Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 16º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/07/2019

16 de Julho de 2019

Treze de maio

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

16 de Julho de 2019

Treze de maio

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

13/05/2019 06:35 - Atualizado em 13/05/2019 06:36

Treze de maio 0

13/05/2019 06:35 - Atualizado em 13/05/2019 06:36

Estamos no mês de maio, que é conhecido popularmente como mês das mães e também o mês de Maria. No mês de maio, muitos cristãos cultivam especiais manifestações de piedade para com a Virgem Maria, e essas práticas são para eles fonte de alegria em todos os dias do mês. Diz o Concílio Ecumênico Vaticano II: “Todos os fiéis cristãos ofereçam insistentes súplicas à Mãe de Deus e Mãe dos homens para que Ela, que com as suas preces assistiu as primícias da Igreja, também agora, exaltada no Céu sobre todos os bem-aventurados e anjos, na Comunhão de todos os Santos, interceda junto do seu Filho” (Lumen Gentium, 69).

Dentro do mês de maio celebramos no 13 a memória de Nossa Senhora de Fátima. Trata-se de uma das maiores devoções espalhada pelo mundo pois Maria é também venerada com esse título. Sabemos, porém, que toda revelação particular nada acrescenta à revelação já concluída com a morte do último apóstolo, e tudo o que é necessário para nossa salvação já está revelado. Essas revelações particulares nos ajudam a salientar aspectos importantes para o nosso tempo que seriam necessários trabalhar em nossa vida espiritual.

Encontramos em vários escritos e na internet muitas descrições do evento de Fátima. Essa devoção começou no dia 13 de maio de 1917 (há 102 anos), quando três crianças cuidavam de um pequeno rebanho na Cova da Iria, em Fátima, Portugal. Os pastorinhos chamavam-se: Lúcia de Jesus, Francisco e Jacinta Marto, seus primos. Por volta do meio-dia, depois de rezarem o terço, como sempre faziam, foram surpreendidos por uma luz muito brilhante e forte. Em cima de uma azinheira (uma espécie de carvalho), viram uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol. “Ela emanava uma luz mais clara e intensa que um copo de cristal, cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”, relatava Lúcia.

Ela não esquece: a Senhora disse às crianças que era necessário rezar muito e convidou-as a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, sempre no dia 13 e àquela mesma hora. Lúcia, que era a mais velha, recomendou aos outros dois que não contassem nada a ninguém. Mas Jacinta não soube guardar o segredo. E no dia 13 de junho, data da segunda aparição, os três pastorinhos não estavam mais sozinhos no encontro. Dessa vez, Lucia quase não compareceu. Vítima de maus tratos em casa, seus pais a tomavam por mentirosa e não acreditavam naquela história de aparição. Com medo, ela relutava em ir, mas foi convencida por uma prima. Durante muito tempo lhe pesou a acusação de mentirosa e de querer se promover às custas de Nossa Senhora de Fátima. Sua família, por sua vez, sempre guardou silêncio total em relação ao assunto.

Na terceira aparição, em 13 de julho, Nossa Senhora parece ter se sensibilizado com a injustiça contra Lúcia: prometeu um milagre para que o povo acreditasse na história das três crianças. No mês seguinte, entretanto, os três pequenos videntes não puderam ir ao encontro na Cova da Iria porque estavam presos. Foram pressionados a contar o que conversavam com Nossa Senhora. As crianças resistiram e, no dia 19, Nossa Senhora provou, mais uma vez, seu poder. Apareceu para as crianças em Valinhos, ali por perto, na mesma região portuguesa, e continuou a fazer revelações. Uma quinta aparição aconteceu em setembro.

O grande milagre, porém, ocorreu em 13 de outubro, data da sexta e última aparição. Setenta mil pessoas lotavam o lugar e foram testemunhas do feito extraordinário prometido. Chovia. De repente, do meio das nuvens negras e carregadas, o sol surgiu e começou a girar sobre si mesmo, iniciando uma dança no firmamento. Como uma imensa bola de fogo parecia querer precipitar-se sobre a terra.

Quanto ao segredo vale a pena esclarecer que: somente os três pastorinhos tiveram receberam essa revelação particular em Fátima. E com a morte prematura de seus primos Jacinta e Francisco, ficou somente com Lúcia o tão famoso Segredo de Fátima. As duas primeiras partes do segredo são conhecidas desde 1941 e constam de documentos oficiais da Igreja Católica.

A primeira parte: Nossa Senhora fala dos castigos impostos por Deus pelos nossos pecados. Nesta vida, aqui na terra, haveria uma guerra horrível precedida por uma luz desconhecida no meio da noite, haveria fome, perseguição religiosa, erros espalhados no mundo pela Rússia e várias nações aniquiladas. A nós, pecadores, na outra vida, estariam reservados suplícios do inferno, dos quais os pastorinhos tiveram pavorosa visão.

A segunda parte do segredo revela os meios para evitar esses castigos: a devoção ao Imaculado Coração de Maria através da prática reparadora de rezar o terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Sagrada Comunhão.

A última parte foi revelada em 2001. Fátima falou de um Papa que sofreria um atentado. Os fatos parecem confirmar o mistério: em 1981, São João Paulo II, foi baleado justamente num outro dia 13 de maio, dia da primeira aparição de Fátima. Nossa Senhora de Fátima ensinou aos videntes (e, por seu intermédio, a todos nós), que todas as ações devem estar assentadas num profundo e incondicional amor a Deus. Se não for assim, não haverá redenção para nossas almas. Foi somente depois de ser salvo por milagre de um atentado em 13 de maio de 1981, aniversário das aparições, que São João Paulo II se ocupou com as revelações de Fátima. Quando em 1984, ele foi até Fátima para fazer a consagração solene nos moldes prescritos por Nossa Senhora. O milagre ficou comprovado tanto que Nossa Senhora traz em sua coroa o projétil que atingiu João Paulo II.

Neste dia 13 de maio, várias dioceses, paróquias e comunidades estão em festa, pois, celebram esse tão belo título da Virgem, com essa bela história que nos toca tanto. Aqui na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro são várias as paróquias e as comunidades que trazem Nossa Senhora de Fátima como padroeira. Na nossa Arquidiocese também temos a graça de ter a réplica da capelinha das aparições: o Bispo de Leiria o Cardeal Dom Antonio Marto disse na inauguração do Santuário no dia 28 de Maio de 2011: “a réplica de Fátima aqui, posso afirmar que é tão semelhante que é Fátima no Rio de Janeiro”.

Dessa maneira, peçamos a Nossa Senhora de Fátima que olhe por todos nós, para que possamos sempre cumprir a Vontade de seu Filho convertendo-nos a cada dia. Em Fátima temos o “altar do mundo” onde se pede pela Paz universal. Além da busca de conversão de vida e vivência batismal e procurando aprofundar os “sinais dos tempos”, essas três crianças que nada conheciam de questões internacionais falaram de consagração de países, conversão de situações, guerras e tantas outras situações. Uma das características de Fátima é justamente a oração pela paz na sociedade hodierna.

Rezemos: Santíssima Virgem que nos montes de Fátima Vos dignastes a revelar a três humildes pastorinhos os tesouros de graças contidas na prática do vosso Rosário, incuti profundamente em nossa alma o apreço, em que devemos ter esta devoção, para Vos tão querida, a fim de que, meditando os mistérios da nossa Redenção que nela se comemora, nos aproveitemos de seus preciosos frutos e alcancemos a graça, que Vos pedimos nesta oração, se for para maior glória de Deus, honra vossa e proveito de nossas almas. Assim seja.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

Treze de maio

13/05/2019 06:35 - Atualizado em 13/05/2019 06:36

Estamos no mês de maio, que é conhecido popularmente como mês das mães e também o mês de Maria. No mês de maio, muitos cristãos cultivam especiais manifestações de piedade para com a Virgem Maria, e essas práticas são para eles fonte de alegria em todos os dias do mês. Diz o Concílio Ecumênico Vaticano II: “Todos os fiéis cristãos ofereçam insistentes súplicas à Mãe de Deus e Mãe dos homens para que Ela, que com as suas preces assistiu as primícias da Igreja, também agora, exaltada no Céu sobre todos os bem-aventurados e anjos, na Comunhão de todos os Santos, interceda junto do seu Filho” (Lumen Gentium, 69).

Dentro do mês de maio celebramos no 13 a memória de Nossa Senhora de Fátima. Trata-se de uma das maiores devoções espalhada pelo mundo pois Maria é também venerada com esse título. Sabemos, porém, que toda revelação particular nada acrescenta à revelação já concluída com a morte do último apóstolo, e tudo o que é necessário para nossa salvação já está revelado. Essas revelações particulares nos ajudam a salientar aspectos importantes para o nosso tempo que seriam necessários trabalhar em nossa vida espiritual.

Encontramos em vários escritos e na internet muitas descrições do evento de Fátima. Essa devoção começou no dia 13 de maio de 1917 (há 102 anos), quando três crianças cuidavam de um pequeno rebanho na Cova da Iria, em Fátima, Portugal. Os pastorinhos chamavam-se: Lúcia de Jesus, Francisco e Jacinta Marto, seus primos. Por volta do meio-dia, depois de rezarem o terço, como sempre faziam, foram surpreendidos por uma luz muito brilhante e forte. Em cima de uma azinheira (uma espécie de carvalho), viram uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol. “Ela emanava uma luz mais clara e intensa que um copo de cristal, cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”, relatava Lúcia.

Ela não esquece: a Senhora disse às crianças que era necessário rezar muito e convidou-as a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, sempre no dia 13 e àquela mesma hora. Lúcia, que era a mais velha, recomendou aos outros dois que não contassem nada a ninguém. Mas Jacinta não soube guardar o segredo. E no dia 13 de junho, data da segunda aparição, os três pastorinhos não estavam mais sozinhos no encontro. Dessa vez, Lucia quase não compareceu. Vítima de maus tratos em casa, seus pais a tomavam por mentirosa e não acreditavam naquela história de aparição. Com medo, ela relutava em ir, mas foi convencida por uma prima. Durante muito tempo lhe pesou a acusação de mentirosa e de querer se promover às custas de Nossa Senhora de Fátima. Sua família, por sua vez, sempre guardou silêncio total em relação ao assunto.

Na terceira aparição, em 13 de julho, Nossa Senhora parece ter se sensibilizado com a injustiça contra Lúcia: prometeu um milagre para que o povo acreditasse na história das três crianças. No mês seguinte, entretanto, os três pequenos videntes não puderam ir ao encontro na Cova da Iria porque estavam presos. Foram pressionados a contar o que conversavam com Nossa Senhora. As crianças resistiram e, no dia 19, Nossa Senhora provou, mais uma vez, seu poder. Apareceu para as crianças em Valinhos, ali por perto, na mesma região portuguesa, e continuou a fazer revelações. Uma quinta aparição aconteceu em setembro.

O grande milagre, porém, ocorreu em 13 de outubro, data da sexta e última aparição. Setenta mil pessoas lotavam o lugar e foram testemunhas do feito extraordinário prometido. Chovia. De repente, do meio das nuvens negras e carregadas, o sol surgiu e começou a girar sobre si mesmo, iniciando uma dança no firmamento. Como uma imensa bola de fogo parecia querer precipitar-se sobre a terra.

Quanto ao segredo vale a pena esclarecer que: somente os três pastorinhos tiveram receberam essa revelação particular em Fátima. E com a morte prematura de seus primos Jacinta e Francisco, ficou somente com Lúcia o tão famoso Segredo de Fátima. As duas primeiras partes do segredo são conhecidas desde 1941 e constam de documentos oficiais da Igreja Católica.

A primeira parte: Nossa Senhora fala dos castigos impostos por Deus pelos nossos pecados. Nesta vida, aqui na terra, haveria uma guerra horrível precedida por uma luz desconhecida no meio da noite, haveria fome, perseguição religiosa, erros espalhados no mundo pela Rússia e várias nações aniquiladas. A nós, pecadores, na outra vida, estariam reservados suplícios do inferno, dos quais os pastorinhos tiveram pavorosa visão.

A segunda parte do segredo revela os meios para evitar esses castigos: a devoção ao Imaculado Coração de Maria através da prática reparadora de rezar o terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Sagrada Comunhão.

A última parte foi revelada em 2001. Fátima falou de um Papa que sofreria um atentado. Os fatos parecem confirmar o mistério: em 1981, São João Paulo II, foi baleado justamente num outro dia 13 de maio, dia da primeira aparição de Fátima. Nossa Senhora de Fátima ensinou aos videntes (e, por seu intermédio, a todos nós), que todas as ações devem estar assentadas num profundo e incondicional amor a Deus. Se não for assim, não haverá redenção para nossas almas. Foi somente depois de ser salvo por milagre de um atentado em 13 de maio de 1981, aniversário das aparições, que São João Paulo II se ocupou com as revelações de Fátima. Quando em 1984, ele foi até Fátima para fazer a consagração solene nos moldes prescritos por Nossa Senhora. O milagre ficou comprovado tanto que Nossa Senhora traz em sua coroa o projétil que atingiu João Paulo II.

Neste dia 13 de maio, várias dioceses, paróquias e comunidades estão em festa, pois, celebram esse tão belo título da Virgem, com essa bela história que nos toca tanto. Aqui na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro são várias as paróquias e as comunidades que trazem Nossa Senhora de Fátima como padroeira. Na nossa Arquidiocese também temos a graça de ter a réplica da capelinha das aparições: o Bispo de Leiria o Cardeal Dom Antonio Marto disse na inauguração do Santuário no dia 28 de Maio de 2011: “a réplica de Fátima aqui, posso afirmar que é tão semelhante que é Fátima no Rio de Janeiro”.

Dessa maneira, peçamos a Nossa Senhora de Fátima que olhe por todos nós, para que possamos sempre cumprir a Vontade de seu Filho convertendo-nos a cada dia. Em Fátima temos o “altar do mundo” onde se pede pela Paz universal. Além da busca de conversão de vida e vivência batismal e procurando aprofundar os “sinais dos tempos”, essas três crianças que nada conheciam de questões internacionais falaram de consagração de países, conversão de situações, guerras e tantas outras situações. Uma das características de Fátima é justamente a oração pela paz na sociedade hodierna.

Rezemos: Santíssima Virgem que nos montes de Fátima Vos dignastes a revelar a três humildes pastorinhos os tesouros de graças contidas na prática do vosso Rosário, incuti profundamente em nossa alma o apreço, em que devemos ter esta devoção, para Vos tão querida, a fim de que, meditando os mistérios da nossa Redenção que nela se comemora, nos aproveitemos de seus preciosos frutos e alcancemos a graça, que Vos pedimos nesta oração, se for para maior glória de Deus, honra vossa e proveito de nossas almas. Assim seja.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro