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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/03/2019

20 de Março de 2019

Livros do Antigo Testamento (86)

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20 de Março de 2019

Livros do Antigo Testamento (86)

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28/12/2018 11:25 - Atualizado em 28/12/2018 11:25

Livros do Antigo Testamento (86) 0

28/12/2018 11:25 - Atualizado em 28/12/2018 11:25

Com este artigo chegamos ao fim da série dos livros, ditos históricos ou segundo a Bíblia hebraica ketuvim (escritos). Trata-se da última grande epopeia judaica, aquela da Família dos Macabeus.

INTRODUÇÃO:

Macabeus são designados dois livros que fazem parte da Sagrada Escritura, embora sejam conhecidos mais dois com este nome na antiga literatura judaica. Nos primeiros séculos da Igreja, houve algumas dúvidas em considerá-los parte do Cânone.

De fato, não constam no Cânone da Bíblia hebraica dos judeus palestinenses, mas fazem parte da Bíblia do judaísmo de Alexandria. Este fato veio a criar, por parte das igrejas protestantes, uma atitude de reserva para com eles; quanto aos outros dois, cedo lhes foi recusada a classificação de livros bíblicos, tanto pelos judeus como pelos cristãos.

Chamam-se Macabeus, não porque tal fosse o nome do seu autor, mas porque Judas - o protagonista dos principais acontecimentos narrados nos dois livros - foi denominado “Macabeu”. Porém, foi São Clemente de Alexandria (séc. III d.C.) quem, pela primeira vez, lhes atribuiu esse título, que se tornou corrente na tradição cristã.

Muito provavelmente, com esse nome desejava-se salientar a missão que Deus, Senhor da História, quisera confiar a Judas Macabeu. De fato, o termo ‘macabeu’ aparece em Is 62,2 com o significado de ‘designado de Deus’, que corresponde perfeitamente à qualidade de chefe com que Judas é descrito em 2 Mac 8,1-7.

As nações verão então tua vitória, e todos os reis teu triunfo. Receberás, então, um novo nome, determinado pela boca do Senhor (Is 62,2).

Também é muito semelhante ao que se diz dos chefes carismáticos do período dos Juízes e ao papel dos que têm a missão de libertar o povo de um poder político ou de uma cultura que não respeita a fé de Israel.

AUTORIA

O 1.° livro dos Macabeus é obra de autor desconhecido, mas bom conhecedor da Palestina e imbuído da fé que caracteriza o povo eleito. É precisamente esta fé que o leva a narrar a História recente do seu povo, para impedir os seus irmãos de raça de serem infiéis à aliança.

No horizonte, está o confronto entre a fé de Israel e os novos modos de viver da cultura helenística, em que o judaísmo da diáspora se encontra. Para responder a essa situação concreta e precaver da traição à fé, o autor vai buscar este período histórico e os modelos de fé nele encontrados.

Tocado pela dura experiência do tempo do domínio selêucida, com Antíoco IV Epifânio à cabeça, volta-se para a raiz da fé, que é a aliança do Sinai, e diz ao povo: “Deus está sempre atento e vai fazer surgir homens corajosos e determinados, para resistirmos à imposição dos valores culturais que ameaçam as atitudes de vida exigidas pela aliança”.

Por isso, mais que descrever objetivamente o que fizeram esses homens, o autor preocupa-se em mostrar como, por atitudes idênticas às deles, o povo fiel pode continuar a viver a sua fé no Deus único e a manter a sua identidade nacional.

GENERO LITERÁRIO

Os dois livros dos Macabeus são históricos, segundo os critérios historiográficos da época, e com uma acentuada preocupação religiosa e edificante.

Mais que uma narração objetiva dos acontecimentos do mesmo período, nem sempre concordantes, porque entre si distintos e independentes, assemelham-se a dois evangelhos sinópticos:

O 1.° livro abrange o período que vai de 175 a.C. a 134 a.C. (subida ao trono de João Hircano);

O 2.° livro cobre o período de 175 a.C. a 160 a.C. (morte de Nicanor).

DIVISÃO

A narração dos acontecimentos está distribuída em quatro blocos: no primeiro traça-se o ambiente político e cultural criado por Alexandre Magno, que origina a revolta dos Macabeus (1,1-2,70); no segundo narram-se os feitos gloriosos de Judas Macabeu (3,1-9,22); no terceiro descrevem-se os feitos de Jonatas (9,23-12,54) e, no quarto, os feitos do Sumo Sacerdote Simão, fundador da dinastia dos Hasmoneus (13,1-16,24).

O seu conteúdo poderá ser dividido nas quatro partes que apresentamos a seguir:

Ambiente político e revolta de Matatias (1,1-2,70): Alexandre Magno (1,1-9); Antíoco Epifânio (1, 10-40); perseguição religiosa (1,41-64); feitos de Matatias (2,1-70).

Judas Macabeu (3,1-9,22): primeiras vitórias de Judas (3,1-4,35); purificação do templo (4,36-61); guerra contra os povos vizinhos (5); morte de Antíoco na Pérsia (6,1-17); Antíoco Eupátor ataca a Judeia e faz a paz com os judeus (6,18-63); Demétrio, sucessor de Eupátor, declara guerra a Judas Macabeu (7); Judas Macabeu alia-se aos romanos (8); morte de Judas Macabeu (9,1-22).

Feitos de Jónatas, sucessor de Judas Macabeu (9,23-12,54): modificação da situação dos judeus (9,23-73); Jónatas aproveita-se da guerra civil dos sírios (10); confirmação da situação de Jónatas (11); aliança com os romanos e com os espartanos (12,1-23); Jónatas em poder de Trifon (12,24-54).

Simão, príncipe do povo judeu (13,1-16,24): Simão procura resgatar seu irmão (13,1-32); Simão assegura a liberdade do seu povo (13,33-53); Simão é aclamado príncipe do povo judeu (14); Antíoco Sidetes volta-se contra os judeus (15); morte de Simão (16).

 

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Livros do Antigo Testamento (86)

28/12/2018 11:25 - Atualizado em 28/12/2018 11:25

Com este artigo chegamos ao fim da série dos livros, ditos históricos ou segundo a Bíblia hebraica ketuvim (escritos). Trata-se da última grande epopeia judaica, aquela da Família dos Macabeus.

INTRODUÇÃO:

Macabeus são designados dois livros que fazem parte da Sagrada Escritura, embora sejam conhecidos mais dois com este nome na antiga literatura judaica. Nos primeiros séculos da Igreja, houve algumas dúvidas em considerá-los parte do Cânone.

De fato, não constam no Cânone da Bíblia hebraica dos judeus palestinenses, mas fazem parte da Bíblia do judaísmo de Alexandria. Este fato veio a criar, por parte das igrejas protestantes, uma atitude de reserva para com eles; quanto aos outros dois, cedo lhes foi recusada a classificação de livros bíblicos, tanto pelos judeus como pelos cristãos.

Chamam-se Macabeus, não porque tal fosse o nome do seu autor, mas porque Judas - o protagonista dos principais acontecimentos narrados nos dois livros - foi denominado “Macabeu”. Porém, foi São Clemente de Alexandria (séc. III d.C.) quem, pela primeira vez, lhes atribuiu esse título, que se tornou corrente na tradição cristã.

Muito provavelmente, com esse nome desejava-se salientar a missão que Deus, Senhor da História, quisera confiar a Judas Macabeu. De fato, o termo ‘macabeu’ aparece em Is 62,2 com o significado de ‘designado de Deus’, que corresponde perfeitamente à qualidade de chefe com que Judas é descrito em 2 Mac 8,1-7.

As nações verão então tua vitória, e todos os reis teu triunfo. Receberás, então, um novo nome, determinado pela boca do Senhor (Is 62,2).

Também é muito semelhante ao que se diz dos chefes carismáticos do período dos Juízes e ao papel dos que têm a missão de libertar o povo de um poder político ou de uma cultura que não respeita a fé de Israel.

AUTORIA

O 1.° livro dos Macabeus é obra de autor desconhecido, mas bom conhecedor da Palestina e imbuído da fé que caracteriza o povo eleito. É precisamente esta fé que o leva a narrar a História recente do seu povo, para impedir os seus irmãos de raça de serem infiéis à aliança.

No horizonte, está o confronto entre a fé de Israel e os novos modos de viver da cultura helenística, em que o judaísmo da diáspora se encontra. Para responder a essa situação concreta e precaver da traição à fé, o autor vai buscar este período histórico e os modelos de fé nele encontrados.

Tocado pela dura experiência do tempo do domínio selêucida, com Antíoco IV Epifânio à cabeça, volta-se para a raiz da fé, que é a aliança do Sinai, e diz ao povo: “Deus está sempre atento e vai fazer surgir homens corajosos e determinados, para resistirmos à imposição dos valores culturais que ameaçam as atitudes de vida exigidas pela aliança”.

Por isso, mais que descrever objetivamente o que fizeram esses homens, o autor preocupa-se em mostrar como, por atitudes idênticas às deles, o povo fiel pode continuar a viver a sua fé no Deus único e a manter a sua identidade nacional.

GENERO LITERÁRIO

Os dois livros dos Macabeus são históricos, segundo os critérios historiográficos da época, e com uma acentuada preocupação religiosa e edificante.

Mais que uma narração objetiva dos acontecimentos do mesmo período, nem sempre concordantes, porque entre si distintos e independentes, assemelham-se a dois evangelhos sinópticos:

O 1.° livro abrange o período que vai de 175 a.C. a 134 a.C. (subida ao trono de João Hircano);

O 2.° livro cobre o período de 175 a.C. a 160 a.C. (morte de Nicanor).

DIVISÃO

A narração dos acontecimentos está distribuída em quatro blocos: no primeiro traça-se o ambiente político e cultural criado por Alexandre Magno, que origina a revolta dos Macabeus (1,1-2,70); no segundo narram-se os feitos gloriosos de Judas Macabeu (3,1-9,22); no terceiro descrevem-se os feitos de Jonatas (9,23-12,54) e, no quarto, os feitos do Sumo Sacerdote Simão, fundador da dinastia dos Hasmoneus (13,1-16,24).

O seu conteúdo poderá ser dividido nas quatro partes que apresentamos a seguir:

Ambiente político e revolta de Matatias (1,1-2,70): Alexandre Magno (1,1-9); Antíoco Epifânio (1, 10-40); perseguição religiosa (1,41-64); feitos de Matatias (2,1-70).

Judas Macabeu (3,1-9,22): primeiras vitórias de Judas (3,1-4,35); purificação do templo (4,36-61); guerra contra os povos vizinhos (5); morte de Antíoco na Pérsia (6,1-17); Antíoco Eupátor ataca a Judeia e faz a paz com os judeus (6,18-63); Demétrio, sucessor de Eupátor, declara guerra a Judas Macabeu (7); Judas Macabeu alia-se aos romanos (8); morte de Judas Macabeu (9,1-22).

Feitos de Jónatas, sucessor de Judas Macabeu (9,23-12,54): modificação da situação dos judeus (9,23-73); Jónatas aproveita-se da guerra civil dos sírios (10); confirmação da situação de Jónatas (11); aliança com os romanos e com os espartanos (12,1-23); Jónatas em poder de Trifon (12,24-54).

Simão, príncipe do povo judeu (13,1-16,24): Simão procura resgatar seu irmão (13,1-32); Simão assegura a liberdade do seu povo (13,33-53); Simão é aclamado príncipe do povo judeu (14); Antíoco Sidetes volta-se contra os judeus (15); morte de Simão (16).

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica