Arquidiocese do Rio de Janeiro

23º 16º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/07/2019

18 de Julho de 2019

Refazer o caminho do Êxodo

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23/03/2019 00:00

Refazer o caminho do Êxodo 0

23/03/2019 00:00

Neste Terceiro Domingo da Quaresma, o tema central é a conversão. O Profeta Ezequiel diz: “Convertei-vos, senão vós morrereis” (Cf. Ez 33,11). Deste modo uma questão se impõe: Que significa converter-se? Trata-se, antes de tudo, da conformidade das ações com a vontade divina, à qual cumpre uma adesão total. É a obediência da fé.

Estamos no tempo de mudança, de metanóia. Converter-se significa não viver como todo mundo vive, não fazer o que todo mundo faz, não se sentir justificado fazendo ações duvidosas, ambíguas ou más pelo fato de que outros assim procedem; começar a olhar a própria vida com os olhos de Deus, portanto, procurar o bem, mesmo se isto contesta a sociedade. Não se submeter ao julgamento dos homens, mas, sim, à avaliação de Deus, ou em outras palavras: procurar um novo estilo de vida, uma vida nova.

Este tempo de penitência, esmola, jejum, oração está já chegando em sua metade. Somos, neste tempo, chamados a uma atitude de conversão, que se visibiliza na celebração penitencial de confissão dos nossos pecados e na preparação para renovar nossa vida, renovando nossas promessas batismais na celebração da vigília pascal. Neste mundo cada vez mais complexo e difícil, somos chamados a renovar nossa vida cristã, já que se espera que os cristãos possam ser cada vez mais sinais e dar testemunho de que em Cristo se encontra a verdadeira Vida, a Vida Nova.

O papa Francisco, ao enviar sua mensagem para a quaresma deste ano de 2019, mensagem que tem como título “A criação encontra-se em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8, 19), diz o seguinte: “Todos os anos, por meio da Mãe Igreja, Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina» (Prefácio I da Quaresma). Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De fato, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19).”

O Santo Padre nos convida a renovar a própria vida e renovando a própria vida, deixar que as consequências desta renovação de possam estender-se ao nosso redor, aos nossos relacionamentos e a toda a criação. “Que nossa quaresma consista em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens, Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus” (Rm 8, 21). O santo padre nos recorda que as consequências da conversão também são projetadas como consequências em nosso entorno, na vida moral, na vida espiritual e na vida da natureza. O ser humano convertido sabe transformar todas as coisas. Que o Senhor nos faça ver que quanto mais nos transformamos, mais o mundo se transforma, tanto nos relacionamentos familiares, sociais, como na criação inteira.

A palavra de Deus que nos é dirigida neste Domingo, apresenta três aspectos importantes da nossa vida cristã, aspectos que nos chamam à conversão e à mudança de vida, para que nossas vidas sejam cada vez mais configuradas a Cristo Jesus: o primeiro é de que, na quaresma, somos chamados a refazer o caminho do Êxodo; o segundo aspecto é que quem nos conduz nesta caminho é o próprio Cristo, ao Rocha Viva, o Pão vivo que queremos buscar; e o terceiro aspecto é que o Senhor nos dá sempre mais um tempo para que possamos nos purificar e frutificar em boas obras.

A primeira Leitura (Ex 3, 1-8a.13-15) é uma das passagens mais importantes do Antigo Testamento, onde, numa atitude de ir para além do deserto, contemplamos a que pode ser chamada de vocação de Moisés. Moisés é chamado para conduzir o Povo de Deus à libertação. Na simplicidade das tarefas do dia a dia, apascentando os rebanhos de seu sogro Jetro, indo além do deserto, contempla a sarça que ardia e não se consumia. Deus chama, se revela a Moisés e afirma que a aflição do povo foi percebida por Ele, que ouviu seu clamor e que trará para eles libertação e a posse de uma terra boa. Moisés é chamado para ser o mediador dessa libertação prometida por Deus. Em Moisés, Deus fará ecoar ao povo sedento, faminto, oprimido uma voz libertadora que o arranque de todas os males que estão padecendo. É pela experiência no deserto que Moisés poderá ser instrumento nas mãos de Deus. Todos nós, durante a quaresma, somos chamados a repetir a experiência do deserto, do Êxodo; deixar nossas escravidões e caminhar para a terra prometida, o reino de Deus, levados pelo novo Moisés que agora é Cristo. Moisés conduz para uma libertação da escravidão do Egito. Nosso Senhor nos conduz para a libertação das trevas do mal e do pecado, nos levando para a terra boa da Graça, da Misericórdia e da comunhão com Deus. Somos escravos de muitas coisas, de muitos pecados. O Senhor quer nos conduzir cada vez mais para que possamos fazer este caminho a cada quaresma, para que achegada da Páscoa nos encontre com o coração renovado.

O Deus que foi fiel a Abraão, a Isaac e a Jacó é confiável, pode-se apostar a vida nele: Moisés e o povo de Israel haverão de ver! E viram, em tantos momentos da travessia do deserto.

A vida do povo com Moisés no deserto foi escrita para ser exemplo para nós, como nos ensinou a segunda leitura (1Cor 10,1-6.10-12). São Paulo nos diz: “Esses fatos aconteceram para servir de exemplo para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no deserto. Não murmureis, como alguns deles murmuraram. Portanto, quem está de pé tome cuidado para não cair” (1 Cor 10,6). Nós somos o povo de Deus da Nova Aliança. Como Israel, atravessamos um longo deserto rumo à Terra Prometida, que é a Pátria celeste; e, também, nós somos sujeitos a tantas tentações, como Israel. O grande pecado do povo de Deus da Antiga Aliança era descrer e murmurar contra Deus. De cabeça dura, Israel teimava em caminhar do seu modo, em fazer do seu jeito, em contar com suas forças e sua lógica. Quantas vezes o povo fez isso! Quantas vezes nós fazemos isso.

Somos, portanto, chamados a reviver o caminho do Êxodo a partir do nosso batismo e encontrar em Cristo a nossa vida. Mesmo que muitos tenham visto as maravilhas de Deus no deserto, eles padeceram e morreram. Que todos possamos experimentar cada vez mais a firmeza no Senhor. Deus conta com nossa parcela de contribuição, através de uma vida prudente e vigilante, para que, nesta caminhada, permaneçamos de pé: “quem julga estar de pé tome cuidado para não cair”.

O Evangelho (Lc 13, 1-9) vai nos apresentar a necessidade de conversão para todos os homens. Temos dois momentos no texto: o primeiro, quando trazem notícias de acontecimentos presentes ao Senhor, neste caso os galileus que haviam sido assassinados por Pilatos, questionando se tal acontecimento era devido aos seus pecados.  No final conta a parábola da figueira plantada na vinha e que não produzia frutos.

Jesus aproveitava os acontecimentos do momento para ensinar. Na passagem de hoje, explica que as duas desgraças apresentadas não devem ser atribuídas aos pecados dos que morreram, como era costume pensar naquele momento, mas são um chamado à conversão. Todas as coisas são vistas como oportunidade de voltar para Deus. S. Clemente Romano afirmava: Repassemos todas as etapas na história e veremos como em todas as épocas o Senhor concedeu oportunidade de arrepender-se a todos aqueles que quiseram se converter a Ele.

A parábola que vem à continuação é uma explicação do último versículo da passagem anterior: a necessidade de converter-se para não perecer eternamente. Em alguns textos do Antigo Testamento, a figueira simboliza a Israel, o povo de Deus quando tem que dar frutos e não os dá. A vinha também é uma imagem frequente para simbolizar Israel. No pano de fundo da parábola, podemos ver Jesus como o vinhateiro pelo qual Deus dá uma última oportunidade ao seu povo. A parábola, para aqueles homens e para nós, é uma advertência e um aviso: Deus não quer a morte do pecador, mas sim que Ele se converta e viva. Deus não desiste de nós e cuida de nós para que possamos produzir frutos. Mas, ao mesmo tempo, pede de nós ações que fundamentem nossa conversão. Já dizia o abade São Columbano: “A grandeza do homem consiste em sua semelhança com Deus, de tal forma que busquemos conservá-la. Se a alma faz bom uso das virtudes plantadas nela, então será, de verdade, semelhante a Deus. Ele nos ensinou, por meio dos seus preceitos, que devemos lhe oferecer frutos de todos os preceitos que Ele plantou em nós ao nos criar. É amando a Deus que renovamos em nós sua Imagem. Mas, o amor verdadeiro não se pratica somente por palavras, mas de verdade e com obras.”

Que possamos frutificar em conversão, em vida nova, em testemunho de alguém que experimentou a graça de Deus, mostrando que o reino está no meio de nós. De modo especial, recordando a temática que a Campanha da Fraternidade deste ano nos propõe, que possamos frutificar em função do bem comum, sendo protagonistas em propor, planejar e cobrar a execução de políticas públicas de qualidade, para que a vida nova trazida por Cristo seja também motivo de vida em abundância para todos. Que possamos frutificar em nossos relacionamentos, pedindo perdão, procurando viver em unidade e harmonia em todas as nossas esferas sociais. Que possamos também frutificar no cuidado com a criação, tratando-a verdadeiramente como nossa casa comum e não contribuindo para que esta seja deteriorada em função de interesses individuais de uma minoria. Este é o tempo favorável de empreender nosso caminho rumo a Cristo, contagiados pela esperança no caminho. Que esta quaresma nos ajude a dar esses passos.

Recordamos que na próxima semana iremos celebrar as 24 horas para o Senhor em todas as Paróquias de nossa Arquidiocese, com orações e preparação para a Santa Confissão. Baixe, no site da ArqRio, o subsídio: noticias/detalhes/7368/24-horas-para-o-senhor-arquidiocese-do-rio-prepara-subsidio-para-as-comunidades

Somos chamados a viver mais intimamente do Senhor. Que Ele nos ilumine e nos faça dar passos de mudanças e de conversão. Que a Virgem Maria, consolo dos aflitos, caminhe conosco nesta caminhada rumo à vida nova. Eis o tempo de conversão!

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Neste Terceiro Domingo da Quaresma, o tema central é a conversão. O Profeta Ezequiel diz: “Convertei-vos, senão vós morrereis” (Cf. Ez 33,11). Deste modo uma questão se impõe: Que significa converter-se? Trata-se, antes de tudo, da conformidade das ações com a vontade divina, à qual cumpre uma adesão total. É a obediência da fé.

Estamos no tempo de mudança, de metanóia. Converter-se significa não viver como todo mundo vive, não fazer o que todo mundo faz, não se sentir justificado fazendo ações duvidosas, ambíguas ou más pelo fato de que outros assim procedem; começar a olhar a própria vida com os olhos de Deus, portanto, procurar o bem, mesmo se isto contesta a sociedade. Não se submeter ao julgamento dos homens, mas, sim, à avaliação de Deus, ou em outras palavras: procurar um novo estilo de vida, uma vida nova.

Este tempo de penitência, esmola, jejum, oração está já chegando em sua metade. Somos, neste tempo, chamados a uma atitude de conversão, que se visibiliza na celebração penitencial de confissão dos nossos pecados e na preparação para renovar nossa vida, renovando nossas promessas batismais na celebração da vigília pascal. Neste mundo cada vez mais complexo e difícil, somos chamados a renovar nossa vida cristã, já que se espera que os cristãos possam ser cada vez mais sinais e dar testemunho de que em Cristo se encontra a verdadeira Vida, a Vida Nova.

O papa Francisco, ao enviar sua mensagem para a quaresma deste ano de 2019, mensagem que tem como título “A criação encontra-se em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8, 19), diz o seguinte: “Todos os anos, por meio da Mãe Igreja, Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina» (Prefácio I da Quaresma). Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De fato, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19).”

O Santo Padre nos convida a renovar a própria vida e renovando a própria vida, deixar que as consequências desta renovação de possam estender-se ao nosso redor, aos nossos relacionamentos e a toda a criação. “Que nossa quaresma consista em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens, Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus” (Rm 8, 21). O santo padre nos recorda que as consequências da conversão também são projetadas como consequências em nosso entorno, na vida moral, na vida espiritual e na vida da natureza. O ser humano convertido sabe transformar todas as coisas. Que o Senhor nos faça ver que quanto mais nos transformamos, mais o mundo se transforma, tanto nos relacionamentos familiares, sociais, como na criação inteira.

A palavra de Deus que nos é dirigida neste Domingo, apresenta três aspectos importantes da nossa vida cristã, aspectos que nos chamam à conversão e à mudança de vida, para que nossas vidas sejam cada vez mais configuradas a Cristo Jesus: o primeiro é de que, na quaresma, somos chamados a refazer o caminho do Êxodo; o segundo aspecto é que quem nos conduz nesta caminho é o próprio Cristo, ao Rocha Viva, o Pão vivo que queremos buscar; e o terceiro aspecto é que o Senhor nos dá sempre mais um tempo para que possamos nos purificar e frutificar em boas obras.

A primeira Leitura (Ex 3, 1-8a.13-15) é uma das passagens mais importantes do Antigo Testamento, onde, numa atitude de ir para além do deserto, contemplamos a que pode ser chamada de vocação de Moisés. Moisés é chamado para conduzir o Povo de Deus à libertação. Na simplicidade das tarefas do dia a dia, apascentando os rebanhos de seu sogro Jetro, indo além do deserto, contempla a sarça que ardia e não se consumia. Deus chama, se revela a Moisés e afirma que a aflição do povo foi percebida por Ele, que ouviu seu clamor e que trará para eles libertação e a posse de uma terra boa. Moisés é chamado para ser o mediador dessa libertação prometida por Deus. Em Moisés, Deus fará ecoar ao povo sedento, faminto, oprimido uma voz libertadora que o arranque de todas os males que estão padecendo. É pela experiência no deserto que Moisés poderá ser instrumento nas mãos de Deus. Todos nós, durante a quaresma, somos chamados a repetir a experiência do deserto, do Êxodo; deixar nossas escravidões e caminhar para a terra prometida, o reino de Deus, levados pelo novo Moisés que agora é Cristo. Moisés conduz para uma libertação da escravidão do Egito. Nosso Senhor nos conduz para a libertação das trevas do mal e do pecado, nos levando para a terra boa da Graça, da Misericórdia e da comunhão com Deus. Somos escravos de muitas coisas, de muitos pecados. O Senhor quer nos conduzir cada vez mais para que possamos fazer este caminho a cada quaresma, para que achegada da Páscoa nos encontre com o coração renovado.

O Deus que foi fiel a Abraão, a Isaac e a Jacó é confiável, pode-se apostar a vida nele: Moisés e o povo de Israel haverão de ver! E viram, em tantos momentos da travessia do deserto.

A vida do povo com Moisés no deserto foi escrita para ser exemplo para nós, como nos ensinou a segunda leitura (1Cor 10,1-6.10-12). São Paulo nos diz: “Esses fatos aconteceram para servir de exemplo para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no deserto. Não murmureis, como alguns deles murmuraram. Portanto, quem está de pé tome cuidado para não cair” (1 Cor 10,6). Nós somos o povo de Deus da Nova Aliança. Como Israel, atravessamos um longo deserto rumo à Terra Prometida, que é a Pátria celeste; e, também, nós somos sujeitos a tantas tentações, como Israel. O grande pecado do povo de Deus da Antiga Aliança era descrer e murmurar contra Deus. De cabeça dura, Israel teimava em caminhar do seu modo, em fazer do seu jeito, em contar com suas forças e sua lógica. Quantas vezes o povo fez isso! Quantas vezes nós fazemos isso.

Somos, portanto, chamados a reviver o caminho do Êxodo a partir do nosso batismo e encontrar em Cristo a nossa vida. Mesmo que muitos tenham visto as maravilhas de Deus no deserto, eles padeceram e morreram. Que todos possamos experimentar cada vez mais a firmeza no Senhor. Deus conta com nossa parcela de contribuição, através de uma vida prudente e vigilante, para que, nesta caminhada, permaneçamos de pé: “quem julga estar de pé tome cuidado para não cair”.

O Evangelho (Lc 13, 1-9) vai nos apresentar a necessidade de conversão para todos os homens. Temos dois momentos no texto: o primeiro, quando trazem notícias de acontecimentos presentes ao Senhor, neste caso os galileus que haviam sido assassinados por Pilatos, questionando se tal acontecimento era devido aos seus pecados.  No final conta a parábola da figueira plantada na vinha e que não produzia frutos.

Jesus aproveitava os acontecimentos do momento para ensinar. Na passagem de hoje, explica que as duas desgraças apresentadas não devem ser atribuídas aos pecados dos que morreram, como era costume pensar naquele momento, mas são um chamado à conversão. Todas as coisas são vistas como oportunidade de voltar para Deus. S. Clemente Romano afirmava: Repassemos todas as etapas na história e veremos como em todas as épocas o Senhor concedeu oportunidade de arrepender-se a todos aqueles que quiseram se converter a Ele.

A parábola que vem à continuação é uma explicação do último versículo da passagem anterior: a necessidade de converter-se para não perecer eternamente. Em alguns textos do Antigo Testamento, a figueira simboliza a Israel, o povo de Deus quando tem que dar frutos e não os dá. A vinha também é uma imagem frequente para simbolizar Israel. No pano de fundo da parábola, podemos ver Jesus como o vinhateiro pelo qual Deus dá uma última oportunidade ao seu povo. A parábola, para aqueles homens e para nós, é uma advertência e um aviso: Deus não quer a morte do pecador, mas sim que Ele se converta e viva. Deus não desiste de nós e cuida de nós para que possamos produzir frutos. Mas, ao mesmo tempo, pede de nós ações que fundamentem nossa conversão. Já dizia o abade São Columbano: “A grandeza do homem consiste em sua semelhança com Deus, de tal forma que busquemos conservá-la. Se a alma faz bom uso das virtudes plantadas nela, então será, de verdade, semelhante a Deus. Ele nos ensinou, por meio dos seus preceitos, que devemos lhe oferecer frutos de todos os preceitos que Ele plantou em nós ao nos criar. É amando a Deus que renovamos em nós sua Imagem. Mas, o amor verdadeiro não se pratica somente por palavras, mas de verdade e com obras.”

Que possamos frutificar em conversão, em vida nova, em testemunho de alguém que experimentou a graça de Deus, mostrando que o reino está no meio de nós. De modo especial, recordando a temática que a Campanha da Fraternidade deste ano nos propõe, que possamos frutificar em função do bem comum, sendo protagonistas em propor, planejar e cobrar a execução de políticas públicas de qualidade, para que a vida nova trazida por Cristo seja também motivo de vida em abundância para todos. Que possamos frutificar em nossos relacionamentos, pedindo perdão, procurando viver em unidade e harmonia em todas as nossas esferas sociais. Que possamos também frutificar no cuidado com a criação, tratando-a verdadeiramente como nossa casa comum e não contribuindo para que esta seja deteriorada em função de interesses individuais de uma minoria. Este é o tempo favorável de empreender nosso caminho rumo a Cristo, contagiados pela esperança no caminho. Que esta quaresma nos ajude a dar esses passos.

Recordamos que na próxima semana iremos celebrar as 24 horas para o Senhor em todas as Paróquias de nossa Arquidiocese, com orações e preparação para a Santa Confissão. Baixe, no site da ArqRio, o subsídio: noticias/detalhes/7368/24-horas-para-o-senhor-arquidiocese-do-rio-prepara-subsidio-para-as-comunidades

Somos chamados a viver mais intimamente do Senhor. Que Ele nos ilumine e nos faça dar passos de mudanças e de conversão. Que a Virgem Maria, consolo dos aflitos, caminhe conosco nesta caminhada rumo à vida nova. Eis o tempo de conversão!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro