos ajude a reanimar a nossa dedicação a ela de uma forma prática, cultivando no canteiro das nossas almas as virtudes de que ela é tão perfeito modelo.

Padre Valtemario S. Frazão Jr.

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Por Maria a Jesus

17/05/2019 00:00 - Atualizado em 18/05/2019 13:30

Quando estive pela primeira vez em Lourdes, precisamente na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, chamou-me a atenção um grande mosaico em que figura a imagem da Virgem de Lourdes coroada rainha com os seguintes dizeres: “Por Maria a Jesus (Par Marie a Jesus)”. Estas palavras refletem com espetacular simplicidade e profundidade o núcleo em torno do qual gravita toda a devoção mariana expressa com tantas manifestações de amor e carinho pelo povo de Deus. Como neste mês de maio, dedicado à devoção mariana, que em 2019 coincide com o Tempo Pascal, somos convidados a refletir sobre a relação de Maria com a Páscoa de seu Filho Jesus, quero neste editorial evocar o glorioso evento da Ascenção do Senhor, quando, então, os olhos dos apóstolos, volvidos para o Céu, contemplaram com certa tristeza a elevação do Senhor. Logo em seguida, voltaram seus olhares para a Terra e se viram na companhia da Santíssima Virgem Maria. Foi neste momento que nasceu nas almas dos apóstolos uma claridade de esperança. Olhando para Maria, desabrochou neles uma verdadeira devoção filial à Mãe do Senhor. Maria sempre esteve junto de seu Filho Jesus, em nenhum momento d’Ele se afastou. Sendo assim, ela também sempre foi uma presença constante e marcante na comunidade apostólica. Entretanto, agora que eles já não tinham mais a presença física de Jesus, Maria, que sempre gozou do respeito e deferência dos apóstolos por ser a Mãe do Senhor, torna-se, a partir de então, o prolongamento de Jesus ausente, a sua intérprete, a sua memória viva, a reveladora dos segredos do seu amor. Ninguém como ela podia expressar de forma tão forte a presença e a memória, até mesmo afetiva, de Jesus, o que a tornou verdadeiro centro de atração para os apóstolos. Começava agora uma relação diferente entre Maria e os discípulos de seu Filho Jesus. A partir daí ela passa a ser Mãe, Mestra, Pastora e Rainha da comunidade.

Com efeito, a devoção a Maria não é elemento facultativo da nossa vida de piedade. Quem quer conhecer e amar a Jesus, não pode dispensar-se de conhecer e amar a Maria. A doutrina da Igreja e suas orações; os santuários que a piedade cristã edificou pelo mundo afora em sua honra; as festas com que a liturgia nos convida a honrar as suas virtudes. São outras tantas manifestações do apreço que temos à Mãe do Senhor, que tanto mais honrado se sentirá, quanto maior for nossa estima por Maria, Sua Mãe. É o que nos ensina a Constituição Dogmática “Lumen Gentium”, do Concílio Vaticano II, quando afirma que “as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites da sã e reta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e glorifique o Filho, por quem tudo existe (cfr. Col. 1, 15-16) e no qual ‘aprouve a Deus que residisse toda a plenitude’ (Col. 1,19), e também melhor se cumpram os seus mandamentos (LG 66)”.

Assim nós, como os apóstolos outrora, com verdadeiros olhos filiais, contemplamos Maria como o maior exemplar de nossa vida cristã em sua pureza, doçura, humildade, obediência e amor a Jesus. Ela é modelo de virtude para todos os cristãos. Em Maria a Igreja já atingiu sua perfeição e redenção, respectivamente como esposa sem mancha nem ruga e como primícias dos redimidos. “Quando é proclamada e cultuada, leva os fiéis ao seu Filho, ao sacerdócio do Filho e ao amor do Pai (LG 65)”.

Se quisermos entender mais profundamente o sentido da frase “Por Maria a Jesus”, devemos recordar que a missão maior de Maria é exatamente dar Jesus ao mundo e depois de dá-Lo, a Ele conduzir. Assim, como ela fez outrora em Belém e em Caná da Galileia, continua a fazer ainda hoje pela via da devoção que os fiéis carinhosamente lhe prestam com tantos títulos. Entretanto, o principal deles e que melhor reflete essencialmente sua missão é o de Mãe de Deus feito homem. Todos os demais títulos de glória se compendiam neste, e dele são preparatórios e consequentes. Ela é Imaculada, porque destinada a ser Mãe de Deus. Cheia de Graça, porque predestinada à maternidade divina. Bendita entre todas as mulheres, porque única cujo fruto do seu ventre seria o Filho de Deus. Virgem em virtude de sua maternidade sobrenatural. Medianeira, porque Mãe do Mediador. Corredentora, mas em virtude da autoridade materna. Assunta aos Céus, sem dúvida, mas em respeito à carne que de seu sangue se formou. Rainha do Céu e da Terra, dos anjos e dos homens, dos pecadores e dos justos, mas sempre e precisamente Rainha Mãe. Em Belém ou em Nazaré, em Caná ou no Calvário, o gesto de Maria é sempre o mesmo: dar Jesus ao mundo, formar Jesus para o mundo, revelar Jesus ao mundo, ofertar Jesus em sacrifício pelo mundo e conduzir o mundo a Ele. E quem não entende isso, nada entendeu do mistério de Maria e nem do mistério de Jesus. Sempre que recorrermos a Maria, encontraremos Jesus. E Ele quer que d’Ele nos aproximemos pelas mãos maternais de sua Mãe Santíssima, isto é, que nos aproximemos d’Ele de um modo humano. Pois Ele, mesmo sendo Deus, fez-Se homem para se aproximar de nós de um modo apropriado a nossa Humanidade. Portanto, neste mês de maio, aproximemo-nos ainda mais de Jesus por Maria, demonstremos-lhe o quanto estimamos sua maternal mediação, e peçamos-lhe que nos ajude a reanimar a nossa dedicação a ela de uma forma prática, cultivando no canteiro das nossas almas as virtudes de que ela é tão perfeito modelo.

Padre Valtemario S. Frazão Jr.