Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2018

19 de Novembro de 2018

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10/11/2018 18:39 - Atualizado em 10/11/2018 18:40

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No 32º domingo do tempo comum iniciamos a semana da solidariedade em preparação para o II Dia Mundial dos pobres que ocorre no domingo que antecede a grande solenidade de Cristo Rei. Essa jornada foi instituída no ano passado pelo Papa Francisco para despertar a Igreja para sua presença ainda maior entre os necessitados. O tema deste ano traz consigo um apelo para que sejamos a resposta que Deus quer dar a tantas pessoas que vivem na exclusão: “Este pobre clama e o Senhor o escuta”. A liturgia deste final de semana nos ajuda a bem preparar essa semana ao falar de pessoas desprovidas e necessitadas como são as viúvas citadas pela Sagrada Escritura.

São duas cenas comoventes com a viúva de Sarepta (1Rs 17, 10-16) e a questão do óbolo da viúva (Mc 12, 38-44) que ocupam nossa atenção neste 32º. Domingo do Tempo Comum.

A Viúva de Sarepta (cf. primeira leitura – 1Rs 17,10-16) aparece como uma mulher necessitada que representa a todas, pois não tem nome, não tem história de família, e nada se sabe a não ser que tinha um filho. A Bíblia vai direto ao ponto: no tempo do profeta Elias uma seca mortal varreu a Terra Santa e sua vizinhança. O Livro dos Reis explica que isso se deveu à idolatria de Israel e à impiedade de Acab, seu rei. Até o profeta Elias, que anunciou o castigo, teve que sofrer as consequências: primeiro ficou sendo alimentado por um corvo na torrente de Carit; mas, depois, a torrente secou. Também os profetas de Deus sofrem, também eles participam da sorte do seu povo. Também os amigos do Senhor devem combater os combates da vida. Mas, secada a torrente de Carit, Elias deixou a Terra Santa como flagelado de seca: Elias, um dos maiores amigos de Deus, foi retirante e chega no estrangeiro, na fronteira de Israel com o Líbano. Vê uma viúva cananéia, pagã, portanto, apanhando uns gravetos para fazer fogo. Pois bem, o homem pede-lhe um pouco d’água e, também, um pedaço de pão para matar sua sede e sua fome.     E diante do pedido do Homem de Deus, a resposta da pobre viúva pobre é de fazer chorar de dor: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha e um pouco de azeite. Eu estava apanhado dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte” (cf. 1Rs 17,12). É um fim da pouca comida na casa daquela viúva pobre. Ela não amaldiçoa a Deus; pelo contrário: “Pela vida do Senhor, teu Deus!” (cf. 1Rs 17,12)– ela diz, com respeito por Deus e por seu profeta, apesar de ser uma pagã! E Elias manda que ela prepare o pão primeiro para ele; e garante: “Assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até ao dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”(cf 1Rs 17,14). A viúva fez assim, e aconteceu como o profeta de Deus dissera.

A segunda cena (cf. Evangelho Mc 12,38-44) é também de uma viúva de quem não conhecemos nem o nome e nem a história. Chega junto ao cofre do tesouro do Templo. Ali joga duas moedinhas. Dinheiro que não dá para comprar nem o azeite de um dia para manter o candelabro do Senhor aceso! Mas, era “tudo aquilo que possuía para viver!” E o Senhor viu, e comoveu-se com sua generosidade, pois conhecia seu coração e sabia da sua penúria miserável! O Senhor Jesus, que desmascara nossos pensamentos miseráveis e mundanos faz desse gesto uma lição importante: Ama aquela viúva, elogia aquela mulher, comove-se com ela.

A segunda leitura (cf. Hb 9,24-48) deste domingo apresenta Cristo no céu, diante do Pai, em nosso favor. O Autor sagrado explica que ele se fez homem uma só vez, entregando-se todo, a vida toda, por nós, até morrer para apagar os pecados da multidão! Ele fez como aquelas viúvas: Ele não se poupou, não poupou nada; tudo entregou ao Pai por nós. E agora, ele estará para sempre diante do Pai, com o seu sacrifício, como Cordeiro glorioso e imolado (Ap 5,6), até que apareça no final dos tempos “para salvar aqueles que o esperam”. Eis o mistério: sem saberem, aquelas duas mulheres participavam da entrega de Cristo, da generosidade de Cristo, dos sentimentos de Cristo! Sem nem imaginarem, aquelas mulheres colocaram a esperança em Cristo!

Voltemos o olhar do coração para o Céu, para junto do Pai! Lá está o nosso Salvador, eternamente vitorioso e eternamente imolado de amor! Lá está Jesus, com seu sacrifício eterno, único, perfeito irrepetível, totalmente suficiente e eficaz! Ele nos deu tudo! Mais ainda: ele se deu todo... Todo a nós, todo por nós! Agora, olhemos para o Altar, em torno do qual nos reunimos aos domingos. Esse sacrifício único e santíssimo que está para sempre diante de Deus, esta sobre o Altar sagrado, para ser nossa oferta e para que nós dele participemos! A Hóstia santa – isto é, a Vítima do Sacrifício – o Cristo na presença eucarística presente na missa é a nossa oferta e nosso alimento! É muito dom, é muito mistério, é muita piedade, é muita misericórdia de Deus para conosco. E olhemos ao redor, diante de tantas injustiças e situações de dor e abandono: somos chamados também hoje, os que crêem no Cristo que se entregou por nós, a ser o sinal da providência de Deus para tantos irmãos e irmãs nossos que esperam e confiam no Senhor.

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10/11/2018 18:39 - Atualizado em 10/11/2018 18:40

No 32º domingo do tempo comum iniciamos a semana da solidariedade em preparação para o II Dia Mundial dos pobres que ocorre no domingo que antecede a grande solenidade de Cristo Rei. Essa jornada foi instituída no ano passado pelo Papa Francisco para despertar a Igreja para sua presença ainda maior entre os necessitados. O tema deste ano traz consigo um apelo para que sejamos a resposta que Deus quer dar a tantas pessoas que vivem na exclusão: “Este pobre clama e o Senhor o escuta”. A liturgia deste final de semana nos ajuda a bem preparar essa semana ao falar de pessoas desprovidas e necessitadas como são as viúvas citadas pela Sagrada Escritura.

São duas cenas comoventes com a viúva de Sarepta (1Rs 17, 10-16) e a questão do óbolo da viúva (Mc 12, 38-44) que ocupam nossa atenção neste 32º. Domingo do Tempo Comum.

A Viúva de Sarepta (cf. primeira leitura – 1Rs 17,10-16) aparece como uma mulher necessitada que representa a todas, pois não tem nome, não tem história de família, e nada se sabe a não ser que tinha um filho. A Bíblia vai direto ao ponto: no tempo do profeta Elias uma seca mortal varreu a Terra Santa e sua vizinhança. O Livro dos Reis explica que isso se deveu à idolatria de Israel e à impiedade de Acab, seu rei. Até o profeta Elias, que anunciou o castigo, teve que sofrer as consequências: primeiro ficou sendo alimentado por um corvo na torrente de Carit; mas, depois, a torrente secou. Também os profetas de Deus sofrem, também eles participam da sorte do seu povo. Também os amigos do Senhor devem combater os combates da vida. Mas, secada a torrente de Carit, Elias deixou a Terra Santa como flagelado de seca: Elias, um dos maiores amigos de Deus, foi retirante e chega no estrangeiro, na fronteira de Israel com o Líbano. Vê uma viúva cananéia, pagã, portanto, apanhando uns gravetos para fazer fogo. Pois bem, o homem pede-lhe um pouco d’água e, também, um pedaço de pão para matar sua sede e sua fome.     E diante do pedido do Homem de Deus, a resposta da pobre viúva pobre é de fazer chorar de dor: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha e um pouco de azeite. Eu estava apanhado dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte” (cf. 1Rs 17,12). É um fim da pouca comida na casa daquela viúva pobre. Ela não amaldiçoa a Deus; pelo contrário: “Pela vida do Senhor, teu Deus!” (cf. 1Rs 17,12)– ela diz, com respeito por Deus e por seu profeta, apesar de ser uma pagã! E Elias manda que ela prepare o pão primeiro para ele; e garante: “Assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até ao dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”(cf 1Rs 17,14). A viúva fez assim, e aconteceu como o profeta de Deus dissera.

A segunda cena (cf. Evangelho Mc 12,38-44) é também de uma viúva de quem não conhecemos nem o nome e nem a história. Chega junto ao cofre do tesouro do Templo. Ali joga duas moedinhas. Dinheiro que não dá para comprar nem o azeite de um dia para manter o candelabro do Senhor aceso! Mas, era “tudo aquilo que possuía para viver!” E o Senhor viu, e comoveu-se com sua generosidade, pois conhecia seu coração e sabia da sua penúria miserável! O Senhor Jesus, que desmascara nossos pensamentos miseráveis e mundanos faz desse gesto uma lição importante: Ama aquela viúva, elogia aquela mulher, comove-se com ela.

A segunda leitura (cf. Hb 9,24-48) deste domingo apresenta Cristo no céu, diante do Pai, em nosso favor. O Autor sagrado explica que ele se fez homem uma só vez, entregando-se todo, a vida toda, por nós, até morrer para apagar os pecados da multidão! Ele fez como aquelas viúvas: Ele não se poupou, não poupou nada; tudo entregou ao Pai por nós. E agora, ele estará para sempre diante do Pai, com o seu sacrifício, como Cordeiro glorioso e imolado (Ap 5,6), até que apareça no final dos tempos “para salvar aqueles que o esperam”. Eis o mistério: sem saberem, aquelas duas mulheres participavam da entrega de Cristo, da generosidade de Cristo, dos sentimentos de Cristo! Sem nem imaginarem, aquelas mulheres colocaram a esperança em Cristo!

Voltemos o olhar do coração para o Céu, para junto do Pai! Lá está o nosso Salvador, eternamente vitorioso e eternamente imolado de amor! Lá está Jesus, com seu sacrifício eterno, único, perfeito irrepetível, totalmente suficiente e eficaz! Ele nos deu tudo! Mais ainda: ele se deu todo... Todo a nós, todo por nós! Agora, olhemos para o Altar, em torno do qual nos reunimos aos domingos. Esse sacrifício único e santíssimo que está para sempre diante de Deus, esta sobre o Altar sagrado, para ser nossa oferta e para que nós dele participemos! A Hóstia santa – isto é, a Vítima do Sacrifício – o Cristo na presença eucarística presente na missa é a nossa oferta e nosso alimento! É muito dom, é muito mistério, é muita piedade, é muita misericórdia de Deus para conosco. E olhemos ao redor, diante de tantas injustiças e situações de dor e abandono: somos chamados também hoje, os que crêem no Cristo que se entregou por nós, a ser o sinal da providência de Deus para tantos irmãos e irmãs nossos que esperam e confiam no Senhor.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro