Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/05/2019

19 de Maio de 2019

Livros do Antigo Testamento (95)

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19 de Maio de 2019

Livros do Antigo Testamento (95)

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01/03/2019 11:08 - Atualizado em 01/03/2019 11:08

Livros do Antigo Testamento (95) 0

01/03/2019 11:08 - Atualizado em 01/03/2019 11:08

Neste artigo concluímos nossa exposição sobre o Livro dos Salmos. Uma visão panorâmica sobre uma imensa coletânea de poesias e preces da tradição judaico-cristã.

SOBRE A CLASSIFICAÇÃO DO SALTÉRIO

O conteúdo e o contexto dos salmos fazem com que todos tenham um aspecto semelhante. São expressões de vivência religiosa e de oração.

Mesmo assim, existem gêneros literários1 que identificam todo um grupo de salmos, com temas, processos, fórmulas e estruturas semelhantes.

O mais normal é existir certa mistura de gêneros literários, de modo que cada salmo pode partilhar elementos provenientes de vários gêneros. Podem-se destacar, no entanto, os seguintes gêneros literários:

1. Salmos de louvor ou hinos.

São hinos de louvor utilizados com muita frequência na liturgia das festas, e dos quais se conhecem muitos outros exemplos dispersos pela Bíblia, tal como o Magnificat e outros, no Novo Testamento.

Veja-se Sl 8, 19, 29, 33, 100, 103, 104, 111, 113, 114, 117, 135, 136, 145, 146, 147, 148, 149, 150.

2. Salmos da realeza de Javé.

Estes celebram a Deus como rei: Sl 47, 93, 96, 97, 98, 99; e os ‘Cânticos de Sião’, que celebram Sião ou Jerusalém como cidade de Deus: Sl 46, 48, 76, 84, 87, 122.

3. Salmos individuais de súplica, confiança ou ação de graças.

São claramente os mais numerosos de todos, o que revela bem a atenção à experiência e aos problemas pessoais da fé, no âmbito da liturgia do povo bíblico.

As três categorias traduzem um conteúdo específico:

a) de súplica: Sl 5, 6, 7, 13, 17, 22, 25, 26, 28, 31, 35, 36, 38, 39, 42, 43, 51, 54, 55, 56, 57, 59, 61, 63, 64, 69, 70, 71, 86, 88, 102, 109, 120, 130, 140, 141, 142, 143;

b) de confiança: Sl 3, 4, 11, 16, 23, 27, 62, 121, 131; e

c) de ação de graças: Sl 9, 10, 30, 32, 34, 40, 41, 92, 107, 116, 138.

Deste conjunto, os salmos 6, 32, 38, 51, 102, 130 e 143 costumam ser designados também como “Salmos penitenciais”, dado o seu espírito e o uso litúrgico tradicional.

4. Salmos coletivos de súplica, confiança ou ação de graças.

Partem de uma experiência humana coletiva e exprimem a vivência comunitária que se realiza no culto. São claramente menos numerosos do que os individuais. Exemplos de súplica: Sl 12, 44, 58, 60, 74, 79, 80, 82, 83, 85, 90, 94, 106, 108, 123, 126, 137; de confiança: 115, 125, 129; de ação de graças: 65, 66, 67, 68, 118, 124.

5. Salmos reais.

Têm como tema a importante função exercida pelos reis dentro da comunidade de Israel. Sendo embora um tema diferente dos salmos da realeza de Javé, têm certamente algumas analogias com as esperanças messiânicas, porque estas se voltam para uma figura com alguns contornos de rei. Exemplos: Sl 2, 18, 20, 21, 45, 72, 89, 101, 110, 132, 144.

6. Salmos didáticos.

Tal é o título que se pode dar a um certo número de salmos que ajudam a refletir sobre temas, acontecimentos e valores importantes.

Podem subdividir-se em salmos sapienciais ou de meditação: 1, 37, 49, 73, 91, 112, 119, 127, 128, 133, 139; salmos históricos: 78, 105; salmos de exortação profética: 14, 50, 52, 53, 75, 81, 95; e salmos rituais: 15, 24, 134.

TEOLOGIA

Sistematizar o pensamento que nos é oferecido no Livro dos Salmos tem muito a ver com tudo o que anteriormente se disse da sua leitura. Não é verdadeiramente um livro, nem foi feito de uma só vez; não tem, portanto, uma doutrina uniforme e explícita. A sua verdadeira unidade é a da atitude de oração que em todos eles se exprime.

Mesmo assim, há ideias que são expressas com mais ou menos intensidade. A utilização que tiveram fez deles a expressão literária das verdades religiosas fundamentais. É o caso das expectativas messiânicas, facilmente associadas aos salmos de temática real.

Mas o que eles traduzem mais explicitamente é, sobretudo, a concepção de Deus e de todos os elementos decisivos da experiência religiosa: um Deus que governa o mundo, a vida e a História, que é acolhedor e próximo, disposto a atender aos pedidos de socorro, os gritos de desespero e os anseios de esperança, tanto de cada indivíduo como de toda a comunidade.

Devido a esta representatividade, os salmos tornam-se como que um tratado de teologia bíblica, uma vez que a sua expressividade orante encerra sutilezas tão íntimas que facilmente escapariam aos tratados catequéticos ou mesmo proféticos.

 

1 A literatura é uma manifestação artística difícil de ser conceituada. Para nos ajudar a melhor entendê-la, Aristóteles, em sua Arte Poética, definiu aquilo que chamamos de gêneros literários. Portanto, é interessante observar que a história da teoria dos gêneros pode ser contada a partir da Antiguidade greco-romana, quando também surgiram as primeiras manifestações poéticas da cultura ocidental. Os gêneros literários reúnem um conjunto de obras que apresentam características análogas de forma e conteúdo. Essa classificação pode ser feita de acordo com critérios semânticos, sintáticos, fonológicos, formais, contextuais, entre outros. Eles se dividem em três categorias básicas: gêneros épico, lírico e dramático. Vale salientar também que, atualmente, os textos literários são organizados em três gêneros: narrativo, lírico e dramático. Cf. https://brasilescola.uol.com.br/literatura/generos-literarios.htm-

 

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01/03/2019 11:08 - Atualizado em 01/03/2019 11:08

Neste artigo concluímos nossa exposição sobre o Livro dos Salmos. Uma visão panorâmica sobre uma imensa coletânea de poesias e preces da tradição judaico-cristã.

SOBRE A CLASSIFICAÇÃO DO SALTÉRIO

O conteúdo e o contexto dos salmos fazem com que todos tenham um aspecto semelhante. São expressões de vivência religiosa e de oração.

Mesmo assim, existem gêneros literários1 que identificam todo um grupo de salmos, com temas, processos, fórmulas e estruturas semelhantes.

O mais normal é existir certa mistura de gêneros literários, de modo que cada salmo pode partilhar elementos provenientes de vários gêneros. Podem-se destacar, no entanto, os seguintes gêneros literários:

1. Salmos de louvor ou hinos.

São hinos de louvor utilizados com muita frequência na liturgia das festas, e dos quais se conhecem muitos outros exemplos dispersos pela Bíblia, tal como o Magnificat e outros, no Novo Testamento.

Veja-se Sl 8, 19, 29, 33, 100, 103, 104, 111, 113, 114, 117, 135, 136, 145, 146, 147, 148, 149, 150.

2. Salmos da realeza de Javé.

Estes celebram a Deus como rei: Sl 47, 93, 96, 97, 98, 99; e os ‘Cânticos de Sião’, que celebram Sião ou Jerusalém como cidade de Deus: Sl 46, 48, 76, 84, 87, 122.

3. Salmos individuais de súplica, confiança ou ação de graças.

São claramente os mais numerosos de todos, o que revela bem a atenção à experiência e aos problemas pessoais da fé, no âmbito da liturgia do povo bíblico.

As três categorias traduzem um conteúdo específico:

a) de súplica: Sl 5, 6, 7, 13, 17, 22, 25, 26, 28, 31, 35, 36, 38, 39, 42, 43, 51, 54, 55, 56, 57, 59, 61, 63, 64, 69, 70, 71, 86, 88, 102, 109, 120, 130, 140, 141, 142, 143;

b) de confiança: Sl 3, 4, 11, 16, 23, 27, 62, 121, 131; e

c) de ação de graças: Sl 9, 10, 30, 32, 34, 40, 41, 92, 107, 116, 138.

Deste conjunto, os salmos 6, 32, 38, 51, 102, 130 e 143 costumam ser designados também como “Salmos penitenciais”, dado o seu espírito e o uso litúrgico tradicional.

4. Salmos coletivos de súplica, confiança ou ação de graças.

Partem de uma experiência humana coletiva e exprimem a vivência comunitária que se realiza no culto. São claramente menos numerosos do que os individuais. Exemplos de súplica: Sl 12, 44, 58, 60, 74, 79, 80, 82, 83, 85, 90, 94, 106, 108, 123, 126, 137; de confiança: 115, 125, 129; de ação de graças: 65, 66, 67, 68, 118, 124.

5. Salmos reais.

Têm como tema a importante função exercida pelos reis dentro da comunidade de Israel. Sendo embora um tema diferente dos salmos da realeza de Javé, têm certamente algumas analogias com as esperanças messiânicas, porque estas se voltam para uma figura com alguns contornos de rei. Exemplos: Sl 2, 18, 20, 21, 45, 72, 89, 101, 110, 132, 144.

6. Salmos didáticos.

Tal é o título que se pode dar a um certo número de salmos que ajudam a refletir sobre temas, acontecimentos e valores importantes.

Podem subdividir-se em salmos sapienciais ou de meditação: 1, 37, 49, 73, 91, 112, 119, 127, 128, 133, 139; salmos históricos: 78, 105; salmos de exortação profética: 14, 50, 52, 53, 75, 81, 95; e salmos rituais: 15, 24, 134.

TEOLOGIA

Sistematizar o pensamento que nos é oferecido no Livro dos Salmos tem muito a ver com tudo o que anteriormente se disse da sua leitura. Não é verdadeiramente um livro, nem foi feito de uma só vez; não tem, portanto, uma doutrina uniforme e explícita. A sua verdadeira unidade é a da atitude de oração que em todos eles se exprime.

Mesmo assim, há ideias que são expressas com mais ou menos intensidade. A utilização que tiveram fez deles a expressão literária das verdades religiosas fundamentais. É o caso das expectativas messiânicas, facilmente associadas aos salmos de temática real.

Mas o que eles traduzem mais explicitamente é, sobretudo, a concepção de Deus e de todos os elementos decisivos da experiência religiosa: um Deus que governa o mundo, a vida e a História, que é acolhedor e próximo, disposto a atender aos pedidos de socorro, os gritos de desespero e os anseios de esperança, tanto de cada indivíduo como de toda a comunidade.

Devido a esta representatividade, os salmos tornam-se como que um tratado de teologia bíblica, uma vez que a sua expressividade orante encerra sutilezas tão íntimas que facilmente escapariam aos tratados catequéticos ou mesmo proféticos.

 

1 A literatura é uma manifestação artística difícil de ser conceituada. Para nos ajudar a melhor entendê-la, Aristóteles, em sua Arte Poética, definiu aquilo que chamamos de gêneros literários. Portanto, é interessante observar que a história da teoria dos gêneros pode ser contada a partir da Antiguidade greco-romana, quando também surgiram as primeiras manifestações poéticas da cultura ocidental. Os gêneros literários reúnem um conjunto de obras que apresentam características análogas de forma e conteúdo. Essa classificação pode ser feita de acordo com critérios semânticos, sintáticos, fonológicos, formais, contextuais, entre outros. Eles se dividem em três categorias básicas: gêneros épico, lírico e dramático. Vale salientar também que, atualmente, os textos literários são organizados em três gêneros: narrativo, lírico e dramático. Cf. https://brasilescola.uol.com.br/literatura/generos-literarios.htm-

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica