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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/08/2019

24 de Agosto de 2019

A paróquia e o pároco

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24 de Agosto de 2019

A paróquia e o pároco

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12/04/2019 19:13 - Atualizado em 12/04/2019 19:14

A paróquia e o pároco 0

12/04/2019 19:13 - Atualizado em 12/04/2019 19:14

A crise institucional que atinge todo o mundo e, de modo particular, a América Latina, não poupa nem mesmo a Igreja Católica, talvez a instituição de maior capilaridade em todo o planeta. A capilaridade está garantida por uma vastíssima rede de paróquias com os seus respectivos párocos. Com efeito, neste Ano Arquidiocesano Vocacional Sacerdotal, iniciado na Festa da Unidade Arquidiocesana de 2018, apresentamos sobre o sentido do que, então, chamamos de ‘paróquia’ e ‘pároco’.

O cristianismo surgiu nas grandes cidades e daí se expandiu para as regiões mais afastadas ou rurais. Isso se acentuou com o Édito de Milão, em 313, que estabeleceu o fim da perseguição aos cristãos por parte do Império Romano e permitiu a evangelização mais sistemática das instituições até que, em 380, a fé católica se tornou a fé oficial para todo o Império.

Neste processo de expansão, os presbíteros que viviam nas sedes episcopais em torno do epíscopo (bispo) deslocaram-se para as regiões mais afastadas para aí anunciarem o Evangelho e celebrarem os sacramentos conforme a demanda – principalmente o Batismo e a Eucaristia.

Assim, as comunidades cristãs foram ganhando corpo conforme o cristianismo se expandia; até que no século XVI, o Concílio de Trento decretou que caberia aos bispos erigirem as paróquias e definirem os sacerdotes que nelas atuariam. Desta forma começou-se a estabelecer os limites territoriais específicos de cada paróquia, a partir do tamanho da população aí existente, que deveria ser evangelizada e atendida no que diz respeito aos sacramentos.

O pároco, portanto, ficaria encarregado do cuidado espiritual e sacramental da população residente em seu território paroquial. Caso houvesse necessidade, ele poderia contar com o auxílio de outros sacerdotes sob sua orientação e liderança. Foi assim que as paróquias foram se estabelecendo como espécimes de circunscrições eclesiásticas – correspondendo a um território e não somente a um templo ou prédio de culto – dentro de uma circunscrição eclesiástica maior, que é a diocese.

Sendo assim, se a paróquia corresponde a um território com uma população que deve ser evangelizada, doutrinada e santificada, mais ainda deve ser entendida como verdadeira comunidade cristã, centro da vida litúrgica e da atividade catequética das famílias cristãs (CIC 2226). Denota esta realidade a própria palavra ‘paróquia’, cuja origem grega (paroikía) corresponde à ‘casa ao lado’, ‘morada próxima’. Está associada à palavra paroikos, que quer dizer ‘forasteiro’, ‘estrangeiro’ ou ainda ‘peregrino em terra estrangeira’. Neste sentido, o paroquiano é um peregrino rumo ao Reino Celestial, sua verdadeira pátria. Neste mundo ele vive numa “morada próxima” (paróquia) a este seu destino último, compartilhando a vida com outros peregrinos e forasteiros, ou seja, os irmãos de comunidade paroquial.

Conforme este entendimento, o pároco também é ‘peregrino’ ou ‘forasteiro’ numa terra que não é sua. Porém, ele é o guia dos demais ‘peregrinos’ e ‘forasteiros’. É ele quem caminha à frente de todos como pastor e guia, apontando o caminho da cruz, que é o caminho da Ressurreição e, por isso mesmo, o único e verdadeiro caminho de seguimento ao Ressuscitado rumo à Pátria Celeste.

A paróquia é o lugar onde se aprende a caminhar na fé. Nela, as portas do céu nos são abertas pelo Sacramento do Batismo; nela, nos nutrimos com o Pão Eucarístico para as duras lutas da vida; nela, nos reconciliamos com Deus, que está sempre pronto a acolher-nos com misericórdia e a perdoar-nos os erros cometidos por fraqueza; nela, se iniciam as famílias cristãs pelas celebrações matrimoniais; nela, nos penitenciamos com a máxima das penitências, que é a vida em comunidade, como muitos santos sempre afirmaram (mea máxima penitentia vita communis).

O pároco, por sua vez, não é apenas um representante de Cristo na circunscrição paroquial. Se quando celebra os sacramentos ele age in persona Christi, isto é, literalmente “na pessoa de Cristo”, na totalidade de suas atribuições, ele é alter Christ, ou seja, “outro Cristo”. Neste sentido, cabe a ele ser pai, mestre, pastor, médico e juiz. Mas, antes de tudo, imagem visível do Ressuscitado, sacramento de encontro do ser humano com o Pai que cria e salva; e salva para recriar.

O pároco tem o dever de governar, doutrinar e santificar. Para isso recebe a chamada graça de estado, mas também tem o direito de ser obedecido, acatado e, se possível, amado. Aqueles que trabalham para o Reino sob sua orientação, devem trabalhar com ele. Nunca, porém, para ele.

Simpatia ou antipatia, afinidade ou discordâncias podem ajudar ou dificultar. Entretanto, nunca devem influir em trabalhar ou não trabalhar pelo Reino, obedecer ou não obedecer à autoridade eclesiástica, colaborar ou boicotar a comunidade, elogiar ou murmurar pelo trabalho realizado em prol da evangelização. Pois tudo o que se faz em parceria com o pároco, mesmo sem êxito, é meritório diante de Deus.

No entanto, tudo o que se faz contra o pároco, mesmo com efetivos resultados, não tem mérito perante Deus. Como criatura humana, o pároco tem qualidades e defeitos. Além disso, tem os traços próprios de sua personalidade e temperamento. Os seus defeitos deve procurar corrigir. Mas quanto aos traços próprios de sua personalidade, os paroquianos devem ser compreensivos. Pois ninguém pode ser tal que agrade a todos. Afinal, nem Cristo o conseguiu. Como ninguém é tal que desagrade a todos. Apreciando mais esta ou aquela personalidade, diversa até entre os santos, devemos compreender que os traços que são próprios de nossa personalidade, não os defeitos, devem antes nos ajudar na busca da santidade e no serviço a Deus e ao próximo.

Padre Valtemário Silva Frazão Junior

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A paróquia e o pároco

12/04/2019 19:13 - Atualizado em 12/04/2019 19:14

A crise institucional que atinge todo o mundo e, de modo particular, a América Latina, não poupa nem mesmo a Igreja Católica, talvez a instituição de maior capilaridade em todo o planeta. A capilaridade está garantida por uma vastíssima rede de paróquias com os seus respectivos párocos. Com efeito, neste Ano Arquidiocesano Vocacional Sacerdotal, iniciado na Festa da Unidade Arquidiocesana de 2018, apresentamos sobre o sentido do que, então, chamamos de ‘paróquia’ e ‘pároco’.

O cristianismo surgiu nas grandes cidades e daí se expandiu para as regiões mais afastadas ou rurais. Isso se acentuou com o Édito de Milão, em 313, que estabeleceu o fim da perseguição aos cristãos por parte do Império Romano e permitiu a evangelização mais sistemática das instituições até que, em 380, a fé católica se tornou a fé oficial para todo o Império.

Neste processo de expansão, os presbíteros que viviam nas sedes episcopais em torno do epíscopo (bispo) deslocaram-se para as regiões mais afastadas para aí anunciarem o Evangelho e celebrarem os sacramentos conforme a demanda – principalmente o Batismo e a Eucaristia.

Assim, as comunidades cristãs foram ganhando corpo conforme o cristianismo se expandia; até que no século XVI, o Concílio de Trento decretou que caberia aos bispos erigirem as paróquias e definirem os sacerdotes que nelas atuariam. Desta forma começou-se a estabelecer os limites territoriais específicos de cada paróquia, a partir do tamanho da população aí existente, que deveria ser evangelizada e atendida no que diz respeito aos sacramentos.

O pároco, portanto, ficaria encarregado do cuidado espiritual e sacramental da população residente em seu território paroquial. Caso houvesse necessidade, ele poderia contar com o auxílio de outros sacerdotes sob sua orientação e liderança. Foi assim que as paróquias foram se estabelecendo como espécimes de circunscrições eclesiásticas – correspondendo a um território e não somente a um templo ou prédio de culto – dentro de uma circunscrição eclesiástica maior, que é a diocese.

Sendo assim, se a paróquia corresponde a um território com uma população que deve ser evangelizada, doutrinada e santificada, mais ainda deve ser entendida como verdadeira comunidade cristã, centro da vida litúrgica e da atividade catequética das famílias cristãs (CIC 2226). Denota esta realidade a própria palavra ‘paróquia’, cuja origem grega (paroikía) corresponde à ‘casa ao lado’, ‘morada próxima’. Está associada à palavra paroikos, que quer dizer ‘forasteiro’, ‘estrangeiro’ ou ainda ‘peregrino em terra estrangeira’. Neste sentido, o paroquiano é um peregrino rumo ao Reino Celestial, sua verdadeira pátria. Neste mundo ele vive numa “morada próxima” (paróquia) a este seu destino último, compartilhando a vida com outros peregrinos e forasteiros, ou seja, os irmãos de comunidade paroquial.

Conforme este entendimento, o pároco também é ‘peregrino’ ou ‘forasteiro’ numa terra que não é sua. Porém, ele é o guia dos demais ‘peregrinos’ e ‘forasteiros’. É ele quem caminha à frente de todos como pastor e guia, apontando o caminho da cruz, que é o caminho da Ressurreição e, por isso mesmo, o único e verdadeiro caminho de seguimento ao Ressuscitado rumo à Pátria Celeste.

A paróquia é o lugar onde se aprende a caminhar na fé. Nela, as portas do céu nos são abertas pelo Sacramento do Batismo; nela, nos nutrimos com o Pão Eucarístico para as duras lutas da vida; nela, nos reconciliamos com Deus, que está sempre pronto a acolher-nos com misericórdia e a perdoar-nos os erros cometidos por fraqueza; nela, se iniciam as famílias cristãs pelas celebrações matrimoniais; nela, nos penitenciamos com a máxima das penitências, que é a vida em comunidade, como muitos santos sempre afirmaram (mea máxima penitentia vita communis).

O pároco, por sua vez, não é apenas um representante de Cristo na circunscrição paroquial. Se quando celebra os sacramentos ele age in persona Christi, isto é, literalmente “na pessoa de Cristo”, na totalidade de suas atribuições, ele é alter Christ, ou seja, “outro Cristo”. Neste sentido, cabe a ele ser pai, mestre, pastor, médico e juiz. Mas, antes de tudo, imagem visível do Ressuscitado, sacramento de encontro do ser humano com o Pai que cria e salva; e salva para recriar.

O pároco tem o dever de governar, doutrinar e santificar. Para isso recebe a chamada graça de estado, mas também tem o direito de ser obedecido, acatado e, se possível, amado. Aqueles que trabalham para o Reino sob sua orientação, devem trabalhar com ele. Nunca, porém, para ele.

Simpatia ou antipatia, afinidade ou discordâncias podem ajudar ou dificultar. Entretanto, nunca devem influir em trabalhar ou não trabalhar pelo Reino, obedecer ou não obedecer à autoridade eclesiástica, colaborar ou boicotar a comunidade, elogiar ou murmurar pelo trabalho realizado em prol da evangelização. Pois tudo o que se faz em parceria com o pároco, mesmo sem êxito, é meritório diante de Deus.

No entanto, tudo o que se faz contra o pároco, mesmo com efetivos resultados, não tem mérito perante Deus. Como criatura humana, o pároco tem qualidades e defeitos. Além disso, tem os traços próprios de sua personalidade e temperamento. Os seus defeitos deve procurar corrigir. Mas quanto aos traços próprios de sua personalidade, os paroquianos devem ser compreensivos. Pois ninguém pode ser tal que agrade a todos. Afinal, nem Cristo o conseguiu. Como ninguém é tal que desagrade a todos. Apreciando mais esta ou aquela personalidade, diversa até entre os santos, devemos compreender que os traços que são próprios de nossa personalidade, não os defeitos, devem antes nos ajudar na busca da santidade e no serviço a Deus e ao próximo.

Padre Valtemário Silva Frazão Junior