Arquidiocese do Rio de Janeiro

36º 23º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/12/2018

14 de Dezembro de 2018

Cristo Rei do Universo

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14 de Dezembro de 2018

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24/11/2018 00:00 - Atualizado em 26/11/2018 06:58

Cristo Rei do Universo 0

24/11/2018 00:00 - Atualizado em 26/11/2018 06:58

Chegamos ao final de mais um ano litúrgico: nossa vida gira e retorna ao centro de nossa fé: Jesus Cristo, Rei do Universo, a Ele seja dada a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Neste domingo concluímos o Ano do laicato, celebramos o dia do leigo e da leiga e iniciamos a Campanha para a Evangelização.

O 34º Domingo é o último do Tempo Comum, e a Igreja contempla, adora e proclama o seu Senhor, Jesus Cristo, como Rei e Senhor do universo! Depois de termos percorrido todo o Ano Litúrgico, começando com o Advento que nos preparava para o Natal; depois de termos atravessado a penitência quaresmal e o júbilo pascal, depois das trinta e três semanas do longo Tempo Comum, eis-nos agora, ao final do ano da Igreja, proclamando que o Senhor do universo, o Rei do tempo e da eternidade é o Cristo nosso Deus!

Rei do Universo! Título quer pode nos levar ao engano. Quando olhamos em torno a nós constatamos que cada vez mais Cristo parece reinar menos! Como é Rei? Nossa sociedade é pós-cristã e neo-pagã, os traços do cristianismo e as marcas de respeito pelo Senhor Jesus vão se diluindo e desaparecendo rapidamente... Jesus não reina nas famílias, nem em nossas escolas, também não parece reinar em nossos ambientes de trabalho, nem nas nossas leis e também nem dos nossos legisladores e governantes... Está ausente de nossos relacionamentos onde predomina a violência e a mentira. Hoje quer reinar o paganismo e o relativismo: temos ao nosso redor a banalização do que é sagrado... Não será, então, uma tremenda ilusão, uma alienação de quem não quer ver a verdade dos fatos, dizer que Cristo é Rei? Não estaria a Igreja iludida, que pensa ainda como se estivéssemos vivendo séculos atrás? O mundo grita aos ouvidos: “Não queremos que esse aí reine sobre nós! Que reine a nossa ciência; que reine a nossa vontade, na terra ‘como no céu’; que reine nosso prazer; reinemos nós mesmos, como senhores do bem e do mal, do certo e do errado, da vida e da morte!" Olhando a realidade atual, a festa solene desse final de semana pode nos levar à descrença, a uma tremenda tristeza, a um inapelável desânimo! Somos súditos de um Reino sem espaço e de um Rei sem trono nem poder... Parece que o Reino no qual apostamos não passa de um conto de fadas desmentido pela realidade tão dura, rude e poderosa...

Mas, esta visão deprimida e descrente somente pode ser possível se entendermos de modo enganoso a festa deste hoje. E é fácil compreendê-la assim, de modo errado. Vejamos, então! Quando afirmamos que Cristo é Rei, de que Reino estamos falando? De que modo de reinar? De que tipo de Rei? No Evangelho da solenidade (cf. Jo 18,33b-37), Pilatos perguntou a Jesus: "Tu és Rei?" E Jesus confirma, mas esclarece: "O meu Reino não é deste mundo. Meu Reino não é daqui!"(cf. Jo 18,36). Um Reino que não é como os reinos deste mundo; um Reino que não tem de modo algum os critérios dos reinos daqui... Um Reino que não se vê pela dimensão do território, não se conta pelo poder de suas tropas... “Meu Reino não é daqui!” Trata-se, como diz o Prefácio da Missa de hoje, de um “reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”. Jesus é Rei não porque o mundo o reconhece e o adora... Não! É verdade que, ao fim da história humana, toda a criação e toda a humanidade serão por ele julgadas e nele transfiguradas. As palavras da primeira leitura (cf. Dn 7,13-14) desta festa não são uma brincadeira nem uma fábula: "Entre as nuvens do céu vinha um como Filho do Homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença” (cf. Dn 7,13).

Foram-lhe dados poder, glória e realeza e todos os povos, nações e línguas o serviam. Seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá. Certamente, a glória do Senhor se manifestará de modo claro, palpável e inapelável ante todos nós e toda a humanidade; certamente o Senhor haverá de nos julgar a todos e a cada um de nós; certamente, a nossa história e a história humana toda serão passadas a limpo em Cristo... Mas, Jesus será tudo isso porque ele é o Filho do Homem, isto é, aquele que se fez homem, se fez pequeno, tomando nossa pobre condição humana! Aqui está a chave para compreender o reinado de Jesus! Ele é Rei porque é Servo, porque nos amou a ponto de dar a vida por nós e por toda a humanidade. Toda vez que a liturgia deste domingo fala da sua Realeza, proclama seu amor que fê-lo morrer por nós: "Eis que vem sobre as nuvens e todos os olhos o verão, também aqueles que o traspassaram”.

Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele! Aquele que vem como Deus, sobre as nuvens, aquele que será contemplado, reconhecido um dia por todos, é o mesmo que foi traspassado na cruz! Toda a humanidade que o traspassou baterá no peito, arrependida, chorosa, admirada de tanto amor! A Igreja nos prepara já na antífona de entrada da Festa de hoje: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória através dos séculos” (Ap 5,12; 1,6). Aquele que é digno de receber todo louvor é doce e pacífico como um cordeiro; o Cordeiro que foi imolado, transpassado por nós! Ele é digno porque nos conquista com seu amor e sua generosidade a ponto de se ter deixado imolar por nós! É o “Jesus que nos ama, que nos libertou com seu sangue; que fez de nós um Reino e sacerdotes para o seu Deus e Pai... A ele a glória e o poder...”

O Reino de Cristo deve aparecer sobretudo na vida da Igreja e na vida dos cristãos. Ali, onde o amor de Cristo é acolhido com doçura e bondade; ali, onde reina o amor e a caridade; ali onde o serviço e o perdão estão presentes; ali, onde se reza e se busca realmente levar a cruz com Cristo até a morte... É aí, nessas situações bem concretas, que o Reino de Cristo se faz presente desde já... Cuidemos de ser atentos! Num mundo que adora tudo que é "mega" (mega-show, mega-evento, etc), tudo quanto é vistoso e pirotécnico, o Reino se apresenta com critérios totalmente opostos!

Eis a grande lição da Festa deste hoje: o tempo, a história, o cosmo... tudo corre para Jesus: ele é o Alfa e o Ômega, o A e o Z, o Primeiro e o Último! É nele, no critério da sua cruz, que tudo será avaliado, tudo será julgado! Ao Reinado de Cristo, um Dia – no seu Dia - tudo estará plenamente submetido! Mas, nunca esqueçamos: aquele que é nosso Rei e Juiz é o nosso Salvador, o humilde Filho do Homem, que se manifestará revestido de glória porque morreu por nós: "Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogênito dentre os mortos, o Soberano dos reis da terra". A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

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24/11/2018 00:00 - Atualizado em 26/11/2018 06:58

Chegamos ao final de mais um ano litúrgico: nossa vida gira e retorna ao centro de nossa fé: Jesus Cristo, Rei do Universo, a Ele seja dada a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Neste domingo concluímos o Ano do laicato, celebramos o dia do leigo e da leiga e iniciamos a Campanha para a Evangelização.

O 34º Domingo é o último do Tempo Comum, e a Igreja contempla, adora e proclama o seu Senhor, Jesus Cristo, como Rei e Senhor do universo! Depois de termos percorrido todo o Ano Litúrgico, começando com o Advento que nos preparava para o Natal; depois de termos atravessado a penitência quaresmal e o júbilo pascal, depois das trinta e três semanas do longo Tempo Comum, eis-nos agora, ao final do ano da Igreja, proclamando que o Senhor do universo, o Rei do tempo e da eternidade é o Cristo nosso Deus!

Rei do Universo! Título quer pode nos levar ao engano. Quando olhamos em torno a nós constatamos que cada vez mais Cristo parece reinar menos! Como é Rei? Nossa sociedade é pós-cristã e neo-pagã, os traços do cristianismo e as marcas de respeito pelo Senhor Jesus vão se diluindo e desaparecendo rapidamente... Jesus não reina nas famílias, nem em nossas escolas, também não parece reinar em nossos ambientes de trabalho, nem nas nossas leis e também nem dos nossos legisladores e governantes... Está ausente de nossos relacionamentos onde predomina a violência e a mentira. Hoje quer reinar o paganismo e o relativismo: temos ao nosso redor a banalização do que é sagrado... Não será, então, uma tremenda ilusão, uma alienação de quem não quer ver a verdade dos fatos, dizer que Cristo é Rei? Não estaria a Igreja iludida, que pensa ainda como se estivéssemos vivendo séculos atrás? O mundo grita aos ouvidos: “Não queremos que esse aí reine sobre nós! Que reine a nossa ciência; que reine a nossa vontade, na terra ‘como no céu’; que reine nosso prazer; reinemos nós mesmos, como senhores do bem e do mal, do certo e do errado, da vida e da morte!" Olhando a realidade atual, a festa solene desse final de semana pode nos levar à descrença, a uma tremenda tristeza, a um inapelável desânimo! Somos súditos de um Reino sem espaço e de um Rei sem trono nem poder... Parece que o Reino no qual apostamos não passa de um conto de fadas desmentido pela realidade tão dura, rude e poderosa...

Mas, esta visão deprimida e descrente somente pode ser possível se entendermos de modo enganoso a festa deste hoje. E é fácil compreendê-la assim, de modo errado. Vejamos, então! Quando afirmamos que Cristo é Rei, de que Reino estamos falando? De que modo de reinar? De que tipo de Rei? No Evangelho da solenidade (cf. Jo 18,33b-37), Pilatos perguntou a Jesus: "Tu és Rei?" E Jesus confirma, mas esclarece: "O meu Reino não é deste mundo. Meu Reino não é daqui!"(cf. Jo 18,36). Um Reino que não é como os reinos deste mundo; um Reino que não tem de modo algum os critérios dos reinos daqui... Um Reino que não se vê pela dimensão do território, não se conta pelo poder de suas tropas... “Meu Reino não é daqui!” Trata-se, como diz o Prefácio da Missa de hoje, de um “reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”. Jesus é Rei não porque o mundo o reconhece e o adora... Não! É verdade que, ao fim da história humana, toda a criação e toda a humanidade serão por ele julgadas e nele transfiguradas. As palavras da primeira leitura (cf. Dn 7,13-14) desta festa não são uma brincadeira nem uma fábula: "Entre as nuvens do céu vinha um como Filho do Homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença” (cf. Dn 7,13).

Foram-lhe dados poder, glória e realeza e todos os povos, nações e línguas o serviam. Seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá. Certamente, a glória do Senhor se manifestará de modo claro, palpável e inapelável ante todos nós e toda a humanidade; certamente o Senhor haverá de nos julgar a todos e a cada um de nós; certamente, a nossa história e a história humana toda serão passadas a limpo em Cristo... Mas, Jesus será tudo isso porque ele é o Filho do Homem, isto é, aquele que se fez homem, se fez pequeno, tomando nossa pobre condição humana! Aqui está a chave para compreender o reinado de Jesus! Ele é Rei porque é Servo, porque nos amou a ponto de dar a vida por nós e por toda a humanidade. Toda vez que a liturgia deste domingo fala da sua Realeza, proclama seu amor que fê-lo morrer por nós: "Eis que vem sobre as nuvens e todos os olhos o verão, também aqueles que o traspassaram”.

Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele! Aquele que vem como Deus, sobre as nuvens, aquele que será contemplado, reconhecido um dia por todos, é o mesmo que foi traspassado na cruz! Toda a humanidade que o traspassou baterá no peito, arrependida, chorosa, admirada de tanto amor! A Igreja nos prepara já na antífona de entrada da Festa de hoje: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória através dos séculos” (Ap 5,12; 1,6). Aquele que é digno de receber todo louvor é doce e pacífico como um cordeiro; o Cordeiro que foi imolado, transpassado por nós! Ele é digno porque nos conquista com seu amor e sua generosidade a ponto de se ter deixado imolar por nós! É o “Jesus que nos ama, que nos libertou com seu sangue; que fez de nós um Reino e sacerdotes para o seu Deus e Pai... A ele a glória e o poder...”

O Reino de Cristo deve aparecer sobretudo na vida da Igreja e na vida dos cristãos. Ali, onde o amor de Cristo é acolhido com doçura e bondade; ali, onde reina o amor e a caridade; ali onde o serviço e o perdão estão presentes; ali, onde se reza e se busca realmente levar a cruz com Cristo até a morte... É aí, nessas situações bem concretas, que o Reino de Cristo se faz presente desde já... Cuidemos de ser atentos! Num mundo que adora tudo que é "mega" (mega-show, mega-evento, etc), tudo quanto é vistoso e pirotécnico, o Reino se apresenta com critérios totalmente opostos!

Eis a grande lição da Festa deste hoje: o tempo, a história, o cosmo... tudo corre para Jesus: ele é o Alfa e o Ômega, o A e o Z, o Primeiro e o Último! É nele, no critério da sua cruz, que tudo será avaliado, tudo será julgado! Ao Reinado de Cristo, um Dia – no seu Dia - tudo estará plenamente submetido! Mas, nunca esqueçamos: aquele que é nosso Rei e Juiz é o nosso Salvador, o humilde Filho do Homem, que se manifestará revestido de glória porque morreu por nós: "Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogênito dentre os mortos, o Soberano dos reis da terra". A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro