Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2018

19 de Novembro de 2018

Ser Santo hoje

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04/11/2018 01:00

Grandes são os questionamentos do homem em tempos hodiernos. Um dos mais presentes atualmente em sua vida é de como buscar e, também, viver a santidade? A Bíblia ensina que santidade, é um atributo exclusivo de Deus, mas ao mesmo tempo chama homens e mulheres de santos. Por que? O que faz com que uma pessoa seja santa? É possível lutar contra nossos próprios desejos, controlar a nossa mente e não pensar em coisas que desagradam a Deus?

Ser santo é ser perfeito, sem defeito algum, ser completamente justo, puro e totalmente separado do pecado, ou seja, um atributo exclusivo de Deus (Sl 99,9; 1Jo 1,5). Somente Deus é moralmente puro e perfeito (Sl 145,17; Mt 5,48, 2Sm 22,31). Inclusive, a principal forma utilizada, até mesmo por anjos, para adorar a Deus é chamá-lo de SANTO (Is 6,3; Ap 4,8).

Por que então a Bíblia consideraria alguns homens e mulheres como sendo santos? E ao contrário do que muitos pensam, esta condição de santo não se aplica somente aos grandes apóstolos ou aos nomes famosos da Bíblia, mas se refere à pessoas comuns, como eu e você (Cl 1,2; Ef 1,1; 1Pe 1,16).

No documento sobre a santidade do Santo Padre, o Papa Francisco, pode-se ler uma expressão que marca o espírito desta Exortação Apostólica Gaudete et exsultate: “Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da «classe média da santidade»”

A questão é que por mais piedosa que uma pessoa seja, por mais obras de caridade que ela faça, ainda sim ela jamais alcançará o padrão de santidade exigido por Deus (Rm 3,10-12). Como é então que a Bíblia, ou seja, o próprio Deus, pode chamar alguém de santo?

A resposta é muito simples: Jesus Cristo (Jo 6,69; 2Co 5,21). A Bíblia ensina que receber Jesus Cristo significa ser considerado uma nova criatura (2Co 5,17; Jo 3,3; Jo 1,12-13), ser purificado e separado do pecado (Cl 1,14; 1Jo 3,5-6), ser tirado do reino das trevas e transportado para o Reino de Deus (Cl 1,13-14).

Santo é todo aquele que crê que Jesus é o Cristo (Jo 20,30-31; 1Jo 5,1), o Filho de Deus (1Jo 5,4-5). Crê na sua vida sem pecado (Hb 4,15; 1Pe 2,22), morte sem culpa (1Pe 3,18) e ressurreição dentre os mortos (Rm 10,9-10).

Quando isso acontece, quando cremos, Cristo passa a habitar em nós (1Jo 4,13; Jo 14,23), e se Cristo vive em nós (Gl 2,20), somos santos (Ap 14,12). Não por mérito ou esforço próprio (Ef 2,8-9), mas por causa de Jesus Cristo (1Jo 2,12).

Ser santo não significa dizer que a nossa natureza pecaminosa deixou de existir (1Jo 1,8), muito pelo contrário, é aí que realmente percebemos que tal natureza existe (Rm 7,18). O que acontece agora é uma luta contra o pecado que habita em nós (1Pe 2,11), para vivermos de acordo com a vontade de Deus revelada na Bíblia (Ef 5,17), ou seja, andar em santidade (1Ts 4,3). Ser santo é o que nos capacita a andar em santidade (1Jo 2,29; 1Jo 5,18-19).

Contudo, nós precisamos separar o que é santidade, daquilo que só tem aparência de santidade. Assim como os fariseus na época de Jesus (Mt 23,25-28), ainda hoje muitas pessoas tentam demonstrar sua santidade através das roupas que vestem, das músicas que ouvem, dos programas que assistem e dos lugares que frequentam ou deixam de frequentar (Cl 2,20-23; Is 29,13) – isso tudo pode ajudar na perseverança no bem na caminhada de conversão, porém, quem geralmente tenta apenas demonstrar uma santidade através de usos e costumes acaba se esquecendo de que a santidade ensinada pela Bíblia não é algo para ser exibido e muito menos feito para se receber elogios (Mt 6.1). É algo para ser vivido em nosso particular com Deus (Rm 14,22; Ef 5,8-10), algo interior que nem sempre ficará evidente à outras pessoas (2Co 13,5; 1Co 11,28), embora possa aparecer na convivência de cada dia.

Para o Papa, em sua Exortação Apostólica sobre a santidade, Gaudete et Exsultate, existe um método para o caminho da santidade: as bem-aventuranças (nº 63). Ele declara nesse documento que sobre a essência da santidade, podem haver muitas teorias, abundantes explicações e distinções. Uma reflexão do género poderia ser útil, mas não há nada de mais esclarecedor do que voltar às palavras de Jesus e recolher o seu modo de transmitir a verdade. Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; fê-lo quando nos deixou as bem-aventuranças (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23). Estas são como que o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre como fazer para chegar a ser um bom cristão, a resposta é simples: é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no sermão das bem-aventuranças. Nelas está delineado, segundo o papa, “o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia-a-dia da nossa vida”. (nº21).

E para cumprir as bem-aventuranças e viver a santidade no mundo atual o Papa Francisco aponta algumas características necessárias a desenvolver pelos cristãos: a oração, a paciência, a mansidão, a ousadia e, também, a alegria e o bom humor. Aliás, neste particular do bom humor, o Papa cita alguns santos como São Tomás Moro, São Vicente de Paulo e São Filipe Néri e sublinha que “o mau humor não é um sinal de santidade”. A alegria, essa sim, é característica de santidade porque, como escreve o Papa “ser cristão é «alegria no Espírito Santo» (Rm 14, 17)”. Mas, Francisco avisa que não se trata de uma alegria consumista: “Não estou a falar da alegria consumista e individualista muito presente nalgumas experiências culturais de hoje. Com efeito, o consumismo só atravanca o coração; pode proporcionar prazeres ocasionais e passageiros, mas não alegria. Refiro-me, antes, àquela alegria que se vive em comunhão, que se partilha e comunica, porque «a felicidade está mais em dar do que em receber» (At 20, 35) e «Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9, 7).”

Conclui o Papa a sua Exortação Apostólica Gaudete et exsultate sobre a santidade assinalando uma “necessidade imperiosa”: “a capacidade de discernimento”. “Hoje em dia, tornou-se particularmente necessária a capacidade de discernimento, porque a vida atual oferece enormes possibilidades de ação e distração, sendo-nos apresentadas pelo mundo como se fossem todas válidas e boas. Todos, mas especialmente os jovens, estão sujeitos a um zapping constante. É possível navegar simultaneamente em dois ou três visores e interagir ao mesmo tempo em diferentes cenários virtuais. Sem a sapiência do discernimento, podemos facilmente transformar-nos em marionetes à mercê das tendências da ocasião.”

Sendo assim, Jesus Cristo deve governar nossas mentes para que todo pensamento se torne obediente à Ele (2Co 10,5), e que tanto o nosso querer, quanto o nosso realizar, sejam feitos de acordo com a sua boa (Fp 2,13), agradável e perfeita vontade (1Co 13,10; Rm 6,22).

 

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04/11/2018 01:00

Grandes são os questionamentos do homem em tempos hodiernos. Um dos mais presentes atualmente em sua vida é de como buscar e, também, viver a santidade? A Bíblia ensina que santidade, é um atributo exclusivo de Deus, mas ao mesmo tempo chama homens e mulheres de santos. Por que? O que faz com que uma pessoa seja santa? É possível lutar contra nossos próprios desejos, controlar a nossa mente e não pensar em coisas que desagradam a Deus?

Ser santo é ser perfeito, sem defeito algum, ser completamente justo, puro e totalmente separado do pecado, ou seja, um atributo exclusivo de Deus (Sl 99,9; 1Jo 1,5). Somente Deus é moralmente puro e perfeito (Sl 145,17; Mt 5,48, 2Sm 22,31). Inclusive, a principal forma utilizada, até mesmo por anjos, para adorar a Deus é chamá-lo de SANTO (Is 6,3; Ap 4,8).

Por que então a Bíblia consideraria alguns homens e mulheres como sendo santos? E ao contrário do que muitos pensam, esta condição de santo não se aplica somente aos grandes apóstolos ou aos nomes famosos da Bíblia, mas se refere à pessoas comuns, como eu e você (Cl 1,2; Ef 1,1; 1Pe 1,16).

No documento sobre a santidade do Santo Padre, o Papa Francisco, pode-se ler uma expressão que marca o espírito desta Exortação Apostólica Gaudete et exsultate: “Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da «classe média da santidade»”

A questão é que por mais piedosa que uma pessoa seja, por mais obras de caridade que ela faça, ainda sim ela jamais alcançará o padrão de santidade exigido por Deus (Rm 3,10-12). Como é então que a Bíblia, ou seja, o próprio Deus, pode chamar alguém de santo?

A resposta é muito simples: Jesus Cristo (Jo 6,69; 2Co 5,21). A Bíblia ensina que receber Jesus Cristo significa ser considerado uma nova criatura (2Co 5,17; Jo 3,3; Jo 1,12-13), ser purificado e separado do pecado (Cl 1,14; 1Jo 3,5-6), ser tirado do reino das trevas e transportado para o Reino de Deus (Cl 1,13-14).

Santo é todo aquele que crê que Jesus é o Cristo (Jo 20,30-31; 1Jo 5,1), o Filho de Deus (1Jo 5,4-5). Crê na sua vida sem pecado (Hb 4,15; 1Pe 2,22), morte sem culpa (1Pe 3,18) e ressurreição dentre os mortos (Rm 10,9-10).

Quando isso acontece, quando cremos, Cristo passa a habitar em nós (1Jo 4,13; Jo 14,23), e se Cristo vive em nós (Gl 2,20), somos santos (Ap 14,12). Não por mérito ou esforço próprio (Ef 2,8-9), mas por causa de Jesus Cristo (1Jo 2,12).

Ser santo não significa dizer que a nossa natureza pecaminosa deixou de existir (1Jo 1,8), muito pelo contrário, é aí que realmente percebemos que tal natureza existe (Rm 7,18). O que acontece agora é uma luta contra o pecado que habita em nós (1Pe 2,11), para vivermos de acordo com a vontade de Deus revelada na Bíblia (Ef 5,17), ou seja, andar em santidade (1Ts 4,3). Ser santo é o que nos capacita a andar em santidade (1Jo 2,29; 1Jo 5,18-19).

Contudo, nós precisamos separar o que é santidade, daquilo que só tem aparência de santidade. Assim como os fariseus na época de Jesus (Mt 23,25-28), ainda hoje muitas pessoas tentam demonstrar sua santidade através das roupas que vestem, das músicas que ouvem, dos programas que assistem e dos lugares que frequentam ou deixam de frequentar (Cl 2,20-23; Is 29,13) – isso tudo pode ajudar na perseverança no bem na caminhada de conversão, porém, quem geralmente tenta apenas demonstrar uma santidade através de usos e costumes acaba se esquecendo de que a santidade ensinada pela Bíblia não é algo para ser exibido e muito menos feito para se receber elogios (Mt 6.1). É algo para ser vivido em nosso particular com Deus (Rm 14,22; Ef 5,8-10), algo interior que nem sempre ficará evidente à outras pessoas (2Co 13,5; 1Co 11,28), embora possa aparecer na convivência de cada dia.

Para o Papa, em sua Exortação Apostólica sobre a santidade, Gaudete et Exsultate, existe um método para o caminho da santidade: as bem-aventuranças (nº 63). Ele declara nesse documento que sobre a essência da santidade, podem haver muitas teorias, abundantes explicações e distinções. Uma reflexão do género poderia ser útil, mas não há nada de mais esclarecedor do que voltar às palavras de Jesus e recolher o seu modo de transmitir a verdade. Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; fê-lo quando nos deixou as bem-aventuranças (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23). Estas são como que o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre como fazer para chegar a ser um bom cristão, a resposta é simples: é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no sermão das bem-aventuranças. Nelas está delineado, segundo o papa, “o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia-a-dia da nossa vida”. (nº21).

E para cumprir as bem-aventuranças e viver a santidade no mundo atual o Papa Francisco aponta algumas características necessárias a desenvolver pelos cristãos: a oração, a paciência, a mansidão, a ousadia e, também, a alegria e o bom humor. Aliás, neste particular do bom humor, o Papa cita alguns santos como São Tomás Moro, São Vicente de Paulo e São Filipe Néri e sublinha que “o mau humor não é um sinal de santidade”. A alegria, essa sim, é característica de santidade porque, como escreve o Papa “ser cristão é «alegria no Espírito Santo» (Rm 14, 17)”. Mas, Francisco avisa que não se trata de uma alegria consumista: “Não estou a falar da alegria consumista e individualista muito presente nalgumas experiências culturais de hoje. Com efeito, o consumismo só atravanca o coração; pode proporcionar prazeres ocasionais e passageiros, mas não alegria. Refiro-me, antes, àquela alegria que se vive em comunhão, que se partilha e comunica, porque «a felicidade está mais em dar do que em receber» (At 20, 35) e «Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9, 7).”

Conclui o Papa a sua Exortação Apostólica Gaudete et exsultate sobre a santidade assinalando uma “necessidade imperiosa”: “a capacidade de discernimento”. “Hoje em dia, tornou-se particularmente necessária a capacidade de discernimento, porque a vida atual oferece enormes possibilidades de ação e distração, sendo-nos apresentadas pelo mundo como se fossem todas válidas e boas. Todos, mas especialmente os jovens, estão sujeitos a um zapping constante. É possível navegar simultaneamente em dois ou três visores e interagir ao mesmo tempo em diferentes cenários virtuais. Sem a sapiência do discernimento, podemos facilmente transformar-nos em marionetes à mercê das tendências da ocasião.”

Sendo assim, Jesus Cristo deve governar nossas mentes para que todo pensamento se torne obediente à Ele (2Co 10,5), e que tanto o nosso querer, quanto o nosso realizar, sejam feitos de acordo com a sua boa (Fp 2,13), agradável e perfeita vontade (1Co 13,10; Rm 6,22).

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro