Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 24º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/02/2019

16 de Fevereiro de 2019

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08/02/2019 10:23 - Atualizado em 08/02/2019 10:23

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08/02/2019 10:23 - Atualizado em 08/02/2019 10:23

A liturgia deste domingo nos ajuda a vivenciarmos o Ano Vocacional que vivemos e a súplica ao Senhor da Messe para que envie operários, o que é sugerido em tantas dioceses do Brasil e do exterior: uma nova vocação de cada comunidade. O 5º Domingo do Tempo Comum nos apresenta três vocações: a de Isaías, São Paulo e São Pedro. A de Isaías, Deus Se revelou quando Ele estava em oração no templo (cf. Is 6, 1-8). Inicialmente, Isaías se sente pequeno e indigno. Deus, então, pergunta: “Quem vou enviar?” Isaías, sensível ao apelo de Deus, aceita: “Eis-me aqui, envia-Me”. Vemos aqui os passos da vocação: A iniciativa é sempre de Deus. A primeira reação é sempre a mesma: “não sou capaz.” “Não sou digno”. Mas, quando confiamos em Deus e nos colocamos numa atitude de disponibilidade, Deus nos purifica e fortalece, e acabamos, com a graça de Deus, dando conta do recado.

Outra vocação é a de São Paulo. Em 1Cor 15, 1-11, Paulo conta a sua vocação (seu chamado). Ele se considera o “último” dos apóstolos… como um “abortivo”. Mas no encontro com Cristo, a caminho de Damasco, responde: “Senhor, que queres que eu faça?”.

No Evangelho (Lc 5,1-11) temos o chamado dos primeiros apóstolos. Jesus estava junto do lago de Genesaré, e a multidão comprimia-se à sua volta de tal forma que Lhe faltava espaço para pegar. Subiu, então, em uma barca e mandou que a afastassem um pouco da margem para falar à multidão.

Jesus entra na barca de Pedro e fala ao povo. Pedro se sente indigno… e Jesus: “Não tenhas medo!” Jesus convida: “De hoje em diante tu serás pescador de homens”. Apesar do cansaço, apesar de a ordem de pescar ter partido de quem não era “homem do mar”, e ter-se dirigido a alguns pescadores que sabiam da inoportunidade da hora para essa tarefa e da ausência de peixes, tomam as redes nas mãos. Agora, por pura confiança no Mestre, cuja autoridade e poder Pedro já conhecia. Pedro confia e obedece!

Em toda vida e a ação apostólica, há dois requisitos indispensáveis: a fé e a obediência. De nada serviriam o esforço, os meios humanos, as noites em claro, se estivessem desligados do querer divino. De nada serviria entregarmo-nos com brio e garra a um empreendimento apostólico, se não contássemos com o Senhor. Até aquilo que é mais valioso nas nossas obras se tornaria estéril se prescindíssemos do desejo de cumprir a vontade de Deus. “Deus não necessita do nosso trabalho, mas da nossa obediência”, ensina São João Crisóstomo.

Jesus é quem está na barca, Jesus é quem comanda a pesca! Não somos nós, não são as nossas forças, não é a esperteza dos nossos planos: é Ele quem nos sustenta, é Ele quem nos inspira o que dizer, é Ele quem pode tocar os corações! Vamos, pois, ao alto mar desse mundo, e lancemos as redes do Evangelho! E o milagre acontece, e os peixes são tantos, que se faz necessária a ajuda dos companheiros de Pedro!

E Simão, diante da manifestação da santidade de Jesus – não é ele o Deus Santo que Isaías viu no Templo, na primeira leitura de hoje? Não é ele, Jesus, aquele a quem proclamamos a cada domingo: “Só Vós sois O Santo, só Vós O Senhor, só Vós O Altíssimo”? Não é Ele, a quem os anjos aclamam no céu, dizendo: “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos exércitos”? 

Pedro prostra-se ante Jesus e confessa, humildemente, ser apenas um pecador, como Isaías na primeira leitura: Ai de mim! Afasta-Te de mim, Senhor: sou apenas um homem impuro que vive no meio de um povo impuro! Sou apenas um pobre pecador: não sirvo para o Teu santo serviço!”- eis o que deveríamos pensar, eis o que deveríamos dizer! E o mesmo Deus que tocou os lábios de Isaías e o purificou, toca o coração de Pedro – toca o meu e o teu coração – e afirma, misericordioso: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens!” Pescador não por nossos méritos, mas pela misericórdia do Senhor, como São Paulo, que hoje humildemente reconhece: “Eu sou o menor dos apóstolos, eu nem mereço o nome de apóstolo! É pela graça de Deus que sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril!” Também nós não somos nem dignos de ser cristãos; nem merecemos testemunhar e anunciar Jesus! 

Afasta-te de mim, Senhor, que eu sou um pobre pecador. Mas, ao mesmo tempo, pedimos-lhe que nunca nos permita separar-nos d’Ele, que nos ajude a entrar a fundo – mar a dentro – na sua amizade, na santidade, num apostolado aberto, sem respeitos humanos, cheio de fé, apoiados na voz do Senhor que, no silêncio da nossa oração pessoal, nos anima e nos insta a levar-Lhe almas. Deus continua chamando operários para a Messe: Uns são chamados para serem profetas, como Isaías, e pescadores de homens, como Pedro.

Somos chamados a cumprir, conforme nos ilumina a liturgia de hoje, a nossa missão. Diante disso, devemos perguntar a Deus: “Senhor, o que quereis de mim?” Que esta resposta seja fruto de nossas orações e da intimidade com Deus.

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08/02/2019 10:23 - Atualizado em 08/02/2019 10:23

A liturgia deste domingo nos ajuda a vivenciarmos o Ano Vocacional que vivemos e a súplica ao Senhor da Messe para que envie operários, o que é sugerido em tantas dioceses do Brasil e do exterior: uma nova vocação de cada comunidade. O 5º Domingo do Tempo Comum nos apresenta três vocações: a de Isaías, São Paulo e São Pedro. A de Isaías, Deus Se revelou quando Ele estava em oração no templo (cf. Is 6, 1-8). Inicialmente, Isaías se sente pequeno e indigno. Deus, então, pergunta: “Quem vou enviar?” Isaías, sensível ao apelo de Deus, aceita: “Eis-me aqui, envia-Me”. Vemos aqui os passos da vocação: A iniciativa é sempre de Deus. A primeira reação é sempre a mesma: “não sou capaz.” “Não sou digno”. Mas, quando confiamos em Deus e nos colocamos numa atitude de disponibilidade, Deus nos purifica e fortalece, e acabamos, com a graça de Deus, dando conta do recado.

Outra vocação é a de São Paulo. Em 1Cor 15, 1-11, Paulo conta a sua vocação (seu chamado). Ele se considera o “último” dos apóstolos… como um “abortivo”. Mas no encontro com Cristo, a caminho de Damasco, responde: “Senhor, que queres que eu faça?”.

No Evangelho (Lc 5,1-11) temos o chamado dos primeiros apóstolos. Jesus estava junto do lago de Genesaré, e a multidão comprimia-se à sua volta de tal forma que Lhe faltava espaço para pegar. Subiu, então, em uma barca e mandou que a afastassem um pouco da margem para falar à multidão.

Jesus entra na barca de Pedro e fala ao povo. Pedro se sente indigno… e Jesus: “Não tenhas medo!” Jesus convida: “De hoje em diante tu serás pescador de homens”. Apesar do cansaço, apesar de a ordem de pescar ter partido de quem não era “homem do mar”, e ter-se dirigido a alguns pescadores que sabiam da inoportunidade da hora para essa tarefa e da ausência de peixes, tomam as redes nas mãos. Agora, por pura confiança no Mestre, cuja autoridade e poder Pedro já conhecia. Pedro confia e obedece!

Em toda vida e a ação apostólica, há dois requisitos indispensáveis: a fé e a obediência. De nada serviriam o esforço, os meios humanos, as noites em claro, se estivessem desligados do querer divino. De nada serviria entregarmo-nos com brio e garra a um empreendimento apostólico, se não contássemos com o Senhor. Até aquilo que é mais valioso nas nossas obras se tornaria estéril se prescindíssemos do desejo de cumprir a vontade de Deus. “Deus não necessita do nosso trabalho, mas da nossa obediência”, ensina São João Crisóstomo.

Jesus é quem está na barca, Jesus é quem comanda a pesca! Não somos nós, não são as nossas forças, não é a esperteza dos nossos planos: é Ele quem nos sustenta, é Ele quem nos inspira o que dizer, é Ele quem pode tocar os corações! Vamos, pois, ao alto mar desse mundo, e lancemos as redes do Evangelho! E o milagre acontece, e os peixes são tantos, que se faz necessária a ajuda dos companheiros de Pedro!

E Simão, diante da manifestação da santidade de Jesus – não é ele o Deus Santo que Isaías viu no Templo, na primeira leitura de hoje? Não é ele, Jesus, aquele a quem proclamamos a cada domingo: “Só Vós sois O Santo, só Vós O Senhor, só Vós O Altíssimo”? Não é Ele, a quem os anjos aclamam no céu, dizendo: “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos exércitos”? 

Pedro prostra-se ante Jesus e confessa, humildemente, ser apenas um pecador, como Isaías na primeira leitura: Ai de mim! Afasta-Te de mim, Senhor: sou apenas um homem impuro que vive no meio de um povo impuro! Sou apenas um pobre pecador: não sirvo para o Teu santo serviço!”- eis o que deveríamos pensar, eis o que deveríamos dizer! E o mesmo Deus que tocou os lábios de Isaías e o purificou, toca o coração de Pedro – toca o meu e o teu coração – e afirma, misericordioso: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens!” Pescador não por nossos méritos, mas pela misericórdia do Senhor, como São Paulo, que hoje humildemente reconhece: “Eu sou o menor dos apóstolos, eu nem mereço o nome de apóstolo! É pela graça de Deus que sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril!” Também nós não somos nem dignos de ser cristãos; nem merecemos testemunhar e anunciar Jesus! 

Afasta-te de mim, Senhor, que eu sou um pobre pecador. Mas, ao mesmo tempo, pedimos-lhe que nunca nos permita separar-nos d’Ele, que nos ajude a entrar a fundo – mar a dentro – na sua amizade, na santidade, num apostolado aberto, sem respeitos humanos, cheio de fé, apoiados na voz do Senhor que, no silêncio da nossa oração pessoal, nos anima e nos insta a levar-Lhe almas. Deus continua chamando operários para a Messe: Uns são chamados para serem profetas, como Isaías, e pescadores de homens, como Pedro.

Somos chamados a cumprir, conforme nos ilumina a liturgia de hoje, a nossa missão. Diante disso, devemos perguntar a Deus: “Senhor, o que quereis de mim?” Que esta resposta seja fruto de nossas orações e da intimidade com Deus.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro