Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/12/2018

18 de Dezembro de 2018

Eis que o Senhor virá

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Eis que o Senhor virá

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01/12/2018 00:00

Eis que o Senhor virá 0

01/12/2018 00:00

O Advento é o ponto de partida e o ponto de chegada de um círculo da espiral dos anos que vivemos, caminhando ao encontro do Cristo que um dia há de se manifestar na glória. É o ponto de partida e de chegada de cada Ano Litúrgico.

Advento significa vinda, chegada. Revivendo a longa espera do povo de Israel pelo Messias, a Igreja se prepara para o encontro com Cristo no mistério do culto, recordando seu nascimento histórico. Este encontro de Cristo no mistério do Natal, por sua vez, constitui um degrau para o grande encontro com o Cristo na glória.

O Advento apresenta sempre a tríplice vinda de Cristo: Cristo veio, Cristo vem, Cristo virá. Esta realidade é celebrada e vivida no Advento. Cristo veio (celebramos no Natal), Ele virá (primeira parte do Advento); mas Ele vem agora para os cristãos, para todos os homens. Celebrando a vinda histórica de Cristo, realiza-se sua vinda atual no mistério do culto, realizando-se assim mais uma etapa na preparação da vinda última de Cristo.

Após o Concílio Ecumênico Vaticano II, o Advento foi concebido assim que os dois primeiros domingos continuam com o tema do final do Ano Litúrgico, evocando a última vinda do Senhor em sua glória (até o dia 16 de dezembro) e os dois domingos que precedem o Natal (em especial a semana de preparação próxima) anunciam a celebração da vinda histórica de Cristo, de tal maneira que a vinda histórica, no Natal, se torne realmente a vinda atual no mistério de sua festa, nos Sacramentos e na vida de caridade dos cristãos. Esta vinda de Cristo no Natal, por sua vez, é um passo na caminhada para Deus, um degrau na escada que leve ao Senhor.

Três são as figuras que guiam e acompanham os cristãos nesta preparação para a vinda do Senhor: o povo de Deus do Antigo Testamento encarnado em Isaías, o Profeta Precursor, João Batista, que mostrou o Messias presente entre os homens e preparou o seu caminho, e Maria, Nossa Senhora do Ó, Nossa Senhora da Expectação.

Esta espiritualidade do Advento vem maravilhosamente expressa nos prefácios do Advento. Neles, a Igreja contempla as duas vindas de Cristo: “revestido da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido da sua glória, ele virá uma segunda vez, para conceder-nos em plenitude os bens outrora prometidos e que hoje vigilantes esperamos”. E ainda: a Igreja contempla a dupla espera de Cristo: “Foi ele que os profetas predisseram, a Virgem esperou com amor de mãe, João anunciou estar próximo e mostrou presente entre os homens. É ele que nos dá a alegria, de nos preparamos desde agora para o mistério do seu Natal, a fim de encontrar-nos em oração e celebrando os seus louvores”.

O Advento, ao revelar-nos as verdadeiras, profundas e misteriosas dimensões da vinda de Deus (mistério da Encarnação), traz uma essencial conotação missionária (como consequência, no Brasil vivemos a Campanha para a Evangelização – “Evangelizar partindo de Cristo”). O tempo da Igreja é um momento da atuação deste único evento e tem como característica o anúncio do Reino e o seu interiorizar-se no coração dos homens até a manifestação gloriosa de Cristo.

A edificação do corpo de Cristo realiza-se com a chegada de todos os membros deste corpo à única fé e ao único conhecimento do Filho de Deus. Alcançadas essas dimensões, realiza-se a construção da Igreja (Cf. Ef 4,13). Isso acontece definitivamente, a fim de que, nela e por meio dela, a totalidade do universo cresça para o Cristo (Cf. Ef 4,15). O Advento de Cristo na Igreja e por meio da Igreja atua-se mediante a missão (Cf. Ef 4, 11-12). Esta missão está fundada no mistério da participação e continuação da missão do Filho, que foi enviado pelo Pai, e na missão do Espírito, enviado pelo Pai e pelo (ou através do) Filho.

O Advento é também, por sua própria natureza, o tempo do aprofundamento do significado autêntico da missão (“evangeli-já”). A Igreja, “Sacramento Universal de Salvação” (LG 28), não vive para si, mas para o mundo. Cada cristão, embora com motivações diferentes, participa dessa missão. O anseio missionário é componente essencial da vida cristã, enquanto está inserida no mistério do Advento, considerado em toda a amplidão e profundidade do seu significado. Sob esta luz, a figura do Batista, que prepara o caminho do Senhor, e de Maria, que leva Cristo para santificar João em sua visita a Isabel, deixam entrever maneiras concretas do empenho missionário. Mas a preparação também se faz com um sinal concreto de conversão: a celebração penitencial!

A expectativa vigilante é acompanhada sempre pelo convite à alegria (terceiro domingo – Gaudete). O Advento é tempo de expectativa alegre porque aquilo que se espera certamente acontecerá. A esperança da Igreja é a mesma esperança de Israel, mas já realizada em Cristo. O olhar da comunidade, então fixa-se com esperança mais segura no cumprimento final, a vinda gloriosa do Senhor: “Maranatha: vem, Senhor Jesus”. Assim, a Igreja nos convida a vivermos o mistério da vinda do Senhor num tempo forte durante o ano, para que toda a nossa vida seja preparação para a vinda de Cristo. Para que o Senhor, ao chegar, a cada hora, a cada dia, a cada ano, nos encontre preparados para acolhê-lo.

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Eis que o Senhor virá

01/12/2018 00:00

O Advento é o ponto de partida e o ponto de chegada de um círculo da espiral dos anos que vivemos, caminhando ao encontro do Cristo que um dia há de se manifestar na glória. É o ponto de partida e de chegada de cada Ano Litúrgico.

Advento significa vinda, chegada. Revivendo a longa espera do povo de Israel pelo Messias, a Igreja se prepara para o encontro com Cristo no mistério do culto, recordando seu nascimento histórico. Este encontro de Cristo no mistério do Natal, por sua vez, constitui um degrau para o grande encontro com o Cristo na glória.

O Advento apresenta sempre a tríplice vinda de Cristo: Cristo veio, Cristo vem, Cristo virá. Esta realidade é celebrada e vivida no Advento. Cristo veio (celebramos no Natal), Ele virá (primeira parte do Advento); mas Ele vem agora para os cristãos, para todos os homens. Celebrando a vinda histórica de Cristo, realiza-se sua vinda atual no mistério do culto, realizando-se assim mais uma etapa na preparação da vinda última de Cristo.

Após o Concílio Ecumênico Vaticano II, o Advento foi concebido assim que os dois primeiros domingos continuam com o tema do final do Ano Litúrgico, evocando a última vinda do Senhor em sua glória (até o dia 16 de dezembro) e os dois domingos que precedem o Natal (em especial a semana de preparação próxima) anunciam a celebração da vinda histórica de Cristo, de tal maneira que a vinda histórica, no Natal, se torne realmente a vinda atual no mistério de sua festa, nos Sacramentos e na vida de caridade dos cristãos. Esta vinda de Cristo no Natal, por sua vez, é um passo na caminhada para Deus, um degrau na escada que leve ao Senhor.

Três são as figuras que guiam e acompanham os cristãos nesta preparação para a vinda do Senhor: o povo de Deus do Antigo Testamento encarnado em Isaías, o Profeta Precursor, João Batista, que mostrou o Messias presente entre os homens e preparou o seu caminho, e Maria, Nossa Senhora do Ó, Nossa Senhora da Expectação.

Esta espiritualidade do Advento vem maravilhosamente expressa nos prefácios do Advento. Neles, a Igreja contempla as duas vindas de Cristo: “revestido da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido da sua glória, ele virá uma segunda vez, para conceder-nos em plenitude os bens outrora prometidos e que hoje vigilantes esperamos”. E ainda: a Igreja contempla a dupla espera de Cristo: “Foi ele que os profetas predisseram, a Virgem esperou com amor de mãe, João anunciou estar próximo e mostrou presente entre os homens. É ele que nos dá a alegria, de nos preparamos desde agora para o mistério do seu Natal, a fim de encontrar-nos em oração e celebrando os seus louvores”.

O Advento, ao revelar-nos as verdadeiras, profundas e misteriosas dimensões da vinda de Deus (mistério da Encarnação), traz uma essencial conotação missionária (como consequência, no Brasil vivemos a Campanha para a Evangelização – “Evangelizar partindo de Cristo”). O tempo da Igreja é um momento da atuação deste único evento e tem como característica o anúncio do Reino e o seu interiorizar-se no coração dos homens até a manifestação gloriosa de Cristo.

A edificação do corpo de Cristo realiza-se com a chegada de todos os membros deste corpo à única fé e ao único conhecimento do Filho de Deus. Alcançadas essas dimensões, realiza-se a construção da Igreja (Cf. Ef 4,13). Isso acontece definitivamente, a fim de que, nela e por meio dela, a totalidade do universo cresça para o Cristo (Cf. Ef 4,15). O Advento de Cristo na Igreja e por meio da Igreja atua-se mediante a missão (Cf. Ef 4, 11-12). Esta missão está fundada no mistério da participação e continuação da missão do Filho, que foi enviado pelo Pai, e na missão do Espírito, enviado pelo Pai e pelo (ou através do) Filho.

O Advento é também, por sua própria natureza, o tempo do aprofundamento do significado autêntico da missão (“evangeli-já”). A Igreja, “Sacramento Universal de Salvação” (LG 28), não vive para si, mas para o mundo. Cada cristão, embora com motivações diferentes, participa dessa missão. O anseio missionário é componente essencial da vida cristã, enquanto está inserida no mistério do Advento, considerado em toda a amplidão e profundidade do seu significado. Sob esta luz, a figura do Batista, que prepara o caminho do Senhor, e de Maria, que leva Cristo para santificar João em sua visita a Isabel, deixam entrever maneiras concretas do empenho missionário. Mas a preparação também se faz com um sinal concreto de conversão: a celebração penitencial!

A expectativa vigilante é acompanhada sempre pelo convite à alegria (terceiro domingo – Gaudete). O Advento é tempo de expectativa alegre porque aquilo que se espera certamente acontecerá. A esperança da Igreja é a mesma esperança de Israel, mas já realizada em Cristo. O olhar da comunidade, então fixa-se com esperança mais segura no cumprimento final, a vinda gloriosa do Senhor: “Maranatha: vem, Senhor Jesus”. Assim, a Igreja nos convida a vivermos o mistério da vinda do Senhor num tempo forte durante o ano, para que toda a nossa vida seja preparação para a vinda de Cristo. Para que o Senhor, ao chegar, a cada hora, a cada dia, a cada ano, nos encontre preparados para acolhê-lo.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro