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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/10/2018

21 de Outubro de 2018

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01/11/2013 17:06 - Atualizado em 01/11/2013 17:17

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01/11/2013 17:06 - Atualizado em 01/11/2013 17:17

Ver Jesus / Arqrio

A Palavra de Deus nos vem cada domingo como uma luz, luz que ilumina o nosso caminho e guia nossos pés, como afirma o Sl 118. Devemos estar atentos a esta palavra, pois, por ser luz, iluminará o nosso coração para que possamos ver qual é o caminho de Deus e seguir por ele.

Amor de Deus

A primeira leitura, um trecho do livro da Sabedoria, nos apresenta o amor misericordioso de Deus em três momentos:
Primeiramente, em 11,22, o autor sagrado exalta a grandiosidade de Deus. O mundo inteiro, diante de Deus, é como um simples grão de areia, ínfimo diante da grandeza e soberania de Deus.

Depois, em 11,23-26, como justamente com o verbo grego eleeo (ter piedade) – o mesmo que a Igreja coloca nos nossos lábios no ato penitencial da missa quando cantamos “Kyrie Eleison”, ou seja, “Senhor, tende piedade” – o autor sagrado afirma que esta grandiosidade de Deus, longe de ser esmagadora, é fonte de misericórdia para com todos os homens, porque Deus ‘pode tudo’, inclusive perdoar as nossas maiores iniquidades. A própria existência das criaturas é manifestação de um amor contínuo, que tudo criou e agora tudo mantém na existência.
Em terceiro lugar, em 12,1-2, o autor afirma que é justamente por causa do seu amor misericordioso que Deus ‘corrige’, mas ‘com carinho’, os que caem. Isso Ele o faz para que o homem, afastando-se do mau caminho, creia em Deus.

Imagens de Deus

No nosso imaginário criamos, muitas vezes, ou a imagem de um Deus que, sendo onipotente, nos esmaga com essa onipotência, sendo sempre incapaz de compreender nossos pecados; ou a imagem de um Deus bonachão que, sendo misericordioso, sempre passa a mão na nossa cabeça dizendo que não tem importância aquilo o que fizemos.

O primeiro seria um Deus insensível, mais nosso inimigo que amigo; o segundo também não seria um Deus amigo, porque, tratando-nos assim, nunca nos faria crescer para levarmos uma vida à altura da nossa dignidade.

O livro da Sabedoria nos mostra essa dupla dimensão de Deus: Ele é grande e onipotente, mas também sumamente misericordioso. Contudo, a sua onipotência não impede a sua misericórdia e a sua misericórdia também não atrapalha a sua mão de Pai, que deve corrigir a nós que erramos, a fim de abandonarmos o que é mal e ‘termos fé’ Nele. Quando o texto diz que Ele ‘fecha os olhos’ aos pecados dos homens, isso não significa que Ele ignore as nossas atitudes, mas que, na sua paciência, Ele nos dá um tempo, a fim de que possamos nos arrepender do malfeito e a Ele retornar de coração.

Gesto de misericórdia

Esse Deus, ao mesmo tempo onipotente e misericordioso, entrou na casa de Zaqueu, como podemos ouvir na palavra do Evangelho. Quando Jesus passa por Jericó, um homem ‘procura vê-lo’. Zaqueu está sedento por esse encontro. Ele quer ‘ver Jesus’. Na sua ânsia de ver, ele é visto, porque Deus sempre está a nos olhar. Jesus manifesta isso quando manda Zaqueu descer depressa da árvore, porque Ele deve pousar na sua casa. O que nos chama a atenção no Evangelho é que Jesus não dá uma palavra de reprimenda a Zaqueu, o qual era nada menos que ‘o chefe dos cobradores de impostos’, ou seja, o chefe daquele belo grupo de pecadores.

O gesto de misericórdia, o olhar que descobriu Zaqueu na árvore, enfim, a presença encarnada da ‘palavra’ tornou supérfluas quaisquer outras palavras. A presença de Jesus diz tudo. E Zaqueu, como que lendo em Jesus o que acabamos de ouvir do livro da Sabedoria, se ‘afasta do que é mal’ e ‘crê em Jesus’. Ele se arrepende e toma a palavra para dizer que vai devolver quatro vezes mais a quem defraudou, e que dará metade do que ganhou honestamente aos pobres.

O Cristo está no meio de nós cada domingo. Devemos ter um coração como o de Zaqueu, que procura ‘vê-lo’. E se, como Zaqueu, percebermos que já fomos vistos por Ele, devemos descer da árvore, e fazer isso depressa. Devemos descer depressa porque Ele também deseja entrar na nossa casa, a fim de que a sua presença misericordiosa em nosso interior nos leve a uma atitude de verdadeiro arrependimento e conversão como aconteceu com Zaqueu. Assim ‘abandonaremos o mal’ e ‘teremos fé’ novamente; e, por nossa ‘fé ativa’ como afirma a segunda leitura, o Senhor será glorificado em nós e nós Nele.

 

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01/11/2013 17:06 - Atualizado em 01/11/2013 17:17

A Palavra de Deus nos vem cada domingo como uma luz, luz que ilumina o nosso caminho e guia nossos pés, como afirma o Sl 118. Devemos estar atentos a esta palavra, pois, por ser luz, iluminará o nosso coração para que possamos ver qual é o caminho de Deus e seguir por ele.

Amor de Deus

A primeira leitura, um trecho do livro da Sabedoria, nos apresenta o amor misericordioso de Deus em três momentos:
Primeiramente, em 11,22, o autor sagrado exalta a grandiosidade de Deus. O mundo inteiro, diante de Deus, é como um simples grão de areia, ínfimo diante da grandeza e soberania de Deus.

Depois, em 11,23-26, como justamente com o verbo grego eleeo (ter piedade) – o mesmo que a Igreja coloca nos nossos lábios no ato penitencial da missa quando cantamos “Kyrie Eleison”, ou seja, “Senhor, tende piedade” – o autor sagrado afirma que esta grandiosidade de Deus, longe de ser esmagadora, é fonte de misericórdia para com todos os homens, porque Deus ‘pode tudo’, inclusive perdoar as nossas maiores iniquidades. A própria existência das criaturas é manifestação de um amor contínuo, que tudo criou e agora tudo mantém na existência.
Em terceiro lugar, em 12,1-2, o autor afirma que é justamente por causa do seu amor misericordioso que Deus ‘corrige’, mas ‘com carinho’, os que caem. Isso Ele o faz para que o homem, afastando-se do mau caminho, creia em Deus.

Imagens de Deus

No nosso imaginário criamos, muitas vezes, ou a imagem de um Deus que, sendo onipotente, nos esmaga com essa onipotência, sendo sempre incapaz de compreender nossos pecados; ou a imagem de um Deus bonachão que, sendo misericordioso, sempre passa a mão na nossa cabeça dizendo que não tem importância aquilo o que fizemos.

O primeiro seria um Deus insensível, mais nosso inimigo que amigo; o segundo também não seria um Deus amigo, porque, tratando-nos assim, nunca nos faria crescer para levarmos uma vida à altura da nossa dignidade.

O livro da Sabedoria nos mostra essa dupla dimensão de Deus: Ele é grande e onipotente, mas também sumamente misericordioso. Contudo, a sua onipotência não impede a sua misericórdia e a sua misericórdia também não atrapalha a sua mão de Pai, que deve corrigir a nós que erramos, a fim de abandonarmos o que é mal e ‘termos fé’ Nele. Quando o texto diz que Ele ‘fecha os olhos’ aos pecados dos homens, isso não significa que Ele ignore as nossas atitudes, mas que, na sua paciência, Ele nos dá um tempo, a fim de que possamos nos arrepender do malfeito e a Ele retornar de coração.

Gesto de misericórdia

Esse Deus, ao mesmo tempo onipotente e misericordioso, entrou na casa de Zaqueu, como podemos ouvir na palavra do Evangelho. Quando Jesus passa por Jericó, um homem ‘procura vê-lo’. Zaqueu está sedento por esse encontro. Ele quer ‘ver Jesus’. Na sua ânsia de ver, ele é visto, porque Deus sempre está a nos olhar. Jesus manifesta isso quando manda Zaqueu descer depressa da árvore, porque Ele deve pousar na sua casa. O que nos chama a atenção no Evangelho é que Jesus não dá uma palavra de reprimenda a Zaqueu, o qual era nada menos que ‘o chefe dos cobradores de impostos’, ou seja, o chefe daquele belo grupo de pecadores.

O gesto de misericórdia, o olhar que descobriu Zaqueu na árvore, enfim, a presença encarnada da ‘palavra’ tornou supérfluas quaisquer outras palavras. A presença de Jesus diz tudo. E Zaqueu, como que lendo em Jesus o que acabamos de ouvir do livro da Sabedoria, se ‘afasta do que é mal’ e ‘crê em Jesus’. Ele se arrepende e toma a palavra para dizer que vai devolver quatro vezes mais a quem defraudou, e que dará metade do que ganhou honestamente aos pobres.

O Cristo está no meio de nós cada domingo. Devemos ter um coração como o de Zaqueu, que procura ‘vê-lo’. E se, como Zaqueu, percebermos que já fomos vistos por Ele, devemos descer da árvore, e fazer isso depressa. Devemos descer depressa porque Ele também deseja entrar na nossa casa, a fim de que a sua presença misericordiosa em nosso interior nos leve a uma atitude de verdadeiro arrependimento e conversão como aconteceu com Zaqueu. Assim ‘abandonaremos o mal’ e ‘teremos fé’ novamente; e, por nossa ‘fé ativa’ como afirma a segunda leitura, o Senhor será glorificado em nós e nós Nele.

 

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida