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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/02/2019

16 de Fevereiro de 2019

Solidariedade a Brumadinho

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01/02/2019 10:07 - Atualizado em 01/02/2019 10:07

Solidariedade a Brumadinho 0

01/02/2019 10:07 - Atualizado em 01/02/2019 10:07

Há notícias que nos deixam com o coração partido. O rompimento de uma barragem em Brumadinho, Minas Gerais, no dia 25 de janeiro, foi uma dessas notícias porque ali se perderam vidas, histórias e culturas. Mais uma vez a tragédia se deu, e mais uma vez somos chamados a exercer nossa solidariedade e cidadania. E a solidariedade se dá quando nos disponibilizamos a fazer o que for preciso e estiver ao nosso alcance para ajudar os prejudicados pelo acidente.

A Cáritas do Rio enviou à Arquidiocese de Belo Horizonte, à qual Brumadinho pertence, R$ 100 assim que aconteceu o acidente. Outras dioceses do Brasil também enviaram doações e solidariedade às vítimas.

O reitor do Santuário Cristo Redentor, padre Omar Raposo, presidiu no local Missa de Sétimo Dia pela memória dos falecidos, e a Arquidiocese do Rio, através do Vicariato Episcopal para a Caridade Social, lançou campanha para arrecadar fundos para os atingidos.

A Cáritas fez um envio imediato de dinheiro para evitar a demora e também para que fosse aplicado da melhor forma. Se houvesse primeiro uma arrecadação de mantimentos, roupas e outros materiais, haveria um custo de transporte e uma demora que não seriam vantajosos nesse caso. Ao enviar uma quantia em dinheiro, todo o valor pode ser usado imediatamente e aplicado integralmente na compra de produtos de necessidade emergencial. O arcebispo Walmor Oliveira de Azevedo foi quem recebeu a quantia da Cáritas para usar no local com o que fosse necessário.

Mas não basta que nós confortemos e remediemos esse tipo de situação. Somos todos cidadãos brasileiros e, como cidadãos e cristãos, precisamos ir mais fundo nesse problema, que se manifestou agora com o rompimento de uma barragem que levou embora vidas.

“O amor social impele-nos a pensar em grandes estratégias que detenham eficazmente a degradação ambiental e incentivem uma cultura do cuidado que permeie toda a sociedade. Quando alguém reconhece a vocação de Deus para intervir juntamente com os outros nestas dinâmicas sociais, deve lembrar-se que isto faz parte da sua espiritualidade, é exercício da caridade e, deste modo, amadurece e se santifica”, pontuou o Papa Francisco em sua encíclica “Laudato Si – sobre o cuidado da Casa Comum”, lançada em 2015.

Precisamos exercer o nosso poder político e ajudar a cobrar dos políticos a manutenção dos direitos dos cidadãos: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. É o que diz o Artigo 225 da Constituição. Para isso, é necessário, dentre outras coisas, “controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente”.

Por isso, o Papa Francisco fez questão de escrever a “Laudato Si”. Nela, além de explicar vários pontos que dizem respeito à Casa Comum, o nosso planeta Terra, confiado a nós por Deus, Francisco ainda reitera a nossa responsabilidade civil de cobrar políticas públicas que respeitem o direito a um meio ambiente saudável.

Para ele, “os limites que uma sociedade sã, madura e soberana deve impor têm a ver com previsão e precaução, regulamentações adequadas, vigilância sobre a aplicação das normas, contraste da corrupção, ações de controle operacional sobre o aparecimento de efeitos não desejados dos processos de produção, e oportuna intervenção perante riscos incertos ou potenciais”.

O que Francisco estava dizendo, lá em 2015, antes mesmo da tragédia ocorrida em Mariana, também Minas Gerais – em que uma barragem também se rompeu e rompeu, consigo, muitas vidas –, era que nós, como seres políticos por natureza, temos um papel fundamental também na preservação da Casa Comum. E é muitíssimo importante lembrar que quando cuidamos do nosso planeta, é de nós mesmos que cuidamos, pois, a Terra se regenera.

A Campanha da Fraternidade (CF) deste ano chama a atenção para a importância da atuação cristã na vida política da sociedade, com o tema: “Fraternidade e Políticas Públicas”, e o lema: “Serás libertado pelo direito e pela Justiça”. A partir do dia 6 de março e durante todo o período da Quaresma, teremos a oportunidade de refletir não apenas sobre nossas escolhas na hora do voto, como também sobre como cobrar os políticos de maneira correta e como, sendo cristãos, devemos agir com relação às posições tomadas por cada governo.

E parece até coincidência pensar que justamente neste ano em que ocorre semelhante tragédia, o Papa Francisco tenha trazido como tema para o Dia Mundial da Paz “A boa política está a serviço da paz”, e a CF também tenha relação com a política. Mas para Deus não existem coincidências. O que aconteceu foi apenas consequência de um mundo em que o dinheiro vem antes da vida humana. “O mundo do consumo exacerbado é, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas”, disse Francisco.

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01/02/2019 10:07 - Atualizado em 01/02/2019 10:07

Há notícias que nos deixam com o coração partido. O rompimento de uma barragem em Brumadinho, Minas Gerais, no dia 25 de janeiro, foi uma dessas notícias porque ali se perderam vidas, histórias e culturas. Mais uma vez a tragédia se deu, e mais uma vez somos chamados a exercer nossa solidariedade e cidadania. E a solidariedade se dá quando nos disponibilizamos a fazer o que for preciso e estiver ao nosso alcance para ajudar os prejudicados pelo acidente.

A Cáritas do Rio enviou à Arquidiocese de Belo Horizonte, à qual Brumadinho pertence, R$ 100 assim que aconteceu o acidente. Outras dioceses do Brasil também enviaram doações e solidariedade às vítimas.

O reitor do Santuário Cristo Redentor, padre Omar Raposo, presidiu no local Missa de Sétimo Dia pela memória dos falecidos, e a Arquidiocese do Rio, através do Vicariato Episcopal para a Caridade Social, lançou campanha para arrecadar fundos para os atingidos.

A Cáritas fez um envio imediato de dinheiro para evitar a demora e também para que fosse aplicado da melhor forma. Se houvesse primeiro uma arrecadação de mantimentos, roupas e outros materiais, haveria um custo de transporte e uma demora que não seriam vantajosos nesse caso. Ao enviar uma quantia em dinheiro, todo o valor pode ser usado imediatamente e aplicado integralmente na compra de produtos de necessidade emergencial. O arcebispo Walmor Oliveira de Azevedo foi quem recebeu a quantia da Cáritas para usar no local com o que fosse necessário.

Mas não basta que nós confortemos e remediemos esse tipo de situação. Somos todos cidadãos brasileiros e, como cidadãos e cristãos, precisamos ir mais fundo nesse problema, que se manifestou agora com o rompimento de uma barragem que levou embora vidas.

“O amor social impele-nos a pensar em grandes estratégias que detenham eficazmente a degradação ambiental e incentivem uma cultura do cuidado que permeie toda a sociedade. Quando alguém reconhece a vocação de Deus para intervir juntamente com os outros nestas dinâmicas sociais, deve lembrar-se que isto faz parte da sua espiritualidade, é exercício da caridade e, deste modo, amadurece e se santifica”, pontuou o Papa Francisco em sua encíclica “Laudato Si – sobre o cuidado da Casa Comum”, lançada em 2015.

Precisamos exercer o nosso poder político e ajudar a cobrar dos políticos a manutenção dos direitos dos cidadãos: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. É o que diz o Artigo 225 da Constituição. Para isso, é necessário, dentre outras coisas, “controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente”.

Por isso, o Papa Francisco fez questão de escrever a “Laudato Si”. Nela, além de explicar vários pontos que dizem respeito à Casa Comum, o nosso planeta Terra, confiado a nós por Deus, Francisco ainda reitera a nossa responsabilidade civil de cobrar políticas públicas que respeitem o direito a um meio ambiente saudável.

Para ele, “os limites que uma sociedade sã, madura e soberana deve impor têm a ver com previsão e precaução, regulamentações adequadas, vigilância sobre a aplicação das normas, contraste da corrupção, ações de controle operacional sobre o aparecimento de efeitos não desejados dos processos de produção, e oportuna intervenção perante riscos incertos ou potenciais”.

O que Francisco estava dizendo, lá em 2015, antes mesmo da tragédia ocorrida em Mariana, também Minas Gerais – em que uma barragem também se rompeu e rompeu, consigo, muitas vidas –, era que nós, como seres políticos por natureza, temos um papel fundamental também na preservação da Casa Comum. E é muitíssimo importante lembrar que quando cuidamos do nosso planeta, é de nós mesmos que cuidamos, pois, a Terra se regenera.

A Campanha da Fraternidade (CF) deste ano chama a atenção para a importância da atuação cristã na vida política da sociedade, com o tema: “Fraternidade e Políticas Públicas”, e o lema: “Serás libertado pelo direito e pela Justiça”. A partir do dia 6 de março e durante todo o período da Quaresma, teremos a oportunidade de refletir não apenas sobre nossas escolhas na hora do voto, como também sobre como cobrar os políticos de maneira correta e como, sendo cristãos, devemos agir com relação às posições tomadas por cada governo.

E parece até coincidência pensar que justamente neste ano em que ocorre semelhante tragédia, o Papa Francisco tenha trazido como tema para o Dia Mundial da Paz “A boa política está a serviço da paz”, e a CF também tenha relação com a política. Mas para Deus não existem coincidências. O que aconteceu foi apenas consequência de um mundo em que o dinheiro vem antes da vida humana. “O mundo do consumo exacerbado é, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas”, disse Francisco.