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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/12/2018

18 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (80)

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18 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (80)

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16/11/2018 00:00

Livros do Antigo Testamento (80) 0

16/11/2018 00:00

Neste artigo passaremos em revista os aspectos principais destes livros que narram a reflexão da História de Israel acerca do tempo dos reis, quando o povo vive sob o regime da monarquia.

INTRODUÇÃO

As traduções da Bíblia apresentam apenas uma introdução para os dois livros das Crônicas, porque na Bíblia hebraica eles constituíam um todo, num único livro chamado “Dibrê hayyamîm” (Anais)1.

A Bíblia grega dos Setenta chamou-lhes “Paralipómenos”, isto é, coisas transmitidas, paralelamente, porque boa parte do seu conteúdo constava já dos livros de Samuel e Reis.

HISTÓRIA

Deve se tratar de uma obra da segunda metade do séc. IV, entre 350-250 a.C.; no entanto, refere-se à restauração religiosa do reino de Judá, depois do exílio da Babilônia, nos fins do séc. VI a.C..

Nesta história tem lugar de relevo a tribo de Judá (que é a tribo de David), a tribo de Levi (por causa de Aarão, o protagonista do sacerdócio e do culto divino) e a tribo de Benjamim (à qual pertence a família de Saul, e em cujo território está implantado o templo).

Isto explica o silêncio acerca do reino do Norte, ou Israel, e a omissão de muitas coisas - sobretudo as negativas referentes a David - que se encontram noutros livros históricos, especialmente nos de Samuel. David e Jerusalém, com o seu templo, estão no centro das crônicas, tal como Moisés e o Sinai estão no centro do Pentateuco e da História Deuteronomista.

DIVISÃO E CONTEÚDO

Os Livros das Crônicas visam apresentar a grande História do povo de Israel.

Por isso, no seguimento do Pentateuco, estão na linha dos livros de Josué, juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 reis (História Deuteronomista) e de Esdras e Neemias. Constituem, com Esdras e Neemias, um conjunto chamado “Obra do Cronista”.

Além de terem o mesmo estilo e pensamento, os últimos versículos de 2 Cr (36,22-23) repetem-se no início de Esdras (Esd 1,1-3).

No centro destes livros está David e o seu reinado, para o qual converge toda a História precedente, e radicam, não só a organização do povo como, sobretudo, as estruturas cultuais do templo.

Sendo assim, pode-se estruturar os livros segundo o seguinte esquema:

I. História do povo desde Adão até David (1 Cr 1,1-10,14).

É como que a pré-história de David, com início em Adão, constituída quase totalmente por listas genealógicas, algumas das quais vão até ao pós-exílio (cap. 1-9). Termina com a morte de Saul (cap. 10).

A genealogia, ou sucessão de gerações, era um gênero literário frequente na Bíblia e nas culturas antigas, como forma de exprimir a fé na presença da divindade nos meandros da História dos homens. Os nomes que a integram podem exprimir apenas vagas relações de parentesco ou de simples vizinhança, afinidades de ordem política e econômica; por vezes, nomes de povos e de regiões passam a ser nomes de pessoas.

Era através da genealogia que alguém podia tornar-se participante das bênçãos prometidas por Deus a Abraão. As listas veiculam a promessa messiânica, de que David é sinal privilegiado. Estas genealogias afirmam, ainda, a importância do princípio da continuidade do povo de Deus, através de um período de ruptura nacional, causada pelo exílio na Babilônia, e fundamentam a esperança da restauração.

II. História de David (1 Cr 11,1-29,30).

Descreve-se a história do reinado de David desde a sagração e a entronização até à sua morte, dando especial relevo à atuação do rei nos preparativos para a construção do templo e a organização do culto litúrgico.

III. História de Salomão (2 Cr 1,1-9,31).

Destaca-se a sua sabedoria, a construção e dedicação do templo de Jerusalém e outros acontecimentos já narrados em 1 Rs. Termina com a morte de Salomão.

IV. História dos reis de Judá (2 Cr 10,1-36,23).

Inicia-se com a divisão do reino davídico, depois da morte de Salomão, e termina com o édito de Ciro, após um relato resumido da atividade dos reis de Judá.

1 Na Bíblia hebraica, o Livro de Crônicas recebe o nome de “sepher dibrê hayyamîm” (livro dos fatos cotidianos, anais). Jerônimo, parafraseando o termo hebraico escolheu o nome “Chronicon totius divinae historiae” (crônica de toda a história divina), título que foi resumido e adotado por Lutero, permanecendo até hoje em nossas Bíblias. Na Bíblia grega (séc. III a.C.), o livro recebeu o nome de Paralipomena (coisas omitidas ou deixadas de lado). O título foi escolhido, provavelmente, porque Crônicas acrescenta informações omitidas nos livros de Samuel e Reis. Na Bíblia hebraica foi posto depois de Esdras e Neemias, ocupando o último lugar entre os livros canônicos.  Cf. http://numinosumteologia.blogspot.com/2010/05/o-livro-de-cronicas-uma-teologia-pos.html

 

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Livros do Antigo Testamento (80)

16/11/2018 00:00

Neste artigo passaremos em revista os aspectos principais destes livros que narram a reflexão da História de Israel acerca do tempo dos reis, quando o povo vive sob o regime da monarquia.

INTRODUÇÃO

As traduções da Bíblia apresentam apenas uma introdução para os dois livros das Crônicas, porque na Bíblia hebraica eles constituíam um todo, num único livro chamado “Dibrê hayyamîm” (Anais)1.

A Bíblia grega dos Setenta chamou-lhes “Paralipómenos”, isto é, coisas transmitidas, paralelamente, porque boa parte do seu conteúdo constava já dos livros de Samuel e Reis.

HISTÓRIA

Deve se tratar de uma obra da segunda metade do séc. IV, entre 350-250 a.C.; no entanto, refere-se à restauração religiosa do reino de Judá, depois do exílio da Babilônia, nos fins do séc. VI a.C..

Nesta história tem lugar de relevo a tribo de Judá (que é a tribo de David), a tribo de Levi (por causa de Aarão, o protagonista do sacerdócio e do culto divino) e a tribo de Benjamim (à qual pertence a família de Saul, e em cujo território está implantado o templo).

Isto explica o silêncio acerca do reino do Norte, ou Israel, e a omissão de muitas coisas - sobretudo as negativas referentes a David - que se encontram noutros livros históricos, especialmente nos de Samuel. David e Jerusalém, com o seu templo, estão no centro das crônicas, tal como Moisés e o Sinai estão no centro do Pentateuco e da História Deuteronomista.

DIVISÃO E CONTEÚDO

Os Livros das Crônicas visam apresentar a grande História do povo de Israel.

Por isso, no seguimento do Pentateuco, estão na linha dos livros de Josué, juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 reis (História Deuteronomista) e de Esdras e Neemias. Constituem, com Esdras e Neemias, um conjunto chamado “Obra do Cronista”.

Além de terem o mesmo estilo e pensamento, os últimos versículos de 2 Cr (36,22-23) repetem-se no início de Esdras (Esd 1,1-3).

No centro destes livros está David e o seu reinado, para o qual converge toda a História precedente, e radicam, não só a organização do povo como, sobretudo, as estruturas cultuais do templo.

Sendo assim, pode-se estruturar os livros segundo o seguinte esquema:

I. História do povo desde Adão até David (1 Cr 1,1-10,14).

É como que a pré-história de David, com início em Adão, constituída quase totalmente por listas genealógicas, algumas das quais vão até ao pós-exílio (cap. 1-9). Termina com a morte de Saul (cap. 10).

A genealogia, ou sucessão de gerações, era um gênero literário frequente na Bíblia e nas culturas antigas, como forma de exprimir a fé na presença da divindade nos meandros da História dos homens. Os nomes que a integram podem exprimir apenas vagas relações de parentesco ou de simples vizinhança, afinidades de ordem política e econômica; por vezes, nomes de povos e de regiões passam a ser nomes de pessoas.

Era através da genealogia que alguém podia tornar-se participante das bênçãos prometidas por Deus a Abraão. As listas veiculam a promessa messiânica, de que David é sinal privilegiado. Estas genealogias afirmam, ainda, a importância do princípio da continuidade do povo de Deus, através de um período de ruptura nacional, causada pelo exílio na Babilônia, e fundamentam a esperança da restauração.

II. História de David (1 Cr 11,1-29,30).

Descreve-se a história do reinado de David desde a sagração e a entronização até à sua morte, dando especial relevo à atuação do rei nos preparativos para a construção do templo e a organização do culto litúrgico.

III. História de Salomão (2 Cr 1,1-9,31).

Destaca-se a sua sabedoria, a construção e dedicação do templo de Jerusalém e outros acontecimentos já narrados em 1 Rs. Termina com a morte de Salomão.

IV. História dos reis de Judá (2 Cr 10,1-36,23).

Inicia-se com a divisão do reino davídico, depois da morte de Salomão, e termina com o édito de Ciro, após um relato resumido da atividade dos reis de Judá.

1 Na Bíblia hebraica, o Livro de Crônicas recebe o nome de “sepher dibrê hayyamîm” (livro dos fatos cotidianos, anais). Jerônimo, parafraseando o termo hebraico escolheu o nome “Chronicon totius divinae historiae” (crônica de toda a história divina), título que foi resumido e adotado por Lutero, permanecendo até hoje em nossas Bíblias. Na Bíblia grega (séc. III a.C.), o livro recebeu o nome de Paralipomena (coisas omitidas ou deixadas de lado). O título foi escolhido, provavelmente, porque Crônicas acrescenta informações omitidas nos livros de Samuel e Reis. Na Bíblia hebraica foi posto depois de Esdras e Neemias, ocupando o último lugar entre os livros canônicos.  Cf. http://numinosumteologia.blogspot.com/2010/05/o-livro-de-cronicas-uma-teologia-pos.html

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica