Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/10/2018

23 de Outubro de 2018

Livros do Antigo Testamento (72)

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

23 de Outubro de 2018

Livros do Antigo Testamento (72)

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

21/09/2018 18:07 - Atualizado em 21/09/2018 18:07

Livros do Antigo Testamento (72) 0

21/09/2018 18:07 - Atualizado em 21/09/2018 18:07

Neste artigo prosseguimos na exposição do Livro de Josué. Inserido na trama da entrada de Israel na terra prometida, esta narração nos ajuda a entender o desenrolar das Promessas Divinas feitas a Israel.

1) GÊNERO LITERÁRIO:

Em Josué, encontramos a História da Salvação, que implica na aglutinação de fatos à dimensão teológica da História.

Comparando Josué com Jz 1, aquilo que em Josué nos é apresentada como campanha militar organizada, uma espécie de coligação de todo o Israel, na verdade, parece ter sido uma iniciativa particular de cada tribo. Trata-se, pois, de apresentações esquematizadas:

Depois da morte de Josué, os israelitas consultaram o Senhor: Quem dentre nós será o primeiro a combater os cananeus? O Senhor respondeu: Judá, pois eu entregarei a terra nas suas mãos. Então, Judá disse a Simeão, seu irmão: Vem comigo à terra que me coube por sorte, para combatermos contra os cananeus. Depois irei contigo à tua terra. Simeão partiu com ele. Judá travou combate, e o Senhor entregou-lhe os cananeus e os ferezeus; derrotaram dez mil homens em Bezec. (Jz 1,1-4).

Do mesmo modo, não é de excluir a hipótese de algumas tribos terem penetrado em Canaã pelo Sul e não por Jericó (Nm 21,1-3):

O rei cananeu Arad, que habitava no Negeb, soube que Israel avançava pelo caminho de Atarim; atacou-o e levou alguns deles prisioneiros. Então Israel fez ao Senhor este voto: se me entregardes nas mãos esse povo, votarei as suas cidades ao interdito. O Senhor ouviu os rogos de Israel e entregou-lhe os cananeus, que foram votados ao interdito juntamente com as suas cidades. Deu-se a esse lugar o nome de Horma.

Algumas tribos, como as da região central, nem sequer teriam estado no Egito, mas permaneceram em Canaã.

Outra hipótese admitida é que teria havido vários êxodos de natureza diferente: êxodo-expulsão e êxodo-libertação; assim nos deixam supor as várias formas de texto, quando se fala da saída do Egito.

Nesse caso, a campanha de Josué, na reconquista épica de Canaã, revestiria a forma de síntese narrativa como reelaboração posterior das diversas tradições.

Os acontecimentos posteriores, até a época de David, mostram, igualmente, que a campanha da reconquista protagonizada por Josué não acabou com a posse total do território: muitos grupos de várias etnias não judaicas mantiveram-se autônomos por muitos anos, só mais tarde acabando por serem integrados em Israel.

De quanto ficou dito, pode-se, legitimamente, concluir que, em Josué, se encontram misturados vários tipos de textos literários: a narração, a descrição, a lenda popular, a epopeia etc.

A História de Israel não se interessa simplesmente por fatos, mas pela percepção sutil da Presença de Deus na história humana, como Salvador, Deus Fiel à Aliança.

2) TEOLOGIA

Como já foi dito, Josué pretende mostrar que Javé é fiel à sua palavra: se prometeu, cumpre (Gn 12,1-3; 13,14-17; 15,7-21; 17,1-8).

Como prometeu dar uma terra ao povo, tudo fará, mesmo milagres, para os opositores de Israel serem derrotados e as suas terras entregues ao “Povo de Javé”.

Daí a frequência da ação miraculosa da intervenção direta de Deus e dos seus anjos no decorrer das várias ações militares, bem como a idealização do herói, qual novo Moisés: tudo lhe é atribuído, participa em todas as batalhas e sobre ele se estende, incessantemente, a mão poderosa e protetora do Senhor.

Para isso concorre enormemente a importância do fator ‘Terra’ na trama da aliança: Javé faz um pacto com um povo nômade, a quem promete entregar uma terra que vai ser o cenário dos fatos dessa aliança.

Sem uma terra sua, o povo carece de raízes para a sua subsistência real. Foi assim que todo o israelita aprendeu a considerar a ‘Terra Prometida’ como um dom do Senhor.

Neste quadro, a guerra santa e a crueldade para com o vencido são um louvor a Javé, em cujo nome são praticadas.

O engrandecimento das ações, até se fazer delas milagres assombrosos, está plenamente justificado, uma vez que interessa, acima de tudo, exaltar Javé e Josué, figura central da presente epopeia.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

Livros do Antigo Testamento (72)

21/09/2018 18:07 - Atualizado em 21/09/2018 18:07

Neste artigo prosseguimos na exposição do Livro de Josué. Inserido na trama da entrada de Israel na terra prometida, esta narração nos ajuda a entender o desenrolar das Promessas Divinas feitas a Israel.

1) GÊNERO LITERÁRIO:

Em Josué, encontramos a História da Salvação, que implica na aglutinação de fatos à dimensão teológica da História.

Comparando Josué com Jz 1, aquilo que em Josué nos é apresentada como campanha militar organizada, uma espécie de coligação de todo o Israel, na verdade, parece ter sido uma iniciativa particular de cada tribo. Trata-se, pois, de apresentações esquematizadas:

Depois da morte de Josué, os israelitas consultaram o Senhor: Quem dentre nós será o primeiro a combater os cananeus? O Senhor respondeu: Judá, pois eu entregarei a terra nas suas mãos. Então, Judá disse a Simeão, seu irmão: Vem comigo à terra que me coube por sorte, para combatermos contra os cananeus. Depois irei contigo à tua terra. Simeão partiu com ele. Judá travou combate, e o Senhor entregou-lhe os cananeus e os ferezeus; derrotaram dez mil homens em Bezec. (Jz 1,1-4).

Do mesmo modo, não é de excluir a hipótese de algumas tribos terem penetrado em Canaã pelo Sul e não por Jericó (Nm 21,1-3):

O rei cananeu Arad, que habitava no Negeb, soube que Israel avançava pelo caminho de Atarim; atacou-o e levou alguns deles prisioneiros. Então Israel fez ao Senhor este voto: se me entregardes nas mãos esse povo, votarei as suas cidades ao interdito. O Senhor ouviu os rogos de Israel e entregou-lhe os cananeus, que foram votados ao interdito juntamente com as suas cidades. Deu-se a esse lugar o nome de Horma.

Algumas tribos, como as da região central, nem sequer teriam estado no Egito, mas permaneceram em Canaã.

Outra hipótese admitida é que teria havido vários êxodos de natureza diferente: êxodo-expulsão e êxodo-libertação; assim nos deixam supor as várias formas de texto, quando se fala da saída do Egito.

Nesse caso, a campanha de Josué, na reconquista épica de Canaã, revestiria a forma de síntese narrativa como reelaboração posterior das diversas tradições.

Os acontecimentos posteriores, até a época de David, mostram, igualmente, que a campanha da reconquista protagonizada por Josué não acabou com a posse total do território: muitos grupos de várias etnias não judaicas mantiveram-se autônomos por muitos anos, só mais tarde acabando por serem integrados em Israel.

De quanto ficou dito, pode-se, legitimamente, concluir que, em Josué, se encontram misturados vários tipos de textos literários: a narração, a descrição, a lenda popular, a epopeia etc.

A História de Israel não se interessa simplesmente por fatos, mas pela percepção sutil da Presença de Deus na história humana, como Salvador, Deus Fiel à Aliança.

2) TEOLOGIA

Como já foi dito, Josué pretende mostrar que Javé é fiel à sua palavra: se prometeu, cumpre (Gn 12,1-3; 13,14-17; 15,7-21; 17,1-8).

Como prometeu dar uma terra ao povo, tudo fará, mesmo milagres, para os opositores de Israel serem derrotados e as suas terras entregues ao “Povo de Javé”.

Daí a frequência da ação miraculosa da intervenção direta de Deus e dos seus anjos no decorrer das várias ações militares, bem como a idealização do herói, qual novo Moisés: tudo lhe é atribuído, participa em todas as batalhas e sobre ele se estende, incessantemente, a mão poderosa e protetora do Senhor.

Para isso concorre enormemente a importância do fator ‘Terra’ na trama da aliança: Javé faz um pacto com um povo nômade, a quem promete entregar uma terra que vai ser o cenário dos fatos dessa aliança.

Sem uma terra sua, o povo carece de raízes para a sua subsistência real. Foi assim que todo o israelita aprendeu a considerar a ‘Terra Prometida’ como um dom do Senhor.

Neste quadro, a guerra santa e a crueldade para com o vencido são um louvor a Javé, em cujo nome são praticadas.

O engrandecimento das ações, até se fazer delas milagres assombrosos, está plenamente justificado, uma vez que interessa, acima de tudo, exaltar Javé e Josué, figura central da presente epopeia.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica