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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/12/2018

18 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (82)

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18 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (82)

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30/11/2018 11:40 - Atualizado em 30/11/2018 11:40

Livros do Antigo Testamento (82) 0

30/11/2018 11:40 - Atualizado em 30/11/2018 11:40

Neste artigo se quer expor o belo livrinho de Tobias, uma novela ou romance (pequena estória) que expõe a autoestima do judaísmo fiel a Deus, mesmo em tempos de ruína e humilhação, por causa do ataque de forças pagãs.

INTRODUÇÃO

Escrito sob a forma de um romance de matiz sapiencial, este livro narra a história de Tobias, de Sara, mulher de seu filho Tobias, e das respectivas famílias.

Apresentados como israelitas piedosos, que sempre permaneceram fiéis a Deus, mesmo no meio das piores tribulações, constituem, por isso mesmo, um paradigma de comportamento nas circunstâncias normais da vida. Dentro desta perspectiva, toda a trama se desenrola em torno de questões práticas que vão sendo resolvidas sempre com uma fé inabalável em Deus e dentro da fidelidade absoluta à Sua vontade. Atribuindo-lhe uma linguagem dos nossos dias, poderíamos dizer que se trata de um tema de amor. Amor de dois jovens esposos; amor das diversas personagens dentro do quadro das respectivas famílias; amor dos fiéis pelo seu Deus que, através dos séculos e do suceder-se aparentemente inocente dos acontecimentos, guia o seu povo em direção ao cumprimento do seu destino de realização plena.

CRÍTICA DAS TRADIÇÕES:

O percurso de sua transmissão é atribulado, e com muita dificuldade entrou no conjunto dos livros canônicos. Com efeito, é considerado apócrifo pelas Igrejas Evangélicas, não faz parte do cânone hebraico e só o Concílio de Hipona, em 393, o admitiu como inspirado. O livro foi redigido em aramaico, língua esta que, sendo próxima do hebraico, rapidamente se tornou também veículo de comunicação em toda a zona do Crescente Fértil e das suas zonas circundantes. Não chegou até nós nenhuma versão do texto nesta língua. Assim, o conhecimento que temos desta obra é através das suas traduções em grego e latim.

COMPOSIÇÃO:

Não há unanimidade acerca da data de composição do livro. Para uns, teria sido escrito, provavelmente, entre os anos 200 e 180 a.C. e para outros numa data muito posterior. Como quer que seja, todo o texto deixa perceber um ambiente ligado à diáspora, em torno à época do exílio persa. Contudo, e independentemente das considerações cronológicas, é um texto com uma intencionalidade edificante, não só a partir da sua forma narrativa, com jeito de saga, mas também a partir da constatação de que o autor não foi exato nas referências cronológicas, históricas e geográficas.

CONTEÚDO

O esquema geral da obra é a sequência da sua história: Origens de Tobias e a sua piedade (cap. 1). Tobias no cativeiro (2,1-9). A sua resignação nas provas (2,10-3,6). Sara, no meio da sua aflição, ora ao Senhor (3,7-17). Discurso de Tobias a seu filho (cap. 4). O filho de Tobias empreende a viagem, acompanhado por um anjo (5,1-6,9). Bodas do filho de Tobias com Sara (6,10-8,9). Gabriel assiste às bodas (cap. 9). Regresso de Tobias para junto de seus pais (10-11). Revelação do anjo (cap. 12). Cântico de Tobias (cap. 13). Mortes de Tobias e de Tobias (cap. 14).

ESTRUTURA:

O livro pode dividir-se nas seguintes seções:

História de Tobias: 1,1-3,6;

História de Sara: 3,7-4,21;

Preparação da viagem: 5,1-23;

Viagem à Média: 6,1-19;

Casamento de Tobias e Sara: 7,1-14,15.

MENSAGEM

Depois do exílio, enquanto uma parte do povo judeu se reuniu em torno de Jerusalém, um grande número permaneceu na Babilônia e nos outros territórios ao redor de Israel: no Egito, na Assíria e nos territórios que atualmente constituem a zona norte do Irão. Muito provavelmente, o livro de Tobias nasce dentro deste ambiente linguístico e geográfico. Ao ser um texto narrativo de caráter “romanceado”, a atenção do leitor é levada a centrar-se nas personagens, nas suas genealogias escrupulosamente israelitas e na forma fiel e piedosa segundo a qual orientam as suas vidas.

Assim, o texto avança claramente em dois níveis paralelos e concêntricos de desenvolvimento: por um lado, o nível da fidelidade e piedade de Tobias e dos seus familiares diretos; por outro, a infidelidade do povo e a impiedade dos governantes.

Todo o enredo, na sua forma simplista, está impregnado de um inconfundível sabor sapiencial e de referências indisfarçáveis, por exemplo, à História de José e à personagem de Job.

Nesta simplicidade linear, o texto não é capaz de criar qualquer tensão dramática. Desde o início, o leitor tem a sensação de já saber o que vem a seguir. Seguindo as regras típicas deste gênero, o texto avança num crescente de complicação com sucessivos momentos de resolução, atingindo o clímax quando ficam resolvidas as duas dificuldades principais ligadas à questão da herança: o aspecto financeiro e a descendência, que se supõe venha a seguir-se à conclusão feliz do casamento de Sara e Tobias.

Apesar disto e na sua ingenuidade, o livro de Tobias respira um ambiente de fé incondicional em Deus. Para além das tribulações e dificuldades sofridas, as personagens centrais vivem com a certeza inabalável da presença de Deus, como condutor da História, e da recompensa que terão pela sua fidelidade.

O próprio nome de Tobias (abreviatura hebraica de ‘Tôbiyyâh’, que quer dizer ‘Deus é bom’, ou ‘o meu bem está em Deus’), confirma a ação da divina Providência, que vela por aqueles cuja fé é inabalável e os ajuda a vencer as provações, acabando por lhes dar uma recompensa muito acima de toda a expectativa, como no caso do próprio Tobias.

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Livros do Antigo Testamento (82)

30/11/2018 11:40 - Atualizado em 30/11/2018 11:40

Neste artigo se quer expor o belo livrinho de Tobias, uma novela ou romance (pequena estória) que expõe a autoestima do judaísmo fiel a Deus, mesmo em tempos de ruína e humilhação, por causa do ataque de forças pagãs.

INTRODUÇÃO

Escrito sob a forma de um romance de matiz sapiencial, este livro narra a história de Tobias, de Sara, mulher de seu filho Tobias, e das respectivas famílias.

Apresentados como israelitas piedosos, que sempre permaneceram fiéis a Deus, mesmo no meio das piores tribulações, constituem, por isso mesmo, um paradigma de comportamento nas circunstâncias normais da vida. Dentro desta perspectiva, toda a trama se desenrola em torno de questões práticas que vão sendo resolvidas sempre com uma fé inabalável em Deus e dentro da fidelidade absoluta à Sua vontade. Atribuindo-lhe uma linguagem dos nossos dias, poderíamos dizer que se trata de um tema de amor. Amor de dois jovens esposos; amor das diversas personagens dentro do quadro das respectivas famílias; amor dos fiéis pelo seu Deus que, através dos séculos e do suceder-se aparentemente inocente dos acontecimentos, guia o seu povo em direção ao cumprimento do seu destino de realização plena.

CRÍTICA DAS TRADIÇÕES:

O percurso de sua transmissão é atribulado, e com muita dificuldade entrou no conjunto dos livros canônicos. Com efeito, é considerado apócrifo pelas Igrejas Evangélicas, não faz parte do cânone hebraico e só o Concílio de Hipona, em 393, o admitiu como inspirado. O livro foi redigido em aramaico, língua esta que, sendo próxima do hebraico, rapidamente se tornou também veículo de comunicação em toda a zona do Crescente Fértil e das suas zonas circundantes. Não chegou até nós nenhuma versão do texto nesta língua. Assim, o conhecimento que temos desta obra é através das suas traduções em grego e latim.

COMPOSIÇÃO:

Não há unanimidade acerca da data de composição do livro. Para uns, teria sido escrito, provavelmente, entre os anos 200 e 180 a.C. e para outros numa data muito posterior. Como quer que seja, todo o texto deixa perceber um ambiente ligado à diáspora, em torno à época do exílio persa. Contudo, e independentemente das considerações cronológicas, é um texto com uma intencionalidade edificante, não só a partir da sua forma narrativa, com jeito de saga, mas também a partir da constatação de que o autor não foi exato nas referências cronológicas, históricas e geográficas.

CONTEÚDO

O esquema geral da obra é a sequência da sua história: Origens de Tobias e a sua piedade (cap. 1). Tobias no cativeiro (2,1-9). A sua resignação nas provas (2,10-3,6). Sara, no meio da sua aflição, ora ao Senhor (3,7-17). Discurso de Tobias a seu filho (cap. 4). O filho de Tobias empreende a viagem, acompanhado por um anjo (5,1-6,9). Bodas do filho de Tobias com Sara (6,10-8,9). Gabriel assiste às bodas (cap. 9). Regresso de Tobias para junto de seus pais (10-11). Revelação do anjo (cap. 12). Cântico de Tobias (cap. 13). Mortes de Tobias e de Tobias (cap. 14).

ESTRUTURA:

O livro pode dividir-se nas seguintes seções:

História de Tobias: 1,1-3,6;

História de Sara: 3,7-4,21;

Preparação da viagem: 5,1-23;

Viagem à Média: 6,1-19;

Casamento de Tobias e Sara: 7,1-14,15.

MENSAGEM

Depois do exílio, enquanto uma parte do povo judeu se reuniu em torno de Jerusalém, um grande número permaneceu na Babilônia e nos outros territórios ao redor de Israel: no Egito, na Assíria e nos territórios que atualmente constituem a zona norte do Irão. Muito provavelmente, o livro de Tobias nasce dentro deste ambiente linguístico e geográfico. Ao ser um texto narrativo de caráter “romanceado”, a atenção do leitor é levada a centrar-se nas personagens, nas suas genealogias escrupulosamente israelitas e na forma fiel e piedosa segundo a qual orientam as suas vidas.

Assim, o texto avança claramente em dois níveis paralelos e concêntricos de desenvolvimento: por um lado, o nível da fidelidade e piedade de Tobias e dos seus familiares diretos; por outro, a infidelidade do povo e a impiedade dos governantes.

Todo o enredo, na sua forma simplista, está impregnado de um inconfundível sabor sapiencial e de referências indisfarçáveis, por exemplo, à História de José e à personagem de Job.

Nesta simplicidade linear, o texto não é capaz de criar qualquer tensão dramática. Desde o início, o leitor tem a sensação de já saber o que vem a seguir. Seguindo as regras típicas deste gênero, o texto avança num crescente de complicação com sucessivos momentos de resolução, atingindo o clímax quando ficam resolvidas as duas dificuldades principais ligadas à questão da herança: o aspecto financeiro e a descendência, que se supõe venha a seguir-se à conclusão feliz do casamento de Sara e Tobias.

Apesar disto e na sua ingenuidade, o livro de Tobias respira um ambiente de fé incondicional em Deus. Para além das tribulações e dificuldades sofridas, as personagens centrais vivem com a certeza inabalável da presença de Deus, como condutor da História, e da recompensa que terão pela sua fidelidade.

O próprio nome de Tobias (abreviatura hebraica de ‘Tôbiyyâh’, que quer dizer ‘Deus é bom’, ou ‘o meu bem está em Deus’), confirma a ação da divina Providência, que vela por aqueles cuja fé é inabalável e os ajuda a vencer as provações, acabando por lhes dar uma recompensa muito acima de toda a expectativa, como no caso do próprio Tobias.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica