Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/12/2018

14 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (83)

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Livros do Antigo Testamento (83)

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07/12/2018 12:06 - Atualizado em 07/12/2018 12:06

Livros do Antigo Testamento (83) 0

07/12/2018 12:06 - Atualizado em 07/12/2018 12:06

Neste artigo e no próximo descrevemos as heroínas da História da Salvação. Mulheres fortes, pela Graça de Deus, e que atuaram em favor da Aliança e do povo de Israel. Em tempos de ‘feminismos’ ferozes e pagãos, elas representam boa maneira de entender o verdadeiro papel de homens e mulheres no Reino de Deus.

INTRODUÇÃO:

Este livro, cujo nome é o da sua figura principal, mostra-nos como Israel domina todas as dificuldades quando obedece ao Senhor.

As pessoas e os lugares nele descritos fazem crer que o autor pretendeu dar-lhes nomes fictícios, embora não se saiba exatamente porquê.

O significado de alguns deles enquadra bem com o próprio conteúdo do livro. O nome da heroína, Judite, que lhe serve de título, simboliza “a judia”, expressão frágil e desamparada do próprio Israel, sob a ameaça dos inimigos. O importante, contudo, é a lição que nos é dada pelo seu cântico: só os que temem o Senhor podem ser grandes em todas as coisas.

O LIVRO

Aquele que terá sido o texto original hebraico ou aramaico do Livro de Judite há muito que desapareceu.

O testemunho escrito que chegou até nós era constituído por três recensões gregas, uma versão siríaca, a antiga versão latina e a tradução latina feita por São Jerônimo.

As poucas recensões hebraicas que se conhecem são consideradas pouco fidedignas para nos darem a conhecer o texto original, uma vez que se apresentam como elaborações livres feitas sobre o mesmo texto.

Segundo os padres da Igreja, Orígenes e São Jerônimo, este livro não era considerado canônico pelos judeus da Palestina.

Entretanto, foi traduzido pelo Targum1, e o Talmude2 atribuiu-lhe um grau inferior de inspiração. Contudo, no séc. I d.C., o livro fazia parte do cânone dos judeus de Alexandria. Tudo isto contribuiu para o fato de alguns padres da Igreja terem posto em causa, e mesmo negado, a sua inspiração. O texto desta Bíblia foi traduzido a partir da edição crítica dos Setenta de A. Rahlfs, Septuaginta, elaborada com os textos gregos recolhidos dos códices Vaticano, Sinaítico e Alexandrino.

CONTEXTO HISTÓRICO

Estamos, muito provavelmente, diante de um texto de instrução e ensinamento, composto a partir de um núcleo original. Com efeito, o texto que chegou até nós apresenta dados históricos e geográficos que põem muitos problemas, quer de situação, quer de identificação. Por exemplo: Nabucodonosor é posto a lutar contra um Medo, de nome Arfaxad, que não se sabe exatamente quem é. Fala-se, igualmente, que conquistou Ecbátana, quando se sabe que ele nunca conquistou esta cidade nem combateu os Medos. A cidade de Betúlia, o Sumo Sacerdote Joaquim e a própria Judite, excetuando a filha de Jacob e Lia, não aparecem referidos em nenhum outro texto do Antigo Testamento.

DIVISÃO E CONTEÚDO

O Livro de Judite divide-se em duas partes:

I. Antecedentes do cerco a Betúlia (1,1-6,21): o poder de Nabucodonosor (1); expedição de Holofernes (2); procedimento das nações gentias (3); os Judeus preparam-se para
a guerra (4); discurso de Aquior a Holofernes (5); resposta de Holofernes (6).

II. Vitória dos Judeus (7,1-16,25): a situação torna-se difícil em Betúlia (7); Judite diante dos chefes do povo (8); a oração de Judite (9); a caminho do acampamento assírio (10); na presença de Holofernes (11); Judite na ceia de Holofernes (12); regresso triunfante à cidade (13); ataque contra os assírios (14); vitória completa dos Judeus (15); cântico de Judite (16,1-17); conclusão da história de Judite (16,18-25).

TEOLOGIA

Quando Holofernes e os assírios sitiaram Betúlia esgotou-se a água na cidade, e os seus habitantes estavam na iminência de perecer. Foi então que uma viúva, chamada Judite, traçou e pôs em prática um plano, que levou os sitiantes à debandada e deu a vitória final aos israelitas. Como quer que seja, e para além dos pormenores históricos e geográficos, a doutrina do livro merece a nossa atenção.

Estamos diante da afirmação de verdades que em nada põem em causa o conjunto da teologia do AT: proclama-se a providência de Deus para com o seu povo; a onipotência, realeza e sabedoria universal de Deus; a ideia da dor e do sofrimento como prova; a centralidade, reverência e valor do templo; o valor do jejum, da oração e dos atos de penitência.

Este livro manifesta, sobretudo, o amor de Deus pelos pequenos, servindo-se de todos os meios para defendê-los. No nosso caso, de uma mulher, que nunca tinha participado numa guerra.

 

1 Targum (do hebraico תרגום , no plural targumim) é o nome dado às traduções, paráfrases e comentários em aramaico da Bíblia hebraica (Tanakh) escritas e compiladas em Israel e Babilônia, da época do Segundo Templo até o início da Idade Média, utilizadas para facilitar o entendimento aos judeus que não falavam o hebraico como língua mãe, e sim o aramaico. Os dois targumim mais conhecidos são o Targum Onkelos sobre a Torá e o Targum Jonatã ben Uziel sobre os Nevi’im (profetas). A palavra aramaica para ‘interpretação’ ou ‘paráfrase’ é targum. A partir do tempo de Neemias, o aramaico veio a ser o idioma comum de muitos judeus que viviam no território da Pérsia, e, portanto, era necessário acompanhar as leituras das Escrituras hebraicas com traduções para este idioma. Parece que assumiram sua presente forma final não antes de por volta do quinto século d.C. Embora sejam apenas paráfrases imprecisas do texto hebraico, e não uma tradução exata, fornecem rico fundo histórico do texto e ajudam a determinar algumas passagens difíceis. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Targum.

 2 O Talmude (em hebraico: תַּלְמוּד, transl. Talmud significa estudo) é uma coletânea de livros sagrados dos judeus,[1] um registro das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e História do judaísmo.[2] É um texto central para o judaísmo rabínico. O Talmude tem dois componentes: a Mishná, o primeiro compêndio escrito da Lei Oral judaica; e o Guemará, uma discussão da Mishná e dos escritos tanaíticos que frequentemente abordam outros tópicos. O Mishná foi redigido pelos mestres tanaítas (Tannaim), termo que deriva da palavra hebraica que significa ‘ensinar’ ou ‘transmitir uma tradição’. Os tanaítas viveram entre o século I e o século III d.C.[4] A primeira codificação é atribuída ao Aquiba (50 d.C. – 130 d.C.), e uma segunda, ao Rabi Meir (entre 130 d.C. e 160 d.C.), ambas as versões tendo sido escritas no atual idioma aramaico, ainda em uso no interior da Síria. Os termos ‘Talmud’ e ‘Guemará’ são utilizados frequentemente de maneira intercambiável.[5] A ‘Guemará’ é a base de todos os códigos da lei rabínica, e é muito citada no resto da literatura rabínica; já o ‘Talmude’ também é chamado frequentemente de ‘Shas’ (hebraico: ש”ס), uma abreviação em hebraico de ‘shisha sedarim’, as ‘seis ordens’ da Mishná. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Talmude

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Livros do Antigo Testamento (83)

07/12/2018 12:06 - Atualizado em 07/12/2018 12:06

Neste artigo e no próximo descrevemos as heroínas da História da Salvação. Mulheres fortes, pela Graça de Deus, e que atuaram em favor da Aliança e do povo de Israel. Em tempos de ‘feminismos’ ferozes e pagãos, elas representam boa maneira de entender o verdadeiro papel de homens e mulheres no Reino de Deus.

INTRODUÇÃO:

Este livro, cujo nome é o da sua figura principal, mostra-nos como Israel domina todas as dificuldades quando obedece ao Senhor.

As pessoas e os lugares nele descritos fazem crer que o autor pretendeu dar-lhes nomes fictícios, embora não se saiba exatamente porquê.

O significado de alguns deles enquadra bem com o próprio conteúdo do livro. O nome da heroína, Judite, que lhe serve de título, simboliza “a judia”, expressão frágil e desamparada do próprio Israel, sob a ameaça dos inimigos. O importante, contudo, é a lição que nos é dada pelo seu cântico: só os que temem o Senhor podem ser grandes em todas as coisas.

O LIVRO

Aquele que terá sido o texto original hebraico ou aramaico do Livro de Judite há muito que desapareceu.

O testemunho escrito que chegou até nós era constituído por três recensões gregas, uma versão siríaca, a antiga versão latina e a tradução latina feita por São Jerônimo.

As poucas recensões hebraicas que se conhecem são consideradas pouco fidedignas para nos darem a conhecer o texto original, uma vez que se apresentam como elaborações livres feitas sobre o mesmo texto.

Segundo os padres da Igreja, Orígenes e São Jerônimo, este livro não era considerado canônico pelos judeus da Palestina.

Entretanto, foi traduzido pelo Targum1, e o Talmude2 atribuiu-lhe um grau inferior de inspiração. Contudo, no séc. I d.C., o livro fazia parte do cânone dos judeus de Alexandria. Tudo isto contribuiu para o fato de alguns padres da Igreja terem posto em causa, e mesmo negado, a sua inspiração. O texto desta Bíblia foi traduzido a partir da edição crítica dos Setenta de A. Rahlfs, Septuaginta, elaborada com os textos gregos recolhidos dos códices Vaticano, Sinaítico e Alexandrino.

CONTEXTO HISTÓRICO

Estamos, muito provavelmente, diante de um texto de instrução e ensinamento, composto a partir de um núcleo original. Com efeito, o texto que chegou até nós apresenta dados históricos e geográficos que põem muitos problemas, quer de situação, quer de identificação. Por exemplo: Nabucodonosor é posto a lutar contra um Medo, de nome Arfaxad, que não se sabe exatamente quem é. Fala-se, igualmente, que conquistou Ecbátana, quando se sabe que ele nunca conquistou esta cidade nem combateu os Medos. A cidade de Betúlia, o Sumo Sacerdote Joaquim e a própria Judite, excetuando a filha de Jacob e Lia, não aparecem referidos em nenhum outro texto do Antigo Testamento.

DIVISÃO E CONTEÚDO

O Livro de Judite divide-se em duas partes:

I. Antecedentes do cerco a Betúlia (1,1-6,21): o poder de Nabucodonosor (1); expedição de Holofernes (2); procedimento das nações gentias (3); os Judeus preparam-se para
a guerra (4); discurso de Aquior a Holofernes (5); resposta de Holofernes (6).

II. Vitória dos Judeus (7,1-16,25): a situação torna-se difícil em Betúlia (7); Judite diante dos chefes do povo (8); a oração de Judite (9); a caminho do acampamento assírio (10); na presença de Holofernes (11); Judite na ceia de Holofernes (12); regresso triunfante à cidade (13); ataque contra os assírios (14); vitória completa dos Judeus (15); cântico de Judite (16,1-17); conclusão da história de Judite (16,18-25).

TEOLOGIA

Quando Holofernes e os assírios sitiaram Betúlia esgotou-se a água na cidade, e os seus habitantes estavam na iminência de perecer. Foi então que uma viúva, chamada Judite, traçou e pôs em prática um plano, que levou os sitiantes à debandada e deu a vitória final aos israelitas. Como quer que seja, e para além dos pormenores históricos e geográficos, a doutrina do livro merece a nossa atenção.

Estamos diante da afirmação de verdades que em nada põem em causa o conjunto da teologia do AT: proclama-se a providência de Deus para com o seu povo; a onipotência, realeza e sabedoria universal de Deus; a ideia da dor e do sofrimento como prova; a centralidade, reverência e valor do templo; o valor do jejum, da oração e dos atos de penitência.

Este livro manifesta, sobretudo, o amor de Deus pelos pequenos, servindo-se de todos os meios para defendê-los. No nosso caso, de uma mulher, que nunca tinha participado numa guerra.

 

1 Targum (do hebraico תרגום , no plural targumim) é o nome dado às traduções, paráfrases e comentários em aramaico da Bíblia hebraica (Tanakh) escritas e compiladas em Israel e Babilônia, da época do Segundo Templo até o início da Idade Média, utilizadas para facilitar o entendimento aos judeus que não falavam o hebraico como língua mãe, e sim o aramaico. Os dois targumim mais conhecidos são o Targum Onkelos sobre a Torá e o Targum Jonatã ben Uziel sobre os Nevi’im (profetas). A palavra aramaica para ‘interpretação’ ou ‘paráfrase’ é targum. A partir do tempo de Neemias, o aramaico veio a ser o idioma comum de muitos judeus que viviam no território da Pérsia, e, portanto, era necessário acompanhar as leituras das Escrituras hebraicas com traduções para este idioma. Parece que assumiram sua presente forma final não antes de por volta do quinto século d.C. Embora sejam apenas paráfrases imprecisas do texto hebraico, e não uma tradução exata, fornecem rico fundo histórico do texto e ajudam a determinar algumas passagens difíceis. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Targum.

 2 O Talmude (em hebraico: תַּלְמוּד, transl. Talmud significa estudo) é uma coletânea de livros sagrados dos judeus,[1] um registro das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e História do judaísmo.[2] É um texto central para o judaísmo rabínico. O Talmude tem dois componentes: a Mishná, o primeiro compêndio escrito da Lei Oral judaica; e o Guemará, uma discussão da Mishná e dos escritos tanaíticos que frequentemente abordam outros tópicos. O Mishná foi redigido pelos mestres tanaítas (Tannaim), termo que deriva da palavra hebraica que significa ‘ensinar’ ou ‘transmitir uma tradição’. Os tanaítas viveram entre o século I e o século III d.C.[4] A primeira codificação é atribuída ao Aquiba (50 d.C. – 130 d.C.), e uma segunda, ao Rabi Meir (entre 130 d.C. e 160 d.C.), ambas as versões tendo sido escritas no atual idioma aramaico, ainda em uso no interior da Síria. Os termos ‘Talmud’ e ‘Guemará’ são utilizados frequentemente de maneira intercambiável.[5] A ‘Guemará’ é a base de todos os códigos da lei rabínica, e é muito citada no resto da literatura rabínica; já o ‘Talmude’ também é chamado frequentemente de ‘Shas’ (hebraico: ש”ס), uma abreviação em hebraico de ‘shisha sedarim’, as ‘seis ordens’ da Mishná. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Talmude

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica