Arquidiocese do Rio de Janeiro

24º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/09/2019

22 de Setembro de 2019

A caridade nunca acabará

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22 de Setembro de 2019

A caridade nunca acabará

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03/02/2019 12:43 - Atualizado em 03/02/2019 12:43

A caridade nunca acabará 0

03/02/2019 12:43 - Atualizado em 03/02/2019 12:43

A liturgia deste 4º Domingo do tempo comum nos ilumina e nos conduz para vivermos ainda mais nossa vida cristã. A segunda leitura (cf. 1Cor 12,31-13,13) nos fala sobre a caridade. O Espírito Santo, fala-nos hoje, por intermédio do Apóstolo, de umas relações entre os homens completamente desconhecidas do mundo pagão, pois têm um fundamento totalmente novo: o amor a Cristo. “Todas as vezes que fizestes a um destes meus pequeninos, foi a mim que o fizeste” (Mt 25,40).

São Paulo aponta as qualidades que adornam a caridade e diz em primeiro lugar que a caridade é paciente. Para o bem, deve-se antes de mais nada saber suportar o mal. A paciência denota uma grande fortaleza. É necessária para nos fazer aceitar com serenidade os possíveis defeitos, as suscetibilidades ou o mau-humor das pessoas com quem convivemos. É uma virtude que nos levará a esperar o momento adequado para corrigir; a dar uma resposta afável, que muitas vezes será o único meio de conseguir que as nossas palavras calem fundo no coração da pessoa a quem nos dirigimos. É uma grande virtude para a convivência.

A caridade é benigna, isto é, está disposta de antemão a acolher a todos com benevolência. A benignidade só se enraíza num coração grande e generoso; o melhor de nós mesmos deve ser para os outros. A caridade não é invejosa. Da inveja nascem inúmeros pecados contra a caridade: a murmuração, a detração, a satisfação perante a adversidade do próximo e a tristeza perante a sua prosperidade. A inveja é freqüentemente a causa de que se abale a confiança entre amigos e a fraternidade entre irmãos. É como um câncer que corrói a convivência e a paz. São Tomás de Aquino chama-a “mãe do ódio”.

A caridade não é soberba, sem humildade, não pode haver nenhuma outra virtude, e particularmente não pode haver amor. Em muitas faltas de caridade houve previamente outras de vaidade e orgulho, de egoísmo, de vontade de aparecer. O horizonte do orgulhoso é terrivelmente limitado: esgota-se em si mesmo. O orgulhoso não consegue olhar para além da sua pessoa, das suas qualidades, das suas virtudes, do seu talento. É um horizonte sem Deus. E neste panorama tão mesquinho, nunca aparecem os outros, não há lugar para eles.

A caridade não é interesseira. Não pode nada para a própria pessoa; dá sem calcular o que pode receber de volta. Sabe que ama a Jesus nos outros e isso lhe basta. Não só não é interesseira, mas sem sequer anda à busca do que lhe é devido: busca Jesus.

A caridade não guarda rancor, não conserva listas de agravos pessoais; tudo desculpa. Não somente nos leva a pedir ajuda ao Senhor para desculpar a palha que possa haver no olho alheio, mas nos faz sentir o peso da trave no nosso as nossas muitas infidelidades. Das três virtudes cristãs: fé, esperança e caridade, a fé e a esperança não subsistem no Céu: a fé é substituída pela visão beatífica; a esperança, pela posse de Deus. A caridade, no entanto, perdura eternamente; é, já aqui na terra, um começo do Céu e a vida eterna consistirá num ato ininterrupto de caridade.

Quando crescemos na caridade, todas as virtudes se enriquecem e se tornam mais fortes. E nenhuma delas é verdadeira virtude se não estiver impregnada de caridade. Tens tanto de virtude quanto de amor, e não mais. Tudo isso é dom de Deus. Cabe a nós acolhê-lo.

O Evangelho deste domingo (cf. Lc 4,21-30), evoca a pregação de Jesus na cidade em que fora criado, Nazaré. Já que, diferentemente de Marcos e Mateus, Lucas antes não menciona a pregação de Cafarnaum e nas cidades da Galiléia, este trecho chegou a ser chamado de “pregação inaugural”. Jesus sabe que desejam credenciais: desejam que ele comprove sua missão por sinais em sua própria cidade, como um médico se pede cure a si mesmo para provar sua capacidade. Já que na vizinha Cafarnaum fez tantas coisas, que as faça também em Nazaré. Jesus cita o provérbio que um profeta só mal recebido em sua pátria. Ele cita dois exemplos: Elias e Eliseu. Ambos, apesar das necessidades de Israel, fizeram seus milagres para pessoas estranhas. Assim, Jesus comprova que ele é um profeta da categoria de Elias, o profeta do tempo do fim.

Contudo, com essa liturgia de hoje que possamos aprender a acolher Jesus em nosso coração e em nossa vida. E viver a virtude caridade e do amor. Assim, que a Bem-aventurada Virgem Maria nos ilumine.

Peço as orações de todos pelo Encontro Anual dos Bispos, no Centro de Estudos do Sumaré, que terá início no dia 04 de fevereiro e se estenderá até o dia 08 de fevereiro quando os bispos, de todos os cantos e recantos do Brasil, terão possibilidade de convivência episcopal, de oração, de descanso e de congraçamento. Que nossos bispos sejam bem acolhidos e que rezemos pelas suas missões e por todos eles! Sejam bem-vindos ao Rio de Janeiro, queridos irmãos bispos!

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A caridade nunca acabará

03/02/2019 12:43 - Atualizado em 03/02/2019 12:43

A liturgia deste 4º Domingo do tempo comum nos ilumina e nos conduz para vivermos ainda mais nossa vida cristã. A segunda leitura (cf. 1Cor 12,31-13,13) nos fala sobre a caridade. O Espírito Santo, fala-nos hoje, por intermédio do Apóstolo, de umas relações entre os homens completamente desconhecidas do mundo pagão, pois têm um fundamento totalmente novo: o amor a Cristo. “Todas as vezes que fizestes a um destes meus pequeninos, foi a mim que o fizeste” (Mt 25,40).

São Paulo aponta as qualidades que adornam a caridade e diz em primeiro lugar que a caridade é paciente. Para o bem, deve-se antes de mais nada saber suportar o mal. A paciência denota uma grande fortaleza. É necessária para nos fazer aceitar com serenidade os possíveis defeitos, as suscetibilidades ou o mau-humor das pessoas com quem convivemos. É uma virtude que nos levará a esperar o momento adequado para corrigir; a dar uma resposta afável, que muitas vezes será o único meio de conseguir que as nossas palavras calem fundo no coração da pessoa a quem nos dirigimos. É uma grande virtude para a convivência.

A caridade é benigna, isto é, está disposta de antemão a acolher a todos com benevolência. A benignidade só se enraíza num coração grande e generoso; o melhor de nós mesmos deve ser para os outros. A caridade não é invejosa. Da inveja nascem inúmeros pecados contra a caridade: a murmuração, a detração, a satisfação perante a adversidade do próximo e a tristeza perante a sua prosperidade. A inveja é freqüentemente a causa de que se abale a confiança entre amigos e a fraternidade entre irmãos. É como um câncer que corrói a convivência e a paz. São Tomás de Aquino chama-a “mãe do ódio”.

A caridade não é soberba, sem humildade, não pode haver nenhuma outra virtude, e particularmente não pode haver amor. Em muitas faltas de caridade houve previamente outras de vaidade e orgulho, de egoísmo, de vontade de aparecer. O horizonte do orgulhoso é terrivelmente limitado: esgota-se em si mesmo. O orgulhoso não consegue olhar para além da sua pessoa, das suas qualidades, das suas virtudes, do seu talento. É um horizonte sem Deus. E neste panorama tão mesquinho, nunca aparecem os outros, não há lugar para eles.

A caridade não é interesseira. Não pode nada para a própria pessoa; dá sem calcular o que pode receber de volta. Sabe que ama a Jesus nos outros e isso lhe basta. Não só não é interesseira, mas sem sequer anda à busca do que lhe é devido: busca Jesus.

A caridade não guarda rancor, não conserva listas de agravos pessoais; tudo desculpa. Não somente nos leva a pedir ajuda ao Senhor para desculpar a palha que possa haver no olho alheio, mas nos faz sentir o peso da trave no nosso as nossas muitas infidelidades. Das três virtudes cristãs: fé, esperança e caridade, a fé e a esperança não subsistem no Céu: a fé é substituída pela visão beatífica; a esperança, pela posse de Deus. A caridade, no entanto, perdura eternamente; é, já aqui na terra, um começo do Céu e a vida eterna consistirá num ato ininterrupto de caridade.

Quando crescemos na caridade, todas as virtudes se enriquecem e se tornam mais fortes. E nenhuma delas é verdadeira virtude se não estiver impregnada de caridade. Tens tanto de virtude quanto de amor, e não mais. Tudo isso é dom de Deus. Cabe a nós acolhê-lo.

O Evangelho deste domingo (cf. Lc 4,21-30), evoca a pregação de Jesus na cidade em que fora criado, Nazaré. Já que, diferentemente de Marcos e Mateus, Lucas antes não menciona a pregação de Cafarnaum e nas cidades da Galiléia, este trecho chegou a ser chamado de “pregação inaugural”. Jesus sabe que desejam credenciais: desejam que ele comprove sua missão por sinais em sua própria cidade, como um médico se pede cure a si mesmo para provar sua capacidade. Já que na vizinha Cafarnaum fez tantas coisas, que as faça também em Nazaré. Jesus cita o provérbio que um profeta só mal recebido em sua pátria. Ele cita dois exemplos: Elias e Eliseu. Ambos, apesar das necessidades de Israel, fizeram seus milagres para pessoas estranhas. Assim, Jesus comprova que ele é um profeta da categoria de Elias, o profeta do tempo do fim.

Contudo, com essa liturgia de hoje que possamos aprender a acolher Jesus em nosso coração e em nossa vida. E viver a virtude caridade e do amor. Assim, que a Bem-aventurada Virgem Maria nos ilumine.

Peço as orações de todos pelo Encontro Anual dos Bispos, no Centro de Estudos do Sumaré, que terá início no dia 04 de fevereiro e se estenderá até o dia 08 de fevereiro quando os bispos, de todos os cantos e recantos do Brasil, terão possibilidade de convivência episcopal, de oração, de descanso e de congraçamento. Que nossos bispos sejam bem acolhidos e que rezemos pelas suas missões e por todos eles! Sejam bem-vindos ao Rio de Janeiro, queridos irmãos bispos!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro