Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/07/2019

18 de Julho de 2019

Sagrada Família

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18 de Julho de 2019

Sagrada Família

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30/12/2018 00:00 - Atualizado em 31/12/2018 09:09

Sagrada Família 0

30/12/2018 00:00 - Atualizado em 31/12/2018 09:09

É com alegria que celebramos neste domingo, dentro da Oitava de Natal, a Festa da Sagrada Família, que dá nome à muitas paróquias desta nossa arquidiocese. Cada uma tem a sua história, seu espaço, e nós bendizemos e agradecemos ao Senhor.

Estamos dentro da Oitava de Natal, dentro do Ano Arquidiocesano das Vocações Sacerdotais, pedindo pelas vocações ao sacerdócio ministerial em nossa Arquidiocese. E já vislumbrando na próxima semana, o início de um novo ano civil, para o qual nós pedimos todas as bênçãos de Deus e pedimos que cada um de nós também, com a vida familiar, guiado pelo Senhor, possamos fazer diferença nesse novo ano que chega.

Nós agradecemos a Deus por todos os dons e pedimos a Ele que nos ilumine nessa nossa caminhada tão necessária e tão importante nesse mundo de hoje, que necessita cada vez mais de famílias cristãs e que, a exemplo da Sagrada Família, tem um Cristo no centro da sua casa e da sua caminhada.

A Oitava de Natal, diferentemente do tempo da Páscoa, ela a cada dia tem uma oportunidade de ver as consequências do mistério da Encarnação, seja durante os oito dias de Natal, que celebramos, a Igreja nos oferece a possibilidade de ver que o Verbo se encarnou e tem consequências concretas na vida de cada dia, na vida da realidade da Igreja, daqueles que seguem a Jesus, os cristãos!

E um dos aspectos é justamente a Família, por nos dar como exemplo, como testemunho a Sagrada Família, sem dúvida que o Senhor nos coloca, também, a necessidade de vivermos cada vez mais e melhor como famílias cristãs no mundo de hoje.

Na liturgia do sábado que antecede a festa da Sagrada Família nós ouvimos uma Palavra importante para nossas vidas e famílias: Primeiro, a luz que chega (Cf. 1Jo 2,3-11). Nós ouvimos o velho Simeão dizer que podia morrer, porque chegou a luz que poderia brilhar todas as nações, o Messias esperado chegou, da apresentação de Jesus no templo e a purificação de Nossa Senhora, como diz a leitura da primeira Carta de São João. Ou seja, aquilo mesmo que na leitura primeira fala que quem está na luz vive de acordo com Cristo e segue a Jesus Cristo, iluminado pelo Senhor que coloca em prática a palavra. Quem está nas trevas e longe do Senhor vive no mal.

Portanto, chega a luz do mundo, vem a luz que ilumina todo homem que vem a esse mundo e acaba com as trevas do mundo. Precisamos acolher essa luz, que nós deixemos nos iluminar pelo Senhor. Esse “estar na luz” significa uma vida de acordo com o Evangelho, colocar-se na prática do Evangelho, viver a palavra de Deus hoje em nossas vidas. Portanto, nós pedimos ao Senhor que nessa Oitava de Natal, em que tenhamos um encontro com aquele Deus que se tornou próximo de nós em Jesus Cristo Nosso Senhor, e por isso, nós também tenhamos a nossa vida iluminada, a nossa história, os acontecimentos e, ao mesmo tempo, possamos viver essa luz de Cristo.

E o segundo aspecto da palavra de Deus do sábado é não ter ódio nem rancor no coração, ou seja, não odiar o seu irmão, nem fazer o mal aos outros. (cf. 1Jo 2,9-11) Seja quem está realmente na luz, passando a seguir amando ao seu próximo, fazendo bem aos outros em todas as circunstâncias da vida. Somos muitas vezes enganados pela sociedade e por nossa cabeça, também, tentando justificar em tantas situações, mas quem está na luz não vai odiar ao seu irmão, mas vai amar o seu próximo como se pede o Evangelho.

No mundo de hoje, há muita divisão, muito ódio, muito rancor. Hoje, com a questão da internet, de mensagens falsas e de ódio, injustamente muitos extravasam e vão contaminando com o mal a nossa sociedade, que necessita de um ar novo, de um tempo em que a Palavra de Deus e do Evangelho possa trazer esse ar da renovação, vivendo como bons cristãos no mundo de hoje.

Então, é nossa grande missão arrumar uma nova oportunidade para que a cada dia, a cada momento, nós possamos viver iluminados pelo Cristo e amando ao próximo, fazendo o bem ao outro concretamente, de tal maneira que nos contagiemos cada vez mais com o bem, esse contágio do bem, e ver cada vez mais a luz de Cristo.

O velho Simeão (cf. Lc 2,22-35) ficou muito feliz ao tomar Jesus nos braços, mesmo dizendo que Maria iria sofrer, devido aos vários acontecimentos. No entanto, chegou a luz e essa luz deve nos iluminar, para podermos viver no amor a Deus e ao próximo concretamente e cada vez mais.

Maria e José, segundo a Lei de Moisés, apresentam o primogênito Jesus no templo. Como pedia a Lei mosaica, oferecem o sacrifício dos pobres, ou duas pombas ou dois pássaros. Lembrando justamente que no passado quando estavam os escravos do Egito, os primogênitos do Egito, lembrando dessa libertação que traz também o povo de Deus para ser um povo novo.

Fazendo memória dessa apresentação de Jesus no templo e consagração do primogênito ao Senhor, lembra para nós a responsabilidade dos pais em relação aos filhos, de educá-los na fé, de orientá-los a conhecer a Deus.

Hoje, diferentemente do passado, quando tínhamos uma sociedade onde os valores cristãos eram mais ou menos difusos pela sociedade, embora tivesse suas incoerências, hoje os valores cristãos são muito mais escassos, o que torna a educação muito mais dificil na sociedade atual.

Então não se pode imaginar que simplesmente os filhos que vão crescendo possam respirar ares de valores cristãos na sociedade, pela internet ou nas escolas, onde muitas vezes se respira outro tipo de situação, muitas vezes, contrárias ao evangelho. Portanto, fica a lição ainda maior, hoje, dos pais em levar os seus filhos a viverem cada vez melhor a sua consagração a Deus, de fazer chegar essa orientação até os filhos.

Nesta Festa da Sagrada Família preparada pela liturgia da véspera é uma oportunidade de pedirmos para que todos nós sejamos iluminados, acolhendo essa luz de Cristo, acolher essa luz que nós iremos ser, concretamente, iluminados amando ao próximo, e não fazendo mal os outros, contagiando as pessoas com o bem.

É importante salientar a responsabilidade de pais de família com relação aos filhos do mundo de hoje, lembrando já de Maria e José, segundo a lei de Moisés, assim o fizeram levando Jesus para ser consagrado no Templo. E esses aspectos marcam a nossa vida e nos co-responsabilizam.

E uma outra coisa é lembrar que, ao celebrar a Festa da Sagrada Família é importante, além de vivermos com alegria a vocação familiar, de estarmos atentos à missionariedade de ir em busca dos outros, de anunciar que um outro mundo é possível. Quanto mais os valores cristãos vão contagiando as pessoas com bem e com fraternidade, mais a missão da Igreja deve crescer interiormente, não para si, mas para ser gente em saída. Levar as pessoas nesse mundo de mudança e mudança cultural é possível, a família bem informada, bem orientada, o amor ao próximo e essa luz brilhando, iluminando a vida de cada um de nós.

Desejo que nesta Festa da Sagrada Família possa ser mais um momento importante de retomada de futuro, agradecendo por passos já dados pela pastoral familiar e, ao mesmo tempo, olhar os desafios do presente e do futuro no limiar do novo ano.

Que a Sagrada Família possa estar sendo sinal para todos nós, para formarmos bem as nossas famílias, como e à semelhança da Família de Nazaré. Aprender a oração, a humildade, a dedicação à Deus, aprender o silêncio, aprendendo tudo aquilo que a Sagrada Família nos traz, vivenciando neste final de semana o grande dom, essa grande graça. Amém!

 

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Sagrada Família

30/12/2018 00:00 - Atualizado em 31/12/2018 09:09

É com alegria que celebramos neste domingo, dentro da Oitava de Natal, a Festa da Sagrada Família, que dá nome à muitas paróquias desta nossa arquidiocese. Cada uma tem a sua história, seu espaço, e nós bendizemos e agradecemos ao Senhor.

Estamos dentro da Oitava de Natal, dentro do Ano Arquidiocesano das Vocações Sacerdotais, pedindo pelas vocações ao sacerdócio ministerial em nossa Arquidiocese. E já vislumbrando na próxima semana, o início de um novo ano civil, para o qual nós pedimos todas as bênçãos de Deus e pedimos que cada um de nós também, com a vida familiar, guiado pelo Senhor, possamos fazer diferença nesse novo ano que chega.

Nós agradecemos a Deus por todos os dons e pedimos a Ele que nos ilumine nessa nossa caminhada tão necessária e tão importante nesse mundo de hoje, que necessita cada vez mais de famílias cristãs e que, a exemplo da Sagrada Família, tem um Cristo no centro da sua casa e da sua caminhada.

A Oitava de Natal, diferentemente do tempo da Páscoa, ela a cada dia tem uma oportunidade de ver as consequências do mistério da Encarnação, seja durante os oito dias de Natal, que celebramos, a Igreja nos oferece a possibilidade de ver que o Verbo se encarnou e tem consequências concretas na vida de cada dia, na vida da realidade da Igreja, daqueles que seguem a Jesus, os cristãos!

E um dos aspectos é justamente a Família, por nos dar como exemplo, como testemunho a Sagrada Família, sem dúvida que o Senhor nos coloca, também, a necessidade de vivermos cada vez mais e melhor como famílias cristãs no mundo de hoje.

Na liturgia do sábado que antecede a festa da Sagrada Família nós ouvimos uma Palavra importante para nossas vidas e famílias: Primeiro, a luz que chega (Cf. 1Jo 2,3-11). Nós ouvimos o velho Simeão dizer que podia morrer, porque chegou a luz que poderia brilhar todas as nações, o Messias esperado chegou, da apresentação de Jesus no templo e a purificação de Nossa Senhora, como diz a leitura da primeira Carta de São João. Ou seja, aquilo mesmo que na leitura primeira fala que quem está na luz vive de acordo com Cristo e segue a Jesus Cristo, iluminado pelo Senhor que coloca em prática a palavra. Quem está nas trevas e longe do Senhor vive no mal.

Portanto, chega a luz do mundo, vem a luz que ilumina todo homem que vem a esse mundo e acaba com as trevas do mundo. Precisamos acolher essa luz, que nós deixemos nos iluminar pelo Senhor. Esse “estar na luz” significa uma vida de acordo com o Evangelho, colocar-se na prática do Evangelho, viver a palavra de Deus hoje em nossas vidas. Portanto, nós pedimos ao Senhor que nessa Oitava de Natal, em que tenhamos um encontro com aquele Deus que se tornou próximo de nós em Jesus Cristo Nosso Senhor, e por isso, nós também tenhamos a nossa vida iluminada, a nossa história, os acontecimentos e, ao mesmo tempo, possamos viver essa luz de Cristo.

E o segundo aspecto da palavra de Deus do sábado é não ter ódio nem rancor no coração, ou seja, não odiar o seu irmão, nem fazer o mal aos outros. (cf. 1Jo 2,9-11) Seja quem está realmente na luz, passando a seguir amando ao seu próximo, fazendo bem aos outros em todas as circunstâncias da vida. Somos muitas vezes enganados pela sociedade e por nossa cabeça, também, tentando justificar em tantas situações, mas quem está na luz não vai odiar ao seu irmão, mas vai amar o seu próximo como se pede o Evangelho.

No mundo de hoje, há muita divisão, muito ódio, muito rancor. Hoje, com a questão da internet, de mensagens falsas e de ódio, injustamente muitos extravasam e vão contaminando com o mal a nossa sociedade, que necessita de um ar novo, de um tempo em que a Palavra de Deus e do Evangelho possa trazer esse ar da renovação, vivendo como bons cristãos no mundo de hoje.

Então, é nossa grande missão arrumar uma nova oportunidade para que a cada dia, a cada momento, nós possamos viver iluminados pelo Cristo e amando ao próximo, fazendo o bem ao outro concretamente, de tal maneira que nos contagiemos cada vez mais com o bem, esse contágio do bem, e ver cada vez mais a luz de Cristo.

O velho Simeão (cf. Lc 2,22-35) ficou muito feliz ao tomar Jesus nos braços, mesmo dizendo que Maria iria sofrer, devido aos vários acontecimentos. No entanto, chegou a luz e essa luz deve nos iluminar, para podermos viver no amor a Deus e ao próximo concretamente e cada vez mais.

Maria e José, segundo a Lei de Moisés, apresentam o primogênito Jesus no templo. Como pedia a Lei mosaica, oferecem o sacrifício dos pobres, ou duas pombas ou dois pássaros. Lembrando justamente que no passado quando estavam os escravos do Egito, os primogênitos do Egito, lembrando dessa libertação que traz também o povo de Deus para ser um povo novo.

Fazendo memória dessa apresentação de Jesus no templo e consagração do primogênito ao Senhor, lembra para nós a responsabilidade dos pais em relação aos filhos, de educá-los na fé, de orientá-los a conhecer a Deus.

Hoje, diferentemente do passado, quando tínhamos uma sociedade onde os valores cristãos eram mais ou menos difusos pela sociedade, embora tivesse suas incoerências, hoje os valores cristãos são muito mais escassos, o que torna a educação muito mais dificil na sociedade atual.

Então não se pode imaginar que simplesmente os filhos que vão crescendo possam respirar ares de valores cristãos na sociedade, pela internet ou nas escolas, onde muitas vezes se respira outro tipo de situação, muitas vezes, contrárias ao evangelho. Portanto, fica a lição ainda maior, hoje, dos pais em levar os seus filhos a viverem cada vez melhor a sua consagração a Deus, de fazer chegar essa orientação até os filhos.

Nesta Festa da Sagrada Família preparada pela liturgia da véspera é uma oportunidade de pedirmos para que todos nós sejamos iluminados, acolhendo essa luz de Cristo, acolher essa luz que nós iremos ser, concretamente, iluminados amando ao próximo, e não fazendo mal os outros, contagiando as pessoas com o bem.

É importante salientar a responsabilidade de pais de família com relação aos filhos do mundo de hoje, lembrando já de Maria e José, segundo a lei de Moisés, assim o fizeram levando Jesus para ser consagrado no Templo. E esses aspectos marcam a nossa vida e nos co-responsabilizam.

E uma outra coisa é lembrar que, ao celebrar a Festa da Sagrada Família é importante, além de vivermos com alegria a vocação familiar, de estarmos atentos à missionariedade de ir em busca dos outros, de anunciar que um outro mundo é possível. Quanto mais os valores cristãos vão contagiando as pessoas com bem e com fraternidade, mais a missão da Igreja deve crescer interiormente, não para si, mas para ser gente em saída. Levar as pessoas nesse mundo de mudança e mudança cultural é possível, a família bem informada, bem orientada, o amor ao próximo e essa luz brilhando, iluminando a vida de cada um de nós.

Desejo que nesta Festa da Sagrada Família possa ser mais um momento importante de retomada de futuro, agradecendo por passos já dados pela pastoral familiar e, ao mesmo tempo, olhar os desafios do presente e do futuro no limiar do novo ano.

Que a Sagrada Família possa estar sendo sinal para todos nós, para formarmos bem as nossas famílias, como e à semelhança da Família de Nazaré. Aprender a oração, a humildade, a dedicação à Deus, aprender o silêncio, aprendendo tudo aquilo que a Sagrada Família nos traz, vivenciando neste final de semana o grande dom, essa grande graça. Amém!

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro