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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2017

20 de Outubro de 2017

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25/10/2013 15:31 - Atualizado em 25/10/2013 15:32

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Quebra-quebra / Arqrio

Muitos se perguntam diante do fenômeno da juventude encapuzada Black Bloc: até quando? Cresce em ritmo e número, truculência e provocação. Faz barulho e estrago. Dá prejuízo ao público e ao privado. Atrapalha a população. Prende-a na condução. Atrasa a chegada. Dificulta a volta. Haja incômodos somados aos das manifestações e passeatas.

Considera-se anarquista. Porém, anarquia é só a ausência de coerção ou recusa de sujeição. Daí, o anarquismo aplicar-se aos movimentos de libertação social ao longo da história. Curiosamente, até Deus um dia foi chamado de anárquico, pelos teólogos medievais. Não porque a fé apoiasse ou inspirasse movimentos libertários, conforme o interesse e a manipulação dos crentes, mas porque Deus não tem necessidade de princípio exterior para ser, existir e agir. É Ele seu próprio princípio. Absolutamente autônomo. Quanto a nós, mesmo livres e sem coerções, somos sujeitos a várias influências externas, aceitas consciente ou assimiladas inconscientemente. Nossa autonomia é relativa. Nossa liberdade é situada.

Não merece a distinção de anarquista quem se conduz pelo ideal punk de só visar à rebeldia descompromissada e irresponsável, sem mesmo considerar de onde ela provém. De assumi-la sem capuz ou máscara. Carece de fim construtivo depois da desconstrução. É apenas violência pela violência. Gratuita, sem causa e sem fim.

A violência pode ser ato de insatisfação pessoal, coletiva, espontânea e passageira. É o caso de trabalhadores que se sentem agredidos e desrespeitados no direito de ir e vir, quando o transporte falta, enguiça, atrasa. Respondem com a depredação. A paixão selvagem é impensada e momentânea. Quase instintiva. Também faz estragos. Não resolve, apenas onera os cofres públicos. Mas quem depreda paga pelo que faz, indiretamente, como contribuinte. Ao contrário, a passionalidade do baderneiro é pensada e está sujeita a lideranças externas de chefia, ainda que ocultadas. É mais blogueira que roqueira. Daí, a programação calculada: dia, local e hora, previamente agendados, em sintonia com as concentrações de outros grupos que têm motivos claros para protestar e reivindicar.

 Os encapuzados se assemelham aos antigos vândalos somente no sentido que destroem os bens alheios, até de valor cultural e histórico. Impactam quando insultam as instituições e desafiam os policiais. Se não têm respeito nem medo da polícia, quem os poderá deter?

A violência é fruto da agressividade humana, sabemos. Esta pode ser direcionada para o bem, através da educação integral, da luta por causas humanitárias e da religião do amor. É célebre o zelo da ira santa do Mestre. Usou o chicote contra os vendilhões do templo. Pode, ao contrário, a agressividade natural alimentar as ações mais destrutivas. Por isso, é preciso impor-lhe limites legais para que não se transforme em violência até a banalização do mal. O Direito, a Ética e a Moral existem. Regulam as relações sociais a fim de que não se desvirtuem. Por isso, em tempos de crise, as instituições são solicitadas e cobradas para que funcionem. Os que têm poder decisório são chamados a investigar, capturar, julgar, aplicar as leis e impor sanções. Outros profissionais também cooperam em suas especialidades e atribuições.

O estado democrático de direito é a fonte institucional para limitar a violência de quem se disfarça ou, melhor, se esconde em quaisquer tipos de capuzes e de mascaramentos.

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25/10/2013 15:31 - Atualizado em 25/10/2013 15:32

Muitos se perguntam diante do fenômeno da juventude encapuzada Black Bloc: até quando? Cresce em ritmo e número, truculência e provocação. Faz barulho e estrago. Dá prejuízo ao público e ao privado. Atrapalha a população. Prende-a na condução. Atrasa a chegada. Dificulta a volta. Haja incômodos somados aos das manifestações e passeatas.

Considera-se anarquista. Porém, anarquia é só a ausência de coerção ou recusa de sujeição. Daí, o anarquismo aplicar-se aos movimentos de libertação social ao longo da história. Curiosamente, até Deus um dia foi chamado de anárquico, pelos teólogos medievais. Não porque a fé apoiasse ou inspirasse movimentos libertários, conforme o interesse e a manipulação dos crentes, mas porque Deus não tem necessidade de princípio exterior para ser, existir e agir. É Ele seu próprio princípio. Absolutamente autônomo. Quanto a nós, mesmo livres e sem coerções, somos sujeitos a várias influências externas, aceitas consciente ou assimiladas inconscientemente. Nossa autonomia é relativa. Nossa liberdade é situada.

Não merece a distinção de anarquista quem se conduz pelo ideal punk de só visar à rebeldia descompromissada e irresponsável, sem mesmo considerar de onde ela provém. De assumi-la sem capuz ou máscara. Carece de fim construtivo depois da desconstrução. É apenas violência pela violência. Gratuita, sem causa e sem fim.

A violência pode ser ato de insatisfação pessoal, coletiva, espontânea e passageira. É o caso de trabalhadores que se sentem agredidos e desrespeitados no direito de ir e vir, quando o transporte falta, enguiça, atrasa. Respondem com a depredação. A paixão selvagem é impensada e momentânea. Quase instintiva. Também faz estragos. Não resolve, apenas onera os cofres públicos. Mas quem depreda paga pelo que faz, indiretamente, como contribuinte. Ao contrário, a passionalidade do baderneiro é pensada e está sujeita a lideranças externas de chefia, ainda que ocultadas. É mais blogueira que roqueira. Daí, a programação calculada: dia, local e hora, previamente agendados, em sintonia com as concentrações de outros grupos que têm motivos claros para protestar e reivindicar.

 Os encapuzados se assemelham aos antigos vândalos somente no sentido que destroem os bens alheios, até de valor cultural e histórico. Impactam quando insultam as instituições e desafiam os policiais. Se não têm respeito nem medo da polícia, quem os poderá deter?

A violência é fruto da agressividade humana, sabemos. Esta pode ser direcionada para o bem, através da educação integral, da luta por causas humanitárias e da religião do amor. É célebre o zelo da ira santa do Mestre. Usou o chicote contra os vendilhões do templo. Pode, ao contrário, a agressividade natural alimentar as ações mais destrutivas. Por isso, é preciso impor-lhe limites legais para que não se transforme em violência até a banalização do mal. O Direito, a Ética e a Moral existem. Regulam as relações sociais a fim de que não se desvirtuem. Por isso, em tempos de crise, as instituições são solicitadas e cobradas para que funcionem. Os que têm poder decisório são chamados a investigar, capturar, julgar, aplicar as leis e impor sanções. Outros profissionais também cooperam em suas especialidades e atribuições.

O estado democrático de direito é a fonte institucional para limitar a violência de quem se disfarça ou, melhor, se esconde em quaisquer tipos de capuzes e de mascaramentos.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro