Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/05/2019

19 de Maio de 2019

Alegrai-vos! O Senhor está perto!

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Alegrai-vos! O Senhor está perto! 0

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Este terceiro domingo do Advento é chamado de Domingo Gaudete. Este nome provém da antífona de entrada da Missa, Gaudete in Domino, que é, na verdade, o texto de Fl 4,4-5. Neste ciclo C, o texto da segunda leitura da Missa é justamente Fl 4,4-7.

O qualificativo de Gaudete, ou Domingo da Alegria, é dado a este terceiro domingo do Advento em virtude da proximidade da Solenidade do Natal do Senhor. Assim como, na Quaresma, o domingo Laetare nos anuncia a proximidade da Páscoa, no Advento, o domingo Gaudete chama a nossa atenção para a proximidade da grande celebração do nascimento de Nosso Salvador.

A primeira leitura, assim como a segunda, é permeada pelo vocabulário da alegria. Em primeiro lugar, o povo de Israel é convidado a alegrar-se, a rejubilar-se. Dois são os motivos de tão grande júbilo: o Senhor revogou a sentença que havia contra o povo, afastando os seus inimigos; depois o Senhor “está no meio” de Israel. A presença do Senhor no meio do seu povo é o grande motivo de alegria.

A releitura cristã desse oráculo nos faz perceber que, em Cristo, tal promessa realizou-se de modo definitivo. O anjo Gabriel, na anunciação, convida Maria a entrar no mistério dessa alegria, quando lhe diz: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo (cf. Lc 1,28). A saudação do anjo é como que um eco da profecia de Sofonias. Maria é a Virgem, filha de Sião. Ela é símbolo de um povo ao qual Deus prometeu trazer a salvação definitiva. Quando o anjo a saúda, ele como que anuncia que, enfim, o tempo é chegado. Agora, sim, “Deus está” no meio do seu povo. Essa “presença” de Deus tornou-se visível e palpável em Cristo. Ele entrou na nossa história, assumiu a nossa humanidade. Ele é o “valente guerreiro” que, não utilizando-se de nenhuma forma de violência, mas entregando-se pacificamente à morte, “salvou-nos” (cf. Sf 3,17).

No final do oráculo é Deus quem se alegra com o povo, movido pelo amor. Nós nos alegramos com a visita de Deus, com a salvação que d’Ele nos advém. Ao mesmo tempo, Ele se alegra conosco, ele exulta por nós, sobretudo quando nos abrimos à sua Palavra e quando nos permitimos experimentar a sua compaixão e a sua misericórdia.

O evangelho nos projeta para o segundo aspecto deste tempo do Advento. Enquanto nos preparamos para celebrar a solenidade do nascimento de Nosso Salvador, somos continuamente recordados pela liturgia, que Ele virá uma segunda vez no fim dos tempos. A liturgia é, assim, memória e profecia. Memória, porque atualiza no hoje da nossa existência o mistério salvífico d’Aquele que nasceu, morreu e ressuscitou por nós. Profecia, porque Ele virá um dia sobre as nuvens do céu. O hoje litúrgico é um grande Maran athá (1Cor 16,22), uma grande súplica ao Senhor para que Ele venha e instaure o seu reino de amor.

A pregação de João Batista possui um forte cunho escatológico. Ele anuncia a vinda do “mais forte” que batizará os homens no Espírito Santo e no fogo. Ele se utiliza do binômio trigo/palha e da imagem da colheita. O trigo será recolhido no celeiro, enquanto a palha será queimada no fogo. Com esta imagem, João anuncia uma vinda de juízo, onde o Senhor fará a distinção entre o trigo e a palha, entre os que praticam a justiça e os que vivem na iniquidade.

Essa vinda do Senhor para o estabelecimento de um juízo definitivo é o que se dará no que chamamos “fim dos tempos”. A Igreja professa a fé na “parusia” (segunda vinda) do Senhor. Já as primeiras comunidades cristãs viviam nessa perspectiva. No início, se achava que a vinda do Senhor seria iminente. Pouco a pouco, contudo, foi-se compreendendo que o tempo de Deus é diverso deste nosso tempo cronológico. Assim como foi na “plenitude dos tempos” que o Cristo veio, do mesmo modo será no tempo previsto por Deus que Ele retornará gloriosamente. Ao cristão cabe viver cada dia nessa “alegre expectativa”, até mesmo porque todos nós sabemos que chegará o dia do nosso encontro pessoal com o Senhor. Seja para a segunda e definitiva vinda de Cristo, seja para esse encontro pessoal, nós devemos nos preparar.

E como nos preparar para acolher o Senhor que vem? Essa foi a pergunta dos interlocutores de João Batista no início do Evangelho de hoje. Três grupos diferentes aproximam-se de João: a multidão, os cobradores de impostos e os soldados. A pergunta é sempre a mesma: O que devemos fazer? À multidão, João apresenta o caminho da caridade: dividir as túnicas, dividir a comida. Em uma palavra: socorrer o necessitado. Aos cobradores de impostos e aos soldados João apresenta o caminho da justiça: não cobrar além do estabelecido, não extorquir, não acusar falsamente, conformar-se com aquilo o que se pode ganhar de forma honesta.

João apresenta aos seus interlocutores um caminho possível. Ele não lhes exige altas penitências e nem um conhecimento profundíssimo das verdades eternas. João não lhes impõe nem seu próprio caminho penitencial. Mt 3,4 e Mc 1,6 nos apresentam João Batista como um grande asceta: vestia roupa feita de pelos de animais e comia gafanhotos e mel silvestre. João não diz que ninguém tem que fazer o mesmo que ele faz. João lhes apresenta o caminho da caridade e da justiça. Na pregação de João realiza-se o que fora predito pelo Sl 85(84),11: Amor e verdade se encontram, justiça a paz se abraçam... O caminho do amor é apresentado às multidões, e o caminho da justiça, que conduz à paz, é apresentado àqueles que podiam se utilizar da sua posição para oprimir, ao invés de servir.

Cada um deve se perguntar, neste tempo do Advento: O que eu devo fazer? O evangelho é já, pra nós, uma resposta. Mas a nossa vida precisa ser confrontada, cotidianamente, com o evangelho. Só assim encontraremos, paulatinamente, resposta à essa pergunta. A resposta não será dada toda de uma vez. Ela não é nada simples. A resposta à essa pergunta vai sendo dada à medida em que buscamos viver em harmonia com a Palavra de Deus. Pouco a pouco o Senhor vai nos mostrando o que precisamos fazer, em cada momento, em cada situação concreta da nossa existência. Mas precisamos ter a coragem de nos colocar a pergunta... Se não nos colocamos a pergunta, a resposta também nunca virá até nós.

Esperemos, conforme diz a oração coleta dessa missa, “fervorosos o natal do Senhor”. Preparemo-nos intensamente, do melhor modo possível, para essa solenidade. Não deixemos que os afazeres externos nos impeçam de preparar o essencial: o nosso coração, onde o Cristo deseja estar, nos alegrando com sua luz.

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Este terceiro domingo do Advento é chamado de Domingo Gaudete. Este nome provém da antífona de entrada da Missa, Gaudete in Domino, que é, na verdade, o texto de Fl 4,4-5. Neste ciclo C, o texto da segunda leitura da Missa é justamente Fl 4,4-7.

O qualificativo de Gaudete, ou Domingo da Alegria, é dado a este terceiro domingo do Advento em virtude da proximidade da Solenidade do Natal do Senhor. Assim como, na Quaresma, o domingo Laetare nos anuncia a proximidade da Páscoa, no Advento, o domingo Gaudete chama a nossa atenção para a proximidade da grande celebração do nascimento de Nosso Salvador.

A primeira leitura, assim como a segunda, é permeada pelo vocabulário da alegria. Em primeiro lugar, o povo de Israel é convidado a alegrar-se, a rejubilar-se. Dois são os motivos de tão grande júbilo: o Senhor revogou a sentença que havia contra o povo, afastando os seus inimigos; depois o Senhor “está no meio” de Israel. A presença do Senhor no meio do seu povo é o grande motivo de alegria.

A releitura cristã desse oráculo nos faz perceber que, em Cristo, tal promessa realizou-se de modo definitivo. O anjo Gabriel, na anunciação, convida Maria a entrar no mistério dessa alegria, quando lhe diz: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo (cf. Lc 1,28). A saudação do anjo é como que um eco da profecia de Sofonias. Maria é a Virgem, filha de Sião. Ela é símbolo de um povo ao qual Deus prometeu trazer a salvação definitiva. Quando o anjo a saúda, ele como que anuncia que, enfim, o tempo é chegado. Agora, sim, “Deus está” no meio do seu povo. Essa “presença” de Deus tornou-se visível e palpável em Cristo. Ele entrou na nossa história, assumiu a nossa humanidade. Ele é o “valente guerreiro” que, não utilizando-se de nenhuma forma de violência, mas entregando-se pacificamente à morte, “salvou-nos” (cf. Sf 3,17).

No final do oráculo é Deus quem se alegra com o povo, movido pelo amor. Nós nos alegramos com a visita de Deus, com a salvação que d’Ele nos advém. Ao mesmo tempo, Ele se alegra conosco, ele exulta por nós, sobretudo quando nos abrimos à sua Palavra e quando nos permitimos experimentar a sua compaixão e a sua misericórdia.

O evangelho nos projeta para o segundo aspecto deste tempo do Advento. Enquanto nos preparamos para celebrar a solenidade do nascimento de Nosso Salvador, somos continuamente recordados pela liturgia, que Ele virá uma segunda vez no fim dos tempos. A liturgia é, assim, memória e profecia. Memória, porque atualiza no hoje da nossa existência o mistério salvífico d’Aquele que nasceu, morreu e ressuscitou por nós. Profecia, porque Ele virá um dia sobre as nuvens do céu. O hoje litúrgico é um grande Maran athá (1Cor 16,22), uma grande súplica ao Senhor para que Ele venha e instaure o seu reino de amor.

A pregação de João Batista possui um forte cunho escatológico. Ele anuncia a vinda do “mais forte” que batizará os homens no Espírito Santo e no fogo. Ele se utiliza do binômio trigo/palha e da imagem da colheita. O trigo será recolhido no celeiro, enquanto a palha será queimada no fogo. Com esta imagem, João anuncia uma vinda de juízo, onde o Senhor fará a distinção entre o trigo e a palha, entre os que praticam a justiça e os que vivem na iniquidade.

Essa vinda do Senhor para o estabelecimento de um juízo definitivo é o que se dará no que chamamos “fim dos tempos”. A Igreja professa a fé na “parusia” (segunda vinda) do Senhor. Já as primeiras comunidades cristãs viviam nessa perspectiva. No início, se achava que a vinda do Senhor seria iminente. Pouco a pouco, contudo, foi-se compreendendo que o tempo de Deus é diverso deste nosso tempo cronológico. Assim como foi na “plenitude dos tempos” que o Cristo veio, do mesmo modo será no tempo previsto por Deus que Ele retornará gloriosamente. Ao cristão cabe viver cada dia nessa “alegre expectativa”, até mesmo porque todos nós sabemos que chegará o dia do nosso encontro pessoal com o Senhor. Seja para a segunda e definitiva vinda de Cristo, seja para esse encontro pessoal, nós devemos nos preparar.

E como nos preparar para acolher o Senhor que vem? Essa foi a pergunta dos interlocutores de João Batista no início do Evangelho de hoje. Três grupos diferentes aproximam-se de João: a multidão, os cobradores de impostos e os soldados. A pergunta é sempre a mesma: O que devemos fazer? À multidão, João apresenta o caminho da caridade: dividir as túnicas, dividir a comida. Em uma palavra: socorrer o necessitado. Aos cobradores de impostos e aos soldados João apresenta o caminho da justiça: não cobrar além do estabelecido, não extorquir, não acusar falsamente, conformar-se com aquilo o que se pode ganhar de forma honesta.

João apresenta aos seus interlocutores um caminho possível. Ele não lhes exige altas penitências e nem um conhecimento profundíssimo das verdades eternas. João não lhes impõe nem seu próprio caminho penitencial. Mt 3,4 e Mc 1,6 nos apresentam João Batista como um grande asceta: vestia roupa feita de pelos de animais e comia gafanhotos e mel silvestre. João não diz que ninguém tem que fazer o mesmo que ele faz. João lhes apresenta o caminho da caridade e da justiça. Na pregação de João realiza-se o que fora predito pelo Sl 85(84),11: Amor e verdade se encontram, justiça a paz se abraçam... O caminho do amor é apresentado às multidões, e o caminho da justiça, que conduz à paz, é apresentado àqueles que podiam se utilizar da sua posição para oprimir, ao invés de servir.

Cada um deve se perguntar, neste tempo do Advento: O que eu devo fazer? O evangelho é já, pra nós, uma resposta. Mas a nossa vida precisa ser confrontada, cotidianamente, com o evangelho. Só assim encontraremos, paulatinamente, resposta à essa pergunta. A resposta não será dada toda de uma vez. Ela não é nada simples. A resposta à essa pergunta vai sendo dada à medida em que buscamos viver em harmonia com a Palavra de Deus. Pouco a pouco o Senhor vai nos mostrando o que precisamos fazer, em cada momento, em cada situação concreta da nossa existência. Mas precisamos ter a coragem de nos colocar a pergunta... Se não nos colocamos a pergunta, a resposta também nunca virá até nós.

Esperemos, conforme diz a oração coleta dessa missa, “fervorosos o natal do Senhor”. Preparemo-nos intensamente, do melhor modo possível, para essa solenidade. Não deixemos que os afazeres externos nos impeçam de preparar o essencial: o nosso coração, onde o Cristo deseja estar, nos alegrando com sua luz.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida