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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/11/2019

14 de Novembro de 2019

Dia do Trabalhador

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14 de Novembro de 2019

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01/05/2019 10:22 - Atualizado em 01/05/2019 10:22

Dia do Trabalhador 0

01/05/2019 10:22 - Atualizado em 01/05/2019 10:22

No dia 1° de maio, conhecido como dia do trabalhador, dia em que refletimos sobre as condições em que os trabalhos são propostos e nas situações em que nossos trabalhadores se encontram, a Igreja, desde o ano de 1955, por iniciativa do papa Pio XII, vem celebrando a memória de São José Operário, padroeiro e protetor dos trabalhadores. Neste dia rezamos por todos eles e retomamos o compromisso da Igreja com o estabelecimento da justiça social no âmbito do trabalho. Rezamos de forma muito especial por aqueles que estão desempregados e suas consequências e por aqueles que ainda hoje seguem sendo explorados em sua capacidade de trabalho, em nome de uma cultura que coloca o lucro no lugar da dignidade humana.

O Patrocínio de São José neste dia vem exatamente pelas várias vezes em que a Escritura e a Tradição da Igreja ressaltam, junto com a humildade e o silencio de José, seu trabalho. O Justo José é o modelo ideal de operário e de homem que viveu a caridade. Ele sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos; cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade; ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e, desta maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e seu povo fosse salvo, assim como toda a Humanidade. 

Proclamando São José como protetor dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles, os mais oprimidos, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos homens, aquele que aceitou ser pai adotivo de Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo por meio dos membros da Igreja, que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna.

Podemos dizer que o pensar da Igreja acerca do trabalho consiste em que o trabalho dignifica o homem e deve aperfeiçoá-lo e deve ser uma contribuição para a sociedade. Quem trabalha se realiza, constrói a sociedade e presta um serviço aos irmãos e irmãs. Existem, porém, os que exploram seus semelhantes formando uma sociedade injusta e perversa. Além disso, existem as situações de “trabalho escravo”, ainda hoje, que tiram toda a beleza da dignidade humana. Portanto, ao lado de tanta beleza da importância do trabalho não podemos nos esquecer das situações injustas. E neste tempo, especificamente em nosso país, o grande número de desempregados, que não têm como sustentar sua família devido à situação de crise nacional.

As leituras que são propostas como próprias para a memória do dia de hoje, vão mostrando o lugar especial que tem o trabalho no plano de Deus e seu valor salvífico para o ser humano.

Na leitura tirada do livro do Gênesis, vemos o relato da criação do homem à imagem e semelhança de Deus. Mesmo sendo um texto rico em detalhes, podemos olhar especialmente para dois deles: o primeiro é que o homem foi criado à imagem e semelhança do Criador. Por vocação, o homem é chamado a ser continuador da obra criadora de Deus. Ao mesmo tempo, Deus dá ao homem o dever de Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! O trabalho humano deve ser entendido como cooperação própria do homem no projeto que Deus tinha para criar o mundo. Como nos recorda o Vaticano II Quando o homem, usando as suas mãos ou recorrendo à técnica, trabalha a terra para que ela produza frutos e se torne habitação digna para toda a humanidade, ou quando participa conscientemente na vida social dos diversos grupos, está a dar realização à vontade que Deus manifestou no começo dos tempos, de que dominasse a terra e completasse a obra da criação, ao mesmo tempo que se vai aperfeiçoando a si mesmo; cumpre igualmente o mandamento de Cristo, de se consagrar ao serviço de seus irmãos. (GS 57).

O Salmo 89 vai apresentando um pedido ao Senhor: fazei dar frutos o labor de nossas mãos. O salmista vincula o êxito de seu trabalho com a ação de Deus. O trabalho de nossas mãos pode estar vinculado a Deus. Ou melhor, o trabalho de nossas mãos pode ser caminho de encontro com Deus. A missão do cristão no mundo é a santificação do trabalho. A participação no ministério sacerdotal de Cristo pelo batismo está exatamente em fazer de nosso trabalho e das circunstâncias do dia a dia os altares onde santificamos nossa existência e oferecemos o trabalho bem feito como sacrifício a Deus. Nossa vocação humana é parte importante da nossa vocação divina. Todo trabalho é testemunho da dignidade do homem, é ocasião de desenvolvimento da própria personalidade, é vínculo de união com os outros, fonte de recursos para sustentar a própria família e meio de contribuir para a melhora da sociedade.

O trecho do Evangelho de Mateus (13, 54-58) apresenta Jesus ensinando na sinagoga de sua terra e causando a admiração de todos que o conheciam. Ante tal admiração perguntam-se se este não é o filho do carpinteiro. Como é bonito constatar que José é conhecido por todos de sua região como um homem trabalhador. Desenvolve sua atividade de guardião dos tesouros de Deus sendo alguém que se destaca e que tem como marca o seu trabalho.

Peçamos a intercessão de São José para realizar bem o ofício que nos ocupa tantas horas: as tarefas domésticas, profissionais, o laboratório, o arado ou o computador, o trabalho de carregar pacotes ou de cuidar da portaria de um edifício. A categoria de um trabalho reside na sua capacidade de nos aperfeiçoar humana e, sobrenaturalmente, nas possibilidades que nos oferece, de levar adiante a família e de colaborar nas obras em favor dos homens, na ajuda que através dele prestamos à sociedade.

Tantos são os que estão desempregados, infelizmente. Vamos pedir, no início do mês de maio, dedicado à Virgem Maria, que por intercessão da Mãe de Deus e do Pai adotivo de Jesus, São José, que emprego e renda sejam concedidos a quem está fora do mercado de trabalho. Agradeçamos, também, a Deus o trabalho que temos que garante o nosso sustento e de nossas famílias!

Ó Deus, criador do universo, que destes aos homens a lei do trabalho, concedei-nos, pelo exemplo e a proteção de São José, cumprir nossas tarefas e alcançar os prêmios prometidos. (Missal Romano, Oração coleta da memória de SãoJosé Operário).

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Dia do Trabalhador

01/05/2019 10:22 - Atualizado em 01/05/2019 10:22

No dia 1° de maio, conhecido como dia do trabalhador, dia em que refletimos sobre as condições em que os trabalhos são propostos e nas situações em que nossos trabalhadores se encontram, a Igreja, desde o ano de 1955, por iniciativa do papa Pio XII, vem celebrando a memória de São José Operário, padroeiro e protetor dos trabalhadores. Neste dia rezamos por todos eles e retomamos o compromisso da Igreja com o estabelecimento da justiça social no âmbito do trabalho. Rezamos de forma muito especial por aqueles que estão desempregados e suas consequências e por aqueles que ainda hoje seguem sendo explorados em sua capacidade de trabalho, em nome de uma cultura que coloca o lucro no lugar da dignidade humana.

O Patrocínio de São José neste dia vem exatamente pelas várias vezes em que a Escritura e a Tradição da Igreja ressaltam, junto com a humildade e o silencio de José, seu trabalho. O Justo José é o modelo ideal de operário e de homem que viveu a caridade. Ele sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos; cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade; ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e, desta maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e seu povo fosse salvo, assim como toda a Humanidade. 

Proclamando São José como protetor dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles, os mais oprimidos, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos homens, aquele que aceitou ser pai adotivo de Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo por meio dos membros da Igreja, que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna.

Podemos dizer que o pensar da Igreja acerca do trabalho consiste em que o trabalho dignifica o homem e deve aperfeiçoá-lo e deve ser uma contribuição para a sociedade. Quem trabalha se realiza, constrói a sociedade e presta um serviço aos irmãos e irmãs. Existem, porém, os que exploram seus semelhantes formando uma sociedade injusta e perversa. Além disso, existem as situações de “trabalho escravo”, ainda hoje, que tiram toda a beleza da dignidade humana. Portanto, ao lado de tanta beleza da importância do trabalho não podemos nos esquecer das situações injustas. E neste tempo, especificamente em nosso país, o grande número de desempregados, que não têm como sustentar sua família devido à situação de crise nacional.

As leituras que são propostas como próprias para a memória do dia de hoje, vão mostrando o lugar especial que tem o trabalho no plano de Deus e seu valor salvífico para o ser humano.

Na leitura tirada do livro do Gênesis, vemos o relato da criação do homem à imagem e semelhança de Deus. Mesmo sendo um texto rico em detalhes, podemos olhar especialmente para dois deles: o primeiro é que o homem foi criado à imagem e semelhança do Criador. Por vocação, o homem é chamado a ser continuador da obra criadora de Deus. Ao mesmo tempo, Deus dá ao homem o dever de Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! O trabalho humano deve ser entendido como cooperação própria do homem no projeto que Deus tinha para criar o mundo. Como nos recorda o Vaticano II Quando o homem, usando as suas mãos ou recorrendo à técnica, trabalha a terra para que ela produza frutos e se torne habitação digna para toda a humanidade, ou quando participa conscientemente na vida social dos diversos grupos, está a dar realização à vontade que Deus manifestou no começo dos tempos, de que dominasse a terra e completasse a obra da criação, ao mesmo tempo que se vai aperfeiçoando a si mesmo; cumpre igualmente o mandamento de Cristo, de se consagrar ao serviço de seus irmãos. (GS 57).

O Salmo 89 vai apresentando um pedido ao Senhor: fazei dar frutos o labor de nossas mãos. O salmista vincula o êxito de seu trabalho com a ação de Deus. O trabalho de nossas mãos pode estar vinculado a Deus. Ou melhor, o trabalho de nossas mãos pode ser caminho de encontro com Deus. A missão do cristão no mundo é a santificação do trabalho. A participação no ministério sacerdotal de Cristo pelo batismo está exatamente em fazer de nosso trabalho e das circunstâncias do dia a dia os altares onde santificamos nossa existência e oferecemos o trabalho bem feito como sacrifício a Deus. Nossa vocação humana é parte importante da nossa vocação divina. Todo trabalho é testemunho da dignidade do homem, é ocasião de desenvolvimento da própria personalidade, é vínculo de união com os outros, fonte de recursos para sustentar a própria família e meio de contribuir para a melhora da sociedade.

O trecho do Evangelho de Mateus (13, 54-58) apresenta Jesus ensinando na sinagoga de sua terra e causando a admiração de todos que o conheciam. Ante tal admiração perguntam-se se este não é o filho do carpinteiro. Como é bonito constatar que José é conhecido por todos de sua região como um homem trabalhador. Desenvolve sua atividade de guardião dos tesouros de Deus sendo alguém que se destaca e que tem como marca o seu trabalho.

Peçamos a intercessão de São José para realizar bem o ofício que nos ocupa tantas horas: as tarefas domésticas, profissionais, o laboratório, o arado ou o computador, o trabalho de carregar pacotes ou de cuidar da portaria de um edifício. A categoria de um trabalho reside na sua capacidade de nos aperfeiçoar humana e, sobrenaturalmente, nas possibilidades que nos oferece, de levar adiante a família e de colaborar nas obras em favor dos homens, na ajuda que através dele prestamos à sociedade.

Tantos são os que estão desempregados, infelizmente. Vamos pedir, no início do mês de maio, dedicado à Virgem Maria, que por intercessão da Mãe de Deus e do Pai adotivo de Jesus, São José, que emprego e renda sejam concedidos a quem está fora do mercado de trabalho. Agradeçamos, também, a Deus o trabalho que temos que garante o nosso sustento e de nossas famílias!

Ó Deus, criador do universo, que destes aos homens a lei do trabalho, concedei-nos, pelo exemplo e a proteção de São José, cumprir nossas tarefas e alcançar os prêmios prometidos. (Missal Romano, Oração coleta da memória de SãoJosé Operário).

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro