Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/07/2019

16 de Julho de 2019

Livros do Antigo Testamento (93)

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16 de Julho de 2019

Livros do Antigo Testamento (93)

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15/02/2019 11:41 - Atualizado em 15/02/2019 11:42

Livros do Antigo Testamento (93) 0

15/02/2019 11:41 - Atualizado em 15/02/2019 11:42

O atual artigo se ocupa de um conjunto de textos ou coleção, o livro mais amado e conhecido por judeus, cristãos e amantes da oração, da poesia, da espiritualidade: O Livro dos Salmos, ou simplesmente Saltério.

Além do sabor poético e religioso, estes textos foram produzidos para a oração pessoal, louvor, liturgia e meditação no Templo e nas sinagogas. Um conjunto de poemas que tem Deus, a história de Israel, a Criação, entre seus temas.

Mas para nós cristãos, desde o princípio, uma Liturgia, porque foram a oração predileta e diária de Jesus.

NOME

O nome atual do Livro dos Salmos, ou simplesmente Salmos, está diretamente ligado à mais antiga designação utilizada para esta coleção de poemas ou cânticos religiosos.

A designação em português deriva da palavra grega ‘Psalmoi’1 e esta já é utilizada na antiga tradução grega, chamada dos Setenta, para traduzir o termo hebraico ‘mizmorôt’, (cânticos).

Este parece ter sido o seu nome hebraico mais antigo.

Por isso, quando o Novo Testamento lhe chama “biblos psalmôn” (Lc 20,42; At 1,20), está a usar uma designação correta e formal.

Pois o próprio Davi, no Livro dos Salmos, diz: Disse o Senhor a meu Senhor: Senta-te à minha direita (Lc 20, 42).

Pois está escrito no Livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo (Sl 68,26; 108,8). (At 1, 20).

No entanto, já nos textos de Qumrân e em alguns autores cristãos antigos aparece o nome que atualmente lhe é dado na Bíblia hebraica: Sepher Tehillim, ‘Livro dos louvores’.

TEXTO

O tempo tão longo da formação dos Salmos e o fato de terem vindo a ser objeto de leitura e utilização contínuas, e mesmo cotidianas, torna possível que o texto, um dos mais antigos da Bíblia, possa ter sofrido influências derivadas dessa leitura e mesmo algumas transformações de conteúdo e sentido.

A leitura repetida, geração após geração, e a acumulação interpretativa que assim se forma, atribui a estes textos uma riqueza transbordante de conteúdos. Nem sempre é fácil traduzir num só texto esta multiplicidade.

COMPOSIÇÃO e DATAÇÃO

A tradição hebraica e cristã sempre atribuiu uma grande importância a David, como estando na origem do Salmos.

Isso representa bem o ascendente que esse rei teve na criação das instituições em que Israel via espelhada e assente a sua vida cultual e espiritual, nomeadamente o culto do templo de Jerusalém. E é ao culto que está certamente ligada a composição da maior parte dos Salmos.

No entanto, estes poemas religiosos foram compostos ao longo de muitos séculos e alguns deles poderão ter sido compostos não muito antes do tempo do Novo Testamento.

Nada impede que a maioria seja anterior ao Exílio2 e alguns deles possam mesmo ser do tempo de David; alguns podem até ser mais antigos. É que estes hinos religiosos são herdeiros e, em certos casos, em linha direta, da poesia religiosa da tradição cananaica, que os hebreus, em boa parte, aproveitaram.

Houve certamente épocas privilegiadas na produção destes Salmos; a de David poderá ter sido uma delas.

 

1 Salmos (do grego Ψαλμός, em transliteração latina música, pois o nome no original hebraico é מזמור em transliteração latina mizmor ou músicaou Tehilim (do hebraico תהילים em transliteração latina louvores) é um livro do Tanakh (faz parte dos escritos ou Ketuvim) e da Bíblia Cristã, sucede o Livro de Jó, pois este encerra a sequência de “livros históricos”, e antecede o Livro dos Provérbios, iniciando os “livros proféticos” e os “livros poéticos”, em ordem cronológica, sendo o primeiro livro a falar claramente do Messias (ou Cristo) e seu reinado, e do Juízo Final. É o maior livro de toda Bíblia e constitui-se de 150 (ou 151 segundo a Igreja Ortodoxa) cânticos e poemas proféticos, que são o coração do Antigo Testamento. É espécie de síntese que reúne todos os temas e estilos dessa parte da Bíblia, utilizado pelo antigo Israel como hinário no Templo de Jerusalém, e, hoje, como orações ou louvores, tanto no judaísmo, no cristianismo e também no islamismo (o Corão no cap. 17, verso 82, refere os salmos como «um bálsamo»). Tal fato, comum aos três monoteísmos semitas, não tem paralelo, dado que judeus, cristãos e muçulmanos acreditam nos Salmos que foram escritos em hebraico, depois traduzidos para o grego e latim. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Salmos.

2 O Cativeiro Babilônico (português europeu) ou Babilônico (português brasileiro), também chamado de Exílio ou Cativeiro na Babilónia (português europeu) ou na Babilônia, é o nome geralmente usado para designar o exílio dos judeus do antigo Reino de Judá para a Babilónia por Nabucodonosor II. Este período histórico foi marcado pela atividade dos profetas do Antigo Testamento, Jeremias, Ezequiel e Daniel. A primeira deportação teve início em 609 a.C.. Em 598 a.C., Jerusalém é sitiada e o jovem Joaquim (Jeconias ou Conias), rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente saqueado e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o rei, são levados para o Exílio em Babilônia. Zedequias, tio do rei Joaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em 587 a.C., houve uma nova rebelião no Reino de Judá, ocorre a terceira deportação e a consequente destruição de Jerusalém e seu Templo. Governando os poucos judeus remanescentes na terra de Judá - os mais pobres - ficou Gedalias nomeado por Nabucodonosor II. Dois meses depois, Gedalias é assassinado e os poucos habitantes que restavam fogem ao Egito com medo de represálias, deixando a terra de Judá (ex-Reino de Judá) efetivamente sem habitantes e suas cidades em ruínas. É certo que o período de cativeiro “em Babilónia” terminou no primeiro ano de reinado de Ciro II (538/537 a.C.) após a conquista persa da cidade de Babilônia (538 a.C.). Em consequência do Decreto de Ciro, os judeus exilados foram autorizados a regressar à terra de Judá, em particular a Jerusalém, para reconstruir o Templo. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cativeiro_Babil%C3%B3nico

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Livros do Antigo Testamento (93)

15/02/2019 11:41 - Atualizado em 15/02/2019 11:42

O atual artigo se ocupa de um conjunto de textos ou coleção, o livro mais amado e conhecido por judeus, cristãos e amantes da oração, da poesia, da espiritualidade: O Livro dos Salmos, ou simplesmente Saltério.

Além do sabor poético e religioso, estes textos foram produzidos para a oração pessoal, louvor, liturgia e meditação no Templo e nas sinagogas. Um conjunto de poemas que tem Deus, a história de Israel, a Criação, entre seus temas.

Mas para nós cristãos, desde o princípio, uma Liturgia, porque foram a oração predileta e diária de Jesus.

NOME

O nome atual do Livro dos Salmos, ou simplesmente Salmos, está diretamente ligado à mais antiga designação utilizada para esta coleção de poemas ou cânticos religiosos.

A designação em português deriva da palavra grega ‘Psalmoi’1 e esta já é utilizada na antiga tradução grega, chamada dos Setenta, para traduzir o termo hebraico ‘mizmorôt’, (cânticos).

Este parece ter sido o seu nome hebraico mais antigo.

Por isso, quando o Novo Testamento lhe chama “biblos psalmôn” (Lc 20,42; At 1,20), está a usar uma designação correta e formal.

Pois o próprio Davi, no Livro dos Salmos, diz: Disse o Senhor a meu Senhor: Senta-te à minha direita (Lc 20, 42).

Pois está escrito no Livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo (Sl 68,26; 108,8). (At 1, 20).

No entanto, já nos textos de Qumrân e em alguns autores cristãos antigos aparece o nome que atualmente lhe é dado na Bíblia hebraica: Sepher Tehillim, ‘Livro dos louvores’.

TEXTO

O tempo tão longo da formação dos Salmos e o fato de terem vindo a ser objeto de leitura e utilização contínuas, e mesmo cotidianas, torna possível que o texto, um dos mais antigos da Bíblia, possa ter sofrido influências derivadas dessa leitura e mesmo algumas transformações de conteúdo e sentido.

A leitura repetida, geração após geração, e a acumulação interpretativa que assim se forma, atribui a estes textos uma riqueza transbordante de conteúdos. Nem sempre é fácil traduzir num só texto esta multiplicidade.

COMPOSIÇÃO e DATAÇÃO

A tradição hebraica e cristã sempre atribuiu uma grande importância a David, como estando na origem do Salmos.

Isso representa bem o ascendente que esse rei teve na criação das instituições em que Israel via espelhada e assente a sua vida cultual e espiritual, nomeadamente o culto do templo de Jerusalém. E é ao culto que está certamente ligada a composição da maior parte dos Salmos.

No entanto, estes poemas religiosos foram compostos ao longo de muitos séculos e alguns deles poderão ter sido compostos não muito antes do tempo do Novo Testamento.

Nada impede que a maioria seja anterior ao Exílio2 e alguns deles possam mesmo ser do tempo de David; alguns podem até ser mais antigos. É que estes hinos religiosos são herdeiros e, em certos casos, em linha direta, da poesia religiosa da tradição cananaica, que os hebreus, em boa parte, aproveitaram.

Houve certamente épocas privilegiadas na produção destes Salmos; a de David poderá ter sido uma delas.

 

1 Salmos (do grego Ψαλμός, em transliteração latina música, pois o nome no original hebraico é מזמור em transliteração latina mizmor ou músicaou Tehilim (do hebraico תהילים em transliteração latina louvores) é um livro do Tanakh (faz parte dos escritos ou Ketuvim) e da Bíblia Cristã, sucede o Livro de Jó, pois este encerra a sequência de “livros históricos”, e antecede o Livro dos Provérbios, iniciando os “livros proféticos” e os “livros poéticos”, em ordem cronológica, sendo o primeiro livro a falar claramente do Messias (ou Cristo) e seu reinado, e do Juízo Final. É o maior livro de toda Bíblia e constitui-se de 150 (ou 151 segundo a Igreja Ortodoxa) cânticos e poemas proféticos, que são o coração do Antigo Testamento. É espécie de síntese que reúne todos os temas e estilos dessa parte da Bíblia, utilizado pelo antigo Israel como hinário no Templo de Jerusalém, e, hoje, como orações ou louvores, tanto no judaísmo, no cristianismo e também no islamismo (o Corão no cap. 17, verso 82, refere os salmos como «um bálsamo»). Tal fato, comum aos três monoteísmos semitas, não tem paralelo, dado que judeus, cristãos e muçulmanos acreditam nos Salmos que foram escritos em hebraico, depois traduzidos para o grego e latim. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Salmos.

2 O Cativeiro Babilônico (português europeu) ou Babilônico (português brasileiro), também chamado de Exílio ou Cativeiro na Babilónia (português europeu) ou na Babilônia, é o nome geralmente usado para designar o exílio dos judeus do antigo Reino de Judá para a Babilónia por Nabucodonosor II. Este período histórico foi marcado pela atividade dos profetas do Antigo Testamento, Jeremias, Ezequiel e Daniel. A primeira deportação teve início em 609 a.C.. Em 598 a.C., Jerusalém é sitiada e o jovem Joaquim (Jeconias ou Conias), rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente saqueado e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o rei, são levados para o Exílio em Babilônia. Zedequias, tio do rei Joaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em 587 a.C., houve uma nova rebelião no Reino de Judá, ocorre a terceira deportação e a consequente destruição de Jerusalém e seu Templo. Governando os poucos judeus remanescentes na terra de Judá - os mais pobres - ficou Gedalias nomeado por Nabucodonosor II. Dois meses depois, Gedalias é assassinado e os poucos habitantes que restavam fogem ao Egito com medo de represálias, deixando a terra de Judá (ex-Reino de Judá) efetivamente sem habitantes e suas cidades em ruínas. É certo que o período de cativeiro “em Babilónia” terminou no primeiro ano de reinado de Ciro II (538/537 a.C.) após a conquista persa da cidade de Babilônia (538 a.C.). Em consequência do Decreto de Ciro, os judeus exilados foram autorizados a regressar à terra de Judá, em particular a Jerusalém, para reconstruir o Templo. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cativeiro_Babil%C3%B3nico

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica