Arquidiocese do Rio de Janeiro

23º 16º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/07/2019

18 de Julho de 2019

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24/03/2019 14:25 - Atualizado em 24/03/2019 14:25

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24/03/2019 14:25 - Atualizado em 24/03/2019 14:25

Celebramos nesta segunda-feira a Solenidade da Anunciação do Senhor. O Papa Francisco estará neste dia na Basílica de Loreto para lembrar que todos nós somos chamados a dizer “sim” ao Senhor como Maria e também assinar a Exortação Apostólica pós-sinodal sobre os jovens, como se referiu ao final do Ângelus deste domingo em Roma. Um momento importante na caminhada da Quaresma e da Igreja nos tempos atuais. Um dia festivo em meio ao tempo de penitência quaresmal.

Contemplemos o mistério: A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina.Entrou, portanto, o Filho de Deus neste mundo tão pequeno, descendo do trono celeste, mas sem deixar a glória do Pai; é gerado e nasce de modo totalmente novo. De modo novo porque, sendo invisível em si mesmo, torna-se visível como nós; incompreensível, quis ser compreendido; existindo antes dos tempos, começou a existir no tempo. O Senhor do universo assume a condição de escravo, envolvendo em sombra a imensidão de sua majestade; o Deus impassível não recusou ser homem passível, o imortal submeteu-se às leis da morte.(Das Cartas de São Leão Magno, papa.)

Dentro do espírito de conversão e mudança de vida que a quaresma nos pede, a Igreja nos propõe a celebração da Anunciação do Senhor, a solenidade da Encarnação do Verbo. Com a celebração da Anunciação do Senhor, celebramos o momento no qual o Filho de Deus se fez Filho do Homem, porque assumiu a natureza humana, e também o momento que Ele penetrou a nossa história para nos salvar. Assim, confessamos a plena divindade e a plena humanidade do Filho de Deus, que sem deixar de ser Deus, se abaixou e se fez homem no seio da Virgem Maria, para ser o nosso Salvador. Celebramos que a iniciativa de nos salvar é de Deus, sim, mas Ele conta com a nossa cooperação. E hoje, de forma muito especial, vemos a participação de Maria na salvação da humanidade que, como o seu ‘sim’, com a sua fé, abriu as portas da humanidade, decaída pelo pecado, à salvação que Deus nos oferece.

A primeira leitura desta solenidade (Is 7, 10-14; 8,10), se encontra na parte do livro definida como o Livro do Emanuel, que vai do cap. 7 ao 12, onde o ponto culminante está no anúncio misterioso do Messias Salvador, chamado de Emanuel, que significa: Deus está conosco. As palavras do profeta, quem em seu contexto histórico e em seu significado literal estavam bastante claras para os protagonistas, tem a capacidade de se enriquecer com novos significados no contexto progressivo da Revelação: é exatamente o que acontece com este texto, utilizado no contexto da solenidade de hoje. A passagem apresenta três elementos que, separadamente ou em conjunto, podem ser sinal de paz e salvação: A Virgem Mãe, seu Filho e o nome que recebe: Emanuel. Maria é Virgem, é mãe, e seu filho não é somente um símbolo da proteção de Deus, mas a presença do Deus verdadeiro que habita em nosso meio.

A Sagrada Escritura do Antigo e Novo Testamento e a venerável Tradição mostram de modo progressivamente mais claro e como que nos põem diante dos olhos o papel da Mãe do Salvador na economia da salvação. Os livros do Antigo Testamento descrevem a história da salvação na qual se vai preparando lentamente a vinda de Cristo ao mundo. Esses antigos documentos, tais como são lidos na Igreja e interpretados à luz da plena revelação ulterior, vão pondo cada vez mais em evidência a figura duma mulher, a Mãe do Redentor. A esta luz, Maria encontra-se já profeticamente delineada na promessa da vitória sobre a serpente (Ge. 3,15), feita aos primeiros pais caídos no pecado. Ela é, igualmente, a Virgem que conceberá e dará à luz um Filho, cujo nome será Emmanuel (Is 7,14; Mq 5, 2-3; Mt 1, 22-23). É a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus. Com ela, enfim, excelsa Filha de Sião, passada a longa espera da promessa, se cumprem os tempos e se inaugura a nova economia da salvação, quando o Filho de Deus dela recebeu a natureza humana, para libertar o homem do pecado com os mistérios da Sua vida terrena.(Lumen Gentium 55).

O salmo de resposta a esta profecia (Sl 39/40) nos ajuda a rezar a generosidade de um servo que, com prazer e gratidão, aceita fazer parte dos planos de Deus. Tal aceitação ilimitada e prazerosa dos planos divinos pode ser vista na atitude da segunda pessoa da santíssima Trindade, ao se dignar assumir a fragilidade humana e na atitude da Virgem Maria, que no seu faça-se atualiza a disposição apresentada pelo salmista.

As palavras do salmo são reutilizadas na passagem da Escritura proclamada na segunda leitura (Hb 10, 4-10). Nesta passagem, vemos acentuada a eficácia do sacrifício de Cristo, que  tem sua raiz na obediência perfeita ao Pai. Este é o motivo da Encarnação, que hoje celebramos. Só o sacrifício de Cristo e sua total obediência são superiores aos do antigo testamento e tem uma eficácia para sempre.

O Evangelho (Lc 1, 26-38) tão ricamente ornado de significados, cujo relato dá origem à celebração de hoje, é um dos mistérios gozosos propostos para a contemplação do povo de Deus na oração do Santo Rosário e proposto como oração três vezes por dia, na oração do Ângelus. O mistério da Encarnação traz consigo diversas realidades, cuidadosamente apresentadas no relato de Lucas. Maria é Virgem, concebe sem intervenção de homem algum; e o menino, verdadeiro homem por ser filho de Maria, é ao mesmo tempo Filho de Deus no sentido mais forte da expressão.

Ao falar sobre Jesus, o anjo afirma que o menino será o cumprimento das promessas. São usadas expressões bastante antigas na mensagem do anjo, expressões que estão inseridas nas profecias do Antigo Testamento, conectadas com as a promessa divina a Jacó, com os anúncios sobre o Messias descendente de Davi e os anúncios proféticos do Reino de Deus. No entanto, a descrição do menino como Santo e Filho de Deus ultrapassa todas as esperanças imaginadas até o momento. Deus mesmo vem habitar em meio a seu povo, utilizando meios que são, também estes, surpreendentes aos olhos dos homens.

A descrição feita da Virgem Maria no relato é bastante significativa. Para os olhos dos homens, ela é a virgem prometida em casamento a José, da casa de Davi. Para Deus, ela é a cheia de graça, a criatura mais singular que até agora veio ao mundo. No entanto ela se considera escrava do Senhor, apresenta sua total disponibilidade ao agir de Deus em sua vida e em meio aos homens.

Humildade de Maria que, no entanto, através dela, Deus se digna vir habitar em meio aos homens. Maria se coloca como a serva do Senhor. Promessas de Deus e disponibilidade de Maria: Cristo aceita os planos do Pai aceitando a condição de servo e Maria aceita os planos de Deus com o seu faça-se.

O Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para mãe, precedesse a encarnação, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida. É o que se verifica de modo sublime na Mãe de Jesus, dando à luz do mundo a própria Vida, que tudo renova. Deus adornou-a com dons dignos de uma tão grande missão; e, por isso, não é de admirar que os santos Padres chamem com frequência à Mãe de Deus «toda santa» e «imune de toda a mancha de pecado», visto que o próprio Espírito Santo a modelou e d'Ela fez uma nova criatura. Enriquecida, desde o primeiro instante da sua conceição, com os esplendores duma santidade singular, a Virgem de Nazaré é saudada pelo Anjo, da parte de Deus, como «cheia de graça» (Lc 1,28); e responde ao mensageiro celeste: «eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc. 1,38). Deste modo, Maria, filha de Adão, dando o seu consentimento à palavra divina, tornou-se Mãe de Jesus e, não retida por qualquer pecado, abraçou de todo o coração o desígnio salvador de Deus, consagrou-se totalmente, como escrava do Senhor, à pessoa e à obra de seu Filho, subordinada a Ele e juntamente com Ele, servindo pela graça de Deus onipotente o mistério da Redenção. Por isso, consideram com razão os santos Padres que Maria não foi utilizada por Deus como instrumento meramente passivo, mas que cooperou livremente, pela sua fé e obediência, na salvação dos homens. Como diz S. Irineu, «obedecendo, ela tornou-se causa de salvação, para si e para todo o género humano». Eis porque não poucos Padres afirmam com ele, nas suas pregações, que «o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a virgem Maria com a sua fé»; e, por comparação com Eva, chamam Maria a «mãe dos vivos» e afirmam muitas vezes: «a morte veio por Eva, a vida veio por Maria»”. (Lumen Gentium 56).

Que os acontecimentos neste ano, na meditação e na vivência desta solenidade, aprendamos a entregar nossas vidas à vontade do Pai e aprendamos a fazer de nossas vidas um dom. O Filho se doa habitando em nosso meio. A Virgem Maria se doa, colocando sua existência em função dos planos de Deus, na dimensão da salvação da eternidade. Que Deus nos converta para que conheçamos o valor da vida simples e humilde e nos faça descobrir a grandeza do que é fazer da própria vida dom. É o que o Papa Francisco nos disse ao final do Ângelus deste domingo exortando-nos a nos inspirar no “sim de Maria”.

Que no espírito da Campanha da Fraternidade, possamos nos comprometer com a vida do outro, procurando as formas viáveis para o estabelecimento de políticas públicas que valorizem a dignidade humana e tenham como objetivo primeiro a sacralidade da vida, não a obtenção de lucro.

Oremos: Derramai, ó Deus, a Vossa graça em nossos corações, para que, conhecendo pela mensagem do anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por Sua Paixão e Cruz, à glória da Ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.

 

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24/03/2019 14:25 - Atualizado em 24/03/2019 14:25

Celebramos nesta segunda-feira a Solenidade da Anunciação do Senhor. O Papa Francisco estará neste dia na Basílica de Loreto para lembrar que todos nós somos chamados a dizer “sim” ao Senhor como Maria e também assinar a Exortação Apostólica pós-sinodal sobre os jovens, como se referiu ao final do Ângelus deste domingo em Roma. Um momento importante na caminhada da Quaresma e da Igreja nos tempos atuais. Um dia festivo em meio ao tempo de penitência quaresmal.

Contemplemos o mistério: A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina.Entrou, portanto, o Filho de Deus neste mundo tão pequeno, descendo do trono celeste, mas sem deixar a glória do Pai; é gerado e nasce de modo totalmente novo. De modo novo porque, sendo invisível em si mesmo, torna-se visível como nós; incompreensível, quis ser compreendido; existindo antes dos tempos, começou a existir no tempo. O Senhor do universo assume a condição de escravo, envolvendo em sombra a imensidão de sua majestade; o Deus impassível não recusou ser homem passível, o imortal submeteu-se às leis da morte.(Das Cartas de São Leão Magno, papa.)

Dentro do espírito de conversão e mudança de vida que a quaresma nos pede, a Igreja nos propõe a celebração da Anunciação do Senhor, a solenidade da Encarnação do Verbo. Com a celebração da Anunciação do Senhor, celebramos o momento no qual o Filho de Deus se fez Filho do Homem, porque assumiu a natureza humana, e também o momento que Ele penetrou a nossa história para nos salvar. Assim, confessamos a plena divindade e a plena humanidade do Filho de Deus, que sem deixar de ser Deus, se abaixou e se fez homem no seio da Virgem Maria, para ser o nosso Salvador. Celebramos que a iniciativa de nos salvar é de Deus, sim, mas Ele conta com a nossa cooperação. E hoje, de forma muito especial, vemos a participação de Maria na salvação da humanidade que, como o seu ‘sim’, com a sua fé, abriu as portas da humanidade, decaída pelo pecado, à salvação que Deus nos oferece.

A primeira leitura desta solenidade (Is 7, 10-14; 8,10), se encontra na parte do livro definida como o Livro do Emanuel, que vai do cap. 7 ao 12, onde o ponto culminante está no anúncio misterioso do Messias Salvador, chamado de Emanuel, que significa: Deus está conosco. As palavras do profeta, quem em seu contexto histórico e em seu significado literal estavam bastante claras para os protagonistas, tem a capacidade de se enriquecer com novos significados no contexto progressivo da Revelação: é exatamente o que acontece com este texto, utilizado no contexto da solenidade de hoje. A passagem apresenta três elementos que, separadamente ou em conjunto, podem ser sinal de paz e salvação: A Virgem Mãe, seu Filho e o nome que recebe: Emanuel. Maria é Virgem, é mãe, e seu filho não é somente um símbolo da proteção de Deus, mas a presença do Deus verdadeiro que habita em nosso meio.

A Sagrada Escritura do Antigo e Novo Testamento e a venerável Tradição mostram de modo progressivamente mais claro e como que nos põem diante dos olhos o papel da Mãe do Salvador na economia da salvação. Os livros do Antigo Testamento descrevem a história da salvação na qual se vai preparando lentamente a vinda de Cristo ao mundo. Esses antigos documentos, tais como são lidos na Igreja e interpretados à luz da plena revelação ulterior, vão pondo cada vez mais em evidência a figura duma mulher, a Mãe do Redentor. A esta luz, Maria encontra-se já profeticamente delineada na promessa da vitória sobre a serpente (Ge. 3,15), feita aos primeiros pais caídos no pecado. Ela é, igualmente, a Virgem que conceberá e dará à luz um Filho, cujo nome será Emmanuel (Is 7,14; Mq 5, 2-3; Mt 1, 22-23). É a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus. Com ela, enfim, excelsa Filha de Sião, passada a longa espera da promessa, se cumprem os tempos e se inaugura a nova economia da salvação, quando o Filho de Deus dela recebeu a natureza humana, para libertar o homem do pecado com os mistérios da Sua vida terrena.(Lumen Gentium 55).

O salmo de resposta a esta profecia (Sl 39/40) nos ajuda a rezar a generosidade de um servo que, com prazer e gratidão, aceita fazer parte dos planos de Deus. Tal aceitação ilimitada e prazerosa dos planos divinos pode ser vista na atitude da segunda pessoa da santíssima Trindade, ao se dignar assumir a fragilidade humana e na atitude da Virgem Maria, que no seu faça-se atualiza a disposição apresentada pelo salmista.

As palavras do salmo são reutilizadas na passagem da Escritura proclamada na segunda leitura (Hb 10, 4-10). Nesta passagem, vemos acentuada a eficácia do sacrifício de Cristo, que  tem sua raiz na obediência perfeita ao Pai. Este é o motivo da Encarnação, que hoje celebramos. Só o sacrifício de Cristo e sua total obediência são superiores aos do antigo testamento e tem uma eficácia para sempre.

O Evangelho (Lc 1, 26-38) tão ricamente ornado de significados, cujo relato dá origem à celebração de hoje, é um dos mistérios gozosos propostos para a contemplação do povo de Deus na oração do Santo Rosário e proposto como oração três vezes por dia, na oração do Ângelus. O mistério da Encarnação traz consigo diversas realidades, cuidadosamente apresentadas no relato de Lucas. Maria é Virgem, concebe sem intervenção de homem algum; e o menino, verdadeiro homem por ser filho de Maria, é ao mesmo tempo Filho de Deus no sentido mais forte da expressão.

Ao falar sobre Jesus, o anjo afirma que o menino será o cumprimento das promessas. São usadas expressões bastante antigas na mensagem do anjo, expressões que estão inseridas nas profecias do Antigo Testamento, conectadas com as a promessa divina a Jacó, com os anúncios sobre o Messias descendente de Davi e os anúncios proféticos do Reino de Deus. No entanto, a descrição do menino como Santo e Filho de Deus ultrapassa todas as esperanças imaginadas até o momento. Deus mesmo vem habitar em meio a seu povo, utilizando meios que são, também estes, surpreendentes aos olhos dos homens.

A descrição feita da Virgem Maria no relato é bastante significativa. Para os olhos dos homens, ela é a virgem prometida em casamento a José, da casa de Davi. Para Deus, ela é a cheia de graça, a criatura mais singular que até agora veio ao mundo. No entanto ela se considera escrava do Senhor, apresenta sua total disponibilidade ao agir de Deus em sua vida e em meio aos homens.

Humildade de Maria que, no entanto, através dela, Deus se digna vir habitar em meio aos homens. Maria se coloca como a serva do Senhor. Promessas de Deus e disponibilidade de Maria: Cristo aceita os planos do Pai aceitando a condição de servo e Maria aceita os planos de Deus com o seu faça-se.

O Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para mãe, precedesse a encarnação, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida. É o que se verifica de modo sublime na Mãe de Jesus, dando à luz do mundo a própria Vida, que tudo renova. Deus adornou-a com dons dignos de uma tão grande missão; e, por isso, não é de admirar que os santos Padres chamem com frequência à Mãe de Deus «toda santa» e «imune de toda a mancha de pecado», visto que o próprio Espírito Santo a modelou e d'Ela fez uma nova criatura. Enriquecida, desde o primeiro instante da sua conceição, com os esplendores duma santidade singular, a Virgem de Nazaré é saudada pelo Anjo, da parte de Deus, como «cheia de graça» (Lc 1,28); e responde ao mensageiro celeste: «eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc. 1,38). Deste modo, Maria, filha de Adão, dando o seu consentimento à palavra divina, tornou-se Mãe de Jesus e, não retida por qualquer pecado, abraçou de todo o coração o desígnio salvador de Deus, consagrou-se totalmente, como escrava do Senhor, à pessoa e à obra de seu Filho, subordinada a Ele e juntamente com Ele, servindo pela graça de Deus onipotente o mistério da Redenção. Por isso, consideram com razão os santos Padres que Maria não foi utilizada por Deus como instrumento meramente passivo, mas que cooperou livremente, pela sua fé e obediência, na salvação dos homens. Como diz S. Irineu, «obedecendo, ela tornou-se causa de salvação, para si e para todo o género humano». Eis porque não poucos Padres afirmam com ele, nas suas pregações, que «o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a virgem Maria com a sua fé»; e, por comparação com Eva, chamam Maria a «mãe dos vivos» e afirmam muitas vezes: «a morte veio por Eva, a vida veio por Maria»”. (Lumen Gentium 56).

Que os acontecimentos neste ano, na meditação e na vivência desta solenidade, aprendamos a entregar nossas vidas à vontade do Pai e aprendamos a fazer de nossas vidas um dom. O Filho se doa habitando em nosso meio. A Virgem Maria se doa, colocando sua existência em função dos planos de Deus, na dimensão da salvação da eternidade. Que Deus nos converta para que conheçamos o valor da vida simples e humilde e nos faça descobrir a grandeza do que é fazer da própria vida dom. É o que o Papa Francisco nos disse ao final do Ângelus deste domingo exortando-nos a nos inspirar no “sim de Maria”.

Que no espírito da Campanha da Fraternidade, possamos nos comprometer com a vida do outro, procurando as formas viáveis para o estabelecimento de políticas públicas que valorizem a dignidade humana e tenham como objetivo primeiro a sacralidade da vida, não a obtenção de lucro.

Oremos: Derramai, ó Deus, a Vossa graça em nossos corações, para que, conhecendo pela mensagem do anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por Sua Paixão e Cruz, à glória da Ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro