Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 13º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/07/2019

19 de Julho de 2019

É feliz quem a Deus se confia

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

19 de Julho de 2019

É feliz quem a Deus se confia

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

16/02/2019 21:38 - Atualizado em 16/02/2019 21:38

É feliz quem a Deus se confia 0

16/02/2019 21:38 - Atualizado em 16/02/2019 21:38

Estamos celebrando o sexto domingo do tempo comum. A Palavra deste domingo nos convida a colocar nossa esperança em Deus e a viver a fé em Cristo ressuscitado. O Evangelho (Cf. Lc 6,17.20-26) nos traz as bem-aventuranças, projeto de Jesus para a ação cristã e a santificação. Projeto para a Comunidade que deseja, de fato, agir e se santificar conforme o ensinamento de Cristo. Somos bem-aventurados, porque somos chamados ao amor e por ele fomos criados. Somos bem-aventurados, porque o Senhor Jesus anunciamos as Bem-aventuranças para que sejamos santos, imaculados e comprometidos com a verdade do Reino. É o amor que tudo realiza. Jesus olha com amor e misericórdia para aqueles que estão privados do mínimo necessário para viver com dignidade filial. Jesus se opõe aos que são elogiados, que vivem saciados e exaltados, mas estão longe de Deus. Exalta os pobres que vivem o valor da pobreza; os que são atribulados e perseguidos, mas que estão do lado de Deus; os que são acolhedores do Reino.

A primeira leitura (cf. Jr 17, 5-8) o profeta Jeremias nos recorda o Salmo 1. Expressa o simples contraste entre a idolatria humana e a confiança em Deus. A humanidade vive sob o curso do erro e da ilusão, enquanto a confiança em Deus é o caminho da bênção e da segurança. A razão do contraste é evidenciar como o trágico destino de Judá, apresentado nos v. 1-4, pode ser essencialmente traçado como erros do entendimento humano.  Para o profeta Jeremias, a vida pode ser definida com base no caminho a ser seguido. A confiança na própria força conduz o ser humano à injustiça, à exploração e à violência. Devemos, de fato, lembrar-nos que o profeta Jeremias é vocacionado por Deus para falar justamente contra os reis, os sacerdotes e os proprietários de terra, ou seja, contra o poder político, o poder religioso e o poder econômico (cf. Jr 1,18). Por outro lado, a fonte de todas as bênçãos reside justamente naquele que segue, de forma confiante, o projeto de Deus.

Na segunda leitura (Cf. 1 Cor 15, 12.16-20) São Paulo é enérgico ao afirmar o fundamento da fé: somente a ressurreição de Cristo é que pode, de fato e de verdade, dar sentido à vida e à morte de cada um dos cristãos. O apóstolo ensina os primeiros cristãos da comunidade de Corinto a esperar contra toda esperança, demonstrando que haverá a ressurreição dos mortos por causa da ressurreição de Cristo. A ressurreição de Cristo marca o início de novo modo de os discípulos e discípulas de Cristo pensarem a própria história. Não se trata apenas de ver a história objetivamente, mas também de vê-la na perspectiva de Cristo. A ressurreição de Cristo indica não apenas o surgimento de nova humanidade, como também o modo de proceder segundo um novo projeto de vida.

No Evangelho (cf. Lc 6,17.20-26), Lucas deixa claro que a vida é composta de “bem-aventuranças” e de “ais”. São quatro bem-aventuranças e quatro ais. Há equilíbrio entre bênção e denúncia. De um lado estão os pobres, os famintos, os que sofrem e os rejeitados; de outro, distantes, mas promotores da situação em que aqueles viviam, os ricos. Jesus se apresenta como profeta que denuncia a produção de violência contra os pequeninos. Nesse sentido, ele dá continuidade à escola profética do Antigo Testamento. Sabe que a promoção da violência e da pobreza é um escândalo. Por isso, elas não podem ser consideradas naturais nem, muito menos, divinas. Pobreza e violência, nas Sagradas Escrituras, devem ser pensadas como escândalo. Deus jamais pode ser considerado a fonte da pobreza, nem, muito menos, deveríamos nos alinhar a construções teológicas que sustentam ser ele quem determina que uns sejam ricos e outros vivam na necessidade. A pobreza é um mal que estende suas raízes para o estabelecimento de relações de dependência e opressão. A miséria  depende das anormalidades produzidas pelos sujeitos responsáveis pela construção da sociedade. Há miséria e sofrimento no mundo não porque as pessoas são vítimas da injustiça de outros. Os agentes da violência, da opressão e da injustiça possuem um poder que deteriora as relações humanas, subjugando os diferentes e hierarquizando as relações.

Somos convidados a viver e cumprir as bem-aventuranças. Eis o que Jesus nos ensina: praticar as Bem-aventuranças. O amor verdadeiro deve penetrar todas as nossas relações. Deve ser e continuar sendo o centro de nossa resposta de fé, de cada homem e mulher, em todas as culturas e realidades humanas, pois é o amor que nos faz ter a profunda e autêntica experiência divina. A ação cristã, carregada de amor e de misericórdia, produz frutos do Reino, faz-nos felizes aqui e agora, além de nos dar a certeza da recompensa nos céus, na comunhão eterna com Deus. Sejamos, pois, bem-aventurados do jeito que nos ensina Jesus!

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

É feliz quem a Deus se confia

16/02/2019 21:38 - Atualizado em 16/02/2019 21:38

Estamos celebrando o sexto domingo do tempo comum. A Palavra deste domingo nos convida a colocar nossa esperança em Deus e a viver a fé em Cristo ressuscitado. O Evangelho (Cf. Lc 6,17.20-26) nos traz as bem-aventuranças, projeto de Jesus para a ação cristã e a santificação. Projeto para a Comunidade que deseja, de fato, agir e se santificar conforme o ensinamento de Cristo. Somos bem-aventurados, porque somos chamados ao amor e por ele fomos criados. Somos bem-aventurados, porque o Senhor Jesus anunciamos as Bem-aventuranças para que sejamos santos, imaculados e comprometidos com a verdade do Reino. É o amor que tudo realiza. Jesus olha com amor e misericórdia para aqueles que estão privados do mínimo necessário para viver com dignidade filial. Jesus se opõe aos que são elogiados, que vivem saciados e exaltados, mas estão longe de Deus. Exalta os pobres que vivem o valor da pobreza; os que são atribulados e perseguidos, mas que estão do lado de Deus; os que são acolhedores do Reino.

A primeira leitura (cf. Jr 17, 5-8) o profeta Jeremias nos recorda o Salmo 1. Expressa o simples contraste entre a idolatria humana e a confiança em Deus. A humanidade vive sob o curso do erro e da ilusão, enquanto a confiança em Deus é o caminho da bênção e da segurança. A razão do contraste é evidenciar como o trágico destino de Judá, apresentado nos v. 1-4, pode ser essencialmente traçado como erros do entendimento humano.  Para o profeta Jeremias, a vida pode ser definida com base no caminho a ser seguido. A confiança na própria força conduz o ser humano à injustiça, à exploração e à violência. Devemos, de fato, lembrar-nos que o profeta Jeremias é vocacionado por Deus para falar justamente contra os reis, os sacerdotes e os proprietários de terra, ou seja, contra o poder político, o poder religioso e o poder econômico (cf. Jr 1,18). Por outro lado, a fonte de todas as bênçãos reside justamente naquele que segue, de forma confiante, o projeto de Deus.

Na segunda leitura (Cf. 1 Cor 15, 12.16-20) São Paulo é enérgico ao afirmar o fundamento da fé: somente a ressurreição de Cristo é que pode, de fato e de verdade, dar sentido à vida e à morte de cada um dos cristãos. O apóstolo ensina os primeiros cristãos da comunidade de Corinto a esperar contra toda esperança, demonstrando que haverá a ressurreição dos mortos por causa da ressurreição de Cristo. A ressurreição de Cristo marca o início de novo modo de os discípulos e discípulas de Cristo pensarem a própria história. Não se trata apenas de ver a história objetivamente, mas também de vê-la na perspectiva de Cristo. A ressurreição de Cristo indica não apenas o surgimento de nova humanidade, como também o modo de proceder segundo um novo projeto de vida.

No Evangelho (cf. Lc 6,17.20-26), Lucas deixa claro que a vida é composta de “bem-aventuranças” e de “ais”. São quatro bem-aventuranças e quatro ais. Há equilíbrio entre bênção e denúncia. De um lado estão os pobres, os famintos, os que sofrem e os rejeitados; de outro, distantes, mas promotores da situação em que aqueles viviam, os ricos. Jesus se apresenta como profeta que denuncia a produção de violência contra os pequeninos. Nesse sentido, ele dá continuidade à escola profética do Antigo Testamento. Sabe que a promoção da violência e da pobreza é um escândalo. Por isso, elas não podem ser consideradas naturais nem, muito menos, divinas. Pobreza e violência, nas Sagradas Escrituras, devem ser pensadas como escândalo. Deus jamais pode ser considerado a fonte da pobreza, nem, muito menos, deveríamos nos alinhar a construções teológicas que sustentam ser ele quem determina que uns sejam ricos e outros vivam na necessidade. A pobreza é um mal que estende suas raízes para o estabelecimento de relações de dependência e opressão. A miséria  depende das anormalidades produzidas pelos sujeitos responsáveis pela construção da sociedade. Há miséria e sofrimento no mundo não porque as pessoas são vítimas da injustiça de outros. Os agentes da violência, da opressão e da injustiça possuem um poder que deteriora as relações humanas, subjugando os diferentes e hierarquizando as relações.

Somos convidados a viver e cumprir as bem-aventuranças. Eis o que Jesus nos ensina: praticar as Bem-aventuranças. O amor verdadeiro deve penetrar todas as nossas relações. Deve ser e continuar sendo o centro de nossa resposta de fé, de cada homem e mulher, em todas as culturas e realidades humanas, pois é o amor que nos faz ter a profunda e autêntica experiência divina. A ação cristã, carregada de amor e de misericórdia, produz frutos do Reino, faz-nos felizes aqui e agora, além de nos dar a certeza da recompensa nos céus, na comunhão eterna com Deus. Sejamos, pois, bem-aventurados do jeito que nos ensina Jesus!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro