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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/03/2019

19 de Março de 2019

Vamos cuidar da nossa "Casa Comum"

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Vamos cuidar da nossa "Casa Comum"

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23/01/2019 09:31 - Atualizado em 23/01/2019 09:31

Vamos cuidar da nossa "Casa Comum" 0

23/01/2019 09:31 - Atualizado em 23/01/2019 09:31

Dando continuidade as reflexões temáticas durante a realização da XXXII Jornada Mundial da Juventude, queremos nesta segunda reflexão olhar para a nossa casa comum, conscientes de que é preciso saber cuidar, e faremos isso à luz da encíclica de sua santidade o Papa Francisco, na Laudato Si; louvado seja.

Hoje “tudo está conectado”: vivemos no auge da cultura da informação, das tecnologias de ponta, é por isso que a ecologia deve ser “ecologia integral”, não uma espécie de ambientalismo superficial ou aparente. A capacidade de cuidar de tudo o que existe, isto é algo que transcende, e por isso denominamos como ecologia ambiental, econômica, social e cultural.

Precisamos investir e incentivar a cultura de uma ecologia do homem, e esta por sua vez deve se traduzir em uma ecologia da vida cotidiana, aquela que se preocupa com o bem comum e a justiça entre as gerações. 

O Papa Francisco em sua encíclica “Laudato si”, começa com a citação do Poverello São Francisco de Assis, este homem do milênio, profeta da paz e da fraternidade universal, o santo que o moveu como guia e inspiração desde o início de seu pontificado, a encíclica do Papa Francisco "Louvado seja”, sobre os cuidados da nossa casa comum, cujas duas primeiras palavras no título e no texto, são o princípio do “Cântico das Criaturas” de São Francisco de Assis, é uma inspiração e ao mesmo tempo um convite para todos nós em nosso testemunho cristão a serviço da vida.  

Essa Encíclica está relacionada com as questões ecológicas, como o cuidado da criação, o esforço por unir a sociedade na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, à partir das consequências tão perversas da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo. Eles são os excluídos do planeta, são bilhões de vítimas da chamada cultura do lixo.

A terra, nossa casa comum, parece cada vez mais transformada em um imenso depósito de lixo, isso é assustador.  O Papa Francisco tem sido um profeta da esperança, um incansável defensor e promotor da vida.  O Laudato Si é um grito profético, um grito de alarme do Papa, que foca sua reflexão profética no problema da poluição produzida pelos resíduos e no aquecimento preocupante do sistema climático; a mudança climática é um problema global cujos impactos mais pesados cairão nas próximas décadas, e seremos todos vítimas, nós e nossas futuras gerações.

Para superar a desigualdade planetária, é necessário garantir o acesso à água potável pelos mais pobres, também é preciso proteger a biodiversidade, reduzindo a emissão de gases do chamado efeito estufa. Essa situação afeta especialmente os países mais vulneráveis e todos precisamos olhar a nossa volta e cuidar dos nossos.

Hoje existe uma verdadeira dívida ecológica, especialmente entre o Norte e o Sul. A dívida externa dos países pobres tornou-se um instrumento de controle, mas o mesmo não acontece com a dívida ecológica. Pelo contrário, os povos em desenvolvimento continuam alimentando o desenvolvimento dos países mais ricos ao preço de seu presente e seu futuro. Eis a desigualdade crescente no mundo, precisamos combater à luz do Evangelho de Cristo, e os jovens tem este protagonismo.  

É preciso ir por outro caminho para contrariar a globalização da indiferença; do ódio, da desigualdade. Nesse sentido, o Papa Francisco condena a fraqueza da reação política internacional e explica como a submissão da política à tecnologia e às finanças prova ser um fracasso cúpulas mundiais sobre o meio ambiente. É previsível que, diante do esgotamento de alguns recursos, estamos criando um cenário favorável para novas guerras. Uma coisa é certa: O atual sistema mundial é insustentável e violento.

O financiamento sufoca a economia real e o paradigma tecnocrático tende a exercer seu domínio sobre a economia e política. Em resposta à globalização do paradigma tecnocrático, serve uma revolução cultural, um antídoto para selvageria megalomaníaca.  

Devemos dizer não, então, a um antropocentrismo desviado que justifica o aborto em nome da defesa da natureza e a atitude daqueles que afirmam para apagar a diferença sexual porque já não pode lidar com isso. Nem mesmo ao progresso tecnológico destinado a reduzir os custos de produção devido à redução de empregos; renunciar ao investimento em pessoas para obter maior lucro imediato é um negócio muito ruim para a sociedade.

A mensagem profética do Santo Padre, o Papa Francisco vai contra a corrupção, em várias ocasiões e em diferentes partes da Encíclica, o Romano Pontífice exorta a empreender uma luta mais sincera contra este flagelo, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento.

A política não deve se submeter à economia e não deve se submeter aos ditames e ao paradigma eficiente da “tecnocracia". Política e economia, no diálogo, devem estar a serviço da vida, especialmente da vida humana. A bolha financeira é, também, uma bolha de produção, da qual o problema da economia real permanece, denuncia o papa sobre a crise financeira. O princípio da maximização do lucro é uma distorção conceitual da economia.

Chegou a hora de aceitar uma certa sobriedade em algumas partes do mundo, fornecendo recursos para que possamos crescer de forma saudável em outras partes: Mudando o modelo de desenvolvimento global, como pediu o Papa Bento XVI para invocar a necessidade de sobriedade, e isso significa redefinir o progresso.

Na parte final da Encíclica, o Papa espera uma verdadeira conversão ecológica, e convida-nos a fazer uma mudança da base dos estilos de vida. Nem tudo está perdido porque segundo Francisco, podemos produzir um estilo de vida alternativo, através da capacidade de cuidar da criação com pequenas ações cotidianas; a partir da família, lugar de formação integral da pessoa e do exercício de virtudes.

O cuidado da Casa Comum que precisa urgentemente, faz mudar algo em nível coletivo para buscar uma nova solidariedade universal. Porque a poluição, a mudança climática, a questão da água e a perda da biodiversidade estão colocando em risco a sustentabilidade da Criação. Para defender estas posições e sustentar a ética do cuidado não é necessário ser ecologista extremo, precisamos tomar consciência de nossa vocação cristã no universo do mundo, esta encíclica de Francisco evocando o cuidado da casa comum é sem dúvida uma redescoberta da espiritualidade de Francisco de Assis, da memória franciscana.

Poderíamos dizer que o Papa nesta intuição de São Francisco, revela com maestria como é possível viver o estilo franciscano após a revolução industrial e especialmente após a revolução tecnológica. É a razão pela qual ele diz que a melhor maneira de proteger o planeta está em saber utilizar a inteligência e as novas descobertas, de acordo com um objetivo que não é o da dominação da Criação, mas uma compreensão mais profunda do saldo que a anima, movido pelo amor de Deus.

Desse ponto de vista, a Encíclica está colocada no caminho do pensamento sobre a ecologia humana de São João Paulo II e de Bento XVI. O Papa fala de ecologia integral quer dizer que você não pode ser ambientalista de uma forma superficial, como uma verdadeira ecologia deve começar a partir de como nós pensamos no interior da terra, imaginando diferente das três relações constitutivas; com Deus, com outros e com a Criação.

A aplicação que o Papa faz dela, por exemplo, em relação ao grande problema do crescimento populacional é significativa: o Papa sublinha que a melhor maneira é ajudar a Criação a acolher o crescimento demográfico, em vez de impor a saúde reprodutiva, através de políticas que sirvam apenas para preservar o bem-estar e o consumismo dos países mais ricos.

Nesse sentido, a Encíclica é também um alto clamor de acusação contra a “cultura do desperdício”. É importante que o Santo Padre diga que, na base da lógica tecnocrática, há esse modo de pensar, no momento em que enfrentamos o mundo, tratando-o como um objeto do qual “espremer” apenas tudo o que é necessário.

A Encíclica “Laudato si” dirige-se a todos os cristãos, e pedem um reconhecimento do seu próprio pecado social, mas no final é um convite à conversão universal para uma vida sustentável.

O Papa não quer ser um “profeta do infortúnio”, como disse seu predecessor São João XXIII, mas, pelo contrário, ele chama a todos para uma responsabilidade precisa e concreta. O propósito da Encíclica é nos ajudar a ver que grande tarefa nós temos pela frente.  Eis aqui a nossa tarefa, nossa missão de promotores da vida, fiéis praticantes da Palavra de Deus e não meros ouvintes, a Palavra de Deus é vida e libertação, e os jovens da Jornada Mundial carregam em sua bagagem o compromisso com a vida, como discípulos e missionários de Jesus Cristo a exemplo de Maria a Senhora da Esperança.

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23/01/2019 09:31 - Atualizado em 23/01/2019 09:31

Dando continuidade as reflexões temáticas durante a realização da XXXII Jornada Mundial da Juventude, queremos nesta segunda reflexão olhar para a nossa casa comum, conscientes de que é preciso saber cuidar, e faremos isso à luz da encíclica de sua santidade o Papa Francisco, na Laudato Si; louvado seja.

Hoje “tudo está conectado”: vivemos no auge da cultura da informação, das tecnologias de ponta, é por isso que a ecologia deve ser “ecologia integral”, não uma espécie de ambientalismo superficial ou aparente. A capacidade de cuidar de tudo o que existe, isto é algo que transcende, e por isso denominamos como ecologia ambiental, econômica, social e cultural.

Precisamos investir e incentivar a cultura de uma ecologia do homem, e esta por sua vez deve se traduzir em uma ecologia da vida cotidiana, aquela que se preocupa com o bem comum e a justiça entre as gerações. 

O Papa Francisco em sua encíclica “Laudato si”, começa com a citação do Poverello São Francisco de Assis, este homem do milênio, profeta da paz e da fraternidade universal, o santo que o moveu como guia e inspiração desde o início de seu pontificado, a encíclica do Papa Francisco "Louvado seja”, sobre os cuidados da nossa casa comum, cujas duas primeiras palavras no título e no texto, são o princípio do “Cântico das Criaturas” de São Francisco de Assis, é uma inspiração e ao mesmo tempo um convite para todos nós em nosso testemunho cristão a serviço da vida.  

Essa Encíclica está relacionada com as questões ecológicas, como o cuidado da criação, o esforço por unir a sociedade na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, à partir das consequências tão perversas da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo. Eles são os excluídos do planeta, são bilhões de vítimas da chamada cultura do lixo.

A terra, nossa casa comum, parece cada vez mais transformada em um imenso depósito de lixo, isso é assustador.  O Papa Francisco tem sido um profeta da esperança, um incansável defensor e promotor da vida.  O Laudato Si é um grito profético, um grito de alarme do Papa, que foca sua reflexão profética no problema da poluição produzida pelos resíduos e no aquecimento preocupante do sistema climático; a mudança climática é um problema global cujos impactos mais pesados cairão nas próximas décadas, e seremos todos vítimas, nós e nossas futuras gerações.

Para superar a desigualdade planetária, é necessário garantir o acesso à água potável pelos mais pobres, também é preciso proteger a biodiversidade, reduzindo a emissão de gases do chamado efeito estufa. Essa situação afeta especialmente os países mais vulneráveis e todos precisamos olhar a nossa volta e cuidar dos nossos.

Hoje existe uma verdadeira dívida ecológica, especialmente entre o Norte e o Sul. A dívida externa dos países pobres tornou-se um instrumento de controle, mas o mesmo não acontece com a dívida ecológica. Pelo contrário, os povos em desenvolvimento continuam alimentando o desenvolvimento dos países mais ricos ao preço de seu presente e seu futuro. Eis a desigualdade crescente no mundo, precisamos combater à luz do Evangelho de Cristo, e os jovens tem este protagonismo.  

É preciso ir por outro caminho para contrariar a globalização da indiferença; do ódio, da desigualdade. Nesse sentido, o Papa Francisco condena a fraqueza da reação política internacional e explica como a submissão da política à tecnologia e às finanças prova ser um fracasso cúpulas mundiais sobre o meio ambiente. É previsível que, diante do esgotamento de alguns recursos, estamos criando um cenário favorável para novas guerras. Uma coisa é certa: O atual sistema mundial é insustentável e violento.

O financiamento sufoca a economia real e o paradigma tecnocrático tende a exercer seu domínio sobre a economia e política. Em resposta à globalização do paradigma tecnocrático, serve uma revolução cultural, um antídoto para selvageria megalomaníaca.  

Devemos dizer não, então, a um antropocentrismo desviado que justifica o aborto em nome da defesa da natureza e a atitude daqueles que afirmam para apagar a diferença sexual porque já não pode lidar com isso. Nem mesmo ao progresso tecnológico destinado a reduzir os custos de produção devido à redução de empregos; renunciar ao investimento em pessoas para obter maior lucro imediato é um negócio muito ruim para a sociedade.

A mensagem profética do Santo Padre, o Papa Francisco vai contra a corrupção, em várias ocasiões e em diferentes partes da Encíclica, o Romano Pontífice exorta a empreender uma luta mais sincera contra este flagelo, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento.

A política não deve se submeter à economia e não deve se submeter aos ditames e ao paradigma eficiente da “tecnocracia". Política e economia, no diálogo, devem estar a serviço da vida, especialmente da vida humana. A bolha financeira é, também, uma bolha de produção, da qual o problema da economia real permanece, denuncia o papa sobre a crise financeira. O princípio da maximização do lucro é uma distorção conceitual da economia.

Chegou a hora de aceitar uma certa sobriedade em algumas partes do mundo, fornecendo recursos para que possamos crescer de forma saudável em outras partes: Mudando o modelo de desenvolvimento global, como pediu o Papa Bento XVI para invocar a necessidade de sobriedade, e isso significa redefinir o progresso.

Na parte final da Encíclica, o Papa espera uma verdadeira conversão ecológica, e convida-nos a fazer uma mudança da base dos estilos de vida. Nem tudo está perdido porque segundo Francisco, podemos produzir um estilo de vida alternativo, através da capacidade de cuidar da criação com pequenas ações cotidianas; a partir da família, lugar de formação integral da pessoa e do exercício de virtudes.

O cuidado da Casa Comum que precisa urgentemente, faz mudar algo em nível coletivo para buscar uma nova solidariedade universal. Porque a poluição, a mudança climática, a questão da água e a perda da biodiversidade estão colocando em risco a sustentabilidade da Criação. Para defender estas posições e sustentar a ética do cuidado não é necessário ser ecologista extremo, precisamos tomar consciência de nossa vocação cristã no universo do mundo, esta encíclica de Francisco evocando o cuidado da casa comum é sem dúvida uma redescoberta da espiritualidade de Francisco de Assis, da memória franciscana.

Poderíamos dizer que o Papa nesta intuição de São Francisco, revela com maestria como é possível viver o estilo franciscano após a revolução industrial e especialmente após a revolução tecnológica. É a razão pela qual ele diz que a melhor maneira de proteger o planeta está em saber utilizar a inteligência e as novas descobertas, de acordo com um objetivo que não é o da dominação da Criação, mas uma compreensão mais profunda do saldo que a anima, movido pelo amor de Deus.

Desse ponto de vista, a Encíclica está colocada no caminho do pensamento sobre a ecologia humana de São João Paulo II e de Bento XVI. O Papa fala de ecologia integral quer dizer que você não pode ser ambientalista de uma forma superficial, como uma verdadeira ecologia deve começar a partir de como nós pensamos no interior da terra, imaginando diferente das três relações constitutivas; com Deus, com outros e com a Criação.

A aplicação que o Papa faz dela, por exemplo, em relação ao grande problema do crescimento populacional é significativa: o Papa sublinha que a melhor maneira é ajudar a Criação a acolher o crescimento demográfico, em vez de impor a saúde reprodutiva, através de políticas que sirvam apenas para preservar o bem-estar e o consumismo dos países mais ricos.

Nesse sentido, a Encíclica é também um alto clamor de acusação contra a “cultura do desperdício”. É importante que o Santo Padre diga que, na base da lógica tecnocrática, há esse modo de pensar, no momento em que enfrentamos o mundo, tratando-o como um objeto do qual “espremer” apenas tudo o que é necessário.

A Encíclica “Laudato si” dirige-se a todos os cristãos, e pedem um reconhecimento do seu próprio pecado social, mas no final é um convite à conversão universal para uma vida sustentável.

O Papa não quer ser um “profeta do infortúnio”, como disse seu predecessor São João XXIII, mas, pelo contrário, ele chama a todos para uma responsabilidade precisa e concreta. O propósito da Encíclica é nos ajudar a ver que grande tarefa nós temos pela frente.  Eis aqui a nossa tarefa, nossa missão de promotores da vida, fiéis praticantes da Palavra de Deus e não meros ouvintes, a Palavra de Deus é vida e libertação, e os jovens da Jornada Mundial carregam em sua bagagem o compromisso com a vida, como discípulos e missionários de Jesus Cristo a exemplo de Maria a Senhora da Esperança.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro