Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/07/2019

18 de Julho de 2019

Eis que chega o tempo!

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29/03/2019 10:37 - Atualizado em 29/03/2019 10:37

Eis que chega o tempo! 0

29/03/2019 10:37 - Atualizado em 29/03/2019 10:37

Estamos a caminho do tempo mais importante da liturgia da Igreja: a celebração do Mistério da Redenção. O centro de nossa vida é exatamente o Mistério Pascal, quando celebramos a vida, morte e ressurreição de Jesus, o Cristo Senhor.

A tradição da Igreja sempre viveu nesse tempo a oportunidade da renovação da vida cristã, pois é o momento que foi escolhido para celebrar o nosso Batismo. Toda a liturgia quaresmal que conduz à Páscoa da Ressurreição está baseada em catequeses, escrutínios e celebrações batismais. Mesmo que hoje celebremos o Batismo na Páscoa semanal – no domingo –, o tempo quaresmal conserva esse clima, favorecendo os cristãos a aproveitarem este tempo para renovarem suas promessas batismais.

Todos nós temos necessidade de etapas em nossas vidas, novos momentos, redescobertas, retomadas da caminhada. O tempo litúrgico da Quaresma é exatamente esse tempo favorável, quando devemos aproveitar o “tempo de deserto” para renovar o encontro com o Deus da Aliança e darmos passos concretos para que a nossa vida de cristãos seja mais bem vivenciada.

Sabemos que nós nos acostumamos a tudo. Com o passar do tempo, lindos propósitos caem no esquecimento, generosidades prometidas num momento de maior fervor são relegadas a ilusões e deixadas por outros motivos que encontramos no decorrer da vida.

Faz pensar os rumos que caminhamos quando a radicalidade da vida cristã no seguimento e discipulado de Jesus Cristo vai se esfacelando diante das transformações socioculturais do tempo e da História.

Quaresma é tempo de sonharmos de novo com a possibilidade sincera de uma vida cristã coerente com o Evangelho. As dificuldades e as decepções da estrada deixam em nós, muitas vezes, o gosto amargo do desânimo diante das realidades e situações que, continuamente, se abatem sobre nós. Eis agora o tempo de olharmos os melhores sentimentos que ainda habitam em nossos corações e, em clima de oração, jejum, esmola, lectio, celebração, penitência, abrirmo-nos à graça de Deus que nos convida sempre à santidade de vida e de comportamento nesse mundo de tantas mudanças e perseguições.

Por isso mesmo é que, antigamente, para entrar na Quaresma os cristãos tinham um tempo de despedida, transformado hoje no Carnaval, que estamos testemunhando neste final de semana. É para marcar o novo tempo que inicia, lembrando que é um tempo todo especial e que traz em si toda a esperança de renovação do povo de Deus, e, consequentemente, de seus membros.

Com a decadência da vivência quaresmal, vimos decair também a vida cristã em geral. Nessa caminhada de nossa vida, quando são necessárias etapas para marcar os tempos, começamos a não valorizar o tempo quaresmal e suas práticas, seja mitigando-as, seja abandonando-as.

Como entrar na Quaresma com o coração aberto e generoso, disposto a renovar neste tempo favorável a vida cristã? A abertura é significativa: Quarta-feira de Cinzas, que embora cantada em prosa e versos pelas marchinhas carnavalescas, ficou apenas como um folclore a mais e não como o momento solene de entrada no tempo de conversão. A cinza “simboliza ao mesmo tempo o pecado e a fragilidade do homem; cobrir-se de cinza vem a ser, pois, fazer como que uma “confissão pública” dramatizada. Mediante a linguagem dessa matéria sem vida que retorna ao pó, o homem se reconhece pecador e frágil, prevenindo assim o julgamento de Deus e atraindo a sua misericórdia”.

A entrada da Quaresma através da Quarta-feira, quando nos deixamos recobrir com o símbolo das cinzas com um dia de jejum e abstinência, começando um tempo novo, deve marcar os próximos abençoados 40 dias que nos farão chegar ao centro de nossa fé: o Mistério Pascal!

É por isso que se procura facilitar com os “mutirões de confissões” o atendimento pessoal de todos os católicos para a celebração do Sacramento da Penitência ou Confissão, e toda a liturgia da Igreja se recobre de simplicidade (sem flores no altar, toque dos instrumentos musicais só para sustentar o canto, omissão do Aleluia e do Glória) e da cor roxa como sinal de penitência e conversão, com exceção, é claro, dos dias de solenidades, festas e do domingo Laetare. A reflexão da Campanha da Fraternidade, já refletida em outros momentos, é outra prática importante para examinarmos como anda a nossa vida de irmãos.

Na Igreja tudo se reveste de sinais para nos ajudar a bem viver e celebrar este tempo. Sugiro que em nossas casas e em nossas vidas também deveríamos encontrar algum sinal especial que nos ajudasse a vivenciar esse tempo em nossa “Igreja doméstica”. A finalidade dessa prática é a nossa conversão e a renovação de nossa caminhada rumo à santidade, sendo sinais coerentes do Evangelho em nossa sociedade.

Nesse tempo de tantas propagandas religiosas e tantas perseguições através de tantos meios, no momento em que até mesmo o nosso povo não é sensível aos mandamentos de Cristo e ao chamamento da Igreja para uma vida de conversão, nesta hora de muitas interrogações e questionamentos e poucas soluções, no momento em que muitos param pelos descaminhos da vida e não seguem adiante os seus compromissos batismais, mesmo que ao nosso redor nada mude e tudo continue caminhando como se nada fosse diferente, somos convidados a dar passos concretos desde o nosso coração sincero voltado para Deus e olharmos com esperança a luz deífica que nos conduz à Páscoa da Ressurreição, mergulhando nela com toda a nossa vida.

Santa Quaresma para todos.

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Eis que chega o tempo!

29/03/2019 10:37 - Atualizado em 29/03/2019 10:37

Estamos a caminho do tempo mais importante da liturgia da Igreja: a celebração do Mistério da Redenção. O centro de nossa vida é exatamente o Mistério Pascal, quando celebramos a vida, morte e ressurreição de Jesus, o Cristo Senhor.

A tradição da Igreja sempre viveu nesse tempo a oportunidade da renovação da vida cristã, pois é o momento que foi escolhido para celebrar o nosso Batismo. Toda a liturgia quaresmal que conduz à Páscoa da Ressurreição está baseada em catequeses, escrutínios e celebrações batismais. Mesmo que hoje celebremos o Batismo na Páscoa semanal – no domingo –, o tempo quaresmal conserva esse clima, favorecendo os cristãos a aproveitarem este tempo para renovarem suas promessas batismais.

Todos nós temos necessidade de etapas em nossas vidas, novos momentos, redescobertas, retomadas da caminhada. O tempo litúrgico da Quaresma é exatamente esse tempo favorável, quando devemos aproveitar o “tempo de deserto” para renovar o encontro com o Deus da Aliança e darmos passos concretos para que a nossa vida de cristãos seja mais bem vivenciada.

Sabemos que nós nos acostumamos a tudo. Com o passar do tempo, lindos propósitos caem no esquecimento, generosidades prometidas num momento de maior fervor são relegadas a ilusões e deixadas por outros motivos que encontramos no decorrer da vida.

Faz pensar os rumos que caminhamos quando a radicalidade da vida cristã no seguimento e discipulado de Jesus Cristo vai se esfacelando diante das transformações socioculturais do tempo e da História.

Quaresma é tempo de sonharmos de novo com a possibilidade sincera de uma vida cristã coerente com o Evangelho. As dificuldades e as decepções da estrada deixam em nós, muitas vezes, o gosto amargo do desânimo diante das realidades e situações que, continuamente, se abatem sobre nós. Eis agora o tempo de olharmos os melhores sentimentos que ainda habitam em nossos corações e, em clima de oração, jejum, esmola, lectio, celebração, penitência, abrirmo-nos à graça de Deus que nos convida sempre à santidade de vida e de comportamento nesse mundo de tantas mudanças e perseguições.

Por isso mesmo é que, antigamente, para entrar na Quaresma os cristãos tinham um tempo de despedida, transformado hoje no Carnaval, que estamos testemunhando neste final de semana. É para marcar o novo tempo que inicia, lembrando que é um tempo todo especial e que traz em si toda a esperança de renovação do povo de Deus, e, consequentemente, de seus membros.

Com a decadência da vivência quaresmal, vimos decair também a vida cristã em geral. Nessa caminhada de nossa vida, quando são necessárias etapas para marcar os tempos, começamos a não valorizar o tempo quaresmal e suas práticas, seja mitigando-as, seja abandonando-as.

Como entrar na Quaresma com o coração aberto e generoso, disposto a renovar neste tempo favorável a vida cristã? A abertura é significativa: Quarta-feira de Cinzas, que embora cantada em prosa e versos pelas marchinhas carnavalescas, ficou apenas como um folclore a mais e não como o momento solene de entrada no tempo de conversão. A cinza “simboliza ao mesmo tempo o pecado e a fragilidade do homem; cobrir-se de cinza vem a ser, pois, fazer como que uma “confissão pública” dramatizada. Mediante a linguagem dessa matéria sem vida que retorna ao pó, o homem se reconhece pecador e frágil, prevenindo assim o julgamento de Deus e atraindo a sua misericórdia”.

A entrada da Quaresma através da Quarta-feira, quando nos deixamos recobrir com o símbolo das cinzas com um dia de jejum e abstinência, começando um tempo novo, deve marcar os próximos abençoados 40 dias que nos farão chegar ao centro de nossa fé: o Mistério Pascal!

É por isso que se procura facilitar com os “mutirões de confissões” o atendimento pessoal de todos os católicos para a celebração do Sacramento da Penitência ou Confissão, e toda a liturgia da Igreja se recobre de simplicidade (sem flores no altar, toque dos instrumentos musicais só para sustentar o canto, omissão do Aleluia e do Glória) e da cor roxa como sinal de penitência e conversão, com exceção, é claro, dos dias de solenidades, festas e do domingo Laetare. A reflexão da Campanha da Fraternidade, já refletida em outros momentos, é outra prática importante para examinarmos como anda a nossa vida de irmãos.

Na Igreja tudo se reveste de sinais para nos ajudar a bem viver e celebrar este tempo. Sugiro que em nossas casas e em nossas vidas também deveríamos encontrar algum sinal especial que nos ajudasse a vivenciar esse tempo em nossa “Igreja doméstica”. A finalidade dessa prática é a nossa conversão e a renovação de nossa caminhada rumo à santidade, sendo sinais coerentes do Evangelho em nossa sociedade.

Nesse tempo de tantas propagandas religiosas e tantas perseguições através de tantos meios, no momento em que até mesmo o nosso povo não é sensível aos mandamentos de Cristo e ao chamamento da Igreja para uma vida de conversão, nesta hora de muitas interrogações e questionamentos e poucas soluções, no momento em que muitos param pelos descaminhos da vida e não seguem adiante os seus compromissos batismais, mesmo que ao nosso redor nada mude e tudo continue caminhando como se nada fosse diferente, somos convidados a dar passos concretos desde o nosso coração sincero voltado para Deus e olharmos com esperança a luz deífica que nos conduz à Páscoa da Ressurreição, mergulhando nela com toda a nossa vida.

Santa Quaresma para todos.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro