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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/10/2018

23 de Outubro de 2018

Livros do Antigo Testamento (74)

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23 de Outubro de 2018

Livros do Antigo Testamento (74)

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05/10/2018 18:30 - Atualizado em 05/10/2018 18:30

Livros do Antigo Testamento (74) 0

05/10/2018 18:30 - Atualizado em 05/10/2018 18:30

Neste artigo encerramos a breve exposição sobre os Livros dos Juízes, que compõem a grande narrativa da entrada e consolidação da conquista da Terra Prometida e das ações divinas que corroboraram este período.

1) Aspectos Históricos do Livro

O Livro dos Juízes é um dos chamados “Livros Históricos” da Bíblia, mas é histórico segundo o modo de escrever História da Salvação. Neste tipo de narração, teologia e cronologia se adequam mutuamente.

Nesse gênero literário cabiam não apenas os fatos e os documentos, como acontece na historiografia moderna, mas também discursos teológicos (Jotam: 9,7-20), etiologias, pequenos fatos do dia a dia etc.

Este livro fornece-nos um quadro geral único do modo de vida das tribos de Israel, depois da instalação em Canaã, no que toca à vida política, social e religiosa.

É também interessante o fato de nos falar já do difícil relacionamento entre algumas tribos, que irá ter o seu desenlace na separação entre o Norte e o Sul, depois de Salomão.

O tempo dos juízes corresponde a mais de dois séculos de História, o que lhe confere um valor especial, embora a contagem dos anos fornecidos pelo texto nos dê exatamente 410 anos.

Este dado é certamente devido ao uso corrente do número simbólico 40, que significa uma geração, isto é, a vida de uma pessoa.

Esta indicação diz-nos bem do caráter aproximativo dos dados cronológicos do livro. A cronologia real da época dos juízes nunca poderá afastar-se muito do período entre 1200 e 1030.

2) A Teologia

Como qualquer livro da Bíblia, também o dos juízes não foi escrito para nos fornecer simplesmente a História factual das tribos de Israel.

Antes de mais, foi escrito para manifestar como Deus acompanha Seu povo na sua história concreta, mesmo no meio dos mais graves acontecimentos, como as guerras contra os povos inimigos.

A sua teologia fundamental é proposta pelos redatores deuteronomistas nas Introduções (1,1-3,6), em que aparecem fórmulas características como ‘os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor’ (2,11; 3,7.12; 4,1; 6,1; 10,6; 13,1).

Os israelitas fizeram, então, o mal aos olhos do Senhor e serviram os Baal. Abandonaram o Senhor, o Deus de seus pais, que os tinha tirado do Egito, e seguiram outros deuses, os dos povos que habitavam em torno deles; prostraram-se diante deles, excitando assim a cólera do Senhor. Abandonaram o Senhor para servirem Baal e Astarot (Jz 2, 11-13).

Desta infidelidade do povo ao Deus fiel da Aliança segue-se o castigo, que aparece nas derrotas perante os povos estrangeiros; e depois, a vitória, mediante os intermediários do Senhor, os juízes “salvadores” (3,31; 6,15; 10,1).

Logo que chegou à montanha de Efraim, tocou a trombeta e os filhos de Israel desceram da montanha com ele.

Segui-me, disse-lhes ele, porque o Senhor entregou-vos os moabitas, vossos inimigos. Eles o seguiram e ocuparam os vaus do Jordão, por onde se vai a Moab, de modo a não deixar passar ninguém. Mataram então cerca de dez mil homens, todo o escol e todo o vigor de Moab; ninguém escapou. Naquele dia foi Moab humilhado sob a mão de Israel. E a terra teve um descanso de 80 anos. Depois de Aod, Samgar, filho de Anat, derrotou 600 filisteus com um aguilhão de bois. Samgar também foi um libertador para Israel (Jz 3, 28-31).

A ideia teológica que ressalta deste livro é, pois, a imagem que um povo livre tem de Deus, que o acompanha para O libertar.

Não nos devem escandalizar os “pecados” destes juízes, homens rudes que precisamos situar no seu tempo e que procedem segundo a moral de então.

Caso paradigmático é a história de Sansão. Teremos que tentar, antes, descobrir o que há neles de positivo: a ação de Deus, que os anima com o seu espírito para conduzir o povo de Deus (3,10; 6,34; 11,29; 13,25).

O Espírito do Senhor apoderou-se de Gedeão, o qual, tocando a trombeta, convocou os filhos de Abieser para que o seguissem. Enviou mensageiros por toda a tribo de Manassés, que se reuniu para segui-lo; e enviou também mensageiros às tribos de Aser, de Zabulon e de Neftali, e todos vieram juntar-se a ele. Gedeão disse a Deus: Se quereis realmente salvar Israel por meio de minha mão, como o dissestes, eis que vou estender um velo de lã na eira: se o orvalho cair só no velo, ficando toda a terra seca, reconhecerei que é por minha mão que livrareis Israel, como o dissestes. E assim aconteceu. Levantando-se Gedeão no dia seguinte pela manhã, espremeu a lã e encheu um copo de orvalho (Jz 6. 34-38).

Neste sentido, eles foram uma antecipação dos reis de Israel.

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Livros do Antigo Testamento (74)

05/10/2018 18:30 - Atualizado em 05/10/2018 18:30

Neste artigo encerramos a breve exposição sobre os Livros dos Juízes, que compõem a grande narrativa da entrada e consolidação da conquista da Terra Prometida e das ações divinas que corroboraram este período.

1) Aspectos Históricos do Livro

O Livro dos Juízes é um dos chamados “Livros Históricos” da Bíblia, mas é histórico segundo o modo de escrever História da Salvação. Neste tipo de narração, teologia e cronologia se adequam mutuamente.

Nesse gênero literário cabiam não apenas os fatos e os documentos, como acontece na historiografia moderna, mas também discursos teológicos (Jotam: 9,7-20), etiologias, pequenos fatos do dia a dia etc.

Este livro fornece-nos um quadro geral único do modo de vida das tribos de Israel, depois da instalação em Canaã, no que toca à vida política, social e religiosa.

É também interessante o fato de nos falar já do difícil relacionamento entre algumas tribos, que irá ter o seu desenlace na separação entre o Norte e o Sul, depois de Salomão.

O tempo dos juízes corresponde a mais de dois séculos de História, o que lhe confere um valor especial, embora a contagem dos anos fornecidos pelo texto nos dê exatamente 410 anos.

Este dado é certamente devido ao uso corrente do número simbólico 40, que significa uma geração, isto é, a vida de uma pessoa.

Esta indicação diz-nos bem do caráter aproximativo dos dados cronológicos do livro. A cronologia real da época dos juízes nunca poderá afastar-se muito do período entre 1200 e 1030.

2) A Teologia

Como qualquer livro da Bíblia, também o dos juízes não foi escrito para nos fornecer simplesmente a História factual das tribos de Israel.

Antes de mais, foi escrito para manifestar como Deus acompanha Seu povo na sua história concreta, mesmo no meio dos mais graves acontecimentos, como as guerras contra os povos inimigos.

A sua teologia fundamental é proposta pelos redatores deuteronomistas nas Introduções (1,1-3,6), em que aparecem fórmulas características como ‘os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor’ (2,11; 3,7.12; 4,1; 6,1; 10,6; 13,1).

Os israelitas fizeram, então, o mal aos olhos do Senhor e serviram os Baal. Abandonaram o Senhor, o Deus de seus pais, que os tinha tirado do Egito, e seguiram outros deuses, os dos povos que habitavam em torno deles; prostraram-se diante deles, excitando assim a cólera do Senhor. Abandonaram o Senhor para servirem Baal e Astarot (Jz 2, 11-13).

Desta infidelidade do povo ao Deus fiel da Aliança segue-se o castigo, que aparece nas derrotas perante os povos estrangeiros; e depois, a vitória, mediante os intermediários do Senhor, os juízes “salvadores” (3,31; 6,15; 10,1).

Logo que chegou à montanha de Efraim, tocou a trombeta e os filhos de Israel desceram da montanha com ele.

Segui-me, disse-lhes ele, porque o Senhor entregou-vos os moabitas, vossos inimigos. Eles o seguiram e ocuparam os vaus do Jordão, por onde se vai a Moab, de modo a não deixar passar ninguém. Mataram então cerca de dez mil homens, todo o escol e todo o vigor de Moab; ninguém escapou. Naquele dia foi Moab humilhado sob a mão de Israel. E a terra teve um descanso de 80 anos. Depois de Aod, Samgar, filho de Anat, derrotou 600 filisteus com um aguilhão de bois. Samgar também foi um libertador para Israel (Jz 3, 28-31).

A ideia teológica que ressalta deste livro é, pois, a imagem que um povo livre tem de Deus, que o acompanha para O libertar.

Não nos devem escandalizar os “pecados” destes juízes, homens rudes que precisamos situar no seu tempo e que procedem segundo a moral de então.

Caso paradigmático é a história de Sansão. Teremos que tentar, antes, descobrir o que há neles de positivo: a ação de Deus, que os anima com o seu espírito para conduzir o povo de Deus (3,10; 6,34; 11,29; 13,25).

O Espírito do Senhor apoderou-se de Gedeão, o qual, tocando a trombeta, convocou os filhos de Abieser para que o seguissem. Enviou mensageiros por toda a tribo de Manassés, que se reuniu para segui-lo; e enviou também mensageiros às tribos de Aser, de Zabulon e de Neftali, e todos vieram juntar-se a ele. Gedeão disse a Deus: Se quereis realmente salvar Israel por meio de minha mão, como o dissestes, eis que vou estender um velo de lã na eira: se o orvalho cair só no velo, ficando toda a terra seca, reconhecerei que é por minha mão que livrareis Israel, como o dissestes. E assim aconteceu. Levantando-se Gedeão no dia seguinte pela manhã, espremeu a lã e encheu um copo de orvalho (Jz 6. 34-38).

Neste sentido, eles foram uma antecipação dos reis de Israel.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica