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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/05/2019

20 de Maio de 2019

São Jorge

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24/04/2019 00:00 - Atualizado em 25/04/2019 07:14

São Jorge 0

24/04/2019 00:00 - Atualizado em 25/04/2019 07:14

O dia 23 de abril é de grande movimentação no Rio de Janeiro. Milhões de católicos se deslocam para as Igrejas, Oratórios, Paróquia, comunidades dedicadas a São Jorge. Neste ano a celebração da Oitava da Páscoa, que é sempre comemorada, teve um belo exemplo de alguém que, ao se encontrar com Jesus Cristo Ressuscitado foi testemunha d’Ele até o fim de sua vida: São Jorge. Embora a comemoração facultativa tenha sido omitida liturgicamente como pede o Diretório Litúrgico, no entanto, a participação do povo nesse dia marcou muito a vida desta cidade. É a experiência da Páscoa, centro de nossa caminhada cristã concretizada em uma pessoa que viveu de forma pascal testemunhando Jesus Cristo em sua vida.

A vida de São Jorge está envolta em lendas e mistérios, embora no fundo de tudo exista uma pessoa cuja vida e martírio chamou a atenção dos cristãos dos primeiros séculos, a ponto de difundirem seu culto e construírem igreja em sua memória. Utilizo dados disponíveis de domínio público. Sua história se perde na bruma do tempo, e se dá no século III, quando Diocleciano era imperador de Roma. Havia nos domínios do seu vasto Império um jovem soldado chamado Jorge de Anicii. Filho de pais cristãos, converteu-se a Cristo ainda na infância, quando passou a temer a Deus e a crer em Jesus como seu único e suficiente salvador pessoal. Nascido na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe, após a morte de seu pai. Tendo ingressado para o serviço militar, distinguiu-se por sua inteligência, coragem, capacidade organizativa, força física e porte nobre. 

Foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade. Tantas qualidades chamaram a atenção do próprio Imperador, que decidiu lhe conferir o título de Conde. Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial, exercendo altas funções. Nessa mesma época, o Imperador Diocleciano traçou planos para exterminar os cristãos. No dia marcado para o Senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses. 

São Jorge, foi um grande defensor da fé.  Com grande coragem sua fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens. Indagado por um cônsul sobre a origem desta ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da verdade. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: “o que é a verdade?”. Jorge respondeu: “A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e n’Ele confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade.” Como Jorge mantinha-se fiel a Jesus, o Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o Imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. 

A fé deste servo de Deus era tamanha que muitas pessoas passaram a crer em Jesus e confessá-lo como Senhor por intermédio da pregação e testemunho do jovem soldado romano. Durante seu martírio, Jorge mostrou-se tão confiante em Cristo Jesus e na obra redentora da cruz, que a própria Imperatriz alcançou a Graça da salvação eterna, ao entregar sua vida ao Senhor. Seu testemunho de fidelidade e amor a Deus arrebatou uma geração de incrédulos e idólatras romanos. Por fim, Diocleciano mandou decapitar o jovem e fiel discípulo de Jesus, em 23 de abril de 303. Logo a devoção à “São” Jorge tornou-se popular. Celebrações e petições a imagens que o representavam se espalharam pelo Oriente e, depois das Cruzadas, tiveram grande entrada no Ocidente.

O início de sua popularidade ocorreu no auge da perseguição aos cristãos pelo imperador romano Deocleciano –  final do século III, quando o ousado guerreiro passou a defender com muita fé o cristianismo. A imagem de São Jorge é representada por um jovem vestido com uma armadura, sentado em um cavalo branco com uma lança atravessando o dragão, pois o santo é imortalizado no conto em que mata um dragão.

São Jorge, que é santo da Igreja Católica, e é patrono da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Aragão, Lituânia, da cidade de Moscou e de muitos outros locais e entidades. Muito venerado em outros lugares, inclusive em todo o nosso Estado do Rio de Janeiro. Seu culto na Igreja, mesmo com poucos dados históricos, e mesmo com as dificuldades encontradas na comprovação das atas de seu sofrimento, remonta ao século V, e com as "cruzadas", através da "legenda dourada", o fizeram popular no Ocidente.

Os restos mortais de São Jorge foram transladados para Lida (ou Lod, antiga Dióspolis) que é uma cidade da região da atual Israel e foi onde teria residido sua mãe. Aí ele foi sepultado, e, na época o imperador cristão Constantino mandou erguer um suntuoso oratório aberto aos fiéis, para que a devoção ao santo fosse espalhada por todo o Oriente. Dessa maneira foi propagada a sua devoção por meio do seu belo testemunho de seguidor de Jesus e homem que deu a sua própria vida por Aquele que é a Suprema Verdade.

Nesse dia em que milhões de pessoas se deslocaram até as Igrejas e capelas de São Jorge, para manifestar seu carinho e a busca de ver nesse homem de Deus um grande exemplo de vida e um intercessor junto a Deus, contemplemos a todos com os olhos da fé e oremos para que todos busquem a vida nova em Cristo.

Ao olhar para São Jorge possamos exemplo dele lutar contra o dragão do mal para sermos vencedores nesta batalha contra os questionamentos da nossa fé. Que com a mesma coragem professemos esta nossa fé neste tempo de tantas questões e problemas e que com o coração aberto vivamos como irmãos e irmãs que em Cristo se amam. E que, pela intercessão de São Jorge, possam recair sobre as nossas vidas muitas bênçãos de Deus! São Jorge, rogai por nós!

 

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São Jorge

24/04/2019 00:00 - Atualizado em 25/04/2019 07:14

O dia 23 de abril é de grande movimentação no Rio de Janeiro. Milhões de católicos se deslocam para as Igrejas, Oratórios, Paróquia, comunidades dedicadas a São Jorge. Neste ano a celebração da Oitava da Páscoa, que é sempre comemorada, teve um belo exemplo de alguém que, ao se encontrar com Jesus Cristo Ressuscitado foi testemunha d’Ele até o fim de sua vida: São Jorge. Embora a comemoração facultativa tenha sido omitida liturgicamente como pede o Diretório Litúrgico, no entanto, a participação do povo nesse dia marcou muito a vida desta cidade. É a experiência da Páscoa, centro de nossa caminhada cristã concretizada em uma pessoa que viveu de forma pascal testemunhando Jesus Cristo em sua vida.

A vida de São Jorge está envolta em lendas e mistérios, embora no fundo de tudo exista uma pessoa cuja vida e martírio chamou a atenção dos cristãos dos primeiros séculos, a ponto de difundirem seu culto e construírem igreja em sua memória. Utilizo dados disponíveis de domínio público. Sua história se perde na bruma do tempo, e se dá no século III, quando Diocleciano era imperador de Roma. Havia nos domínios do seu vasto Império um jovem soldado chamado Jorge de Anicii. Filho de pais cristãos, converteu-se a Cristo ainda na infância, quando passou a temer a Deus e a crer em Jesus como seu único e suficiente salvador pessoal. Nascido na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe, após a morte de seu pai. Tendo ingressado para o serviço militar, distinguiu-se por sua inteligência, coragem, capacidade organizativa, força física e porte nobre. 

Foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade. Tantas qualidades chamaram a atenção do próprio Imperador, que decidiu lhe conferir o título de Conde. Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial, exercendo altas funções. Nessa mesma época, o Imperador Diocleciano traçou planos para exterminar os cristãos. No dia marcado para o Senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses. 

São Jorge, foi um grande defensor da fé.  Com grande coragem sua fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens. Indagado por um cônsul sobre a origem desta ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da verdade. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: “o que é a verdade?”. Jorge respondeu: “A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e n’Ele confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade.” Como Jorge mantinha-se fiel a Jesus, o Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o Imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. 

A fé deste servo de Deus era tamanha que muitas pessoas passaram a crer em Jesus e confessá-lo como Senhor por intermédio da pregação e testemunho do jovem soldado romano. Durante seu martírio, Jorge mostrou-se tão confiante em Cristo Jesus e na obra redentora da cruz, que a própria Imperatriz alcançou a Graça da salvação eterna, ao entregar sua vida ao Senhor. Seu testemunho de fidelidade e amor a Deus arrebatou uma geração de incrédulos e idólatras romanos. Por fim, Diocleciano mandou decapitar o jovem e fiel discípulo de Jesus, em 23 de abril de 303. Logo a devoção à “São” Jorge tornou-se popular. Celebrações e petições a imagens que o representavam se espalharam pelo Oriente e, depois das Cruzadas, tiveram grande entrada no Ocidente.

O início de sua popularidade ocorreu no auge da perseguição aos cristãos pelo imperador romano Deocleciano –  final do século III, quando o ousado guerreiro passou a defender com muita fé o cristianismo. A imagem de São Jorge é representada por um jovem vestido com uma armadura, sentado em um cavalo branco com uma lança atravessando o dragão, pois o santo é imortalizado no conto em que mata um dragão.

São Jorge, que é santo da Igreja Católica, e é patrono da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Aragão, Lituânia, da cidade de Moscou e de muitos outros locais e entidades. Muito venerado em outros lugares, inclusive em todo o nosso Estado do Rio de Janeiro. Seu culto na Igreja, mesmo com poucos dados históricos, e mesmo com as dificuldades encontradas na comprovação das atas de seu sofrimento, remonta ao século V, e com as "cruzadas", através da "legenda dourada", o fizeram popular no Ocidente.

Os restos mortais de São Jorge foram transladados para Lida (ou Lod, antiga Dióspolis) que é uma cidade da região da atual Israel e foi onde teria residido sua mãe. Aí ele foi sepultado, e, na época o imperador cristão Constantino mandou erguer um suntuoso oratório aberto aos fiéis, para que a devoção ao santo fosse espalhada por todo o Oriente. Dessa maneira foi propagada a sua devoção por meio do seu belo testemunho de seguidor de Jesus e homem que deu a sua própria vida por Aquele que é a Suprema Verdade.

Nesse dia em que milhões de pessoas se deslocaram até as Igrejas e capelas de São Jorge, para manifestar seu carinho e a busca de ver nesse homem de Deus um grande exemplo de vida e um intercessor junto a Deus, contemplemos a todos com os olhos da fé e oremos para que todos busquem a vida nova em Cristo.

Ao olhar para São Jorge possamos exemplo dele lutar contra o dragão do mal para sermos vencedores nesta batalha contra os questionamentos da nossa fé. Que com a mesma coragem professemos esta nossa fé neste tempo de tantas questões e problemas e que com o coração aberto vivamos como irmãos e irmãs que em Cristo se amam. E que, pela intercessão de São Jorge, possam recair sobre as nossas vidas muitas bênçãos de Deus! São Jorge, rogai por nós!

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro