Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/12/2018

16 de Dezembro de 2018

A ação do Espírito

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16 de Dezembro de 2018

A ação do Espírito

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28/09/2018 18:12 - Atualizado em 28/09/2018 18:13

A ação do Espírito 0

28/09/2018 18:12 - Atualizado em 28/09/2018 18:13

Chegamos ao final de mais um mês temático: o mês de Bíblia, neste ano focado no livro da Sabedoria. Palavra que é viva e eficaz e nos ilumine no mais profundo de nosso ser. O último domingo deste mês é também o dia de São Jerônimo que, no entanto, iremos aprofundar a liturgia à luz da celebração da Ressurreição do Senhor. A Palavra de Deus deste 26º Domingo do tempo comum apresenta alguns elementos importantes que nos precisam ser continuamente recordados. Tanto a primeira leitura (Cf. Nm 11,25-29) quanto o Evangelho (Cf. Mc 9,38-43.45.47-48), recordam-nos que Deus não é propriedade de ninguém. Ante o zelo mesquinho de João, Jesus afirma: Quem não é contra nós é a nosso favor"(Cf. Mc 9,40). É preciso compreender bem a afirmação do Senhor. Certamente, ele é o Caminho e a Verdade da humanidade; certamente ele fundou a Igreja, comunidade de seus discípulos; dotou essa Igreja do seu Espírito, de pastores e de toda uma estrutura visível. Esta Igreja de Cristo, nós cremos que permanece de modo pleno na Igreja Católica. Isto significa que os elementos essenciais da Igreja de Cristo permanecem, por graça e fidelidade do Senhor, naquela Comunidade que ele fundou desde o início, a Igreja una, santa, católica e apostólica.

Quais são esses elementos essenciais? A Palavra de Deus, pregada e interpretada segundo a Tradição apostólica, a Eucaristia como banquete e sacrifício, os demais sacramentos, o ministério de Pedro, presente nos seus sucessores, os Bispos de Roma (na linguagem mais conhecida: os Papas), o ministério episcopal, no qual se concretiza a sucessão apostólica, a caridade fraterna, os vários dons e carismas da comunidade, a misericórdia para com os que erram, o sentido da missão de anunciar Jesus ao mundo como Senhor e Salvador, o martírio como testemunho máximo de Cristo, a presença materna da Virgem Maria e dos Santos, amigos de Cristo.

A Igreja Católica é, portanto, Igreja de Cristo, pertence a Cristo e, por graça de Cristo, conserva e conservará sempre, sem poder perder, estes elementos. Mas, isso não significa que a Igreja seja proprietária de Cristo. De fato, na força do Espírito Santo, ele manifesta sua ação também fora da estrutura visível da Igreja Católica. Muitos têm elementos da Igreja de Cristo: a Palavra de Deus, a confissão de Jesus como Senhor e Salvador, tantos dons e carismas, o amor sincero a Jesus, a caridade fraterna, o elã missionário, embora talte a verdadeira comunhão hierárquica.

A Palavra de Deus também fala hoje de radicalidade. Tolerância para com os outros; radicalidade para conosco, no nosso ser cristãos! Vejamos: (1) Radicalidade no respeito pela debilidade dos pequeninos e fracos na fé: "Se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço". Deus nos livre de escandalizar, Deus nos livre de, por nossas atitudes, ser causa de tropeço para os irmãos mais fracos na fé! (2) Radicalidade para cortar o que em nós é escândalo, isto é, o que em nós leva ao pecado e ao afastamento de Cristo: "Se tua mão te leva a pecar, corta-a... Se teu pé te leva a pecar, corta-o... Se teu olho te leva a pecar, arranca-o!" Hoje, a tendência é arrancar o Evangelho para não termos que arrancar nada em nós, para não termos que nos incomodar nem mudar de vida! Jesus é claro: não entrará na vida quem sinceramente não combater aquilo que o faz tropeçar no caminho cristão. (3) Finalmente, a radicalidade de apoiar-se somente no Senhor e não nas nossas posses espirituais e materiais: espiritualmente, nunca pensar que somos proprietários do Senhor e da salvação e, materialmente, recordar que nossas riquezas apodrecem e nosso outro enferruja. São Tiago nos adverte duramente na segunda leitura de hoje: triste de quem é rico para si, desprezando os outros, mas não é rico para Deus!

É interessante como Jesus pede que tenhamos cuidados com os mais pequenos. Não basta ser tolerante com os de fora; é necessário mais ainda ser cuidadoso com os de nossa comunidade, de nossa paróquia, os nossos irmãos, filhos da mesma mãe católica. Quantas vezes uma palavra dura, um mau exemplo, uma atitude de fechamento, podem fazer esfriar a fé do irmão que é fraco. É o escândalo, isto é, é se tornar causa de tropeço e de queda para os outros. Deus nos livre, caríssimos, de servir a Deus passando por cima dos outros! Deus nos defenda de uma santidade que não cuide do bem e da fé dos irmãos! Deus nos guarde de um cristianismo sem amor! Eis aqui: com os de fora, tolerância e respeito; com os de dentro, amor e cuidado fraterno!

Que o Senhor, pela sua graça, nos dê toda tolerância e toda intolerância. Toda tolerância com os irmãos e toda intolerância com o nosso pecado e as nossas manhas. Que o Senhor nos converta, ele que é bendito para sempre. Amém.

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A ação do Espírito

28/09/2018 18:12 - Atualizado em 28/09/2018 18:13

Chegamos ao final de mais um mês temático: o mês de Bíblia, neste ano focado no livro da Sabedoria. Palavra que é viva e eficaz e nos ilumine no mais profundo de nosso ser. O último domingo deste mês é também o dia de São Jerônimo que, no entanto, iremos aprofundar a liturgia à luz da celebração da Ressurreição do Senhor. A Palavra de Deus deste 26º Domingo do tempo comum apresenta alguns elementos importantes que nos precisam ser continuamente recordados. Tanto a primeira leitura (Cf. Nm 11,25-29) quanto o Evangelho (Cf. Mc 9,38-43.45.47-48), recordam-nos que Deus não é propriedade de ninguém. Ante o zelo mesquinho de João, Jesus afirma: Quem não é contra nós é a nosso favor"(Cf. Mc 9,40). É preciso compreender bem a afirmação do Senhor. Certamente, ele é o Caminho e a Verdade da humanidade; certamente ele fundou a Igreja, comunidade de seus discípulos; dotou essa Igreja do seu Espírito, de pastores e de toda uma estrutura visível. Esta Igreja de Cristo, nós cremos que permanece de modo pleno na Igreja Católica. Isto significa que os elementos essenciais da Igreja de Cristo permanecem, por graça e fidelidade do Senhor, naquela Comunidade que ele fundou desde o início, a Igreja una, santa, católica e apostólica.

Quais são esses elementos essenciais? A Palavra de Deus, pregada e interpretada segundo a Tradição apostólica, a Eucaristia como banquete e sacrifício, os demais sacramentos, o ministério de Pedro, presente nos seus sucessores, os Bispos de Roma (na linguagem mais conhecida: os Papas), o ministério episcopal, no qual se concretiza a sucessão apostólica, a caridade fraterna, os vários dons e carismas da comunidade, a misericórdia para com os que erram, o sentido da missão de anunciar Jesus ao mundo como Senhor e Salvador, o martírio como testemunho máximo de Cristo, a presença materna da Virgem Maria e dos Santos, amigos de Cristo.

A Igreja Católica é, portanto, Igreja de Cristo, pertence a Cristo e, por graça de Cristo, conserva e conservará sempre, sem poder perder, estes elementos. Mas, isso não significa que a Igreja seja proprietária de Cristo. De fato, na força do Espírito Santo, ele manifesta sua ação também fora da estrutura visível da Igreja Católica. Muitos têm elementos da Igreja de Cristo: a Palavra de Deus, a confissão de Jesus como Senhor e Salvador, tantos dons e carismas, o amor sincero a Jesus, a caridade fraterna, o elã missionário, embora talte a verdadeira comunhão hierárquica.

A Palavra de Deus também fala hoje de radicalidade. Tolerância para com os outros; radicalidade para conosco, no nosso ser cristãos! Vejamos: (1) Radicalidade no respeito pela debilidade dos pequeninos e fracos na fé: "Se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço". Deus nos livre de escandalizar, Deus nos livre de, por nossas atitudes, ser causa de tropeço para os irmãos mais fracos na fé! (2) Radicalidade para cortar o que em nós é escândalo, isto é, o que em nós leva ao pecado e ao afastamento de Cristo: "Se tua mão te leva a pecar, corta-a... Se teu pé te leva a pecar, corta-o... Se teu olho te leva a pecar, arranca-o!" Hoje, a tendência é arrancar o Evangelho para não termos que arrancar nada em nós, para não termos que nos incomodar nem mudar de vida! Jesus é claro: não entrará na vida quem sinceramente não combater aquilo que o faz tropeçar no caminho cristão. (3) Finalmente, a radicalidade de apoiar-se somente no Senhor e não nas nossas posses espirituais e materiais: espiritualmente, nunca pensar que somos proprietários do Senhor e da salvação e, materialmente, recordar que nossas riquezas apodrecem e nosso outro enferruja. São Tiago nos adverte duramente na segunda leitura de hoje: triste de quem é rico para si, desprezando os outros, mas não é rico para Deus!

É interessante como Jesus pede que tenhamos cuidados com os mais pequenos. Não basta ser tolerante com os de fora; é necessário mais ainda ser cuidadoso com os de nossa comunidade, de nossa paróquia, os nossos irmãos, filhos da mesma mãe católica. Quantas vezes uma palavra dura, um mau exemplo, uma atitude de fechamento, podem fazer esfriar a fé do irmão que é fraco. É o escândalo, isto é, é se tornar causa de tropeço e de queda para os outros. Deus nos livre, caríssimos, de servir a Deus passando por cima dos outros! Deus nos defenda de uma santidade que não cuide do bem e da fé dos irmãos! Deus nos guarde de um cristianismo sem amor! Eis aqui: com os de fora, tolerância e respeito; com os de dentro, amor e cuidado fraterno!

Que o Senhor, pela sua graça, nos dê toda tolerância e toda intolerância. Toda tolerância com os irmãos e toda intolerância com o nosso pecado e as nossas manhas. Que o Senhor nos converta, ele que é bendito para sempre. Amém.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro