Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 13º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/07/2019

19 de Julho de 2019

Campanha da Fraternidade 2019

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19 de Julho de 2019

Campanha da Fraternidade 2019

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22/02/2019 10:09 - Atualizado em 22/02/2019 10:09

Campanha da Fraternidade 2019 0

22/02/2019 10:09 - Atualizado em 22/02/2019 10:09

Em 1961, três sacerdotes que atuavam junto à Cáritas Brasileira decidiram promover uma campanha para arrecadação de fundos para as atividades assistenciais da Igreja local. Essa atividade foi chamada de Campanha da Fraternidade. No contexto da Quaresma de 1962, foi a ocasião em que se deu pela primeira vez a experiência da Campanha da Fraternidade, na cidade de Natal, no Estado do Rio Grande do Norte, numa iniciativa do Cardeal Eugenio de Araujo Sales. Daí, a campanha foi assumindo, dentro do contexto de conversão quaresmal, todas as demais dioceses do Brasil.

Em cada ano temos um assunto a ser aprofundado. Neste ano, o tema que nos é proposto pela Igreja no Brasil nos faz refletir sobre as políticas públicas, a necessidade de políticas que promovam a dignidade humana no Brasil. O tema “Fraternidade e Políticas Públicas” dá continuidade ao do ano passado, sobre a paz. O lema nos inspira na Sagrada Escritura e nos posiciona com os olhos no futuro: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27).

O Reino já está “em nosso meio”, porém precisamos fazer nossa parte, quando, por um impulso do coração, guiado por uma fé límpida, nos tornemos uma fraternidade de irmãos e irmãs. Mas, para isso, devemos descer da montanha, agir como o “bom samaritano”, com humildade e amor, e nos curvar à vida do irmão, numa atitude de dom e reverência à vida, movida pelo seu valor intrínseco e pelo lugar que ocupa na hierarquia dos valores.

O amor existe e sobrevive, apesar de tudo, no silêncio de muitos corações, mas só terá sua plenitude na relação coerente de cada pessoa e de toda comunidade com este amor.

A Igreja pode ser um lugar do anúncio e denúncia de tudo que pode ferir a dignidade das pessoas, especialmente daquelas que são privadas de seus direitos. É preciso conquistar políticas sociais (públicas) que garantam uma vida digna aos pobres, ou seja, formas de construir a vida dos cidadãos.

Cabe à Igreja, em sua missão de anunciar Jesus Cristo, e, como consequência, chamar a sociedade a ser mais justa; favorecer o diálogo e a ação transformadora, consciente de ser uma das forças vivas da sociedade. A Igreja segue firme sua missão em favor das políticas públicas que promovam a cidadania e o direito da pessoa.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe que durante esta Quaresma, através da Campanha da Fraternidade, a sociedade reflita sobre a necessidade de promover uma cultura de paz em meio a tanta violência.

Com a Campanha da Fraternidade, somos chamados a ser os protagonistas da superação da violência, fazendo-nos mensageiros e construtores da paz, promovendo e incentivando mais políticas públicas que favoreçam a segurança e o bem-estar das pessoas. A paz contínua, fruto do desenvolvimento integral de todos, nascido de um novo relacionamento com todas as criaturas, também é o sonho de nosso Deus. Deve ser nosso compromisso constante como Igreja do Povo de Deus.

A vida e a dignidade do povo, dos grupos sociais mais vulneráveis, são afetadas, com frequência, pela ausência de políticas que contemplem as suas necessidades integrais de subsistência.

Esta é uma realidade complexa; embora a ação de todos seja importante, ações comunitárias são necessárias. Daí o apelo que a Igreja no Brasil, através da Campanha da Fraternidade, faz a toda sociedade e seus representantes.

O objetivo geral da campanha é levar a Igreja e a sociedade a se empenharem na defesa e promoção da vida humana, sobretudo quando esta vida é ameaçada, perseguida, oprimida por qualquer sistema de injustiça e opressão. A Igreja tem consciência de que a vida humana é uma dádiva de Deus.

Os objetivos específicos da Campanha da Fraternidade 2019 são, principalmente, promover a cultura da vida através de políticas públicas de educação, saúde e segurança social, para o pleno desenvolvimento da consciência, a corresponsabilidade entre o homem e a mulher, e a solidariedade entre todos nas políticas de promoção da justiça e dignidade da pessoa.

A Igreja, através da Campanha da Fraternidade 2019, quer fomentar o diálogo e trabalhar, em conjunto, com as diversas camadas da sociedade, com as pessoas de diferentes origens culturais e religiosas. A Igreja deseja procurar maneiras comuns de promover mais políticas públicas para todos, especialmente aos mais vulneráveis que, na sua maioria, são vítimas da exclusão social.

A Igreja como Mãe, e fiel ao Evangelho das Bem-aventuranças, pretende continuar cada vez mais do lado dos pobres e oprimidos, acolher, proteger e encorajar estes irmãos e irmãs para promover e respeitar sua dignidade.

A Campanha da Fraternidade 2019 visa a desenvolver uma consciência crítica nas pessoas, diante de estruturas que geram a morte e promovem a manipulação da vida humana; e, antes de tudo, propor e apoiar políticas públicas que garantam a promoção e a defesa da vida.

Esta Campanha da Fraternidade pretende ser mais um esforço para a conversão Quaresmal na vida de todos os cristãos, a fim de buscar sempre maior fidelidade a Deus, o criador e doador da vida.

O tema da Campanha da Fraternidade 2019 propõe a conversão do coração e a consequente transformação da sociedade. Abrir caminhos novos para que as pessoas possam viver na condição de cidadãos, serem respeitados e contemplados pelo Estado.

Cristo, em sua vida, ensinou ao povo do seu tempo, a justiça, o amor e a fraternidade, aliviou o sofrimento daqueles que sofriam sob a opressão dos poderosos, de todos os poderosos, mesmo daqueles que até diziam ser religiosos. Cristo, o libertador, soube se compadecer dos pobres, e a Igreja, por sua vez, acolhendo o mandato de seu Senhor, também procura seguir as mesmas pegadas, para promover a justiça do Reino.

Talvez o desafio maior seja o de chamar à conversão os duros corações da sociedade de hoje, para que se tornem um coração de carne que sabem colocar em prática gestos concretos de comunhão e libertação, de justiça e de solidariedade para todos, com as políticas públicas de inclusão.

É hora de se envolver profeticamente contra todas as formas de injustiça e exclusão. Se a essência da Páscoa é persistir em acreditar que a esperança é um horizonte de Ressurreição, que pulsa a paixão pela Vida, então devemos persistir na defesa e promoção da justiça.

Vamos nos preparar para iniciar na Quaresma essa grande reflexão que nos leve à conversão diante da escuta da Palavra nesse caminho penitencial e, assim, seguir o Ressuscitado, tendo como consequência a busca por mais políticas públicas para todos.

Não devemos nunca nos esquecer de que a Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil é um compromisso pascal, pois está ciente de que crer na ressurreição também significa ter a certeza de que a vida venceu a morte, e nós somos chamados a ser testemunhas dessa vida, que é Jesus.

Que esta campanha sirva para abrir o nosso coração a Deus e às sementes da Páscoa, sementes que brotam em misericórdia e dão frutos de justiça, bondade, amor e fraternidade para todos.

Agradeço a todos os líderes das diversas pastorais de nossa arquidiocese, as pastorais sociais, as pequenas comunidades, em especial, aos Círculos Bíblicos e a todo Povo de Deus, empenhando na luta por justiça e paz, por mais políticas públicas em nossa cidade, em nosso estado e em nosso país. A partir da Quarta-feira de Cinzas os temas de nossas reuniões irão aprofundar essas consequências de nossa conversão.

Deus nos abençoe e nos guarde; o Ressuscitado ilumine a todos pelo compromisso incansável em favor da dignidade humana, sempre em perfeita comunhão e unidade na ação missionária, evangelizadora e transformadora em nossa arquidiocese, no desafio de promover o reino de Deus nesta grande cidade – eis aí a nossa missão!

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Campanha da Fraternidade 2019

22/02/2019 10:09 - Atualizado em 22/02/2019 10:09

Em 1961, três sacerdotes que atuavam junto à Cáritas Brasileira decidiram promover uma campanha para arrecadação de fundos para as atividades assistenciais da Igreja local. Essa atividade foi chamada de Campanha da Fraternidade. No contexto da Quaresma de 1962, foi a ocasião em que se deu pela primeira vez a experiência da Campanha da Fraternidade, na cidade de Natal, no Estado do Rio Grande do Norte, numa iniciativa do Cardeal Eugenio de Araujo Sales. Daí, a campanha foi assumindo, dentro do contexto de conversão quaresmal, todas as demais dioceses do Brasil.

Em cada ano temos um assunto a ser aprofundado. Neste ano, o tema que nos é proposto pela Igreja no Brasil nos faz refletir sobre as políticas públicas, a necessidade de políticas que promovam a dignidade humana no Brasil. O tema “Fraternidade e Políticas Públicas” dá continuidade ao do ano passado, sobre a paz. O lema nos inspira na Sagrada Escritura e nos posiciona com os olhos no futuro: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27).

O Reino já está “em nosso meio”, porém precisamos fazer nossa parte, quando, por um impulso do coração, guiado por uma fé límpida, nos tornemos uma fraternidade de irmãos e irmãs. Mas, para isso, devemos descer da montanha, agir como o “bom samaritano”, com humildade e amor, e nos curvar à vida do irmão, numa atitude de dom e reverência à vida, movida pelo seu valor intrínseco e pelo lugar que ocupa na hierarquia dos valores.

O amor existe e sobrevive, apesar de tudo, no silêncio de muitos corações, mas só terá sua plenitude na relação coerente de cada pessoa e de toda comunidade com este amor.

A Igreja pode ser um lugar do anúncio e denúncia de tudo que pode ferir a dignidade das pessoas, especialmente daquelas que são privadas de seus direitos. É preciso conquistar políticas sociais (públicas) que garantam uma vida digna aos pobres, ou seja, formas de construir a vida dos cidadãos.

Cabe à Igreja, em sua missão de anunciar Jesus Cristo, e, como consequência, chamar a sociedade a ser mais justa; favorecer o diálogo e a ação transformadora, consciente de ser uma das forças vivas da sociedade. A Igreja segue firme sua missão em favor das políticas públicas que promovam a cidadania e o direito da pessoa.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe que durante esta Quaresma, através da Campanha da Fraternidade, a sociedade reflita sobre a necessidade de promover uma cultura de paz em meio a tanta violência.

Com a Campanha da Fraternidade, somos chamados a ser os protagonistas da superação da violência, fazendo-nos mensageiros e construtores da paz, promovendo e incentivando mais políticas públicas que favoreçam a segurança e o bem-estar das pessoas. A paz contínua, fruto do desenvolvimento integral de todos, nascido de um novo relacionamento com todas as criaturas, também é o sonho de nosso Deus. Deve ser nosso compromisso constante como Igreja do Povo de Deus.

A vida e a dignidade do povo, dos grupos sociais mais vulneráveis, são afetadas, com frequência, pela ausência de políticas que contemplem as suas necessidades integrais de subsistência.

Esta é uma realidade complexa; embora a ação de todos seja importante, ações comunitárias são necessárias. Daí o apelo que a Igreja no Brasil, através da Campanha da Fraternidade, faz a toda sociedade e seus representantes.

O objetivo geral da campanha é levar a Igreja e a sociedade a se empenharem na defesa e promoção da vida humana, sobretudo quando esta vida é ameaçada, perseguida, oprimida por qualquer sistema de injustiça e opressão. A Igreja tem consciência de que a vida humana é uma dádiva de Deus.

Os objetivos específicos da Campanha da Fraternidade 2019 são, principalmente, promover a cultura da vida através de políticas públicas de educação, saúde e segurança social, para o pleno desenvolvimento da consciência, a corresponsabilidade entre o homem e a mulher, e a solidariedade entre todos nas políticas de promoção da justiça e dignidade da pessoa.

A Igreja, através da Campanha da Fraternidade 2019, quer fomentar o diálogo e trabalhar, em conjunto, com as diversas camadas da sociedade, com as pessoas de diferentes origens culturais e religiosas. A Igreja deseja procurar maneiras comuns de promover mais políticas públicas para todos, especialmente aos mais vulneráveis que, na sua maioria, são vítimas da exclusão social.

A Igreja como Mãe, e fiel ao Evangelho das Bem-aventuranças, pretende continuar cada vez mais do lado dos pobres e oprimidos, acolher, proteger e encorajar estes irmãos e irmãs para promover e respeitar sua dignidade.

A Campanha da Fraternidade 2019 visa a desenvolver uma consciência crítica nas pessoas, diante de estruturas que geram a morte e promovem a manipulação da vida humana; e, antes de tudo, propor e apoiar políticas públicas que garantam a promoção e a defesa da vida.

Esta Campanha da Fraternidade pretende ser mais um esforço para a conversão Quaresmal na vida de todos os cristãos, a fim de buscar sempre maior fidelidade a Deus, o criador e doador da vida.

O tema da Campanha da Fraternidade 2019 propõe a conversão do coração e a consequente transformação da sociedade. Abrir caminhos novos para que as pessoas possam viver na condição de cidadãos, serem respeitados e contemplados pelo Estado.

Cristo, em sua vida, ensinou ao povo do seu tempo, a justiça, o amor e a fraternidade, aliviou o sofrimento daqueles que sofriam sob a opressão dos poderosos, de todos os poderosos, mesmo daqueles que até diziam ser religiosos. Cristo, o libertador, soube se compadecer dos pobres, e a Igreja, por sua vez, acolhendo o mandato de seu Senhor, também procura seguir as mesmas pegadas, para promover a justiça do Reino.

Talvez o desafio maior seja o de chamar à conversão os duros corações da sociedade de hoje, para que se tornem um coração de carne que sabem colocar em prática gestos concretos de comunhão e libertação, de justiça e de solidariedade para todos, com as políticas públicas de inclusão.

É hora de se envolver profeticamente contra todas as formas de injustiça e exclusão. Se a essência da Páscoa é persistir em acreditar que a esperança é um horizonte de Ressurreição, que pulsa a paixão pela Vida, então devemos persistir na defesa e promoção da justiça.

Vamos nos preparar para iniciar na Quaresma essa grande reflexão que nos leve à conversão diante da escuta da Palavra nesse caminho penitencial e, assim, seguir o Ressuscitado, tendo como consequência a busca por mais políticas públicas para todos.

Não devemos nunca nos esquecer de que a Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil é um compromisso pascal, pois está ciente de que crer na ressurreição também significa ter a certeza de que a vida venceu a morte, e nós somos chamados a ser testemunhas dessa vida, que é Jesus.

Que esta campanha sirva para abrir o nosso coração a Deus e às sementes da Páscoa, sementes que brotam em misericórdia e dão frutos de justiça, bondade, amor e fraternidade para todos.

Agradeço a todos os líderes das diversas pastorais de nossa arquidiocese, as pastorais sociais, as pequenas comunidades, em especial, aos Círculos Bíblicos e a todo Povo de Deus, empenhando na luta por justiça e paz, por mais políticas públicas em nossa cidade, em nosso estado e em nosso país. A partir da Quarta-feira de Cinzas os temas de nossas reuniões irão aprofundar essas consequências de nossa conversão.

Deus nos abençoe e nos guarde; o Ressuscitado ilumine a todos pelo compromisso incansável em favor da dignidade humana, sempre em perfeita comunhão e unidade na ação missionária, evangelizadora e transformadora em nossa arquidiocese, no desafio de promover o reino de Deus nesta grande cidade – eis aí a nossa missão!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro