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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/03/2019

21 de Março de 2019

As três tentações

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09/03/2019 13:15 - Atualizado em 09/03/2019 13:16

As três tentações 0

09/03/2019 13:15 - Atualizado em 09/03/2019 13:16

A palavra do Senhor, dirigida a nós nesse primeiro domingo da quaresma, tempo forte que, com diz o Papa Francisco, quer despertar a alma para reencontrar a rota da vida, jejuar do supérfluo que distrai e deter-se para ir ao essencial, convida-nos a contemplar a figura de Jesus Cristo sendo Vencedor da Tentação e mestre que nos ensina o caminho de vitória ante as diversas tentações da vida.

Vivamos de coração aberto este primeiro Domingo do sagrado tempo da Quaresma, como um tempo de caminho para bem celebrar a santa Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Viver com seriedade o tempo quaresmal é colocar-se espiritualmente a caminho para crescer naquele conhecimento interior de Jesus, conhecimento saboroso, conhecimento ungido pelo Santo Espírito, conhecimento que ultrapassa de muito o simples conhecimento exterior adquirido pelo estudo. Deste conhecimento bendito falou-nos a oração da Missa deste domingo, que pede a Deus: “que ao longo desta Quaresma possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa”.

Encontramos na primeira leitura (Dt 26, 4-10), o momento em que Moisés diz ao povo que, ao se assentar na terra prometida, deve oferecer ao Senhor as primícias dos frutos da terra em sinal de gratidão. A oferta material, que seria feita pelo sacerdote, deveria ser oferecida junto com uma prece de reconhecimento das dificuldades passadas pelo povo e da gratidão pelo socorro e pela libertação trazida por Deus. Após apresentar a oferenda, diz a leitura, o povo deve inclinar-se em adoração. Moisés apresenta como recomendação ao povo uma atitude exterior, a oferenda dos primeiros frutos, junto com uma atitude interior, a de reconhecimento e gratidão. Esse é o verdadeiro modo do agir cristão no mundo: não somente gestos externos sem sentido ou sem conteúdo, nem gestos somente interiores que não mostrem sua eficácia na vida.

Em resposta a esta leitura, a Liturgia da Igreja coloca em nossos lábios a oração contida no salmo 90, o salmo da Confiança. O salmo 90 é um dos salmos mais populares da Sagrada Escritura. É muito comum encontrar as Bíblias abertas nas casas exatamente no salmo 90. Este salmo mostra o homem fraco colocado ante o Deus Forte e que sabe que sua fortaleza está n’Ele. A confiança em Deus faz o homem forte e capaz de suportar todas as lutas. A certeza de que Deus cuida de nós reorienta nossa forma de ver a vida.

A segunda leitura (Rm 10, 8-13), que se encontra na seção onde Paulo fala qual deve ser o destino do Antigo Israel ante o surgimento do Novo Povo de Deus, o Novo Israel, o apóstolo faz um convite: assim como foi mostrado na primeira Leitura, onde o povo era convidado a oferecer e adorar, agora o convite é o de confessar a fé com os lábios e crer com o coração. A fé é a certeza que salva e a força que não nos deixa ser confundidos.

O Evangelho deste domingo, (Lc 4, 1-13) é o motivo pelo qual o primeiro domingo da Quaresma seja chamado de Domingo das tentações. Passagem importante da vida de Jesus, testemunhada por Mateus, Marcos e Lucas, onde vemos Jesus, logo após o seu batismo e antes de iniciar seu ministério público, conduzido pelo Espírito, deixa-se tentar pelo demônio. Jesus foi tentado para mostrar assim sua natureza humana e para mostrar, ao mesmo tempo, que venceu o tentador por nós, mostrando ao mesmo tempo o caminho de vitória da tentação. Ele foi provado em tudo, à nossa semelhança, exceto no pecado (Heb 4,15). Jesus se apresenta como o Novo Adão: como o primeiro a Adão sucumbiu ante a tentação, fazendo com que o mal marcasse a humanidade, o Novo Adão, vencedor da Tentação, do pecado e da Morte, traz a nova vida e inaugura o estado no Novo Homem.

O Papa Francisco assim comenta esse episódio (em 2016): “As três tentações de Cristo... Três tentações do cristão que procuram arruinar a verdade a que fomos chamados. Três tentações que visam degradar e degradar-nos. Primeira, a riqueza, apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para «os meus». É conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. Tal riqueza é pão que sabe a tristeza, amargura e sofrimento. Numa família ou numa sociedade corrupta, este é o pão que se dá a comer aos próprios filhos. Segunda tentação, a vaidade: a busca de prestígio baseada na desqualificação contínua e constante daqueles que «não são ninguém». A busca exacerbada daqueles cinco minutos de fama que não perdoa a «fama» dos outros. E, «alegrando-se com a desgraça alheia», abre-se caminho à terceira tentação, a pior, a do orgulho, ou seja, colocar-se num plano de superioridade de qualquer tipo, sentindo que não se partilha «a vida comum dos mortais» e rezando todos os dias: «Dou-Vos graças, Senhor, porque não me fizestes como eles». Três tentações de Cristo... Três tentações que o cristão enfrenta diariamente. Três tentações que procuram degradar, destruir e tirar a alegria e o frescor do Evangelho; que nos fecham num círculo de destruição e pecado. Por isso vale a pena perguntarmo-nos: Até que ponto estamos conscientes destas tentações na nossa vida, em nós mesmos? Até que ponto nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida? Até que ponto estamos convencidos de que cuidar do outro, preocupar-nos e ocupar-nos com o pão, o bom nome e a dignidade dos outros seja fonte de alegria e de esperança? Escolhemos Jesus e não o diabo. Se vos recordais do que escutamos no Evangelho, Jesus não responde ao demônio com qualquer palavra própria, mas responde-lhe com as palavras de Deus, com as palavras da Sagrada Escritura. Com efeito, irmãs e irmãos, - fixemo-lo bem na cabeça – com o demônio não se dialoga, não se pode dialogar, porque sempre nos ganhará. Só a força da Palavra de Deus o pode derrotar. Nós escolhemos, não o diabo, mas Jesus; queremos seguir os seus passos, mas sabemos que não é fácil. Sabemos o que significa ser seduzidos pelo dinheiro, a fama e o poder. Por isso, a Igreja oferece-nos este tempo da Quaresma, convida-nos à conversão com uma única certeza: Ele está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo aquilo que degrada, degradando-se ou degradando a outros. É o Deus que tem um nome: misericórdia. O seu nome é a nossa riqueza, o seu nome é a nossa fama, o seu nome é o nosso poder. E é no seu nome que repomos a nossa confiança, como diz o Salmo: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». Têm a coragem de repetir isto juntos? Três vezes: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». «Vós sois o meu Deus, em Vós confio» Jesus foi tentado como nós, tentado por nossa causa, por amor de nós. Ele foi tentado como nós, para que nós vençamos como ele! Ele foi tentado não somente naqueles quarenta dias. O evangelho diz que “terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno”(cf. Lc 4,13). A tentação de Jesus foi até a cruz, quando ele, no combate final, colocou toda a vida nas mãos do Pai e pelo Pai foi ressuscitado, tornando-se causa de vida e ressurreição para nós, que nele cremos, que o seguimos, com ele combatemos e o proclamamos Senhor ressuscitado”.

A quaresma é para nós um tempo forte de conversão e renovação em preparação à Páscoa. É tempo de rasgar o coração e voltar ao Senhor. Tempo de retomar o caminho e de se abrir à graça do Senhor, que nos ama e nos socorre. É um tempo sagrado para aprofundar o Plano de Deus e rever a nossa vida cristã. E nós somos convidados pelo Espírito ao DESERTO da Quaresma para nos fortalecer nas tentações, que frequentemente tentam nos afastar dos planos de Deus.

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09/03/2019 13:15 - Atualizado em 09/03/2019 13:16

A palavra do Senhor, dirigida a nós nesse primeiro domingo da quaresma, tempo forte que, com diz o Papa Francisco, quer despertar a alma para reencontrar a rota da vida, jejuar do supérfluo que distrai e deter-se para ir ao essencial, convida-nos a contemplar a figura de Jesus Cristo sendo Vencedor da Tentação e mestre que nos ensina o caminho de vitória ante as diversas tentações da vida.

Vivamos de coração aberto este primeiro Domingo do sagrado tempo da Quaresma, como um tempo de caminho para bem celebrar a santa Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Viver com seriedade o tempo quaresmal é colocar-se espiritualmente a caminho para crescer naquele conhecimento interior de Jesus, conhecimento saboroso, conhecimento ungido pelo Santo Espírito, conhecimento que ultrapassa de muito o simples conhecimento exterior adquirido pelo estudo. Deste conhecimento bendito falou-nos a oração da Missa deste domingo, que pede a Deus: “que ao longo desta Quaresma possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa”.

Encontramos na primeira leitura (Dt 26, 4-10), o momento em que Moisés diz ao povo que, ao se assentar na terra prometida, deve oferecer ao Senhor as primícias dos frutos da terra em sinal de gratidão. A oferta material, que seria feita pelo sacerdote, deveria ser oferecida junto com uma prece de reconhecimento das dificuldades passadas pelo povo e da gratidão pelo socorro e pela libertação trazida por Deus. Após apresentar a oferenda, diz a leitura, o povo deve inclinar-se em adoração. Moisés apresenta como recomendação ao povo uma atitude exterior, a oferenda dos primeiros frutos, junto com uma atitude interior, a de reconhecimento e gratidão. Esse é o verdadeiro modo do agir cristão no mundo: não somente gestos externos sem sentido ou sem conteúdo, nem gestos somente interiores que não mostrem sua eficácia na vida.

Em resposta a esta leitura, a Liturgia da Igreja coloca em nossos lábios a oração contida no salmo 90, o salmo da Confiança. O salmo 90 é um dos salmos mais populares da Sagrada Escritura. É muito comum encontrar as Bíblias abertas nas casas exatamente no salmo 90. Este salmo mostra o homem fraco colocado ante o Deus Forte e que sabe que sua fortaleza está n’Ele. A confiança em Deus faz o homem forte e capaz de suportar todas as lutas. A certeza de que Deus cuida de nós reorienta nossa forma de ver a vida.

A segunda leitura (Rm 10, 8-13), que se encontra na seção onde Paulo fala qual deve ser o destino do Antigo Israel ante o surgimento do Novo Povo de Deus, o Novo Israel, o apóstolo faz um convite: assim como foi mostrado na primeira Leitura, onde o povo era convidado a oferecer e adorar, agora o convite é o de confessar a fé com os lábios e crer com o coração. A fé é a certeza que salva e a força que não nos deixa ser confundidos.

O Evangelho deste domingo, (Lc 4, 1-13) é o motivo pelo qual o primeiro domingo da Quaresma seja chamado de Domingo das tentações. Passagem importante da vida de Jesus, testemunhada por Mateus, Marcos e Lucas, onde vemos Jesus, logo após o seu batismo e antes de iniciar seu ministério público, conduzido pelo Espírito, deixa-se tentar pelo demônio. Jesus foi tentado para mostrar assim sua natureza humana e para mostrar, ao mesmo tempo, que venceu o tentador por nós, mostrando ao mesmo tempo o caminho de vitória da tentação. Ele foi provado em tudo, à nossa semelhança, exceto no pecado (Heb 4,15). Jesus se apresenta como o Novo Adão: como o primeiro a Adão sucumbiu ante a tentação, fazendo com que o mal marcasse a humanidade, o Novo Adão, vencedor da Tentação, do pecado e da Morte, traz a nova vida e inaugura o estado no Novo Homem.

O Papa Francisco assim comenta esse episódio (em 2016): “As três tentações de Cristo... Três tentações do cristão que procuram arruinar a verdade a que fomos chamados. Três tentações que visam degradar e degradar-nos. Primeira, a riqueza, apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para «os meus». É conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. Tal riqueza é pão que sabe a tristeza, amargura e sofrimento. Numa família ou numa sociedade corrupta, este é o pão que se dá a comer aos próprios filhos. Segunda tentação, a vaidade: a busca de prestígio baseada na desqualificação contínua e constante daqueles que «não são ninguém». A busca exacerbada daqueles cinco minutos de fama que não perdoa a «fama» dos outros. E, «alegrando-se com a desgraça alheia», abre-se caminho à terceira tentação, a pior, a do orgulho, ou seja, colocar-se num plano de superioridade de qualquer tipo, sentindo que não se partilha «a vida comum dos mortais» e rezando todos os dias: «Dou-Vos graças, Senhor, porque não me fizestes como eles». Três tentações de Cristo... Três tentações que o cristão enfrenta diariamente. Três tentações que procuram degradar, destruir e tirar a alegria e o frescor do Evangelho; que nos fecham num círculo de destruição e pecado. Por isso vale a pena perguntarmo-nos: Até que ponto estamos conscientes destas tentações na nossa vida, em nós mesmos? Até que ponto nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida? Até que ponto estamos convencidos de que cuidar do outro, preocupar-nos e ocupar-nos com o pão, o bom nome e a dignidade dos outros seja fonte de alegria e de esperança? Escolhemos Jesus e não o diabo. Se vos recordais do que escutamos no Evangelho, Jesus não responde ao demônio com qualquer palavra própria, mas responde-lhe com as palavras de Deus, com as palavras da Sagrada Escritura. Com efeito, irmãs e irmãos, - fixemo-lo bem na cabeça – com o demônio não se dialoga, não se pode dialogar, porque sempre nos ganhará. Só a força da Palavra de Deus o pode derrotar. Nós escolhemos, não o diabo, mas Jesus; queremos seguir os seus passos, mas sabemos que não é fácil. Sabemos o que significa ser seduzidos pelo dinheiro, a fama e o poder. Por isso, a Igreja oferece-nos este tempo da Quaresma, convida-nos à conversão com uma única certeza: Ele está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo aquilo que degrada, degradando-se ou degradando a outros. É o Deus que tem um nome: misericórdia. O seu nome é a nossa riqueza, o seu nome é a nossa fama, o seu nome é o nosso poder. E é no seu nome que repomos a nossa confiança, como diz o Salmo: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». Têm a coragem de repetir isto juntos? Três vezes: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». «Vós sois o meu Deus, em Vós confio» Jesus foi tentado como nós, tentado por nossa causa, por amor de nós. Ele foi tentado como nós, para que nós vençamos como ele! Ele foi tentado não somente naqueles quarenta dias. O evangelho diz que “terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno”(cf. Lc 4,13). A tentação de Jesus foi até a cruz, quando ele, no combate final, colocou toda a vida nas mãos do Pai e pelo Pai foi ressuscitado, tornando-se causa de vida e ressurreição para nós, que nele cremos, que o seguimos, com ele combatemos e o proclamamos Senhor ressuscitado”.

A quaresma é para nós um tempo forte de conversão e renovação em preparação à Páscoa. É tempo de rasgar o coração e voltar ao Senhor. Tempo de retomar o caminho e de se abrir à graça do Senhor, que nos ama e nos socorre. É um tempo sagrado para aprofundar o Plano de Deus e rever a nossa vida cristã. E nós somos convidados pelo Espírito ao DESERTO da Quaresma para nos fortalecer nas tentações, que frequentemente tentam nos afastar dos planos de Deus.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro