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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/01/2019

18 de Janeiro de 2019

Livros do Antigo Testamento (85)

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18 de Janeiro de 2019

Livros do Antigo Testamento (85)

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21/12/2018 11:42 - Atualizado em 21/12/2018 11:42

Livros do Antigo Testamento (85) 0

21/12/2018 11:42 - Atualizado em 21/12/2018 11:42

Neste artigo, concluímos os aspectos compreensivos do Livro de Ester. Um romance antigo, que serve a judeus e cristãos de prova da Bondade Divina, expressa na fidelidade do Povo de Israel, sempre salvo por Deus.

O LIVRO: COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA

Os problemas quanto ao seu conteúdo vão desembocar na data de composição deste livro. A opinião mais aceita é a de que o texto hebraico teria sido escrito durante o séc. III ou II a.C..

Nessa altura, o império persa já tinha terminado.

Isso significaria que as situações descritas se referiam ao tempo dos persas, mas os problemas e as preocupações reais que, naquele momento, levavam a escrever este livro, podiam ser confrontações com outros inimigos.

De fato, no séc. III a. C. ou depois, os conflitos do judaísmo eram, sobretudo, com o helenismo. E, se assim foi, o livro de Daniel e o de Judite dão testemunho de um recurso literário muito semelhante: servir-se de uma história referente a épocas do passado para enfrentar e combater dramas próprios do momento presente.

O Novo Testamento não deu muita importância a este livro, pois não se refere a ele. O judaísmo, pelo contrário, sempre o valorizou bastante.

A festa de Purim, aqui iniciada, também não consta no calendário de Qumrân1, nem o livro é referido na biblioteca da seita.

Mas, para o judaísmo, Ester foi sempre um dos mais importantes dos cinco “rolos” ou “livros”, cuja leitura ocorria regularmente em certas festas. O Cânon hebraico ou judeu-palestinense inclui só o texto hebraico de Ester, classificando-o na categoria dos “Escritos” ou “Literatura”. O Cânon grego ou judeu-alexandrino inclui também os suplementos gregos, considerando-os igualmente canônicos, aparecendo Ester entre os livros históricos.

O esquema geral do livro é aquele que se nos apresenta através da narrativa em hebraico:

I. Ester torna-se rainha: A,1-2,23;

II. Conspiração contra os judeus: 3,1-5,14;

III. Haman é condenado à morte: 6,1-7,10;

IV. Os hebreus vingam-se dos inimigos: 8,1-F,11.

MENSAGEM

Na teologia que se nota a diferença mais sensível entre o texto hebraico e os textos em grego.

No texto hebraico não existe sequer referência ao nome de Deus. Seja qual for a razão que levou a uma narrativa de aspecto aparentemente laico, pressupõe-se que, por detrás das vicissitudes da experiência histórica, existe outra instância da qual poderá vir a resposta para os problemas, se os humanos não forem capazes de os resolver (ver 1,14).

É uma evidente referência a Deus, implícita mas forte. Além disso, toda a narrativa se desenvolve num ambiente e com uma ressonância sapiencial clara. Ora, toda a sabedoria oriental, mesmo quando expressa numa linguagem aparentemente profana, está imbuída de um profundo humanismo religioso.

Uma das evidentes novidades do texto grego é a maneira como sublinha os vários aspectos teológicos. Em concreto, a intervenção de Deus como providente condutor dos acontecimentos históricos.

À primeira vista, pareceria que foi esta a razão que levou aos acréscimos gregos. Mas, fosse ou não essa a intenção principal, o fato é que o texto grego enquadra toda a história no contexto de um sonho, que é contado no princípio e explicado no fim. Tudo o que acontecera já tinha sido revelado a Mardoqueu por meio daquele sonho: estava previsto e cumpriu-se tal qual.

Isto é a expressão de uma concepção de História conduzida providencialmente, que vê os acontecimentos como um plano de Deus. Precisamente no final do Capítulo 4, ao aproximar-se o momento decisivo, é que o texto grego insere os suplementos da letra C, com uma oração de Mardoqueu e outra de Ester, cheias de ressonâncias bíblicas.

Aliás, conflitos como os apresentados neste livro costumam empurrar as partes em litígio para comportamentos, que só quando excessivos dão a sensação de vitória. Na Bíblia, o castigo dos maus, mesmo quando é atribuído a Deus, tem frequentemente aspectos excessivos.

É também importante, do ponto de vista religioso, o fato de o livro de Ester servir como texto justificativo da festa religiosa de ‹‹Purim»2, que se tornou uma das mais pitorescas do calendário religioso dos judeus, semelhante ao nosso Carnaval.

 

1  QumranKhirbet Qumran, “ruína da mancha cinzenta”, é um sítio arqueológico localizado na Cisjordania, a uma milha da margem noroeste do Mar Morto, a 12 km de Jericó e a cerca de 22 quilômetros a leste de Jerusalém. Situado na fissura do Mar Morto entre dois barrancos profundos, em uma área onde atividades tectônicas são frequentes e a precipitação média anual é muito baixa. O meio ambiente atual é árduo e difícil para o cultivo, mas foi precisamente o clima árido e a inacessibilidade do local que contribuíram significativamente para a preservação de estruturas e de materiais arqueológicos encontrados na região. Nessa região há aproximadamente 330 dias de sol por ano e praticamente não há precipitações. O ar é tão seco e quente que a água das evaporações é seca imediatamente no ar, criando uma névoa e resultando em um cheiro de enxofre. Qumran tornou-se célebre em 1947 com a descoberta de manuscritos antigos que ficaram conhecidos como os Manuscritos do Mar Morto. Em 1947, os primeiros manuscritos foram encontrados em uma caverna às margens do Mar Morto por um jovem beduíno que cuidava de um rebanho de ovelhas. A notícia do achado espalhou-se rapidamente após a venda e aquisição dos primeiros manuscritos. De imediato a comunidade científica interessou-se pelo achado. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Qumran

2 Purim (פּוּרִים, plural de פּוּר pûr, “sorteio” em hebraico, do acadiano pūru), é uma festa judaica que comemora a salvação dos judeus persas do plano de Hamã, para exterminá-los, no antigo Império Aquemênida tal como está escrito no livro de Ester, um dos livros do Tanach.[1] Os judeus estavam exilados na Babilônia, desde a destruição do Templo de Salomão pelos babilônios e da dispersão do Reino de Judá. A Babilônia, por sua vez, foi conquistada pela Pérsia. A festa de purim é caracterizada pelos seus costumes de ler ou ouvir a meguilá 2 vezes, passar a festa com fantasias e também  o costume de beber muito e até mesmo ficar bêbado com a intenção de se alegrar bastante para comemorar a vitória do povo judeu contra os persas, e também o costume de dar dinheiro aos pobres para que possam tambem se alegrar, juntamente ao restante do povo, e também o costume de comer algumas comidas típicas. Purim é celebrado, anualmente, no 14º dia do mês de Adar, que é o décimo segundo mês (nalguns anos, também o décimo terceiro mês) do mês hebraico, que é o dia seguinte à vitória dos judeus sobre os seus inimigos (occorrido no 13º dia do mês hebraico de Adar, que foi o dia escolhido, por Haman, para a destruição de todos os judeus do Império Persa). Nas cidades que eram muradas, no tempo de Josué, incluindo Susa e Jerusalém, Purim é celebrado no 15º dia de Adar, conhecido como Purim Shushan. Assim como em todas as festas judaicas, Purim tem início no pôr-do-sol da véspera do dia do calendário comum. O nome “Purim” vem da palavra hebraica “pur”, que significa “sorteio”. Este era o método usado por Haman, o primeiro-ministro do Rei Achashverosh da Pérsia, para escolher a data na qual ele pretendia massacrar os judeus do país. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Purim

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21/12/2018 11:42 - Atualizado em 21/12/2018 11:42

Neste artigo, concluímos os aspectos compreensivos do Livro de Ester. Um romance antigo, que serve a judeus e cristãos de prova da Bondade Divina, expressa na fidelidade do Povo de Israel, sempre salvo por Deus.

O LIVRO: COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA

Os problemas quanto ao seu conteúdo vão desembocar na data de composição deste livro. A opinião mais aceita é a de que o texto hebraico teria sido escrito durante o séc. III ou II a.C..

Nessa altura, o império persa já tinha terminado.

Isso significaria que as situações descritas se referiam ao tempo dos persas, mas os problemas e as preocupações reais que, naquele momento, levavam a escrever este livro, podiam ser confrontações com outros inimigos.

De fato, no séc. III a. C. ou depois, os conflitos do judaísmo eram, sobretudo, com o helenismo. E, se assim foi, o livro de Daniel e o de Judite dão testemunho de um recurso literário muito semelhante: servir-se de uma história referente a épocas do passado para enfrentar e combater dramas próprios do momento presente.

O Novo Testamento não deu muita importância a este livro, pois não se refere a ele. O judaísmo, pelo contrário, sempre o valorizou bastante.

A festa de Purim, aqui iniciada, também não consta no calendário de Qumrân1, nem o livro é referido na biblioteca da seita.

Mas, para o judaísmo, Ester foi sempre um dos mais importantes dos cinco “rolos” ou “livros”, cuja leitura ocorria regularmente em certas festas. O Cânon hebraico ou judeu-palestinense inclui só o texto hebraico de Ester, classificando-o na categoria dos “Escritos” ou “Literatura”. O Cânon grego ou judeu-alexandrino inclui também os suplementos gregos, considerando-os igualmente canônicos, aparecendo Ester entre os livros históricos.

O esquema geral do livro é aquele que se nos apresenta através da narrativa em hebraico:

I. Ester torna-se rainha: A,1-2,23;

II. Conspiração contra os judeus: 3,1-5,14;

III. Haman é condenado à morte: 6,1-7,10;

IV. Os hebreus vingam-se dos inimigos: 8,1-F,11.

MENSAGEM

Na teologia que se nota a diferença mais sensível entre o texto hebraico e os textos em grego.

No texto hebraico não existe sequer referência ao nome de Deus. Seja qual for a razão que levou a uma narrativa de aspecto aparentemente laico, pressupõe-se que, por detrás das vicissitudes da experiência histórica, existe outra instância da qual poderá vir a resposta para os problemas, se os humanos não forem capazes de os resolver (ver 1,14).

É uma evidente referência a Deus, implícita mas forte. Além disso, toda a narrativa se desenvolve num ambiente e com uma ressonância sapiencial clara. Ora, toda a sabedoria oriental, mesmo quando expressa numa linguagem aparentemente profana, está imbuída de um profundo humanismo religioso.

Uma das evidentes novidades do texto grego é a maneira como sublinha os vários aspectos teológicos. Em concreto, a intervenção de Deus como providente condutor dos acontecimentos históricos.

À primeira vista, pareceria que foi esta a razão que levou aos acréscimos gregos. Mas, fosse ou não essa a intenção principal, o fato é que o texto grego enquadra toda a história no contexto de um sonho, que é contado no princípio e explicado no fim. Tudo o que acontecera já tinha sido revelado a Mardoqueu por meio daquele sonho: estava previsto e cumpriu-se tal qual.

Isto é a expressão de uma concepção de História conduzida providencialmente, que vê os acontecimentos como um plano de Deus. Precisamente no final do Capítulo 4, ao aproximar-se o momento decisivo, é que o texto grego insere os suplementos da letra C, com uma oração de Mardoqueu e outra de Ester, cheias de ressonâncias bíblicas.

Aliás, conflitos como os apresentados neste livro costumam empurrar as partes em litígio para comportamentos, que só quando excessivos dão a sensação de vitória. Na Bíblia, o castigo dos maus, mesmo quando é atribuído a Deus, tem frequentemente aspectos excessivos.

É também importante, do ponto de vista religioso, o fato de o livro de Ester servir como texto justificativo da festa religiosa de ‹‹Purim»2, que se tornou uma das mais pitorescas do calendário religioso dos judeus, semelhante ao nosso Carnaval.

 

1  QumranKhirbet Qumran, “ruína da mancha cinzenta”, é um sítio arqueológico localizado na Cisjordania, a uma milha da margem noroeste do Mar Morto, a 12 km de Jericó e a cerca de 22 quilômetros a leste de Jerusalém. Situado na fissura do Mar Morto entre dois barrancos profundos, em uma área onde atividades tectônicas são frequentes e a precipitação média anual é muito baixa. O meio ambiente atual é árduo e difícil para o cultivo, mas foi precisamente o clima árido e a inacessibilidade do local que contribuíram significativamente para a preservação de estruturas e de materiais arqueológicos encontrados na região. Nessa região há aproximadamente 330 dias de sol por ano e praticamente não há precipitações. O ar é tão seco e quente que a água das evaporações é seca imediatamente no ar, criando uma névoa e resultando em um cheiro de enxofre. Qumran tornou-se célebre em 1947 com a descoberta de manuscritos antigos que ficaram conhecidos como os Manuscritos do Mar Morto. Em 1947, os primeiros manuscritos foram encontrados em uma caverna às margens do Mar Morto por um jovem beduíno que cuidava de um rebanho de ovelhas. A notícia do achado espalhou-se rapidamente após a venda e aquisição dos primeiros manuscritos. De imediato a comunidade científica interessou-se pelo achado. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Qumran

2 Purim (פּוּרִים, plural de פּוּר pûr, “sorteio” em hebraico, do acadiano pūru), é uma festa judaica que comemora a salvação dos judeus persas do plano de Hamã, para exterminá-los, no antigo Império Aquemênida tal como está escrito no livro de Ester, um dos livros do Tanach.[1] Os judeus estavam exilados na Babilônia, desde a destruição do Templo de Salomão pelos babilônios e da dispersão do Reino de Judá. A Babilônia, por sua vez, foi conquistada pela Pérsia. A festa de purim é caracterizada pelos seus costumes de ler ou ouvir a meguilá 2 vezes, passar a festa com fantasias e também  o costume de beber muito e até mesmo ficar bêbado com a intenção de se alegrar bastante para comemorar a vitória do povo judeu contra os persas, e também o costume de dar dinheiro aos pobres para que possam tambem se alegrar, juntamente ao restante do povo, e também o costume de comer algumas comidas típicas. Purim é celebrado, anualmente, no 14º dia do mês de Adar, que é o décimo segundo mês (nalguns anos, também o décimo terceiro mês) do mês hebraico, que é o dia seguinte à vitória dos judeus sobre os seus inimigos (occorrido no 13º dia do mês hebraico de Adar, que foi o dia escolhido, por Haman, para a destruição de todos os judeus do Império Persa). Nas cidades que eram muradas, no tempo de Josué, incluindo Susa e Jerusalém, Purim é celebrado no 15º dia de Adar, conhecido como Purim Shushan. Assim como em todas as festas judaicas, Purim tem início no pôr-do-sol da véspera do dia do calendário comum. O nome “Purim” vem da palavra hebraica “pur”, que significa “sorteio”. Este era o método usado por Haman, o primeiro-ministro do Rei Achashverosh da Pérsia, para escolher a data na qual ele pretendia massacrar os judeus do país. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Purim

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica