Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 23º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2018

19 de Novembro de 2018

Jovens - Esperança do mundo

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Jovens - Esperança do mundo

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03/11/2018 11:01 - Atualizado em 03/11/2018 11:01

Jovens - Esperança do mundo 0

03/11/2018 11:01 - Atualizado em 03/11/2018 11:01

No dia 27 de outubro passado foi celebrada a última congregação geral do Sínodo dos Bispos 2018, que tratou da nossa juventude. No dia imediato a clausura do Sínodo com a missa solene presidida pelo Papa Francisco. Além da carta dirigida aos jovens que foi lida ao final da missa, o Sínodo também emitiu um documento final que será muito importante ser aprofundado. 

Demos graças a Deus pelos muitos benefícios que a Igreja, Mãe e Mestra, vai tirar deste momento rico em que os jovens foram ouvidos e se fizeram ouvir no contexto da nova evangelização.

Sabemos que corre uma ideia em nosso meio em que se valoriza a riqueza: "...as pessoas valem pelo que tem...". As pessoas estão tão frias que não sentem mais a dor próximo, mas em última análise se conformam, por achar que as coisas estão "normais" do jeito que estão indo. O mundo vem impondo suas leis, defendendo a morte e rejeitando a vida, e isto está tão explicito quando é levantada a bandeira em defesa do aborto e da eutanásia.

A família "nosso maior patrimônio", está sendo destruída e desvalorizada...fico pensando como é que uma espécie pode sobreviver sem os elementos básicos que a compõe. Fico impressionado ao ver como o ambiente cultural, educacional e comunicacional vai forçando a opinião pública a aceitar os valores determinados por uma minoria. Os resultados estão aí: relacionamentos vazios que tem sido formado, sob os alicerces dos prazeres passageiros. Vemos também uma juventude que vive na promiscuidade e que sem referenciais se perde em um mundo de escuridão e morte.

Por isso, como reflexão para este tempo penso em algumas situações que hoje nos forçam a refletir sobre os passos a serem dados. Lembro das palavras do Papa Francisco aos voluntários jovens - já na despedida da JMJ - no Rio Centro no Rio de Janeiro - quando disse que jovem precisa ir contra a corrente. Hoje fala-se que: 1º Andar na contramão do politicamente correto é ser retrógrado. Neste caso a Igreja é obrigada a viver na "ilegalidade", pois os padrões deste mundo, não estão sujeitos a lei de Deus. "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Cf. Romanos 12,2).

No 2º ponto: Quem anda na contramão corre riscos. Quem está na contramão quase sempre se envolve numa colisão frontal, bate de frente com os conceitos e com as leis do mundo. Vida cristã é luta, Jesus mesmo nos avisou "no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (Cf. Jo 16,33 )". São Paulo escreve aos Tessalonicenses dizendo que em "em todas as ...perseguições e aflições ..." eles haviam suportado com "...paciência e fé"(Cf. 2 Tes 1,4); escreve também a Timóteo dizendo "Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo."(Cf. 2 Tm 2,3). Pedro afirma: "Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis." Independentemente dos perigos devemos marchar na direção oposta, mas olhando para o alvo, tendo a mesma certeza de São Paulo que diz: "Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada."

O 3º momento é que andar na contramão seria um suicídio. O evangelista Lucas diz que qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, salvá-la-á. (Cf. Lc 9,24). Isso aqui não é uma defesa ao suicídio, Jesus nunca ensinou os homens a tirarem suas próprias vidas. Mas aquele que foi escolhido, não se conforma em viver como antes, e nem andar pelo caminho de antes. Então insiste em andar na contramão de uma vida mesquinha e vazia. Este amor que nos envolve e nos traz dominados também nos impulsiona a trazer todo pensamento cativo em obediência a Cristo, e nesta insistência ou aquilo que poderia ser chamado de "irresponsabilidade santa", o verdadeiro discipulo do caminho se vê diante da própria morte, " Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro.(Cf. Rom 8,36)"; mas não se amedronta diante dela, não por ser autossuficiente, mas por crer NAQUELE que é AUTOSUFICIENTE.

Os Padres Sinodais, em carta endereçada aos jovens, escreveram: “Sabemos de suas buscas interiores, das alegrias e das esperanças, das dores e angústias que fazem parte de sua inquietude. Agora, queremos que vocês escutem uma palavra nossa: desejamos ser colaboradores de sua alegria para que suas expectativas se transformem em ideais. Temos certeza de que com sua vontade de viver, vocês estão prontos a se empenhar para que seus sonhos tomem forma em sua existência e na história humana. Que nossas fraquezas não os desanimem, que as fragilidades e pecados não sejam um obstáculo à sua confiança. A Igreja é sua mãe, não abandona vocês, está pronta para acompanhá-los em novos caminhos, nas sendas mais altas onde o vento do Espírito sopra mais forte, varrendo as névoas da indiferença, da superficialidade, do desânimo.” https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2018-10/sinodo-jovens-2018-carta-padres-sinodais-jovens.html, último acesso em 27 de outubro de 2018.

O Papa Francisco assim se dirigiu aos jovens: “Este é um dos dons mais bonitos que o Senhor faz à Igreja católica, ou seja, colher vozes e rostos das realidades mais variadas e assim poder tentar uma interpretação que considere a riqueza e a complexidade dos fenômenos, sempre à luz do Evangelho.” https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-10/papa-angelus-28-outubro-sinodo-tempo-consolacao-esperanca.html, último acesso em 28 de outubro de 2018.

Que o Divino Espírito Santo, por intercessão de todos os santos possa fermentar no coração de todos os jovens o frescor do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo e que possamos levar o dom mais precioso que o Senhor nos dá: “A paz esteja convosco!” Que a Paz de Cristo, que cada jovem irradia com a sua juventude, ilumine e abençoe a todos os que precisam de paz e de misericórdia. Que o amor de Cristo nos infunda nessa bonita missão e no ânimo e ardor missionário que o testemunho e apostolado dos jovens levam ao mundo, que tanto carecem de testemunho e de esperança cristã.

 

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Jovens - Esperança do mundo

03/11/2018 11:01 - Atualizado em 03/11/2018 11:01

No dia 27 de outubro passado foi celebrada a última congregação geral do Sínodo dos Bispos 2018, que tratou da nossa juventude. No dia imediato a clausura do Sínodo com a missa solene presidida pelo Papa Francisco. Além da carta dirigida aos jovens que foi lida ao final da missa, o Sínodo também emitiu um documento final que será muito importante ser aprofundado. 

Demos graças a Deus pelos muitos benefícios que a Igreja, Mãe e Mestra, vai tirar deste momento rico em que os jovens foram ouvidos e se fizeram ouvir no contexto da nova evangelização.

Sabemos que corre uma ideia em nosso meio em que se valoriza a riqueza: "...as pessoas valem pelo que tem...". As pessoas estão tão frias que não sentem mais a dor próximo, mas em última análise se conformam, por achar que as coisas estão "normais" do jeito que estão indo. O mundo vem impondo suas leis, defendendo a morte e rejeitando a vida, e isto está tão explicito quando é levantada a bandeira em defesa do aborto e da eutanásia.

A família "nosso maior patrimônio", está sendo destruída e desvalorizada...fico pensando como é que uma espécie pode sobreviver sem os elementos básicos que a compõe. Fico impressionado ao ver como o ambiente cultural, educacional e comunicacional vai forçando a opinião pública a aceitar os valores determinados por uma minoria. Os resultados estão aí: relacionamentos vazios que tem sido formado, sob os alicerces dos prazeres passageiros. Vemos também uma juventude que vive na promiscuidade e que sem referenciais se perde em um mundo de escuridão e morte.

Por isso, como reflexão para este tempo penso em algumas situações que hoje nos forçam a refletir sobre os passos a serem dados. Lembro das palavras do Papa Francisco aos voluntários jovens - já na despedida da JMJ - no Rio Centro no Rio de Janeiro - quando disse que jovem precisa ir contra a corrente. Hoje fala-se que: 1º Andar na contramão do politicamente correto é ser retrógrado. Neste caso a Igreja é obrigada a viver na "ilegalidade", pois os padrões deste mundo, não estão sujeitos a lei de Deus. "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Cf. Romanos 12,2).

No 2º ponto: Quem anda na contramão corre riscos. Quem está na contramão quase sempre se envolve numa colisão frontal, bate de frente com os conceitos e com as leis do mundo. Vida cristã é luta, Jesus mesmo nos avisou "no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (Cf. Jo 16,33 )". São Paulo escreve aos Tessalonicenses dizendo que em "em todas as ...perseguições e aflições ..." eles haviam suportado com "...paciência e fé"(Cf. 2 Tes 1,4); escreve também a Timóteo dizendo "Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo."(Cf. 2 Tm 2,3). Pedro afirma: "Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis." Independentemente dos perigos devemos marchar na direção oposta, mas olhando para o alvo, tendo a mesma certeza de São Paulo que diz: "Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada."

O 3º momento é que andar na contramão seria um suicídio. O evangelista Lucas diz que qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, salvá-la-á. (Cf. Lc 9,24). Isso aqui não é uma defesa ao suicídio, Jesus nunca ensinou os homens a tirarem suas próprias vidas. Mas aquele que foi escolhido, não se conforma em viver como antes, e nem andar pelo caminho de antes. Então insiste em andar na contramão de uma vida mesquinha e vazia. Este amor que nos envolve e nos traz dominados também nos impulsiona a trazer todo pensamento cativo em obediência a Cristo, e nesta insistência ou aquilo que poderia ser chamado de "irresponsabilidade santa", o verdadeiro discipulo do caminho se vê diante da própria morte, " Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro.(Cf. Rom 8,36)"; mas não se amedronta diante dela, não por ser autossuficiente, mas por crer NAQUELE que é AUTOSUFICIENTE.

Os Padres Sinodais, em carta endereçada aos jovens, escreveram: “Sabemos de suas buscas interiores, das alegrias e das esperanças, das dores e angústias que fazem parte de sua inquietude. Agora, queremos que vocês escutem uma palavra nossa: desejamos ser colaboradores de sua alegria para que suas expectativas se transformem em ideais. Temos certeza de que com sua vontade de viver, vocês estão prontos a se empenhar para que seus sonhos tomem forma em sua existência e na história humana. Que nossas fraquezas não os desanimem, que as fragilidades e pecados não sejam um obstáculo à sua confiança. A Igreja é sua mãe, não abandona vocês, está pronta para acompanhá-los em novos caminhos, nas sendas mais altas onde o vento do Espírito sopra mais forte, varrendo as névoas da indiferença, da superficialidade, do desânimo.” https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2018-10/sinodo-jovens-2018-carta-padres-sinodais-jovens.html, último acesso em 27 de outubro de 2018.

O Papa Francisco assim se dirigiu aos jovens: “Este é um dos dons mais bonitos que o Senhor faz à Igreja católica, ou seja, colher vozes e rostos das realidades mais variadas e assim poder tentar uma interpretação que considere a riqueza e a complexidade dos fenômenos, sempre à luz do Evangelho.” https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-10/papa-angelus-28-outubro-sinodo-tempo-consolacao-esperanca.html, último acesso em 28 de outubro de 2018.

Que o Divino Espírito Santo, por intercessão de todos os santos possa fermentar no coração de todos os jovens o frescor do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo e que possamos levar o dom mais precioso que o Senhor nos dá: “A paz esteja convosco!” Que a Paz de Cristo, que cada jovem irradia com a sua juventude, ilumine e abençoe a todos os que precisam de paz e de misericórdia. Que o amor de Cristo nos infunda nessa bonita missão e no ânimo e ardor missionário que o testemunho e apostolado dos jovens levam ao mundo, que tanto carecem de testemunho e de esperança cristã.

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro